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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Racistas usam Twitter com relativa impunidade, diz relatório

Twitter em tela de celular
Racistas e simpatizantes do nazismo baseados principalmente nos Estados Unidos, usam o Twitter com relativa impunidade e frequentemente têm mais seguidores que militantes islâmicos, mostrou um estudo divulgado nesta quinta-feira.

Dezoito proeminentes contas de racistas examinadas no estudo, incluindo a do Partido Nazista Americano, tiveram um aumento acentuado no número de seguidores do Twitter para um total de mais de 25 mil, ante 3.500 em 2012, de acordo com um estudo do Programa de Extremismo da Universidade George Washington visto pela Reuters.

As descobertas contrastam com a queda na influência do uso do Twitter pelo Estado Islâmico, em meio à repressão que visou o grupo militante, segundo uma pesquisa conduzida por J.M. Berger e descobertas de outros especialistas antiextremismo e autoridades do governo.

"Os racistas e nazistas superaram o EI na média de amigos e contas de seguidores por uma margem substancial", diz o estudo.

"Nazistas têm uma contagem média de seguidores quase oito vezes maior que a dos apoiadores do EI, e uma mediana mais de 22 vezes maior".

Embora o Twitter tenha empreendido uma campanha agressiva para suspender os usuários do EI - a empresa disse que fechou 360 mil contas por ameaças ou promoção do consideradas atos terroristas desde meados de 2015 - Berger disse em seu relatório que "os racistas e nazistas operam com relativa impunidade".

Fonte: Reuters

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Armas de fogo matam 2,6 vezes mais negros que brancos, diz pesquisa

O número de pessoas negras mortas por armas de fogo no Brasil é 2,6 vezes maior que o de pessoas brancas. O dado faz parte do Mapa da Violência, levantamento que também mostra que entre 2003 e 2014, enquanto houve queda de 27% nas taxas de mortalidade de brancos por esta causa, houve aumento de 9,9% nas de negros.

O Mapa da Violência compõe uma série de estudos feitos pelo pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, desde 1998, tendo como temática a violência no Brasil. Waiselfisz é vinculado à Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso).

Conforme o estudo, no ano de 2003, em números absolutos foram 13.224 homicídios por armas de fogo que vitimaram pessoas brancas, e, em 2014, esse número caiu para 9.766. Em contrapartida, o número de vítimas negras passou de 20.291 para 29.813. Entre os brancos a taxa de mortos a cada 100 mil habitantes caiu de 14,5 para 10,6 e entre os negros saltou de 24,9 para 27,4.

Questão racial

Para o vice-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio Lima, a questão racial no Brasil precisa ser encarada de frente. “Temos um problema racial grave que permite que negros sejam mais mortos que brancos, o estado precisa mostrar que não há racismo fazendo com que o risco da população seja pequeno e seja igual para todos os segmentos, cores/raças”, disse.

O especialista diz que, ao contrário do que alguns defendem, a questão principal não é a renda e sim a raça. “Mesmo entre os pobres, os negros são mais mortos que os brancos. A questão é que há um problema racial e precisa ser encarada de frente”.

Jovens

O estudo aponta que, historicamente, as mortes por armas de fogo são concentradas entre jovens de 15 a 29 anos. Enquanto em 1980, entre todos os homicídios por armas, 51,8% tiveram vítimas jovens, em 2014 esse número chegou a 58%. A proporção aumentou entre 1980 e 2004, quando chegou ao pico de 60,9%, apresentando leve queda até 2014.

Em números absolutos, no conjunto total da população, o número de homicídios por armas de fogo passou de 6.104, em 1980, para 42.291, em 2014: crescimento de 592,8%. Mas, na faixa entre 15 e 29 anos, houve um salto de 3.159, em 1980, para 25.255, em 2014: crescimento de 699,5%.

Renato Sérgio Lima ressalta que a violência é um problema extremamente grave no Brasil e apesar de afetar a todos, não atinge de forma igualitária. “Mesmo com esses números absurdos, estes fatores [jovens e negros morrerem mais] acabam sendo usados em debates ideológicos.  O homicídio no Brasil tem cor e idade”, disse o especialista.

Sexo

O estudo também aponta que 94,4% dos brasileiros mortos por armas de fogo são homens. Segundo Lima, o homicídio é um crime masculino e essa proporção de mulheres mortas também revela um quadro preocupante. “Isso não quer dizer que 6% de mulheres seja pouco. Pelo contrário, porque reconhecendo que esse crime é masculino, ter essa proporção de mulheres assassinadas mostra o quão grave é a violência, já que atinge até pessoas que não estariam sujeitas a esse tipo de crime”.

Segundo o especialista, em números absolutos, o Brasil é o país que mais tem homicídios em todo mundo. Em termos proporcionais, fica em cerca de décimo lugar neste ranking. “A gente tenta tapar o sol com a peneira, fica ideologizando a discussão, ela se torna uma batalha político-partidária  e acabamos não enfrentando o problema de buscar solução e parceria como um problema de estado e não de governo. Ficamos buscando um salvador da pátria, mas sem fazer a lição de casa, que é buscar modernizar nossa área da segurança pública, induzir a cooperação e a integração das instituições e fazer com que as pessoas que trabalham na área possam trabalhar de forma mais eficiente. Precisamos usar os recursos, que não são poucos, mas insuficientes. Precisamos nos indignar com esse número absurdo de homicídios”, disse.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Cinco policiais morrem em Dallas durante manifestação contra a violência

Pelo menos cinco policiais foram mortos em uma manifestação, ontem (7) à noite, nas ruas da cidade de Dallas, no estado do Texas, nos Estados Unidos. Mais 11 policiais foram baleados. Segundo relatos de testemunhas, a manifestação estava sendo feita de forma pacífica e visava a protestar contra a ação da polícia que, anteriormente, nos estados de Minnesota e Louisiana, atirou e matou duas pessoas de cor negra. Segundo testemunhas, os suspeitos aparentemente  não faziam parte da manifestação de Dallas e atiraram intencionalmente nos policiais que acompanhavam os protestos.

Três pessoas foram presas e um quarto suspeito estava sendo procurado na madrugada de hoje (8), depois de trocar tiros com policiais.

O chefe de polícia de Dallas, David Brown, descreveu a ação dos atiradores como de "estilo emboscada". Em entrevista, no fim da noite, David Brown disse: "Acreditamos que esses suspeitos foram se colocando de forma triangular sobre policiais de duas posições diferentes em garagens no centro da cidade". De acordo com o chefe da polícia, os atiradores "estavam planejando ferir e matar tantos policiais quanto pudessem". Alguns agentes foram feridos nas costas.

Dezenas de pessoas que participavam da manifestação, interrompida pela ação de atiradores contra policiais, ficaram retidas no centro de Dallas: elas não puderam sair do local porque o serviço de transporte coletivo foi interrompido para permitir que a polícia tentasse prender suspeitos.

Causas

O tiroteio em Dallas teve início às 20h45, quando centenas de pessoas se reuniram no centro da cidade para protestar contra a morte de dois negros, em ações executadas por policiais brancos, em duas cidades: em Baton Rouge, Louisiana, terça-feira (5), que resultou na morte de Aldo Sterling; e em Saint  Paul, Minnesota, quarta-feira (6), que provocou a morte de Philando Castile. Os dois episódios tiveram ampla repercussão no país porque foram filmados por aparelho celular e colocados no Facebook.

O que causou mais impacto foi o vídeo em que a namorada de Castile, Lavish Reynolds, registrou os momentos que se seguiram a disparos da polícia. No vídeo, Lavish Reynolds aparece sentada no banco do passageiro de um veículo com o namorado, ainda vivo, no assento do motorista e com uma camisa branca manchada de sangue. A filha de Lavish, de 4 anos, também estava no carro.

Em Chicago, manifestantes interromperam ontem um trecho da via Dan Ryan, uma das principais da cidade. Em Nova York, centenas de manifestantes bloquearam o tráfego na Times Square, no coração de Manhattan, entoando a palavra de ordem "mãos para cima, não atire". Devido às manifestações, mais de dez pessoas foram presas.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Comissão Europeia cria grupo para combater racismo e intolerância

Comissão Europeia criou grupo para combater racismo e intolerância. EFE/Jerome Favre
A Comissão Europeia (CE) criou nesta terça-feira um grupo de alto nível para combater o racismo, a xenofobia e outras formas de intolerância, com o objetivo de "intensificar a cooperação, a coordenação, melhorar a prevenção e lutar contra os discursos e crimes de ódio".

Em comunicado, a CE informou que o grupo reunirá representantes dos países-membros, do Parlamento Europeu, de organizações civis, do Conselho da Europa, do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e da Agência Europeia de Direitos Fundamentais (FRA).

Durante a apresentação desta iniciativa, a comissária europeia de Justiça, Consumidores e Gênero, Vera Jourová, declarou que, nos últimos anos, "o racismo, a xenofobia e outras formas de intolerância estiveram crescendo e estendendo-se por toda Europa em uma velocidade tóxica".

Por isso, a CE utilizará o grupo de alto nível como uma plataforma para discutir as formas concretas para prevenir os discursos e crimes de ódio, explicou a comissária.

Jourová destacou que "só juntos poderemos garantir que as medidas eficazes se iniciam para prevenir e combater o racismo, a xenofobia e outras formas de intolerância na Europa".

O grupo de alto nível também ajudará a "maximizar as sinergias entre as partes interessadas" e colaborará no "desenvolvimento de respostas específicas comuns para combater com eficácia todas as formas de racismo e intolerância", acrescentou a CE em comunicado.

Concretamente, a plataforma criará uma metodologia comum para "gravar e colher informação sobre crimes de ódio".

Terá, além disso, a função de supervisionar a aplicação correta do Código de Conduta que a CE apresentou há duas semanas para controlar de maneira efetiva as mensagens de ódio na Internet, apoiadas por várias empresas de tecnologia.

Por outro lado, a CE antecipou que prepara um site que proporcionará um "acesso fácil à informação sobre financiamentos, projetos e iniciativas que a UE promoverá para promover a tolerância, além da luta contra o racismo, a xenofobia e a discriminação", completou a nota.

Fonte: EFE

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ações federais podem conter violência contra jovens negros

ministra das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos Nilma Lino Gomes
A ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, pediu hoje (28) que os três poderes nos estados, Distrito Federal e municípios trabalhem juntos com a esfera federal para que o país supere os altos índices de violência contra os jovens negros.

“Precisamos reduzir a taxa de homicídio no Brasil, principalmente dos jovens negros, que são os que mais sofrem. Não bastam ações do governo federal, precisamos de uma ação federativa e articulada, precisamos de articulação entre os estados e municípios e o Distrito Federal, precisamos de articulação entre Judiciário, Legislativo e Executivo para encontrarmos caminhos e alternativas para essa situação”, disse Nilma.

Dados do Mapa da Violência, divulgado em 2015, apontam que os homicídios representam 46% das causas de morte de adolescentes entre 16 e 17 anos.

O estudo mostra que 93% das vítimas são homens, com destaque para os perfis de escolaridade e cor.

Homens negros morrem três vezes mais que homens brancos, e as vítimas com baixa escolaridade também são maioria.

A ministra participou hoje (28) de sessão solene na Câmara dos Deputados para lembrar o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, celebrado no último dia 21 de março.

Ela fez um balanço sobre as políticas e ações desenvolvidas pelo governo federal nos últimos anos para promover a igualdade entre os jovens, brancos e negros, como o Plano Juventude Viva, a Lei de Cotas e o Programa Universidade para Todos.

Nilma Lino destacou a iniciativa ID Jovem, que será lançado no próximo dia 31 de março. Segundo ela, a identidade jovem será um documento que comprova a condição de jovem de baixa renda para acesso ao benefício da meia entrada e, também, da reserva de vagas no transporte interestadual para jovens de baixa renda.

“É uma forma de possibilitar à juventude brasileira e de baixa renda, principalmente jovens negros e negras, a ter mais acesso a atividades culturais e esportivas e ao direito de ir e vir”, disse.

A identidade será destinada a jovens de 15 a 29 anos, com a famílias inscritas no Cadastro Único e renda mensa de até dois salários mínimos.

Segundo a ministra, a Secretaria Nacional da Juventude também deverá, em breve, ser integrada ao Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, para fortalecer as ações voltadas à juventude.

A sessão solene de hoje foi convocada e presidida pelo deputado Vicentinho (PT-SP), que ressaltou a importância de colocar em pauta na Casa projetos de interesse da população jovem e negra.

“Decidimos abordar nessa sessão a questão da defesa da nossa juventude, vítima da violência e do preconceito, em cada periferia vítima da maldita droga, da violência policial e da discriminação. Uma sociedade justa nós só teremos quando jovens brancos e negros forem tratados com as mesma condições e os mesmos direitos”, disse o deputado.

O dia 21 de março foi instituído pela Organização das Nações Unidas como é o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, em 1966, em memória à tragédia que ficou conhecida como Massacre de Shaperville, em 1960, na cidade de Joanesburgo, na África do Sul.

Na ocasião, 20 mil negros protestavam pacificamente contra a Lei do Passe - que os obrigava a portar cartões de identificação, especificando os locais por onde eles poderiam transitar na cidade - quando se depararam com tropas do exército, que abriram fogo sobre a multidão, matando 69 pessoas e ferindo outras 186.

Fonte: Exame

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Chris Rock ironiza sobre diversidade racial no Oscar

Comediante Chris Rock durante apresentação do 88º Oscar, dia 28/02/2016
Todo mundo esperava que Chris Rock se referisse à polêmica sobre a falta de diversidade entre os indicados da 88ª edição do Oscar, e o humorista afro-americano cumpriu com as expectativas disparando ironias, mas sem se esquecer de entreter a plateia.

"Hey, contei pelo menos 15 negros nessa montagem!", foi a frase com a qual começou o comediante, um aperitivo para a torrente dialética que realizou durante as três horas e meia de festa, realizada no Teatro Dolby, de Hollywood (Califórnia).

"Bem-vindos aos prêmios da Academia, também conhecidos como os prêmios decididos por pessoas brancas", continuou o artista de 51 anos.

"Se escolhessem também os apresentadores, eu também não teria este emprego. Vocês estariam vendo o Neil Patrick Harris", acrescentou.

Rock reconheceu que recebeu pressões para boicotar a festa e renunciar da sua escolhe como mestre de cerimônias.

"Pensei e pensei, mas o Oscar não ia deixar de ser realizado porque eu não vim apresentar. E a última coisa que queria é que Kevin Hart me tirasse outro trabalho", afirmou entre risos.

"É a 88ª edição do Oscar. Essa coisa de não haver indicados negros entre os atores aconteceu pelo menos umas outras 71 vezes. No passado não protestávamos. Vocês sabem por quê? Porque estávamos ocupados demais sendo espancados e linchados para nos preocuparmos com quem ganha o prêmio de melhor fotografia", disse.

E chegou então sua grande pérola.

"Certamente que Hollywood é racista. E é dentro de sua irmandade. Mas as coisas estão mudando. Temos um 'Rocky' negro este ano. Alguns o chamam de 'Creed: Nascido para Lutar'. Eu o chamo de 'Rocky negro'", disse.

No final de sua primeira intervenção, Rock mudou de atitude, ficou um momento sério e pediu: "Não se tenta boicotar. Queremos oportunidades. Queremos que os atores negros tenham as mesmas oportunidades. E não só uma vez. DiCaprio tem grandes papéis todos os anos. Isso é tudo o que pedimos".

Nem tudo foi uma defesa com veemência da comunidade afro-americana.

Como exemplo disso Rock citou o caso de Will Smith, que decidiu não comparecer à cerimônia em rejeição à situação.

"Com certeza, estava muito bem em 'Um Homem Entre Gigantes'. É injusto que não o tenham indicado. Mas também é injusto que lhe pagassem US$ 20 milhões por 'As Loucas Aventuras de James West'", comentou entre risos.

Também comentou sobre a esposa de Will Smith, a atriz Jada Pinkett Smith, que também se ausentou.

"Boicotar o Oscar é como se eu boicotasse a calcinha de Rihanna: eu nem tinha sido convidado", afirmou.

O humor foi uma constante ao longo da cerimônia e especialmente brilhante foi o esquete no qual vários atores negros (Whoopi Goldberg, Leslie Jones, Tracy Morgan e o próprio Rock) substituíram os protagonistas reais de alguns dos filmes indicados a melhor filme.

Muitas gargalhadas também provocou o comentário do humorista Louis CK em alusão ao vencedor do Oscar de melhor documentário em curta-metragem, que acabou ficando com "A Girl In The River: The Price of Forgiveness", de Sharmeen Obaid-Chinoy.

"Estou feliz por todos, mas este prêmio tem a oportunidade de mudar vidas. Todos vocês vieram aqui como vencedores e irão pra casa sendo milionários. Com este prêmio não se ganha dinheiro. Estas pessoas nunca serão ricas. Portanto este Oscar significa muito. E vai embora para casa em um Honda Civic", brincou.

Fonte: Exame