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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Juiz barra política de transgêneros de Obama

Placa de banheiro para todos os gêneros, na Carolina do Norte, dia 03/05/2016
Um juiz norte-americano barrou uma orientação do governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, segundo a qual alunos transgêneros de escolas públicas devem ter o direito de usar os banheiros de sua escolha, emitindo uma injunção de caráter nacional solicitada por um grupo de 13 Estados liderado pelo Texas.

Reed O'Connor, juiz do Distrito Norte do Texas, disse em uma decisão emitida no final do domingo que o governo Obama não seguiu os procedimentos devidos de divulgação e comentário ao lançar as diretrizes, que afirmou contradizerem os textos legislativos e regulatórios existentes.

O'Connor, indicado pelo ex-presidente republicano George W. Bush, disse que as diretrizes dos réus, que incluem os Departamentos de Educação e Justiça dos EUA, são legislativas e substantivas.

"Embora os réus tenham caracterizado as diretrizes como explicativas, acontecimentos pós-orientação e seu efeito legal concreto provam que são 'compulsórias por natureza'", escreveu.

O escritório do Procurador-Geral do Texas, Ken Paxton, um republicano que processa o governo Obama com frequência, disse estar satisfeito com a decisão contra um "abuso de poder federal ilegal".

Advogados do Departamento de Justiça tentaram derrubar a injunção, argumentando que as diretrizes federais emitidas em maio não são obrigatórias nem têm consequências legais.

A diretriz divulgada pelos Departamentos de Educação e Justiça disse que as escolas públicas devem permitir que os alunos transgêneros utilizem banheiros, vestiários e outras instalações de uso íntimo que correspondem à sua identidade de gênero, e não ao seu gênero de nascimento, ou lidar com a perda de fundos federais.

Conforme a injunção, o governo Obama está proibido de obrigar a adoção das diretrizes "contra os demandantes e suas respectivas escolas, conselhos escolares e outras instituições públicas do setor educativo", escreveu O'Connor.

Na esteira de conquistas marcantes dos direitos dos gays, como a legalização nacional do casamento entre pessoas do mesmo sexo em 2015, os direitos dos transgêneros vêm se tornando cada vez mais um pomo da discórdia nos EUA, e o uso de banheiros públicos está sendo um dos principais elementos da polêmica.

Fonte: REUTERS

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Estudante negro e LGBT é encontrado morto na UFRJ


Foi encontrado na noite de ontem (2), próximo ao alojamento de estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) na Ilha do Fundão, zona norte do Rio, o corpo do estudante de letras Diego Vieira Machado.

De acordo com informações postadas nas redes sociais pelo Diretório Central dos Estudantes da UFRJ Mário Prata, Diego era negro, LGBT, natural do Pará e foi encontrado com sinais de espancamento.

“É um momento muito duro para todos e todas estudantes da UFRJ. Um de nós se foi. Não podemos deixar de denunciar a falta de segurança, a situação de vulnerabilidade e violações de direitos que os moradores do alojamento estão submetidos diariamente. Precisamos de mais segurança! Segurança para podermos circular no campus sem o medo de ter não apenas nossos pertences furtados, mas nossos corpos e vidas violentadas”.

A reitoria da UFRJ divulgou nota de pesar. “A Reitoria se junta aos amigos e familiares do estudante neste momento de dor, e informa que acompanhará de perto as investigações sobre o caso junto às autoridades policiais. A família de Diego, residente no Pará, foi informada pela Reitoria sobre seu falecimento neste sábado, 2 de julho”. Informações sobre o local e horário do sepultamento ainda não foram divulgadas.

A Polícia Militar não confirma a identidade da vítima, mas enviou nota sobre a ocorrência. “De acordo com informações do 17º BPM (Ilha do Governador), a unidade foi acionada na noite de sábado (02/07) para ocorrência na Ilha do Fundão. Chegando ao local indicado, uma pessoa já em óbito foi encontrada e a 37ª DP assumiu a ocorrência”.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Investigation reveals terrorism links in Orlando shooting massacre


The first investigation into the mass murderer of 50 victims in a gay club in Orlando, Florida, USA, today revealed possible ties between the perpetrator and terrorist groups.

Less than 24 hours after the mass shooting at the Pulse nightclub, frequented by the LGBT community, the FBI released some information about Omar Mir Seddique Mateen, a 29 year-old US citizen, who was shot dead at the scene by the police.

At the same time, identities of seven of the 50 fatalities from this "an act of terror and an act of hate," according to US President Barack Obama, were revealed.

The families of these first identified were already notified. Their names are Sotomayor Edward Jr., Stanley Almodovar III, Omar Luis Ocasio-Capo, Juan Ramon Guerrero, Eric Ivan Ortiz-Rivera, Peter O. Gonzalez-Cruz and Luis S. Vielma.

The Pulse nightclub had organized a 'Latin Night' this Saturday so it is very likely that a high percentage of the victims are Hispanic, a community that represents some 29 percent of the population in Orlando, famous worldwide for its theme and amusement parks.

Before the attack, New York-born Siddique Mateen, who is of Afghan descent, called the emergency number 911 and pledged his allegiance to the terrorist group Islamic State (IS), according to a newspaper report.

The Islamic State-linked Amaq News Agency said in a statement that "the attack that targeted a nightclub for homosexuals in Orlando, Florida, and that left more than 100 dead and wounded was carried out by an Islamic State fighter."

This information was not yet confirmed by official U.S. sources.

FBI Agent Ron Hopper said at a press conference that it is early to conclude that the massacre is linked to terrorism but said the alleged gunman drew the attention of the authorities for the first time in 2013.

According to Hopper, back then Siddique Mateen "made inflammatory remarks to co-workers alleging possible terrorist ties" and was investigated on two occasions.

Later, in 2014, he was investigated for his alleged connection with Moner Mohammad Abusalha, a US citizen terrorist who died in a suicide attack in Syria but it was resolved that "the contact was minimal and did not constitute a substantive relationship or a threat at that time."

The security firm G4S today confirmed in a statement that Siddique Mateen was one of its employees since 2007 and said that it is "shocked" by what happened.

According to G4S, the man was not on duty when he committed the mass shooting and the company is cooperating with authorities.

The family of the alleged perpetrator of the massacre also spoke. According to the father, Mir Siddique, his son was angry when he saw two men kissing in Miami about two months ago.

That may be the cause of the killings, which, in his opinion, "has nothing to do with religion".

Siddique Mateen's ex wife, who asked not to be identified, told the Washington Post today that he was not a "stable person" and abusive.

"He beat me. He would just come home and start beating me up because the laundry wasn't finished or something like that," said the woman who married him in March 2009 but got divorced a few months afterwards.

According to his ex-wife, the alleged murderer never showed signs of being radicalized, owned a small-caliber pistol and worked as a guard at a center for juvenile offenders.

A group of policemen today inspected and removed several objects from a house owned by Omar Siddique Mateen in the town of Fort St. Lucie, about 180 kilometers from Orlando, and also found three cars parked there, according to what Efe could verify at the scene.

Efe could see several boxes and an Apple computer being placed in police cars.

In addition to the fifty dead, the massacre also left 53 injured, some of which are in "critical condition", according to medical authorities of Orlando, who appealed to citizens to donate blood.

Orlando Mayor Buddy Dye said today that 39 of the 50 people were killed on the premises, including Siddique Mateen, and the other 11 were pronounced dead at the hospital.

John W. Mina, City of Orlando Chief of Police, explained how it happened.

At approximately 02.00 am (0600 GMT), a police officer responded to shots fired at him by the suspect.

"The suspect at some point went back inside the club where more shots were fired. This did turn into a hostage situation," said Mina.

He added that officials from various security agencies came to the scene and at about 05.00 am local time (09.00 GMT) the decision to rescue the hostages was taken, and SWAT agents entered the nightclub and that the suspect died after being shot.

According to Mayor Dyer, an explosive device was placed on one of the walls of the nightclub and an armored vehicle then tore down the wall.

Mateen Siddique was armed with an AR-15 assault rifle and a pistol when he was killed.

Mina said that there were eleven special police officers and three deputies engaged in the gun battle with the gunman and that only one suffered an eye injury.

Source: EFE

Autoridades estão preocupadas com efeitos do massacre sobre a cidade de Orlando

Autoridades de segurança falam sobre o tiroteio que deixou cerca de 50 mortos em uma boate do Orlando (Divulgação/Polícia de Orlando)
O massacre ocorrido na Boate Pulse, que resultou na morte de 50 pessoas – entre elas a do atirador Omar Mateen – ainda está sendo assimilado pelos moradores de Orlando, na Flórida. As autoridades locais têm manifestado preocupação com os efeitos que ele poderá causar à imagem e à economia da cidade que, segundo a organização Visit Orlando, recebeu 65 milhões de turistas no ano passado.

Em meio à surpresa causada pelo atentado, algumas especulações têm sido levantadas pela imprensa norte-americana. De acordo com o jornalista brasileiro Rodrigo Lins, correspondente nos Estados Unidos do site Só notícia boa, entre as especulações mais recentes estão a de que haveria uma segunda pessoa dando apoio ao atirador, no local, e de que haveria dois brasileiros entre os feridos.

“Orlando é uma cidade muito pacífica e familiar. Havia pouca preocupação com a segurança, a ponto de não se fazer revistas na entrada de boates e clubes. Por isso, o choque foi muito grande, afetando drasticamente a rotina de uma cidade que até então era pacata e turística, mas que agora teve estado de emergência decretado pelo prefeito”, disse Lins à Agência Brasil.

A preocupação em manter na cidade a sensação de segurança é, segundo o jornalista, uma estratégia que visa a evitar efeitos negativos também para a economia local, que tem no turismo sua principal fonte de receita. Nesse sentido, diversas mudanças de rotina têm sido implementadas.

“Todos sabem que é preciso manter o índice de segurança preservado porque a economia é toda voltada para o turismo. Nesse sentido, as autoridades vêm atuando para amenizar os efeitos negativos que o massacre pode causar. Hoje de manhã, fui à Disney e, para minha surpresa, vi o parque vazio e com as catracas reativadas. O clima é de terror e há muita tristeza no ar. As pessoas estão muito assustadas e consternadas”, acrescentou o jornalista.

Rodrigo Lins disse que todos os 50 corpos já foram identificados, mas que há risco de mais mortes serem registradas, uma vez que ainda há muitos feridos nos hospitais. “Apesar de, na lista oficial, não ter aparecido nomes de brasileiros, e de o Itamaraty ter dito que não havia brasileiros entre as vítimas, há veículos da mídia local dizendo que havia dois brasileiros entre os feridos”, afirmou Lins.

Ele disse ainda que também tem sido especulado que havia, no local, uma segunda pessoa dando apoio ao atirador. “Pessoas que saíram da boate têm dito, em entrevistas, que havia outro atirador no local. Mas tudo isso ainda está no campo da especulação e precisa ser mais investigado”, acrescentou o correspondente.

As autoridades norte-americanas consideram que o ataque tenha sido um atentado homofóbico, pois a boate era voltada para o público gay. O assassino, identificado como o norte-americano Omar Mateen, de 29 anos, entrou na boate com um rifle AR-15 e uma arma de pequeno porte. Ele abriu fogo contra cerca de 300 pessoas que estavam no local.

De acordo com o jornalista, Omar nasceu em Nova York e é filho de afegãos. “Os investigadores estão, agora, focados no apartamento do atirador, na tentativa de encontrar indícios de sua ligação com o Estado Islâmico. Por motivos político-eleitorais, a Casa Branca tem evitado se manifestar sobre alguns detalhes antes de serem concluídos os trabalhos periciais. Ao que parece, o Estado Islâmico já assumiu a autoria do atentado, mas isso ainda precisa ser confirmado”.

Em diversas localidades da Flórida, a população tem feito vigílias. “As pessoas têm falado mais em apoio às vítimas do que propriamente feito críticas ao sistema de segurança. Há grupos LGBT fazendo força-tarefa de voluntários para manter a cobertura de notícias nas redes sociais e para estimular a doação de sangue para os hospitais.”

Fonte: Agência Brasil

sábado, 4 de junho de 2016

Americanos fazem mais sexo com pessoas do mesmo gênero

mochila com bandeiras da causa gay e dos estados unidos
Um estudo realizado por cientistas dos Estados Unidos mostra que a porcentagem dos americanos que fizeram sexo com pessoas do mesmo gênero cresceu mais que o dobro em comparação a 1990.

A aceitação da prática também aumentou nesse período em todas as gerações, mas em especial na geração que tem hoje entre 24 e 35 anos - os chamados "millennials" - segundo os autores.

A pesquisa se baseia em dados de levantamentos realizados pelo governo americano desde 1972, envolvendo mais de 30 mil adultos.

As questões sobre aceitação do sexo com parceiros do mesmo gênero foram incluídas desde 1973 e as questões sobre parceiros sexuais foram introduzidas a partir de 1989.

Segundo o estudo, entre 1990 e 2014, o número de pessoas que fez sexo com alguém do mesmo gênero aumentou, em média, de 3,1% para 7,7%.

Entre os homens, o número passou de 4,5% para 8,2%. Entre as mulheres, subiu de 3,6% para 8,7%.

A pesquisa mostrou que, entre 1973 e 1990, a porcentagem de adultos que acreditam que "não há nada de errado em relações sexuais entre dois adultos do mesmo sexo" passou de 11% para 13%.

Entre 1990 e 2014, no entanto, o porcentual aumentou de 13% para 49%. Entre os "millenials" o aumento é ainda mais expressivo: 63%.

De acordo com uma das autoras, Jean Twenge, professora de psicologia da Universidade Estadual de San Diego (Estados Unidos), os resultados mostram uma rápida transformação social em curso nos Estados Unidos, favorecida por vários fatores sociais e midiáticos.

Segundo ela, de forma geral, os americanos estão se importando menos com normas sociais e mais com suas próprias vontades.

"Essas mudanças amplas tanto nas atitudes como no comportamento ocorreram em apenas 25 anos, sugerindo uma rápida transformação cultural. Essas tendências são mais uma prova de que a cultura americana se tornou mais individualista e mais focada no ego e na igualdade. Sem as estritas regras sociais que eram comuns no passado, os americanos se sentem mais livres para ter as experiências sexuais que bem entenderem", disse Jean.

Bissexuais

O estudo, publicado na revista científica Archives of Sexual Behavior, também revelou que os adultos que tiveram parceiros de ambos os sexos - comportamento classificado como bissexual - aumentou de 3,1% para 7,7% entre 1990 e 2014.

Entre os "millenials", 7,5% dos homens e 12,2% das mulheres já tiveram relação sexual com alguém do mesmo sexo. As experiências entre mulheres, segundo a pesquisa, tendem a ocorrer em maior número durante a juventude. Entre os homens não há essa tendência.

"A experiência sexual lésbica é mais frequente quando as mulheres são jovens, sugerindo que há alguma verdade na ideia de que algumas mulheres são 'bissexuais até faculdade', pelo menos entre as gerações mais jovens, como os 'millennials'. Esse padrão não aparecem nas experiências de sexo entre homens gays", disse Ryne Sherman, coautor do estudo e professor de psicologia na Universidade Florida Atlantic.

Fonte: Exame

Parada do Orgulho Gay em Tel Aviv reúne milhares de pessoas


Milhares de pessoas participam nesta sexta-feira da Parada do Orgulho Gay em Tel Aviv, evento que abre as festas da comunidade LGBT na Europa e que pintou a cidade com as cores do arco-íris.

As lojas das principais ruas da cidade israelense amanheceram com bandeiras coloridas em apoio ao grupo, que em anos anteriores conseguiu atrair um enorme público, tanto israelenses quanto estrangeiros. O evento na segunda maior cidade israelense acontece desde 1993.

"Não somos lésbicas, mas viemos apoiar à comunidade", disse à Agência Efe uma adolescente acompanhada de duas amigas, todas vindas de Hazorea, no norte do país, a cerca de 130 quilômetros de Tel Aviv.

Entre os participantes, vários usavam camisas com frases como "Love is Great" (O amor é grande) e "Eu não escolhi ser gay, apenas tive essa sorte". O dia, no entanto, começou com ameaças a um deputado homossexual do partido governante Likud, Amir Ohana, que precisou ir ao evento com escolta.

De acordo com a Polícia, até o meio-dia Parada tinha entre 50 mil e 60 mil participantes. A expectativa é de que chegue a 200 mil ao longo do dia.

Fonte: EFE

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Gays, álcool e preservativos: entenda a censura no Quênia

Preservativos produzidos de látex
Um beijo apaixonado entre dois jovens em um anúncio da Coca-Cola acendeu a polêmica sobre a moralidade no Quênia. Usando a bandeira da proteção dos valores familiares mais tradicionais, as autoridades optaram pela linha dura: censurar os anúncios com preservativos, álcool ou qualquer insinuação sexual.

Nem na televisão, nem no rádio, nem em outdoors, nem na internet. Nenhum espaço escapa da nova legislação confeccionada pela Quênia Film Classification Board (KFCB), o órgão regulador que monitora o conteúdo audiovisual para que se ajuste aos "valores nacionais".

"Os anúncios não devem minar a importância da família como a unidade básica da sociedade", reivindicou o diretor-geral da KFCB, Ezekiel Mutua, ao anunciar a nova e polêmica regulação que entrará em vigor em julho.

A fim de "promover os valores morais nacionais", os preservativos e outros produtos anticoncepcionais que não divulguem "mensagem de saúde pública", bebidas alcoólicas, corpos seminus e a linguagem sexual estão vetados em todos os anúncios das 5h às 22h.

O Quênia mantém conversas com empresas internacionais como Google e Netflix para abordar esta nova regulação nacional porque quem a descumprir será punido.

As reações não demoraram a chegar. As redes sociais se incendiaram rapidamente para denunciar a hipocrisia no país, onde a sexualidade continua sendo um tabu (só da porta para fora), mas onde é quase impossível encontrar um filme em cartaz que não tenha um alto conteúdo de violência.

Também são frequentes na imprensa local as seções nos quais especialistas falam às claras sobre sexo, infidelidades e problemas de casal que desequilibram a vida familiar.

Alguns quenianos brincavam no Twitter tentando adivinhar a próxima surpresa da KFCB: proibir os filmes de terror porque os espectadores podem se assustar.

"Não estamos limitando as liberdades constitucionais. Só queremos garantir os valores morais na publicidade", disse Mútua, rebatendo as várias críticas.

Esta não é a primeira vez que as autoridades intervêm nos meios de comunicação para censurar cenas "ofensivas" com o pretexto de proteger o público.

A do beijo apaixonado da Coca-Cola foi finalmente eliminada do anúncio, enquanto o vídeo musical "Same Love", em que casais gays e lésbicas pediam igualdade contra a homofobia do continente foi totalmente proibido.

"É hora de novas leis, não de novas guerras. Compartilhamos a mesma dor e a mesma pele. Julguemos menos e amemos mais", diz a canção.

A KFCB não só censurou o vídeo em território queniano, mas pediu ao Google sua retirada do YouTube alegando que ele desrespeitava sua legislação.

A empresa ignorou o pedido, e o vídeo se tornou viral nas redes sociais, onde a hashtag #KenyanGayVideo reuniu várias críticas contra o governo e múltiplas reivindicações a favor do amor e da igualdade.

Os quenianos parecem cansados da atitude paternalista com a qual o governo camufla a censura, por exemplo, de filmes como "Cinquenta tons de cinza", vetado no cinema por "suas cenas sexuais prolongadas e explícitas".

Também não passou pelo censura das autoridades "O Lobo de Wall Street" por conter "cenas extremas de nudismo, sexo, álcool, consumo de drogas e profanação".

A medida, no entanto, provocou o efeito contrário: a venda pirata do filme disparou e os cinéfilos baixaram maciçamente esta produção, protagonizado por Leonardo DiCaprio, e que recebeu cinco indicações ao Oscar.

Os quenianos usam a internet para lutar contra a censura e reivindicar a outra cara do Quênia: a da tolerância.

As novas diretrizes da KFCB também afetarão a política: a publicidade degradante de figuras políticas e a utilização da linguagem depreciativa também foram proibidas.

O país terá eleições presidenciais no ano que vem, e parece que a KFCB quer ter tudo bem amarrado até lá. Há muito em jogo: a moralidade e a liberdade de expressão, por exemplo.

Fonte: EFE

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Bangladesh LGBT editor hacked to death

Xulhaz Mannan. Payable
The US ambassador to Bangladesh condemned the killing of Xulhaz Mannan, who also worked at the US embassy.
Another person was also injured when the attackers entered a Dhaka flat.

Since February last year suspected militants have killed several secular or atheist writers and members of religious minority groups.

The two men were murdered two days after a university teacher was hacked to death by suspected Islamist militants.

So-called Islamic State (IS) claimed responsibility - but the Bangladeshi government insists there is no IS presence in the country.

"I am devastated by the brutal murder of Xulhaz Mannan and another young Bangladeshi," said US Ambassador Marcia Bernicat.

"We abhor this senseless act of violence and urge the Government of Bangladesh in the strongest terms to apprehend the criminals behind these murders," she added.

BBC Bengali Service editor Sabir Mustafa said staff at Roopbaan, which had not been condemned by the government and received some support from foreign embassies, had been careful to protect their identities but had not believed their lives were at risk.

Suspected extremists in Bangladesh are gaining a sense of security that they can carry out killings with impunity, he says.

A British photographer who knew Mr Mannan and the other victim, known as "Tonoy" and named in Bangladeshi media as Tanay Mojumdar, said they and other friends had set up Roopbaan with the aim of spreading tolerance.

Homosexuality is technically illegal in Bangladesh and remains a highly sensitive issue in society.

Both men were openly gay and believed that if more gay Bangladeshis came out then the country would have to accept them, the photographer said.

They were also were behind the annual "Rainbow Rally", held on Bengali New Year, 14 April, since 2014. This year's rally was banned by police as part of widespread security measures.

"Both were extremely gentle, non-violent and aware that being openly gay and active in their work was a personal danger," the photographer said.

Their killings were likely to spread fear among Bangladesh's gay community, he said.

"Until a year ago the only threat to coming out was shame of the family and having to start a new life elsewhere in Bangladesh. Now it's one of danger," he said.

Long line of killings

Meanwhile Bangladesh's best known blogger said he had received a death threat on Sunday.

Imran Sarker, who led major protests by secular activists in 2013 against Islamist leaders, said he had received a phone call warning that he would be killed "very soon".

Earlier this month, a Bangladeshi law student who had expressed secular views online died when he was hacked with machetes and then shot in Dhaka.

Last year, four prominent secular bloggers were also killed with machetes.

The four bloggers had all appeared on a list of 84 "atheist bloggers" drawn up by Islamic groups in 2013 and widely circulated.

There have also been attacks on members of religious minorities including Shia, Sufi and Ahmadi Muslims, Christians and Hindus.

Two foreigners - an Italian aid worker and a Japanese farmer - have also been killed.

Muslim-majority Bangladesh is officially secular but critics say the government has failed to properly address the attacks.

Source: BBC

Ativistas por direitos LGBT em Bangladesh são assassinados

Militante do movimento LGBT com placas nas ruas
Um grupo de homens não identificados assassinou nesta segunda-feira em Daca, capital de Bangladesh, dois membros do coletivo Roopbaan, criador da revista homônima pelos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT), informaram à Agência Efe diversas fontes.

Os assassinatos, o primeiro ataque deste tipo nesta comunidade no país, ocorreram no interior de uma casa da capital durante a tarde, disse o porta-voz da Polícia local, Marouf Hussain.

Segundo este oficial, uma das vítimas trabalhava para a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID).

O porta-voz apontou que estão sendo "investigados" os detalhes do ocorrido e disse que é cedo para determinar o motivo do crime, embora não tenha descartado o envolvimento de extremistas islâmicos.

Uma fonte do coletivo que pediu o anonimato indicou que cinco homens invadiram o domicílio de uma das vítimas, que tinham 27 e 40 anos, respectivamente, e eram membros destacados do comitê organizador do Roopbaan.

A fonte confirmou, além disso, que um dos mortos era empregado da USAID e tinha sido ameaçado de morte.

O coletivo foi fundado em 2014 e nesse mesmo ano lançou a primeira revista em linha para a comunidade LGBT de Bangladesh, com a qual promovem seus direitos com atos como o desfile que há dias terminou com quatro detidos na cidade no meio das celebrações do ano novo bengali.

Em Bangladesh, o homossexualismo é estipulado como crime e a seção 377 do Código penal prevê penas de até prisão perpétua, e embora na prática os processos não prosperam nos tribunais, a comunidade sofre contínuos casos de discriminação.

Fonte:Exame

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Bryan Adams cancels Mississippi concert over new religious law

Bryan Adams
The law, which allows some private businesses and religious groups to refuse service to gay people, was passed last week.

The singer issued a statement saying he could not "in good conscience" perform in the state.

He added he found it "incomprehensible that LGBT citizens are being discriminated against".

He was due to play the Mississippi Coast Coliseum in Biloxi on Thursday.

Mississippi Governor Phil Bryant signed HB1523 into law on 5 April amid opposition from equal rights groups and businesses.

The law offers protection for Christians who adhere to traditional views of marriage and gender roles, which Governor Bryant said "protects sincerely held religious beliefs and moral convictions".

The new law will take effect from 1 July.

Adams said he was using his voice to "stand in solidarity with all my LGBT friends to repeal this extremely discriminatory bill".

"Hopefully Mississippi will right itself and I can come back and perform for all of my many fans. I look forward to that day."

Adams's cancellation comes after Bruce Springsteen cancelled a show in North Carolina last week because of a new law in that state.

Springsteen joined business groups in condemning the law which rolls back local anti-discrimination measures that protected gay and transgender people.

Source: BBC

segunda-feira, 4 de abril de 2016

The Simpsons' Waylon Smithers comes out as gay

Waylon Smithers appearing in The Simpsons
In case you missed it over the weekend The Simpsons' Waylon Smithers Jr has come out as gay after 27 years in the closet.

The show was aired on TV in the States last night and it apparently came about thanks to the son of one of the show's writers.

Rob LaZebnik, who is also a co-executive producer on the long-running animated series, has a 21-year-old son named Johnny, who is gay.

"I thought 'What better way to tell my son I love him than to write a cartoon about it?"' the 53-year-old told The New York Post.

Johnny added: "The revelation that my father loves me is not much of a revelation, thankfully. He's unbelievably accepting."

Source:BBC

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Vídeo faz público sentir na pele preconceito contra LGBTs

Ação da Inter-LGBT para falar sobre preconceito
Ter sua existência negada, ser constantemente excluído dos espaços, sofrer com o preconceito que se manifesta de formas que vão das mais singelas às mais explicitas possíveis, tudo isso por ser quem você é.

Pode não parecer algo real, mas pessoas homossexuais sabem exatamente que é isso o que acontece todos os dias.

Justamente pelo difícil exercício que é a empatia, a organização Inter-LGBT encontrou uma forma de fazer com que as pessoas se coloquem no lugar das outras inevitavelmente ao produzir um filme impactante que ganhou o adequado nome de "The Obstacle Course" ("A corrida de obstáculos", em tradução livre do inglês).

No vídeo, situações infelizmente comuns vividas por homossexuais, que vão desde o bullyng até rejeição da família, são mostradas enquanto a câmera posicionada em primeira pessoas faz com que o público "as vivencie".

A assinatura "Até que a sociedade progrida, nós continuaremos" encerra o filme, que faz parte de uma campanha da organização contra a homofobia e à favor da manutenção dos direitos de pessoas homossexuais e transsexuais.

Confira o filme:
Fonte: Exame

segunda-feira, 28 de março de 2016

Homossexual agredido é condenado à prisão no Marrocos

Marrocos
Um dos dois homossexuais marroquinos agredidos e exibidos despidos e ensanguentados por seus agressores foi condenado por um tribunal de Beni Melal (centro do Marrocos) a dois meses de prisão pelo artigo 489, que castiga o homossexualismo.

Segundo explicou nesta segunda-feira à Agência Efe o representante em Beni Melal da Associação Marroquina de Direitos Humanos, a agressão aconteceu em 9 de março e o julgamento no dia 15, mas não foi divulgado até o fim de semana passado, quando um vídeo nas redes sociais mostrava como dois jovens são tirados da cama, agredidos e obrigados a sair despidos na rua enquanto são insultados.

Um dos dois jovens cuidava de um pequeno comércio em Beni Melal, que tinha anexo um quarto. Um dia, quando ambos se encontravam na cama, um grupo de vizinhos forçaram a porta, invadiram o quarto e começaram a agredi-los até fazê-los sangrar, antes de jogá-los despidos na rua.

A agressão ficou então impune e só um dos jovens homossexuais foi detido pela polícia, apresentado perante o juiz e condenado a dois meses de prisão e uma multa de 500 dirhams (cerca de 45 euros), enquanto o outro conseguiu fugir.

A partir de sexta-feira o vídeo começou a circular nas redes sociais e o segundo homossexual se apresentou voluntariamente perante a polícia, que o deteve enquanto o juiz conclui a investigação.

Mas o escândalo gerado pelo vídeo fez com que a polícia também investigue os agressores até chegar a um deles, um jovem já fichado pela polícia por um crime anterior que será agora julgado pela agressão.

No Marrocos, o homossexualismo é expressamente castigado com até três anos de prisão pelo Código Penal em seu artigo 489, que persegue a "comissão de atos contra natura com indivíduos do mesmo sexo".

O homossexualismo também sofre uma grande reprovação social. No verão, um jovem travesti vestido com roupa feminina foi identificado por um grupo de jovens na cidade de Fez, tirado de um táxi e agredido e pisoteado até que conseguiu se safar e fugir.

Naquela ocasião, o Ministério da Justiça advertiu que ninguém devia fazer justiça com as próprias mãos e "sobrepor a justiça ou as forças da ordem".

Fonte: Exame

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A brasileira que virou símbolo LGBT e cujo assassinato levou a novas leis em Portugal

Foto: Arquivo/Panteras Rosa
Gisberta transformou-se em símbolo da discriminação múltipla: imigrante ilegal, transexual, prostituta, sem-teto e soropositiva. Seu assassinato causou um profundo impacto na sociedade portuguesa. Gerou o debate sobre a transfobia, mudou o olhar para as questões da igualdade de gênero. Abriu o caminho para transformações que garantiriam maior inclusão e direitos aos homossexuais e transgêneros.

"O assassinato da Gisberta estabeleceu um antes e um depois em Portugal. Mudou a maneira como a sociedade olhava para as mulheres trans, mudou o modo como a imprensa cobria os transexuais, estimulou a criação de leis que tratassem da igualdade de gênero", afirma à BBC Brasil o ativista português Sérgio Vitorino, do movimento social Panteras Rosa.

Nos anos que se seguiram à morte da brasileira, em 22 de fevereiro de 2006, o legislativo português criou uma série de leis voltadas para a igualdade de gêneros, com o objetivo de garantir a pessoas trans maior acesso à Justiça, à educação e ao emprego. Além disso, foi aprovada a concessão de asilo a transexuais estrangeiros em risco de perseguição.

"Portugal transformou-se num dos países mais avançados do mundo no tratamento à igualdade de gênero. As leis criadas nos últimos 10 anos possibilitaram que um número grande de homens e mulheres trans conseguissem se integrar à sociedade", explica Nuno Pinto, investigador do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa e diretor da associação lusa Ilga (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgênero).

Medo da violência

Gisberta nasceu Gisberto, em São Paulo, caçula de uma família com oito filhos. Ainda na infância dava sinais de que estava num corpo que não correspondia à sua sexualidade. Após a morte do pai, confessou à família, ainda na adolescência, que gostaria de ser mulher. Aos 18 anos, com medo da crescente violência contra transexuais na capital paulista, optou por se mudar para a França.

Mais tarde, já depois de realizar tratamento hormonal e fazer implante de silicone nos seios, Gisberta mudou-se para o Porto, no Norte de Portugal. Rapidamente enturmou-se na cena gay local. Fazia apresentações de transformismo em bares e boates. A vida como artista, contudo, não gerava dinheiro suficiente para pagar as contas. Como complemento de renda, recorreu à prostituição.

A imigrante brasileira possuía visto de residência e adaptou-se à vida em Portugal. Os contatos com a família eram raros. Com o passar dos anos, no entanto, sua situação começou a se deteriorar.

Os sinais no corpo de que era portadora do vírus HIV impossibilitaram a brasileira de se sustentar pela prostituição. O nome masculino e o corpo de mulher impossibilitavam que obtivesse trabalho. Desempregada, não conseguiu renovar o visto de residência e passou ao status de imigrante ilegal. Sem dinheiro para pagar as contas, teve de deixar o apartamento em que morava no Porto.

Depois de passar por alguns hospitais para tratar de doenças provocadas pela Aids, encontrou abrigo em um prédio em obras abandonado no Porto. No fim de dezembro de 2005, três adolescentes começaram a frequentar o edifício para pichar suas paredes. Um deles reconheceu Gisberta, que havia improvisado um barracão com seus pertences no local, agora seu lar.

Filho de uma mulher que se prostituía, Fernando conheceu Gisberta quando tinha a idade de 6 anos e ficava aos cuidados de uma babá que amparava crianças nessa situação. A brasileira era conhecida dessa babá e passou a relacionar-se com a mãe do garoto.

Fernando e seus dois amigos frequentavam a escola e uma instituição administrada pela Igreja Católica chamada Oficina de São José. As visitas passaram a ser regulares, e Gisberta confidenciou que estava debilitada pelo HIV e o consumo de drogas 'pesadas', em especial cocaína. Comovidos, eles passaram a levar comida para ela e chegaram até mesmo a cozinhar no prédio abandonado, segundo consta no processo que tratou do crime.

Algum tempo depois, os garotos contaram a colegas sobre Gisberta, que descreveram como "um homem que 'tinha mamas' e 'parecia mesmo uma mulher'". As visitas, que até então eram solidárias, transformaram-se num incompreensível ato de violência extrema e gratuita. Os 14 jovens – entre os 12 e os 16 anos – dividiram-se em grupos que revezavam-se para espancar, violentar e humilhar a brasileira.

Durante três dias, Gisberta foi agredida a pedradas, pauladas e chutes. Foi sexualmente torturada com o uso de pedaços de madeira e teve o corpo queimado com cigarros. Entre 21 e 22 de fevereiro, os jovens voltaram ao prédio abandonado. A brasileira não respondia a qualquer estímulo. Ao julgarem que estava morta, planejaram como desaparecer com o corpo.

Primeiro pensaram em queimá-lo, mas desistiram por medo de que a fumaça atraísse a atenção de seguranças que trabalhavam num parque próximo. Depois imaginaram enterrá-lo, mas não tinham as ferramentas necessárias. Então, optaram por atirá-la ao fosso do prédio, que estava cheio de água. Gisberta estava inconsciente, mas ainda viva. Morreu afogada.

'Brincadeira de mau gosto'

O corpo de Gisberta foi descoberto no mesmo dia. Um dos adolescentes confessou o crime a uma professora da escola em que estudava. No dia seguinte, os jornais tratavam do assassinato do "travesti" e do "imigrante sem-teto" no Porto.

O caso ganhou proporções inéditas na mídia e na sociedade portuguesas nos meses seguintes. Associações de defesa dos direitos dos homossexuais organizaram manifestações pelo país e fizeram vigília em frente ao prédio onde Gisberta fora assassinada. A imprensa acompanhava todos os desdobramentos do caso, enquanto lutava contra os próprios estereótipos sobre os transexuais.

"No começo, para a imprensa a Gis era 'o Gisberto', um trans soropositivo morto. Não havia fotos dela nas reportagens, apenas os estereótipos. Nós fizemos uma campanha, conseguimos fotos e distribuímos para os jornais e TVs. Foi assim que ela ganhou uma cara, foi humanizada e passou a ser tratada melhor com o passar dos meses", conta Sérgio Vitorino.

A autópsia do corpo da brasileira confirmou lesões na cabeça, pescoço, membros inferiores e superiores, laringe e traqueia, abdômen, intestinos e rins. Além disso, identificou múltiplas equimoses, infiltrações hemorrágicas, escoriações e infiltrações sanguíneas. Mas a causa mortis foi afogamento, o que ajudou os acusados.

Os menores, que antes tinham sido acusados de homicídio qualificado, tiveram a acusação alterada para ofensas corporais qualificadas. O único que poderia ser julgado como adulto foi o mais velho, que tinha 16 anos - mas o restante do grupo testemunhou que ele apenas assistiu às agressões, mas não chegou a participar.

Ele, então, foi condenado a oito meses por omissão de auxílio, ou seja, por não ter ajudado a uma pessoa que corria risco de morte. Entre julho e setembro de 2007, apenas um ano e meio após o assassinato, todos estavam livres.

"O juiz disse, textualmente, que o assassinato foi 'uma brincadeira de mau gosto de crianças que fugiu ao controle'. Gisberta foi amarrada em um pedaço de madeira e atirada ao fosso, mas o julgamento, no fim, determinou que quem a matou foi a água, e não as pessoas que a atiraram lá", recorda Vitorino.

A frustração com o resultado do julgamento mobilizou os movimentos em defesa da igualdade de gênero. Leis de proteção a homens e mulheres trans foram aprovadas. Desde 2011, para que uma pessoa consiga mudar o nome e gênero em seus documentos basta um parecer médico.

No Brasil, a cirurgia de troca de sexo não é necessária, mas a alteração não é tão simples. É preciso ter laudo psiquiatra e psicológico, além do testemunho de amigos de que a pessoa é tratada pelo nome que escolheu.
"Nos últimos anos, Portugal passou a enxergar os transexuais com um olhar humano. Quando vemos uma notícia sobre homens e mulheres trans na mídia, na maior parte dos casos é sob a perspectiva dos direitos humanos. Ainda existe um longo caminho a percorrer em muitos aspectos, mas houve uma evolução notável nessa última década", avalia Nuno Pinto.

"Claro que o caso Gisberta tem um papel de destaque nessas mudanças. A história dela está presente no fortalecimento da causa LBGT em Portugal, no amadurecimento da mídia, nas leis que foram aprovadas. Houve um antes e um depois da Gisberta", avalia Vitorino.

A história da brasileira foi transformada em peça de teatro, em documentário e na canção Balada de Gisberta, composta pelo português Pedro Abrunhosa e interpretada por Maria Bethânia.

Seu corpo está enterrado em São Paulo. Mas sua presença ainda é marcante em Portugal, onde se transformou numa bandeira para a igualdade de gênero e os direitos humanos.

Fonte:BBC Brasil

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

U.S. Support of Gay Rights in Africa May Have Done More Harm Than Good


Suspicious neighbors and landlords pry into their private lives. Blackmailers hunt for victims on the social media sites they use to meet others of the same sex. Police officers routinely stop them to search for incriminating images and chats on their cellphones.

Since an anti-gay law went into effect last year, many gay Nigerians say they have been subjected to new levels of harassment, even violence.

They blame the law, the authorities and broad social intolerance for their troubles. But they also blame an unwavering supporter whose commitment to their cause has been unquestioned and conspicuous across Africa: the United States government.

“The U.S. support is making matters worse,” said Mike, 24, a university student studying biology in Minna, a town in central Nigeria who asked that his full name not be used for his safety. “There’s more resistance now. It’s triggered people’s defense mechanism.”

In Nairobi, Kenya, activists demonstrated against gay rights this month, and plan another when President Obama visits.Obama Kenya Trip Sets Off Gay Rights Debate in AfricaJULY 21, 2015
Four years ago, the American government embarked on an ambitious campaign to expand civil rights for gay people overseas by marshaling its diplomats, directing its foreign aid and deploying President Obama to speak before hostile audiences.

Since 2012, the American government has put more than $700 million into supporting gay rights groups and causes globally. More than half of that money has focused on sub-Saharan Africa — just one indication of this continent’s importance to the new policy.

America’s money and public diplomacy have opened conversations and opportunities in societies where the subject was taboo just a few years ago. But they have also made gay men and lesbians more visible — and more vulnerable to harassment and violence, people on both sides of the gay rights issue contend. The American campaign has stirred misgivings among many African activists, who say they must rely on the West’s support despite often disagreeing with its strategies.

In Nigeria, Africa’s most populous nation, the final passage of the 2014 law against homosexuality — which makes same-sex relationships punishable by 14 years in prison and makes it a crime to organize or participate in any type of gay meeting — is widely regarded by both supporters and opponents of gay rights as a reaction to American pressure on Nigeria and other African nations to embrace gay rights.

“The Nigerian law was blowback,” said Chidi Odinkalu, chairman of Nigeria’s National Human Rights Commission and the senior legal officer for the Africa Program of the Open Society Justice Initiative, which supports gay rights on the continent. “You now have situations of gay men being molested on the streets or taunted. That was all avoidable.”

“I’ve said to U.S. diplomats privately as well — the risk is causing more harm than good,” Mr. Odinkalu added. “You don’t want an infusion of good will to actually do harm to the community that you think you’re protecting.”

Anti-gay sentiments are widespread across Africa. Same-sex relations remain illegal in most nations, the legacy of colonial laws that had been largely forgotten until the West’s push to repeal them in recent years.

Fierce opposition has come from African governments and private organizations, which accuse the United States of cultural imperialism. Pressing gay rights on an unwilling continent, they say, is the latest attempt by Western nations to impose their values on Africa.

“In the same way that we don’t try to impose our culture on anyone, we also expect that people should respect our culture in return,” said Theresa Okafor, a Nigerian active in lobbying against gay rights.

American officials defend their efforts, saying they are mindful of the many risks gay Africans face.

“If it’s important to advance the human rights and development of these folks by being discreet, that’s a position we’re perfectly comfortable taking,” said Todd Larson, the senior lesbian, gay, bisexual and transgender coordinator for the United States Agency for International Development. “Our goal is to support them in their efforts and not necessarily take front and center, particularly when highlighting U.S. support might endanger our partners.”

Shortly after Nigeria’s law went into effect, Animashaun Azeez, 24, a university student here, arranged to meet somebody he had chatted with on Manjam, a social network for gay people. The person showed up, along with three plainclothes officers. Mr. Azeez said he spent three days in jail and was released only after his father, fearing publicity, paid off the police with about $900.

“Many L.G.B.T. people are getting into trouble day by day,” said Mr. Azeez, who after the episode became a volunteer for the Initiative for Equal Rights, a gay rights group in Lagos.

Violence against gay Nigerians has increased significantly, according to the country’s National Human Rights Commission. Most are attacked in the open by groups of men, some of whom call themselves “cleansers,” rights groups say.

But victims often do not report attacks for fear of being outed. Even men infected with H.I.V. are often reluctant to seek treatment at hospitals, fearing that the authorities will be called, said Stella Iwuagwu, executive director of the Center for the Right to Health, an H.I.V. patient and rights group based in Lagos.

“Before, these people were leading their lives quietly, and nobody was paying any attention to them,” Ms. Iwuagwu said. “Before, a lot of people didn’t even have a clue there were something called gay people. But now they know and now they are outraged. Now they hear that America is bringing all these foreign lifestyles. They are emboldened by the law. The genie has already left the bottle.”

The United States’ role comes as longstanding foes in its culture wars continue to move their fight to Africa. Many private supporters of equal rights for gay people in the United States, after landmark successes at home, are increasing their funding of gay causes abroad, especially in Africa.

American conservative and Christian groups have also turned to Africa, where the vast majority of people still share their opposition to same-sex relations and marriage.

“There is an intentional effort to coordinate with Africa specifically because we don’t want them to make the mistakes we’ve made here in America,” said Larry Jacobs, managing director of the World Congress of Families, an umbrella organization of social conservative and religious groups. It is based in Rockford, Ill., and is active with Ms. Okafor in Nigeria.

Gay Africans are becoming increasingly caught in the American culture battles being waged in Africa, said the Rev. Kapya Kaoma, an Anglican priest from Zambia who is a researcher at the Massachusetts-based Political Research Associates.

“When two elephants fight, the grass will suffer,” said Mr. Kaoma, who has documented the ties between American evangelicals and the anti-gay movement in Africa. “This is what’s happening in Africa. African L.G.B.T. persons are just collateral damage to U.S. politics on both ends.”

In late 2011, the Obama administration made the promotion of gay rights an integral part of American foreign policy. Since then, it has pushed for the decriminalization of homosexuality overseas, working with the United Nations and private groups.

Since 2012, U.S.A.I.D. has spent more than $700 million on the effort globally, starting new programs related to gay rights and incorporating the promotion of such rights into existing ones, according to American officials. Agency officials declined to release details of the programs in Africa, citing security concerns.

But tying developmental assistance to gay rights has fueled anger across the continent. After Uganda’s president signed a tough anti-gay law last year, for example, the Obama administration announced that some aid money for the Ugandan police and health agencies would be cut off or redirected.

“This is an abuse of power, and that’s why many are turning around and saying, ‘Keep your money,’ ” said the Rev. George Ehusani, former secretary general of the Catholic Secretariat of Nigeria, adding that Nigerian Catholic charities had stopped applying for American government grants that promote gay rights.

For many African activists, American backing is a double-edged sword.

At the office of the Initiative for Equal Rights here, a small community center has served as an oasis for gay Nigerians in this megalopolis. But they were unsettled by the red, white and blue stickers once posted throughout the hall.

The stickers — with the message, “U.S.A.I.D. From the American people” — underscored the Nigerian gay rights movement’s financial dependence on the West. For some, they also inadvertently gave credence to the widely held belief in Africa that homosexuality is a foreign lifestyle foisted on the continent.

“It really affected our advocacy efforts,” said Michael Akanji, director of programming for the group. The group was granted a waiver by the aid agency to remove the stickers late last year.

One of the founders of Nigeria’s gay rights movement, Dorothy Aken’Ova, began organizing in the mid-1990s after living in France, where she saw broad acceptance of gay people. In 2000, she opened the International Center for Reproductive Health and Sexual Rights, which provides services for gay men and lesbians in Minna.

“There was a veil of silence in the country over L.G.B.T. issues,” Ms. Aken’Ova said, “and people could even boldly hit their chest and say there are no gays in Nigeria and no lesbians in Nigeria. I knew that was wrong.”

In the early 2000s, an American foundation gave a handful of Nigerian activists support, she said, “so that we can make the movement political.”

But over time, the growing recognition of and pressure for gay rights in the West led to a reaction in Nigeria. Calling homosexuality “unnatural” and “un-African,” Olusegun Obasanjo, a former president of Nigeria, backed an anti-gay bill in 2005 that seemed to be going nowhere.

But as the United States and other Western governments fiercely condemned the bill — and a similar one in Uganda — Father Ehusani, Ms. Okafor and others lobbied aggressively in support of it. Lawmakers, reacting to what they felt was egregious interference by the West, rallied behind it. The legislation passed unanimously in 2013, the first bill to do so since the end of military rule in 1999.

In what was considered a major setback to gay rights in Africa, Nigeria’s former president, Goodluck Jonathan, signed the Same Sex Marriage Prohibition Act into law in January 2014.

In retrospect, Father Ehusani said that Nigeria’s law was too punitive and an “overkill.” Without the American pressure, he said, “the law would not have come in the form in which it did.”

Many African activists say that efforts should be focused on quietly educating the public about homosexuality and changing social attitudes.

The Initiative for Equal Rights, the group Mr. Azeez volunteers for, is planning to raise private funds inside Nigeria for the first time to reduce its foreign dependence.

“Then it actually feels like we’re owning the process,” said Pamela Adie, who sits on its fund-raising board.

Ms. Adie, 31, lived in the United States for several years and returned to Nigeria last year to work in ExxonMobil’s communications department. She said that despite the 2014 law, the early signs of a gay culture were emerging, at least in parts of Lagos.

Now, she said, “masculine-identifying” women like herself were freer in the way they dress. “That never happened 10 years ago,” she said. “Now people are more open. They might not come out and say they are L.G.B.T., but you can tell.”

Ms. Adie and a couple of hundred others recently attended the 10th anniversary party of the Initiative for Equal Rights, an event that would have been inconceivable just a few years ago.

Abayomi Shoyinka, 27, a fashion blogger who went to the party, said later that pushing “too fast” and “too hard” for gay rights could only make things “bad or worse.”

“As time goes on, we will get there,” Mr. Shoyinka said. “The patient dog eats the fattest bone.”

Fonte:New York Times