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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Sangue artificial é solução japonesa para transfusões

Sangue
Sangue produzido artificialmente in vitro - essa é a fórmula simples proposta por uma empresa japonesa, cujo projeto revolucionário procura aliviar a escassez dos bancos de doadores, diminuir os custos para sua conservação e evitar as transfusões contaminadas.

"Você tende a pensar que quando precisar de uma transfusão sempre terá sangue disponível, mas a verdade é que o pessoal médico vive permanentemente preocupado com o fornecimento", declarou à Agência Efe o presidente da Megakaryon, Genjiro Miwa, no escritório que a companhia tem no Instituto de Ciências Médicas da Universidade de Tóquio.

Miwa pretende que, para o ano 2020, a Megakaryon fabrique em série - a partir de material genético que pode ser conservado congelado por tempo ilimitado - concentrados de plaquetas e espera que, no futuro, a empresa possa fazer o mesmo com outras células sanguíneas.

Através de métodos descobertos há quase uma década que permitem gerar plaquetas ou glóbulos vermelhos a partir de células-tronco iPS, a empresa agora trabalha com corporações da indústria farmacêutica ou química e a Universidade de Harvard para refinar um sistema de produção industrial rentável.

A ideia é poder começar a fornecer daqui a quatro anos produtos com base nas plaquetas, sem necessidade de doações, base no modelo global atual de produtos para transfusão.

Este sistema, em vigor desde que o austríaco Karl Landsteiner descobriu os tipos sanguíneos por antígenos em 1900, apresenta desde então três grandes problemas, começando com o fornecimento estável.

Como as plaquetas e glóbulos vermelhos só podem sobreviver armazenados um máximo de cinco e 42 dias, respectivamente, o fluxo contínuo de doações é atualmente a única maneira de manter os bancos abastecidos.

A isto se soma o fato de que os mais jovens dispensam a maior parte do sangue e que os idosos são o grupo que mais consome, então na maioria dos países mais desenvolvidos, com sociedades mais envelhecidas, o fornecimento tende a diminuir.

De fato, a empresa calcula que, seguindo esse ritmo, em 2027 faltarão 850 mil doadores para cobrir a demanda mundial.

A segunda desvantagem é o alto custo de métodos para preservar o sangue assim como os testes que certificam que está livre de doenças e que sua qualidade é adequada para a doação, um obstáculo mais urgente em países pobres e em desenvolvimento que conduz ao terceiro grande problema: a contaminação de amostras.

Neste último se soma a força do mercado negro de transfusões de sangue, que atingiu proporções enormes e levou a consequências desastrosas em regiões com enormes populações e escassez de bancos como China, Índia e a África Subsaariana.

A Megakaryon foi fundada em 2008 quando Miwa, um economista com vasta experiência na indústria química, participou de uma reunião de antigos alunos de ensino médio com o professor Hiromitsu Nakauchi, ex-companheiro de classe que se tornou em um renomado geneticista da Universidade de Tóquio.

Nakauchi disse que tinha conseguido criar megacariócitos - que são a base celular das plaquetas sanguíneas - e glóbulos vermelhos a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS).

As iPS são células maduras - obtidas, por exemplo, de uma amostra da pele - que ao serem reprogramadas podem se transformar em qualquer tipo de célula.

Apesar da promessa da ideia, o médico disse a seu amigo que para que as transfusões de sangue artificial se transformassem em realidade em médio prazo seria imprescindível a participação da iniciativa privada.

"Ele me disse: 'você esteve em conselhos de administração por toda sua vida e viu o dano que provocam (a falência de Lehman Brothers acabava de antecipar o início da crise global). Agora você começa a fazer algo de bom para os outros'. E me convenceu plenamente", lembrou Miwa.

Um ano depois foi constituída a Icell para aproveitar as patentes descobertas por Nakauchi, que tinham ficado nas mãos da Universidade de Tóquio e em 2011 foi fundada a Megakaryon - cujo nome vem de megacariócito - como uma subsidiária.

A iniciativa imediatamente chamou a atenção do exército dos Estados Unidos, que se ofereceu para financiá-la, mas Miwa e seus ajudantes rejeitaram a opção, porque não quiseram que "se transformasse em um projeto militar".

Finalmente em 2013 a empresa obteve financiamento da Corporação de Redes de Inovação do Japão (INCJ), um fundo público-privado do qual participam 20 grandes empresas como Toshiba, Sharp e a farmacêutica Takeda.

A Megakaryon espera agora que "a segunda revolução das transfusões", como a chama, siga avançando após 2020 com um fornecimento cada vez mais aperfeiçoado.

A ideia neste sentido é oferecer no futuro produtos específicos para aqueles que necessitam de transfusões contínuas - como os pacientes de rádio ou quimioterapia - e têm grupos "raros" de antígenos leucocitários humanos (HLA) que os impedem de encontrar facilmente transfusões compatíveis.

Fonte: EFE

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ex-morador de rua vai cursar Medicina no Canadá

denis medicina
A vida de Denis José da Silva nunca foi fácil. Na infância, ele teve de sobreviver morando literalmente debaixo de uma ponte e pedindo esmolas.

"Em 2005, eu tinha 6 anos, lembro que meus pais, meus 3 irmãos e eu morávamos debaixo de uma ponte, no município de Ipojuca (PE). Debaixo dessa ponte, nossa casa era de lonas; lembro que, às vezes, tinham lagartas que queimam na nossa cama, quando íamos tomar banho no rio, também pegávamos camarões dentro de tijolos."

Mas foi quando ele começou a cursar o ensino médio em uma escola municipal de Ribeirão, em Pernambuco, que ele teve a oportunidade de reescrever seu destino.

Em fevereiro de 2015 que ele descobriu o programa Ganhe o Mundo. As excelentes notas garantiram a aprovação em uma prova classificatória e ele foi selecionado para estudar no Canadá, como conta neste relato.

"Tirei 9,6 de 10. Na hora pulei de alegria e contei aos meus pais, que acharam que era mentira e nem ligaram. Minha mãe passou a acreditar a partir do momento que ela teve de ir, junto comigo, às reuniões de orientação. Logo depois veio a retirada de passaporte e foi aí que meu pai acreditou, pois ele que foi comigo, já que minha mãe é analfabeta e não teria como assinar os documentos."

E essa foi só a primeira aventura de Denis, que tem 17 anos. Mal sabia ele que um ano depois seria selecionado e com bolsa integral para cursar medicina na Universidade Internacional de Manitoba. A universidade também daria dormitório e alimentação gratuita na faculdade.

Mas Denis quase perdeu a oportunidade porque não tinha dinheiro para comprar as passagens, agasalhos para o inverno e bancar a alimentação durante a viagem.

Para tentar driblar a situação de pobreza em que vive com os pais e outros 11 irmãos, ele criou uma vaquinha virtual para receber doações.

Denis talvez nem tenha imaginado a repercussão de seu pedido: A meta era alcançar o valor de R$ 8 mil, mas as doações não pararam de chegar e nesta sexta-feira (1), ele já tinha conseguido quase R$ 18 mil!

O adolescente ficou muito emocionado com a solidariedade e escreveu uma mensagem no site da vaquinha:

"Pessoal, muito obrigado a todos pela contribuição, pela comoção e tudo mais... Agradeço de coração. Atingimos a meta necessária para a viagem, mas se vocês quiserem continuar contribuindo para outras coisas, como: Ajudar minha família, que passa dificuldades, ajudar a me manter lá por um tempo, comprar alguns materiais para estudo; um computador, por exemplo... eu vou agradecer imensamente, mas isso é com vocês. O que eu pedi para a viagem, graças a Deus, e a vocês, já consegui (: Mais uma vez: muito obrigado a todos!"

Fonte: HuffPost Brasil

Substância da maconha pode ajudar no tratamento do Alzheimer

Folhas de maconha
A ciência pode ter encontrado mais uma maneira de utilizar a maconha para o bem. Um estudo publicado na renomada revista Nature revelou que um dos componentes presentes na erva pode fazer parte de um tratamento promissor contra o Mal de Alzheimer.

O elemento é o tetraidrocanabinol (mais conhecido como THC), principal substância psicoativa da cannabis, também presente naturalmente no organismo com o nome de endocanabinoide.

Nesse estudo, ele foi testado para a remoção de placas de proteína beta-amiloide acumuladas no cérebro. Essa proteína é associada à morte de neurônios e, consequentemente, à degeneração de regiões cerebrais ligadas à memória, como o hipocampo. Esse processo tem como causa doenças ligadas à demência, como o Alzheimer.

No entanto, os cientistas ainda não haviam descoberto como essas placas matam os neurônios. É aí que o estudo entra. Ao adicionar THC em neurônios degenerados pelas placas, os pesquisadores notaram que, além de causar uma quebra na construção das proteínas, o componente também reduziu a inflamação das células.

“A inflamação no cérebro é um componente central no dano associado ao Mal de Alzheimer, mas sempre se assumiu que essa resposta vinha de células do tipo imunes no cérebro e não dos neurônios”, conta Antonio Currais, coautor do estudo, em um comunicado.

De acordo com Currais, a pesquisa torna evidente que os canabinóides têm potencial de reduzir a inflamação e proteger as células de morrerem. O exercício físico está envolvido com os desenvolvimentos do THC natural e, segundo a ciência, a atividade pode retardar a progressão do Alzheimer.

Muitos testes ainda precisam ser feitos antes que uma conexão entre o THC e o beta-amiloide seja comprovada. No entanto, os resultados preliminares ajudam os cientistas a entenderem como utilizar os canabinóides como uma nova arma contra doenças relacionadas à demência.

Recentemente, uma pesquisa feita pela consultoria Hello Research com 1,2 mil pessoas revelou que 60% dos brasileiros aprovam o uso medicinal e científico do THC.

Fonte: Exame

Brasil testa robô que remove câncer de útero com uma incisão

Representação de célula cancerígena
Na quarta-feira, o Brasil testou, de forma pioneira, uma técnica minimamente invasiva no tratamento do câncer de colo de útero. Pela primeira vez nas Américas, a cirurgia de remoção do tumor e dos órgãos afetados pela doença foi feita com o auxílio de um robô por meio de uma única incisão no abdome da paciente.

Batizada de single-port ou single-site (entrada única), a cirurgia permite que o cirurgião faça todo o procedimento inserindo uma câmera e duas pinças do robô em uma incisão de apenas 2,5 centímetros feita no umbigo da paciente. Tradicionalmente, a cirurgia robótica exige pelo menos cinco incisões na barriga da paciente, uma para a inserção de cada instrumento.

"A cirurgia robótica, por si só, já tem mais benefícios do que a videolaparoscopia porque nos dá mais precisão no procedimento. O grande diferencial do robô é a visão em três dimensões, que dá noção de profundidade. Tudo isso com uma câmera Full HD que aumenta em até 20 vezes o local operado e pinças capazes de fazer mais movimentos do que a mão humana", explica Alexandre Silva e Silva, oncoginecologista do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, onde a cirurgia foi feita.

"Essa precisão diminui o risco de, durante a cirurgia, lesarmos nervos e grandes vasos localizados próximos dos órgãos que devem ser removidos", diz o cirurgião.

Em relação aos benefícios da técnica de incisão única, o especialista ressalta que é um método pouco invasivo e evita a criação de inúmeras cicatrizes no abdome da mulher. Ele propicia ainda rápida recuperação da paciente.

Na operação feita na última quarta-feira, em uma mulher de 41 anos com tumor em estágio inicial, foram retirados o útero, as trompas e os gânglios linfáticos. Todo o material operado foi removido do corpo pelo canal vaginal.

Alta com rapidez

A cirurgia teve duração de quase sete horas e contou com cinco profissionais. Além de Silva, responsável pelo controle do robô e, portanto, pela operação da paciente, participaram dois médicos assistentes, um anestesista e uma instrumentadora.

Apesar da complexidade da técnica, a paciente teve alta no dia seguinte e já estará liberada para fazer atividades corriqueiras, como dirigir, sete dias depois da operação.

O treinamento para o controle de robôs para esse tipo de cirurgia só é oferecido fora do país e custa cerca de US$ 30 mil. Para ser capaz de aplicar a técnica, Silva passou por um treinamento em Atlanta, nos Estados Unidos, em maio.

A experiência deverá ser relatada pela equipe do Hospital Oswaldo Cruz em periódicos científicos nacionais e internacionais. "É uma técnica que ainda não foi tão difundida porque tanto o treinamento quanto os equipamentos são muito caros e complexos", diz.

Indicação

O médico ressalta, no entanto, que as cirurgias para o tratamento de câncer de colo de útero - tanto as técnicas tradicionais quanto as robóticas - são indicadas apenas para pacientes com tumores iniciais.

Para os casos em que a doença está mais avançada, o tratamento preferencial costuma ser feito com base em quimioterapia e radioterapia.

Fonte: Estadão Conteúdo

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Bebês com três pais podem se tornar realidade em 2017

Espermatozóide em óvulo
Cientistas britânicos anunciaram um novo método de reprodução que pode salvar as vidas de bebês que nasceram com uma rara doença hereditária. O tratamento, que foi revelado em um artigo na revista científica Nature, aponta para a possibilidade de um bebê ter duas mães diferentes.

O procedimento, controverso, consiste na substituição de uma pequena quantidade de DNA defeituoso no óvulo de uma mãe pelo DNA saudável de outra mulher. Isso significa que as crianças herdam os genes de um pai e de duas mães.

O objetivo por trás do processo é reduzir as chances de bebês nascerem com doenças mitocondriais, como dificuldades respiratórias e fraqueza muscular, que são transmitidas apenas pelas mães. Apesar de raras, elas podem ser fatais antes de a criança entrar na fase adulta.

Para realizar a troca de DNAs, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada de “transplante antecipado pronuclear". Nela, o núcleo do gameta (célula sexual) da mãe com DNA defeituoso é substituído pelo núcleo do gameta da mulher saudável. Isso é feito antes que o processo de reprodução das células (meiose) comece.

Estudos anteriores demonstraram que o processo era tecnicamente viável em óvulos humanos anormalmente fertilizados. Contudo, segundo os cientistas, eles não conseguiram se desenvolver. Assim, em resumo, o novo método não afeta negativamente o crescimento do embrião.

“Este estudo utilizando óvulos humanos normais é um grande avanço, pois previne a transmissão da doença mitocondrial. Além disso, nós não encontramos nenhuma evidência de que a técnica não é segura”, afirma Doug Turnbull, coautor da pesquisa, ao site The Independent.

Entretanto, ele adiciona que um de seus estudos feitos com células-tronco revelaram que a técnica pode não ser totalmente eficaz ao prevenir a transmissão das doenças. “Mas, para muitas mulheres que carregam essas mutações, o risco é muito menor do que conceber [uma criança] naturalmente.”

O próximo passo da pesquisa é sua apresentação à Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA). Caso a instituição conceda uma licença para o estudo, o procedimento poderá ser disponibilizado como um tratamento para as mulheres que carregam a condição genética.

De acordo com Turnbull, para que os trabalhos continuem, o órgão regulador de pesquisa embriológica do Reino Unido ainda precisa aprovar o atual estudo, que foi realizado com mais de 500 óvulos de 64 mulheres. Ele espera, no entanto, que os primeiros bebês sejam “criados” até o final de 2017.

Antes mesmo de a pesquisa se revelar um sucesso, críticos da Igreja Católica e da Igreja da Inglaterra afirmaram que o tratamento afeta as vidas e as concepções de crianças desnecessariamente. Os defensores do estudo argumentam que ele poupa o sofrimento de famílias que carregam em seus genes essas graves condições.

Fonte: Exame

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Pesquisadores discutem formas de incentivar estudo de doenças negligenciadas

Cerca de 1 bilhão de pessoas são afetadas por doenças negligenciadas em todo o mundo, segundo a Iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, da sigla em inglês), mas a falta de perspectiva de lucro afasta pesquisas para aprimorar e desenvolver o tratamento contra essas enfermidades. Entre hoje (6) e quarta-feira (8), pesquisadores de diversas partes do mundo estão reunidos no Rio de Janeiro para discutir soluções para esse problema, na reunião de parceiros da DNDi.

Criada pela organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras e pelo braço da Organização Mundial da Saúde que trata de doenças tropicais, a iniciativa busca unir esforços com governos e o setor privado para desenvolver pesquisas.

A lista de 17 doenças negligenciadas inclui problemas conhecidos dos brasileiros, como a dengue e a Doença de Chagas. Segundo a diretora médica regional da DNDi na América Latina, Carolina Bastista, uma característica em comum entre muitas dessas doenças é que os enfermos estão em camadas sociais mais desfavorecidas.

"São doenças que acometem pessoas que vivem em situações de pobreza, em lugares remotos e que despertam pouco interesse das grandes indústrias farmacêuticas", diz Carolina, que explica como doenças mais conhecidas como a dengue ainda fazem parte da lista. "Apesar de ser muito conhecida e midiática, faltam ferramentas, tratamentos adequados e investimento em vacinas".

A pesquisadora destaca que muitas dessas doenças, como a Doença de Chagas, até têm tratamentos desenvolvidos, mas eles estão ultrapassados, têm efeitos adversos fortes e pouco se faz na iniciativa privada para que eles sejam modernizados. "A gente tem que sair dessa lógica e quebrar esse paradigma de que o que deve levar à inovação é o lucro. O que deve levar à inovação é o bem estar das pessoas".

Apesar disso, ela destaca que a DNDi não espera que a iniciativa privada resolva o problema sozinha e cobra que os governos e a academia também se envolvam no debate. "Esse problema não vai ser resolvido por um ator só. Só pela indústria ou só pelo governo, ou só pelos pacientes. E, sim, por uma diversidade de atores, tentando pegar o que cada um sabe".

A Fundação Oswaldo Cruz é uma das instituições fundadoras da iniciativa e o vice-presidente de produção e inovação em saúde da entidade, Jorge Bermudez, conta que uma das soluções em discussão para viabilizar a pesquisa e desenvolvimento de tratamentos dessas doenças é a criação de um fundo internacional que disponibilizasse esses recursos.

"Não falamos apenas de doenças negligenciadas, mas falamos em populações negligenciadas, que têm que ter prioridade", disse Bermudez, que defendeu que governos de países ricos contribuam para o fundo. Ele lembrou ainda que o objetivo do grupo, além de tratar doenças negligenciadas, é contribuir para o acesso a medicamentos para outras doenças: "Não podemos apenas investir para que sejam tratadas as doenças negligenciadas e [as pessoas] acabem morrendo de câncer, diabetes e hipertensão".

Zika

A lista de doenças negligenciadas recebe acréscimos à medida que pesquisadores identificam novos problemas que precisam ser enfrentados. Foi o caso da Micetoma, uma infecção que causa inchaços e lesões nas pernas e atinge populações da África, América Latina e Ásia. A doença passou a integrar a lista há duas semanas.

O vírus Zika também está entre as doenças que podem ser acrescentadas na lista nas próximas reuniões. "Acredito que em um futuro bem próximo será adicionada", afirma Carolina, que vê na virose muitas características em comum com as outras doenças.

Hepatite C

Outras doenças estão na mira da iniciativa mesmo sem constarem na lista de doenças negligenciadas, como a Hepatite C, cujo custo do tratamento preocupa os pesquisadores. Considerado bastante eficaz, o tratamento chega a custar US$ 84 mil por paciente, em um período de apenas quatro meses.

"A ferramenta existe, mas não pode chegar a quem precisa. Pouquíssimas pessoas no mundo podem pagar mil dólares por um comprimido. Uma alternativa mais barata e de igual eficácia é urgentemente necessária", defende Carolina, que informa que a DNDi está desenvolvendo, em parceria com um laboratório egípcio e os governos de Tailândia e Malásia, um tratamento que tem como meta reduzir o custo para US$ 300 dólares. A previsão é que a nova fórmula possa estar disponível entre três e cinco anos.

Atualmente, fazem parte da lista a Doença de Chagas, a dengue e o chikungunya, a africano tripanossomíase humana, a hanseníase, a tracoma, a raiva, a esquistossomose, as helmintíases transmitidas pelo solo, a teníase/cisticercose, a úlcera de Buruli, a dracunculose, a equinococose, as treponematoses endêmicas, as trematodiases de origem alimentar, a filaríase linfática e a oncocercose.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Câncer: as promessas da medicina de precisão e da genômica

Representação de célula cancerígena
Associada à genômica, a medicina de precisão, que visa a certas anomalias moleculares em um tumor cancerígeno, tem o potencial de aumentar as opções e a eficácia no tratamento de certos tipos de câncer, segundo pesquisas divulgadas neste sábado nos Estados Unidos.

Ao contrário da quimio e da radioterapia, a medicina de precisão permite preservar as células sadias. Esta abordagem e, sobretudo, a imunoterapia, que potencializa o sistema imunológico para destruir as células tumorais, estão revolucionando a oncologia.

Resultados preliminares de um teste clínico de fase 2, detalhados durante o maior colóquio mundial sobre câncer, celebrado este fim de semana em Chicago, foram considerados "animadores".

Dos 129 participantes do teste, 29 afetados por 12 tipos de câncer em estágio avançado, responderam positivamente a moléculas que não tinham sido aprovadas para o tratamento destes tumores pela agência americana de medicamentos, a FDA.

As respostas promissoras, vistas em quatro tipos de câncer, já levaram à ampliação do número de doentes que participarão deste teste clínico, afirmaram os pesquisadores.

"Estudos como este ajudarão os pacientes a se beneficiar em maior grau da medicina personalizada", explicou o doutor John Hainsworth, do Sarah Cannon Research Institute de Nashville (Tennessee).

O especialista destacou que os testes genômicos dos tumores - para determinar suas características genéticas - estão a cada dia mais acessíveis.

"Nossos resultados sugerem, por exemplo, que uma terapia dirigida ao gene mutante HER2 - que favorece o crescimento das células cancerígenas - poderia ser aplicada não só para tratar o câncer de mama ou o câncer gástrico", em parte dos quais sempre está presente, destacou.

Os resultados mais promissores desta abordagem foram comprovados em pacientes portadores da mutação HER2.

Sete em cada vinte deles sofriam de câncer colorretal, três em cada oito tinham tumor na bexiga e três em seis, de câncer nas vias biliares.

Em todos eles, o tumor diminuiu pelo menos 30%.

Com base nestes dados, os cientistas recrutaram um número maior de doentes para desenvolver o estudo, que deverá contar com 500 participantes.

Outro grupo de pacientes, que sofre de câncer de pulmão com mutações no gene BRAF, que regula as proteínas que atuam no processo de divisão e diferenciação celular, também foi ampliado, em função dos resultados positivos do teste.

Uma análise com 346 testes clínicos experimentais (fase 1) sobre um total de 13.203 pacientes, apresentado igualmente na conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), obteve resultados similares.

Nos 58 estudos do tipo, que recorreram à medicina de precisão, os tumores cancerosos diminuíram em mais de 31% quando as moléculas empregadas no tratamento estavam dirigidas especificamente aos pontos fracos do tumor.

Quando este não foi o caso, a diminuição do tumor foi de apenas 5,1%, disse Maria Schwaederle, do Centro de Terapia Anticancerosa Personalizada da Universidade da Califórnia.

"Estudos deste tipo revelam o grande potencial da medicina de precisão para ajudar a identificar novos tratamentos, ao mesmo tempo em que destacam a necessidade de explorar testes baseados na genômica e um enfoque terapêutico desenvolvido a partir dos dados fornecidos pelos testes clínicos", disse Sumanta Kumar Pal, professor de cancerologia no centro de pesquisas City of Hope na Califórnia, que não participou das pesquisas.

Fonte: AFP

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Descoberto primeiro gene associado à origem da esclerose múltipla

PEsquisadores descobriram primeiro gene associado à origem da esclerose múltipla. EFE/Hugo Ortuño
Uma equipe de pesquisadores na Universidade de Colúmbia Britânica e do Vancouver Coastal Health, no Canadá, descobriu o primeiro gene associado à origem da esclerose múltipla.

O estudo, publicado na revista "Neuron", indica que o gene NR1H3 aumenta em 70% as possibilidades de desenvolver esclerose múltipla e que a doença poderia ser hereditária.

Segundo informou a universidade em comunicado, para realizar o estudo os autores analisaram os dados do Projeto Colaborativo canadense sobre a Suscetibilidade Genética para a Esclerose Múltipla, trabalho em cujo registro se armazena a informação genética de mais de 2.000 famílias canadenses.

Para realizar a pesquisa, comandada pelo biólogo e geneticista espanhol Carles Vilariño-Güell em colaboração com a professora Dessa Sadovnick, levaram em conta mais de 4.000 mostras de pacientes com esclerose múltipla e 8.600 de parentes consanguíneos.

Os pesquisadores localizaram a mutação em duas famílias canadenses nas quais em ambos os casos dois terços de seus membros desenvolveram a doença, e todos eles tinham a mesma alteração do genoma, que por sua vez produzia uma proteína defeituosa conhecida como LXRA e que impacta em outros genes.

A descoberta desta mutação evidencia que algumas formas de esclerose múltipla são hereditárias.

"Esta descoberta é fundamental para nossa compreensão da esclerose múltipla. Até agora sabíamos muito pouco sobre os processos biológicos que dão lugar à aparição da doença, mas nosso achado tem um potencial enorme para o desenvolvimento de novos tratamentos voltados a suas causas subjacentes, e não somente os sintomas", explicou Vilariño-Güell.

Os resultados poderiam ajudar a encontrar tratamentos que incidam no mesmo gene ou combatam os efeitos prejudiciais da mutação, e uma pesquisa da mutação em pacientes de alto risco permitiria um diagnóstico e um tratamento antes que os sintomas apareçam.

Os resultados do trabalho também demonstraram que o aumento dos níveis de vitamina D ajudam a prevenir a doença.

Fonte: EFE

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Em 2020, aluno de Medicina só terá diploma após prova do MEC

Médico - medicina - saúde
A obtenção do diploma de Medicina estará condicionada, a partir de 2020, à aprovação em uma avaliação dos estudantes, informou ontem o Ministério da Educação (MEC).

As provas serão aplicadas em caráter pedagógico a alunos dos 2º e 4º anos de faculdade; no 6º ano, porém, quem não atingir a nota de corte não poderá se formar.

Cerca de 20 mil estudantes que ingressaram nos cursos de Medicina em 2015 já devem ser submetidos em agosto ao exame do 2º ano, aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

A medida responde a uma resolução do Conselho Nacional de Educação (CNE) publicada em 2014 e estimava um prazo de dois anos para sua implementação.

A norma do CNE foi aprovada após discussões envolvendo a Lei 12.871/2013, que instituiu o Programa Mais Médicos, e previa aumento no número de vagas de residência - para tanto também se propôs a obrigatoriedade de uma parte do estágio ser cumprido no Sistema Único de Saúde (SUS).

A Avaliação Nacional Seriada dos Estudantes de Medicina (Anasem) será um componente curricular obrigatório e os alunos e as instituições que não se inscreverem ou não participarem estarão sujeitos a "penalidades" que ainda não foram definidas.

O conteúdo da prova será nos moldes do Revalida - exame que certifica diplomas médicos expedidos por instituições estrangeiras para que passem a valer também no Brasil.

"Isso vai permitir que as escolas de Medicina acompanhem a evolução de seus alunos e trabalhem para melhorar seu processo de formação", disse o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Henry Campos, da subcomissão do Revalida.

No ano final, além de uma prova de conhecimentos médicos, haverá uma segunda etapa que avaliará as habilidades clínicas do formando.

O governo criou ainda uma Comissão Assessora da Avaliação, com participação do Ministério da Saúde e do Conselho Federal de Medicina (CFM). A comissão poderá definir também se a avaliação aplicada aos estudantes contará para avaliar cursos de Medicina.

Procurado, o CFM informou que, apesar de desconhecer evidências científicas que comprovem a eficácia da aplicação de exames do gênero, apoia a análise. "Esta é a única opção que possibilita a correção de rumos no processo de formação."

Avaliação

Segundo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, "o exame possibilita que problemas sejam corrigidos ao longo da formação do aluno, que terá um parâmetro para saber como está se saindo". "Vamos ter um salto de qualidade."

A nota de corte final vai variar de acordo com a prova.

O escore é definido da seguinte maneira: um painel de educadores médicos, que não participaram da elaboração do exame, se debruça sobre as duas etapas do exame e, com base em seu conteúdo, estabelecem o porcentual de acertos esperados para um aluno considerado "médio".

Além da residência médica, outros programas de pós-graduação podem optar por considerar a nota. A reprovação também impossibilitará a solicitação de registro profissional.

Fonte: Exame

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Paciente vira cleptomaníaca após anestesia mal aplicada

Cirurgia
Os médicos sabiam que algo estava errado quando sua paciente de 40 anos - cujo nome não foi revelado - acordou do procedimento múltiplo de lipoaspiração, implante de silicone e outras reformas gerais. Sentia-se confusa e letárgica e tinha problemas de memória.

Fizeram então dois tipos de tomografia, que revelaram danos na região do núcleo caudado, relacionados à memória e aprendizado. Esse é um risco da anestesia: o acidente foi causado por má oxigenação durante o procedimento.

Após sua aparente recuperação, ela foi mandada para casa. E, então, uma coisa bizarra aconteceu: ela passou a ter pensamentos recorrentes e compulsivos de roubar coisas. Que só se acalmavam quando ela cedia, estendia suas mãos leves e saía com os pertences alheios.

Um dia, ela estava comprando um presente para o amigo de sua filha numa loja e sentiu a vontade irresistível de pegar um item da prateleira - que ela tinha mais que o suficiente para pagar - e enfiar na sua bolsa.

Um segurança viu e ela foi mandada para a delegacia. Acabou liberada quando se provou que o roubo era causado por dano neurológico, não na moral e bons costumes.

Os estranho caso foi publicado no journal BGM Case Reports, onde médicos compartilham suas histórias mais peculiares.

O estudo foi comandado pelo brasileiro Fábio A. Nascimento, da Universidade de Toronto (Canadá), que caiu de estar no Brasil no mesmo dia, acompanhando as tomografias.

A cirurgia foi em 2013. O dano não era permanente e a mulher se recuperou, não roubando mais nada e curtindo seu novo visual.

Fonte: Exame

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Empresa francesa anuncia 1º implante de retina artificial

Engenheiro da startup francesa Pixium Vision mostra retina artificial, dia 04/02/2016
A companhia francesa Pixium Vision, que desenvolve sistemas para a recuperação da visão, anunciou nesta quarta-feira que realizou com sucesso um primeiro implante de sua retina artificial Iris II, que deve ser comercializada na Europa a partir de meados de 2016.

A Iris II oferece esperanças aos pacientes que perderam a visão por causa da retinite pigmentária, uma patologia da retina hereditária e degenerativa.

Com 150 eletrodos, três vezes mais que seu protótipo Iris 1, estimula artificialmente a retina defeituosa e restaura parcialmente a visão para capturar formas e movimentos.

"Esta novidade mundial, realizada em um paciente de 58 anos, transcorreu com êxito", declarou em um comunicado o professor Michel Weber, chefe do serviço de oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário (CHU) de Nantes, oeste da França, onde foi realizado o implante em janeiro.

Depois de vários anos de escuridão, o paciente agora percebe luzes e começará um processo de reeducação.

Depois de ter implantado o Iris I em oito pacientes, mais dez receberão este novo modelo em vários centros especializados na Europa como parte do teste clínico, anunciou ainda a Pixium Vision.

Além dos implantes, a pesquisa médica da empresa também explora a terapia genética e celular para restaurar a visão.

Fonte:Exame

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Doctors 3D-print 'living' body parts

Printed ear
The sections of bone, muscle and cartilage all functioned normally when implanted into animals.

The breakthrough, published in Nature Biotechnology, raises the hope of using living tissues to repair the body.

Experts described the technology, developed in the US, as a "goose that really does lay golden eggs".

The idea of placing individual human cells in a precise pattern to replace a damaged jaw, missing ear or scarred heart muscle holds much promise.

But the field has been limited by the huge challenge of keeping the cells alive - they become starved of oxygen and nutrients in tissues thicker than 0.2 millimetres.

Sponge

The team at Wake Forest Baptist Medical Centre developed a new technique that 3D-prints a tissue riddled with micro-channels, rather like a sponge, to allow nutrients to penetrate the tissue.
3D printer
The Integrated Tissue and Organ Printing System - or Itop - combines a bio-degradeable plastic which gives the structure and a water-based gel which contains the cells and encourages them to grow.

When the structures were implanted into animals, the plastic broke down as it was replaced by a natural, structural "matrix" of proteins produced by the cells.

Meanwhile, blood vessels and nerves grew into the implants.

Prof Anthony Atala, the lead researcher, said tissues could now be printed on a human scale.

While the implants have the same strength as human tissues, the researchers are now waiting to see how durable they are.

But Prof Atala said 3D printing was opening new doors for medicine.

He told the BBC News website: "Let's say a patient presented with an injury to their jaw bone and there's a segment missing.
"We'd bring the patient in, do the imaging and then we would take the imaging data and transfer it through our software to drive the printer to create a piece of jawbone that would fit precisely in the patient."
Broken jaw
Replacement jaw
Similar techniques in which the biodegradable scaffolding is built first and then soaked in cells are already being used in patients.

Women were given lab-grown vaginas at the Wake Forest centre two years ago, but the range of treatments is again limited by keeping the cells alive.

Prof Atala added: "In this study we printed a wide range of tissue strengths - from muscles as a soft tissue to cartilage and bone as a hard tissue showing a whole range of tissue strengths is possible.
"The hope is to continue work on these technologies to target other humans tissues as well."

And ultimately they aim to print directly into a patient.

'Golden goose'

Prof Martin Birchall, a surgeon at University College London, said the results were "striking".

He told the BBC: "The prospect of printing human tissues and organs for implantation has been a real one for some time, but I confess I did not expect to see such rapid progress.

"They have managed to create what appears to be the goose that really does lay golden eggs!"
He cautioned there was still more research to be done before the printer could be used in patients.

But he concluded: "Given the scale of this breakthrough, progress in other fields, the resources available to the researchers at Wake Forest and the imperatives for human health, I think it will be less than a decade before surgeons like me are trialling customised printed organs and tissues. I can't wait!"

Source: BBC

Metade dos médicos recém-formados é reprovada em exame

Médico em consulta
Quase metade dos médicos recém-formados do Estado de São Paulo reprovou no exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) no ano passado.

Em 2015, dos 2.726 médicos que fizeram a prova, 48,1% não acertaram 60% das 120 questões da prova, porcentual mínimo exigido pelo conselho.

Entre os médicos formados em escolas privadas de Medicina, a reprovação é ainda maior: 58,8%. Enquanto nas escolas públicas paulistas, a média de reprovação foi de 26,4%.

Segundo o presidente do Cremesp, Bráulio Luna Filho, houve uma ligeira melhora no índice de aprovação em relação aos anos anteriores, mas disse que a média ainda é preocupante. Em 2014, os reprovados foram 55% do total e, em 2013, 59,2%.

O exame, no entanto, não é obrigatório e sua reprovação não impede que os médicos recém-formados exerçam a profissão.

"No Brasil, não existe uma lei que impeça que esse indivíduo, identificado como incompetente para a atividade (pelo exame do conselho) entre para a atividade médica. O conselho lamenta que essa seja a nossa legislação", disse Luna Filho.

Das 30 escolas de Medicina paulistas que tiveram alunos que fizeram o exame no ano passado, apenas 15 tiveram média de acertos na prova superior a 60%, das quais nove são instituições públicas e seis, particulares.

Fonte: Exame

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

87% dos médicos no Brasil usam WhatsApp com pacientes

Médico e estetoscópio
Nove de cada dez médicos do Brasil usa o aplicativo WhatsApp para se comunicar com os pacientes.

Isso deu aos médicos brasileiros o título de usuários mais frequentes do aplicativo em todo o mundo, revela pesquisa de uma consultoria britânica do setor de saúde. No Reino Unido, só 2% dos médicos usa o aplicativo para falar com pacientes.

A pesquisa da consultoria britânica Cello Health Insight que entrevistou 1.040 médicos em oito países - Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Espanha, Estados Unidos, China e Brasil - revelou que 87% dos brasileiros usaram o WhatsApp nos 30 dias anteriores à entrevista para a comunicação com pacientes. O número é muito superior ao de outros países.

Em segundo lugar, a Itália teve 61%. Na China, 50% dos médicos disse ter usado o WeChat, uma versão local do aplicativo. A pesquisa foi divulgada em novembro.

"França, Estados Unidos e Reino Unido estão muito atrás de outros países no uso do WhatsApp. Médicos nos países do sul da Europa, China e Brasil estão usando essa plataforma para comunicação com colegas, pacientes e representantes da indústria farmacêutica", destaca a pesquisa.

Segundo o estudo, só 2% dos médicos britânicos usa o aplicativo para se comunicar com pacientes e o índice é de 4% entre os norte-americanos.

Em um dia em que o Brasil acordou sem WhatsApp, a boa notícia é que a pesquisa também mostrou que 82% dos médicos brasileiros também usam a velha e boa mensagem de texto para trocar informações com os pacientes. Na média mundial, 30% dos médicos usa o canal de comunicação.

"No Brasil e na China, os dados sugerem que os médicos abraçaram os smartphones e tablets, o que gera uma interessante oportunidade para a indústria farmacêutica para alcançar esses profissionais", nota a pesquisa que cita que 87% dos médicos brasileiros e 76% dos chineses usam celulares e tablets para pesquisas relacionadas ao trabalho.

Fonte: Exame/Abril

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Pesquisadores japoneses descobrem proteína que inibe HIV

Amostra de pessoa que vive com HIV é vista em laboratório que realiza pesquisas sobre Aids em 13 de setembro de 2013, na cidade de Abidjan, na Costa do Marfim
Um grupo de pesquisadores do Instituto Nacional de Infecções do Japão descobriu que uma proteína encontrada em humanos tem efeitos inibidores sobre o vírus da imunodeficiência humana (HIV), informou nesta quarta-feira a emissora pública "NHK".

As células em que este tipo de proteína foram encontradas, denominadas MARCH8, não infectam as células saudáveis do indivíduo, indicaram as conclusões do grupo de pesquisadores japoneses.

Um dos cientistas que participou da pesquisa, Kenzo Tokunaga, espera que a descoberta permita o desenvolvimento de um remédio que ajude o corpo humano a produzir esta proteína, que poderia tratar os pacientes com HIV.

O estudo do Instituto Nacional de Infecções do Japão se baseou no cultivo do vírus da aids usando células com MARCH8 e outras que não possuiam esta proteína, o que mostrou que a maioria das que continham MARCH8 não infectaram a outras sãs.

Isto poderia beneficiar os 36,9 milhões de portadores do vírus da imunodeficiência adquirida. Somente 15,8 milhões recebem tratamento antirretroviral, segundo dados da agência das Nações Unidas contra a Aids (Unaids).

Fonte: Exame/Abril

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Médicos reconectam cabeça de bebê após decapitação interna

Um bebê australiano que teve a cabeça separada do corpo acaba de ganhar uma nova chance de vida. Jackson Taylor, de 1 ano e 4 meses, sofreu uma luxação atlanto-occipital e teve duas vértebras do pescoço fraturadas após um acidente de carro.

O trauma, também conhecido como decapitação interna, consiste no rompimento dos tecidos do pescoço que dão sustentação ao crânio.

Com isso, a cabeça só fica presa ao corpo por meio da pele. Por um milagre, a medula espinhal de Jackson ficou intocada, mas é comum que as vítimas do trauma percam os movimentos.

Felizmente, após uma cirurgia de seis horas, médicos conseguiram recuperar a sustentação do crânio do garoto utilizando um pedaço de uma costela de Jackson e um fio para religar as vértebras desencaixadas.

Para garantir o sucesso da cirurgia, Jackson teve sua cabeça completamente imobilizada por uma órtese em formato de gaiola, que o impede de movimentar o pescoço.

Agora, o bebê -- que está andando e se alimentando normalmente -- terá de ficar ao menos dois meses com o pesado aparato.
Você pode ver o vídeo (em inglês) abaixo com a explicação de como a cirurgia foi feita

Fonte:Exame/Abril
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