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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Alemanha convoca embaixador norte-coreano após teste nuclear

O governo alemão convocou nesta sexta-feira o embaixador da Coreia do Norte em Berlim após o novo teste nuclear realizado pelas autoridades de Pyongyang, uma "provocação" que viola as resoluções das Nações Unidas.

Em entrevista coletiva, o porta-voz da Chancelaria, Steffen Seibert, condenou "com toda contundência" um teste com o qual a Coreia do Norte procura de maneira "irresponsável" avançar na desestabilização do nordeste asiático.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) advertiu que o anúncio de Pyongyang representa uma "clara violação" das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e um ato "preocupante e lamentável".

Rússia e Estados Unidos reagiram também ao novo teste nuclear da Coreia do Norte reivindicando a este país respeito das resoluções de Conselho de Segurança da ONU que no passado condenaram ações similares.

A Coreia do Norte explicou que o teste nuclear realizado consistiu na detonação de uma ogiva nuclear que pode se acoplar a seus mísseis, o que de ser certo suporia um importante avanço nas capacidades militares do país.

O teste, que aconteceu na base de Punggye-ri ao nordeste do país, teve uma potência de 10 quilotons, segundo cálculos das Forças Armadas da vizinha Coreia do Sul, e causou um terremoto de magnitude 5 na escala Richter.

Fonte: EFE

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Líderes da França, Itália e Alemanha lamentam saída do Reino Unido da UE


O premier italiano, Matteo Renzi, disse nesta sexta-feira (24) que a Itália continua comprometida com a União Europeia (UE), após os britânicos decidirem, em referendo, pela saída do bloco. A chanceler da Alemanha, Angela Merkel e o presidente da França, François Hollande lamentaram o resultado do referendo Brexit – união das palavras Britain (Grã-Bretanha) e exit (saída, em inglês).

O líder italiano destacou, no entanto, que mudanças são necessárias. "A Europa é nossa casa, o lar de nossos filhos e netos. Mais do que nunca estou convencido de que precisamos de renovações", lembrou em coletiva de imprensa.

Renzi disse ainda que respeita a decisão britânica e que agora é a hora de a União Europeia seguir em frente: "os britânicos fizeram sua escolha e é a hora de virarmos a página".

O italiano não acredita que o Brexit vai causar instabilidade no continente. "Estou aqui para dizer que a Itália vai fazer sua parte. O governo e as instituições financeiras estão em condições de garantir estabilidade e segurança", disse Renzi.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, por sua vez, lamentou o resultado do referendo, mas disse acreditar que o bloco é forte o suficiente para lidar com a situação.

Em coletiva de imprensa, Merkel declarou que a Alemanha tem um "interesse especial" e uma responsabilidade com o sucesso da UE e que as autoridades europeias precisam tentar uma relação próxima de Londres no futuro.

A chanceler também lembrou que o Reino Unido continua membro da UE com "todos seus direitos e obrigações" até que as negociações sejam concluídas.

Ela destacou que as autoridades europeias não devem tomar conclusões "rápidas e simples" sobre o Brexit, pois poderiam criar mais divisões.

Merkel revelou que um encontro com o presidente da França, François Hollande, e o premier da Itália foi agendado para a próxima segunda-feira, dia 27, em Berlim para debater a questão.

François Hollande lamentou "profundamente" a decisão pela saída do Reino Unido e disse que o bloco deverá fazer mudanças para continuar avançando. "A votação britânica é um duro teste para a Europa", concluiu.

Em breve pronunciamento televisionado, Hollande disse que este é o momento para reforçar importantes políticas, como de segurança e defesa, proteção das fronteiras e criação de empregos.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Rússia pode estar por trás de ciberataques na Alemanha

Ciberataques
Indícios apontam que autoridades russas estiveram por trás de uma campanha de ciberataques sob o nome de Sofacy/APT 28, que tinha como alvo, principalmente, a câmara baixa do Parlamento alemão, anunciou nesta sexta-feira o serviço interior de inteligência alemão.

"Uma das campanhas mais ativas e agressivas do momento é a campanha Sofacy/APT 28. O Escritório de Proteção da Constituição (a agência interior de inteligência) vê indícios de uma pilotagem estatal russa", segundo um comunicado.

"Os ciberataques dos serviços de inteligência russos formam parte de operações de alcance internacional que buscam obter informações estratégicas. Algumas destas operações podem remontar a um período de entre sete e 11 anos", afirma o documento.

O Bundestag, câmara baixa do Parlamento alemão, foi atacado pelo vírus Troie Sofacy na primavera de 2015 que "comprometeu sua rede de dados".

A agência interior de inteligência da Alemanha também citou "a campanha Sandworm" que tem um "objetivo de cibersabotagem".

"Além das instituições governamentais, os alvos (dos ataques) são empresas de telecomunicações, de energia e universidades e instituições educacionais", informa a mesma fonte.

Segundo o chefe do serviço de inteligência alemão, Hans-Georg Maassen, o "ciberespaço é um lugar para uma guerra híbrida" e abriu "novos espaços para a espionagem e a sabotagem".

"A segurança informática das instituições governamentais, administrativas, econômicas, científicas e de pesquisa estão permanentemente ameaçadas", declarou.

Fonte: AFP

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ex-guarda de Auschwitz se desculpa pela primeira vez

Foto do campo de concentração de Auschwitz em 1945
Um ex-guarda das SS, de 94 anos, julgado por cumplicidade em 170.000 assassinatos no campo de extermínio de Auschwitz durante o nazismo, quebrou nesta sexta-feira seu silêncio pela primeira, para pedir desculpas às vítimas.

"Permaneci em silêncio por toda a minha vida", disse Reinhold Hanning ao tribunal que o julga na cidade ocidental de Detmold, mais de 70 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

"Sinto vergonha de ter deixado que esta injustiça ocorresse e de não ter feito nada para evitá-la (...) Lamento sinceramente", afirmou o acusado, que trabalhou do início de 1942 a junho de 1943 no campo de extermínio mais famoso do genocídio nazista.

Hanning entrou com 18 anos nas Waffen SS, e combateu nos Bálcãs e depois no front russo, até ser transferido a Auschwitz. Membro da unidade SS Totenkopf, permaneceu no campo de base Auschwitz-I, e supervisionou por vezes as chegadas a Birkenau (Auschwitz-II).

No décimo-terceiro dia de seu julgamento, o acusado, que havia mantido silêncio até então, lamentou seu pertencimento a uma organização criminosa responsável pela morte de inúmeras famílias e inocentes, segundo a agência alemã DPA.

Anteriormente, seus advogados leram ante o tribunal um texto de 23 páginas sobre a juventude e o envolvimento de seu cliente. Nele, Hanning reconhece ter tido conhecimento das execuções em massa realizadas em Auschwitz.

O texto retrata o acusado como um jovem apolítico que não pôde fazer nada para impedir sua incorporação às SS.

"Auschwitz foi um pesadelo. Queria nunca ter estado ali", conclui o texto.

Hanning enfrenta entre 2 e 15 anos de prisão, uma condenação meramente simbólica, diante de sua idade avançada.

Fonte: Exame

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Governo alemão diz que "islã faz parte do país"

Islamismo
O governo alemão expressou nesta segunda-feira rejeição aos pronunciamentos islamofóbicos da formação populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e lembrou que, tal como expressou reiteradamente a chanceler Angela Merkel, o "islã faz parte do país".

A Constituição garante a liberdade de religião e de culto, apontou o porta-voz do governo, Steffen Seibert, para acrescentar que não era incumbência do Executivo "comentar" os conteúdos dos programas dos partidos políticos.

O porta-voz da chanceler respondeu assim à polêmica surgida por causa das declarações da vice-presidente da AfD, Beatrix von Storch, no fim de semana passado, que definiu o islã de "ideologia que não está de acordo com a Constituição" alemã e alertou contra a suposta "islamização" progressiva do país.

A própria Merkel, questionada sobre a questão em um comparecimento junto ao presidente da Indonésia, Joko Widodo, se limitou a repetir as palavras de Seibert com relação à liberdade de religião, para acrescentar que "a imensa maioria dos muçulmanos pratica aqui sua religião de acordo com a Constituição".

Quando não é assim, enfatizou a chanceler, corresponde aos corpos de segurança atuarem em consequência e mantê-los sob observação.

Storch, representante do ala mais radical desse partido, se propõe a impulsionar uma moção no próximo congresso da formação, que será realizado em duas semanas em Stuttgart (sul do país), para proibir símbolos muçulmanos.

Sua proposta, secundada por outro dos vice-presidentes do partido, Alexander Gaulant, suscitou críticas de todo o espectro parlamentar alemão.

Desde as fileiras conservadoras de Merkel, o porta-voz de assuntos religiosos de seu grupo parlamentar, Franz Josef Jung, advertiu sobre a progressiva radicalização desse partido e disse que sua postura com relação ao islã cai na inconstitucionalidade.

O Conselho Central dos Muçulmanos da Alemanha já havia expressado no domingo protesto e seu presidente, Aiman Mazyek, comparou hoje o AfD com o partido nazista e o qualificou de partido anticonstitucional.

Estima-se que na Alemanha vivam quatro milhões de muçulmanos, aos que é preciso somar a grande maioria dos 1,1 milhão de peticionários de asilo chegados ao país no ano passado.

A AfD é uma formação emergente, presente nas câmaras regionais de seis dos 16 estados federados alemães, assim como na Eurocâmara, embora sem cadeiras no Bundestag.

No pleito regional realizado em março em três estados federados, o partido obteve porcentagens que oscilaram entre 12% e 24% e as pesquisas em nível nacional (embora as próximas eleições não ocorrerão até o ano que vem) lhes outorgam uma perspectiva de voto de 12% há algumas semanas.

Fonte: Exame

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Turquia recebe primeiros refugiados expulsos após acordo

A chanceler alemã, Angela Merkel, aperta a mão do premiê turco, Ahmet Davutoglu, durante visita de Merkel à Turquia, dia 08/02/2016
Três barcos partiram nesta segunda-feira rumo à Turquia com pelo menos 202 imigrantes que estavam nas ilhas gregas de Lesbos e Chios, como parte do polêmico acordo assinado entre UE e Ancara em 18 de março passado.

Este acordo contou com o apoio da Alemanha, que aceitou, no último ano, a maioria dos mais de um milhão de imigrantes que desembarcaram na Europa pela Turquia.

Em conversa por telefone, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro turco, Ahmed Davutoglu, consideraram que esta segunda-feira foi um dia "importante", que marcou o início da "implementação de uma parte central" da estratégia europeia para conter o fluxo de imigrantes, declarou a Alemanha.

Pelo acordo, 202 imigrantes, entre eles dois sírios, foram levados para a Turquia, enquanto outros 32 sírios foram levados para Hannover, no norte da Alemanha, e 11, para a Finlândia. Espera-se que, nesta terça, a Holanda receba mais refugiados.

Uma primeira embarcação procedente de Lesbos chegou ao porto de Dikili às 6h20 GMT (3h20 de Brasília), e outros dois devem chegar nas próximas horas - um ao mesmo porto, e outro, a Cesme.

Em Lesbos, a balsa Lesvos e o catamarã Nezli Jale receberam 131 pessoas, em sua maioria do Paquistão e de Bangladesh, no porto de Mytilene, informou Ewa Moncure, porta-voz da Frontex, a agência de vigilância de fronteiras externas da UE, que comanda a operação.

A Polícia grega anunciou números um pouco diferentes: 136 pessoas partiram de Lesbos, sendo 125 paquistaneses, quatro cingaleses, três bengaleses, dois indianos e dois sírios.

Segundo o ministro turco encarregado das relações com a UE, Volkan Bozkir, os sírios serão enviados aos campos de Osmaniye, no sul do país, e de Kirklareli, no norte, perto da fronteira com a Bulgária.

Os demais vão permanecer um tempo na Turquia, antes de serem devolvidos "pouco a pouco" para seus respectivos países.

Vários manifestantes expressaram apoio aos expulsos, com direito a uma faixa com frase "Turkey is not safe" ("Turquia não é segura") no terraço de um hotel diante do porto.

Mesmo assim, a operação aconteceu de maneira calma e ordenada, de acordo com Moncure.

Os imigrantes, todos homens, estavam no campo de Moria, a 10 quilômetros do porto.

Em Chios, outra ilha próxima da Turquia, a balsa Erturk Line-Cesme saiu do porto com 66 imigrantes a bordo, segundo a polícia: 43 afegãos, 10 iraquianos, seis paquistaneses, cinco cidadãos congoleses, um somali, um marfinense e um indiano.

Dezenas de ativistas e simpatizantes compareceram ao local para pedir "liberdade", mas não há registro de confrontos.

O acordo assinado entre a União Europeia e a Turquia prevê que, para cada sírio devolvido, outro será admitido no território comunitário, com um teto de 72 mil pessoas.

Um primeiro grupo de 16 sírios desembarcou nesta segunda-feira em Hannover, norte da Alemanha, e um segundo grupo deve chegar nas próximas horas.

No domingo, uma fonte do governo alemão afirmou que dezenas de imigrantes chegariam à França, à Finlândia e a Portugal.

Um ato ilegal

A agência de notícias grega ANA anunciou ontem que 750 imigrantes seriam devolvidos para a Turquia entre segunda e quarta-feiras, ao ritmo de 250 por dia. O grupo é composto, em sua maioria, por paquistaneses, cingaleses e africanos.

A Turquia começou a preparar centros de registro perto das ilha de Lesbos e Chios, assim como um campo de grande capacidade.

A UE enviou forças de segurança para apoiar a operação. O governo francês pretende mobilizar 200 homens, entre policiais, agentes do Batalhão de Choque e gendarmes.

Diante da ameaça de expulsão iminente, vários migrantes teriam solicitado asilo nas últimas horas. A princípio, o acordo envolve apenas os que não fizeram o pedido.

A operação provoca grande preocupação entre os defensores dos direitos humanos, incluindo a organização Anistia Internacional, que acusa Ancara de forçar uma centena de sírios por dia a voltar para a Síria. O governo turco nega a acusação.

"O que vai acontecer com as milhares de pessoas que pediram asilo?", questionava a vice-diretora da AI na Europa, Gauri Vaugulik, falando de Lesbos.

A ONG alemã Pro Asyl denunciou as expulsões como "um ato ilegal e desumano".

Para o chefe da representação da Comissão Europeia na Grécia, Panos Carvounis, o "teste" desta segunda enviou "um sinal muito forte para dizer às pessoas: 'não venham mais para a Grécia pelo mar, porque vão ser devolvidos'".

O acordo não resolve o problema dos 50 mil refugiados que chegaram à Grécia antes de 20 de março e que permanecem bloqueados na fronteira desde o fechamento da rota dos Bálcãs.

Fonte: Exame

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Alemanha rejeita declarações de Netanyahu e assume culpa do holocausto

Primeiro-ministro israelita disse que foi o antigo "mufti" de Jerusalém que convenceu Adolf Hitler a exterminar os judeus que viviam na Europa na altura da segunda guerra mundial.
Angela Merkel [Reuters]
O Governo alemão já reagiu às declarações polémicas do primeiro-ministro de Israel, que esta terça-feira acusou o antigo “mufti” de Jerusalém, Haj Amin al-Husseini, de ser o responsável pelo holocausto, por ter convencido Adolf Hitler a exterminar os judeus que viviam na Europa na altura da segunda guerra mundial.

Segundo a Reuters, o porta-voz da chanceler Angela Merkel, Steffen Seibert, disse, esta tarde, que os crimes do holocausto são da responsabilidade dos nazis alemães da altura, e que não há razões para modificar a história.
“Todos os alemães sabem a história dos assassinatos dos nazis, que foi o holocausto. Isso é ensinado nas escolas alemãs por uma boa razão: para que nunca seja esquecido. Não vejo qualquer razão para mudar a nossa visão da história. Sabemos que a responsabilidade deste crime contra a humanidade pertence à Alemanha.”
 
Haj Amin al-Husseini é, segundo o chefe do governo israelita, o grande responsável pelo extermínio de seis milhões de judeus durante o Holocausto, depois de ter visitado Hitler em Berlim em 1941. Um encontro que Netanyahu disse ter sido decisivo.
 
“Hitler não queria exterminar os judeus naquela altura, queria expulsar os judeus”, disse o primeiro-ministro israelita durante o seu discurso no Congresso Mundial Sionista, citado pela agência Reuters, contando, de seguida, o que supostamente teria acontecido:

“Haj Amin al-Husseini foi ter com Hitler e disse-lhe: ‘se os expulsar da Alemanha, eles virão todos para cá’”, prosseguiu.


“Então o que faço com eles?”, terá questionado Hitler. “Queima-os”, respondeu Husseini.

Fonte:tvi24

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Movimento islamofóbico Pegida faz um ano, fortalecido por crise migratória

O movimento dos Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente (em alemão, Pegida) foi lançado em 20 de outubro de 2014 na capital da Saxônia, na antiga Alemanha comunista.
Simpatizantes do movimento Pegida exibem um cartaz que retrata a chanceler alemã, Angela Merkel, vestindo um uniforme com braçadeira e bandeira com o símbolo da moeda única da comunidade europeia, em Dresden, 1º de junho de 2015. Foto: Jens Schlueter/AFP/Arquivos

Agonizante durante algum tempo, o movimento islamofóbico alemão Pegida, que completa um ano nesta segunda-feira, ganhou força com a crise dos refugiados que alimenta seu discurso cada vez mais radical. "Os cidadãos não deveriam seguir quem vai às ruas cheio de ódio e hostilidade para com os demais", disse a chanceler alemã, Angela Merkel, em entrevista publicada neste sábado no jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung.

O líder do Pegida, Lutz Bachmann, convocou seus seguidores a uma nova manifestação nesta segunda-feira, em Dresden (leste). O movimento dos Patriotas Europeus contra a Islamização do Ocidente (em alemão, Pegida) foi lançado em 20 de outubro de 2014 na capital da Saxônia, na antiga Alemanha comunista, por este ex-delinquente de 42 anos, mas não tem mais "nada a ver" com o que era, explicou à AFP Nele Wissmann, pesquisadora do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri).

Inicialmente, era "mais para 'antiestablishment'" e estava composto por um núcleo de extrema-direita e muitos eleitores decepcionados com os partidos tradicionais. Mas desde este outono, radicalizou-se para se tornar um movimento de ultradireita (...), centrado nos refugiados", acrescentou. Símbolo deste endurecimento foi a forca exibida durante a última manifestação na segunda-feira, "reservada" a Merkel e ao seu vice-chanceler Sigmar Gabriel. A imagem causou indignação na Alemanha e desatou a abertura de uma investigação.

Há algumas semanas, a líder alemã se tornou o alvo preferido do Pegida, oposto à sua política de mão estendida aos refugiados. O Pegida registrou um avanço fulgurante no inverno de 2014-2015, passando de algumas centenas de simpatizantes no fim de outubro para 25 mil manifestantes no fim de janeiro, depois dos atentados jihadistas contra o jornal francês Charlie Hebdo.

Os manifestantes atacaram o Islã, os estrangeiros e os refugiados. Marcharam sob o lema "Somos o Povo", entoado antes da queda do Muro de Berlim pelos opositores ao regime da antiga Alemanha comunista. Meses depois, minado por disputas internas e pelas extravagâncias de seu líder, Lutz Bachmann, o movimento viveu momentos de ostracismo, com atos pouco concorridos, realizados diante de uma indiferença quase generalizada.

Sua presença em outras cidades alemãs também diminuiu e as tentativas de exportação para Áustria, Suécia ou Dinamarca tampouco prosperaram. No verão, muitos observadores não apostavam nada no Pegida. Mas, então, entrou em jogo a crise migratória. A Alemanha prevê abrigar entre 800 mil e um milhão de pessoas em 2015.

Em 7 de setembro, o movimento reuniu 5 mil pessoas em Dresden. Nas semanas seguintes, os números continuaram subindo, estabilizando-se entre 7,5 mil e 9 mil manifestantes, segundo estimativas. Levando em conta o contexto migratório, que poderia ter permitido ao movimento atrair muita gente, trata-se de "um renascimento pequeno", relativiza Timo Lochocki, analista do centro de análises German Marshall Fund.

"Vacinados" contra o Pegida
Para Nele Wissmann, no entanto, o estopim aconteceu em 4 de setembro, quando Merkel abriu as fronteiras para deixar os migrantes que chegam da Hungria passar para a Alemanha."O tema (dos refugiados) está em todas as partes. O Pegida aproveita (esta) situação e certa confusão no governo, no qual Merkel começa seriamente a se ver criticada por seu próprio campo" conservador por sua política de portas abertas, acrescentou a pesquisadora.

Os ataques cometidos nos últimos meses contra os centros de acolhida para refugiados, sobretudo no leste do país, preocupam as autoridades. Elas temem que a radicalização crescente de grupos como o Pegida desemboque em violência ou terrorismo de extrema-direita, uma hipótese considerada possível pelos serviços de inteligência alemães.

O futuro do Pegida talvez vá ser decidido nas urnas: o movimento já apresentou uma candidata em junho passado em Dresden (10%) e Lutz Bachmann anunciou a intenção de fundar um partido. Mas, por sua história, "os alemães estão vacinados contra um movimento como o Pegida", diz Nele Wissmann. "Radicalizando-se, o Pegida excluirá os contrários à violência e, portanto, continuará sendo minoritário".

Fonte:Diário de Pernambuco

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Desaparecimento de menino de três anos comove Berlim

Refugiados aguardam para receber assistência social em Berlim, Alemanha
Refugiados aguardam para receber assistência social em Berlim, Alemanha: muitos jornais informavam sobre o ocorrido

O desaparecimento de um refugiado de quatro anos, que pode ter sido vítima de um sequestro diante de um centro de acolhida em Berlim, provocava indignação nesta sexta-feira na Alemanha, enquanto a polícia buscava um homem que pode ter raptado o menino.

A polícia de Berlim divulgou imagens feitas por uma câmera de vigilância no dia 1º de outubro, nas quais o pequeno Mohamed aparece caminhando de mãos dadas com um homem, de entre 35 e 50 anos.

O menino, um bósnio refugiado na Alemanha, carregava um bicho de pelúcia na outra mão.

Ambos deixavam o centro de acolhida de refugiados, Lageso, onde todos os dias se formam imensas filas de espera de demandantes de asilo que tentam registrar sua chegada na Alemanha.

A polícia, que indicou ter confiado a investigação a um grupo especial, não descartou que se tratasse de um sequestro.

Muitos jornais informavam sobre o ocorrido, entre eles o mais lido, Bild, que afirmava que o menino chegou à Alemanha junto com sua mãe e seus irmãos de nove anos e cinco meses.

No dia de seu desaparecimento, a mãe, que fugiu da Bósnia-Herzegovina dois anos antes, foi receber as ajudas sociais às quais os refugiados têm direito, segundo o jornal.

Fonte: Exame/Abril