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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Unicamp cria biblioteca digital sobre zika e Aedes aegypti

Aedes aegypti mosquito transmissor da dengue e zika virus
Com o objetivo de concentrar informações científicas e de outras fontes que auxiliem no desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas ao enfrentamento das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criou a Biblioteca Digital Zika http://bdz.sbu.unicamp.br/wp/, plataforma on-line de acesso aberto que disponibiliza conteúdos publicados na área em todo o mundo.

A iniciativa surgiu a partir de conversas entre o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) e o grupo de trabalho coordenado pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), formado por docentes e pesquisadores de diferentes especialidades que buscavam reunir soluções nas áreas de controle do inseto, virologia, epidemiologia e imunologia, entre outras. A ideia é fornecer suporte informacional aos cientistas ligados à força-tarefa da Rede Zika, composta por representantes de várias instituições no Estado de São Paulo responsáveis por projetos de pesquisa apoiados pela FAPESP sobre o vírus e seu vetor (leia mais sobre a rede em agencia.fapesp.br/22671).

“Como se trata de um tema relativamente novo, a informação é um elemento fundamental para dar suporte ao pesquisador e possibilitar que ele, a partir do que já foi conseguido, avance no conhecimento. Todo esse material foi organizado e continua sendo compilado para que a informação seja alcançada pelo cientista de forma rápida e precisa, fazendo com que o conhecimento acumulado sobre o vírus, seu vetor e as doenças relacionadas a eles circule, multiplique-se e contribua para o fortalecimento das pesquisas na área, a formulação das políticas públicas necessárias e o bem-estar da população”, disse Regiane Alcântara Bracchi, coordenadora do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) e supervisora da Biblioteca Digital Zika.

Já são mais de 200 artigos disponíveis, todos validados por pesquisadores da Unicamp ligados à Rede Zika. O conteúdo é classificado em cinco grupos: caracterização molecular e biológica; mecanismos de imunopatogenicidade; novas metodologias de diagnóstico; estratégias de bloqueio da transmissão e controle do mosquito; e epidemiologia, imunologia e repercussões clínicas. É possível fazer busca por autor, assunto e título em todos os grupos.

De acordo com Alvaro Penteado Crósta, vice-reitor da Unicamp e coordenador da biblioteca, a escolha dos temas buscou abranger todos os aspectos científicos relacionados ao Zika.

“Por se tratar de um vírus pouco conhecido e com alto potencial de propagação, existe atualmente uma grande proliferação de iniciativas de pesquisas do Zika em todo o mundo. Isso resulta numa igual proliferação de artigos científicos, livros, relatórios e notícias divulgados em vários tipos de mídia. A Biblioteca Digital Zika tem o objetivo de coletar e disponibilizar essa vasta gama de informações em um único sítio eletrônico, levando a grande economia de tempo dos pesquisadores que necessitam dessas informações para dar suporte às suas pesquisas”, contou Crósta.

A biblioteca também conta com análises da produção científica a partir de bases de dados para auxiliar o pesquisador na compreensão do desenvolvimento das pesquisas na área. O serviço permite identificar as temáticas com o maior número de pesquisas, a participação do Brasil e de instituições brasileiras em estudos sobre o vírus Zika e os pesquisadores que mais publicaram sobre o assunto, além de outras ocorrências, oferecendo um panorama geral da produção de conhecimento científico sobre a área no mundo.

Há, ainda, orientações sobre fontes de financiamento, voltadas a programas de fomento à pesquisa que contribuam para enfrentar os impactos na saúde pública das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, além de notícias veiculadas pela imprensa nacional e internacional, vídeos e outros conteúdos informativos e chat on-line com bibliotecários para esclarecimento de dúvidas e solicitação de informações.

Além de Bracchi e Crósta, integram a equipe da Biblioteca Digital Zika Gláucia Maria Pastore, pró-reitora de Pesquisa da Unicamp e coordenadora da Rede Zika na instituição, e Daniela Feijó Simões, Márcio Souza Martins, Michele Lebre de Marco e Oscar Eliel, responsáveis pelo desenvolvimento e pela implantação do projeto, bem como profissionais das diretorias de Tecnologia da Informação, Tratamento de Informação, Difusão da Informação e Gestão de Recursos do SBU e das bibliotecas do Instituto de Biologia, da Faculdade de Medicina e do Instituto de Química da Unicamp.

“A iniciativa de criação de um portal que permita acesso rápido a informações científicas de qualidade vai auxiliar enormemente o desenvolvimento dessa área de pesquisa, tema de tanta relevância para a saúde pública mundial como o caso do vírus Zika. Além disso, o portal inaugura um novo formato de divulgação científica qualificada para públicos-alvo”, declarou Pastore.

A plataforma está disponível para acesso público desde março, no site bdz.sbu.unicamp.br, e segue sendo atualizada. Está em desenvolvimento um sistema de alerta para notificar a entrada de novos conteúdos disponíveis.

Fonte: Exame

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Ferramentas auxiliam ensino e aprendizagem de Matemática

Matemática

Queixas.com.br
Para facilitar o processo de ensino e aprendizagem de Matemática nas escolas brasileiras, pesquisadores da Faculdade de Educação (FE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) adaptaram uma série de ferramentas digitais desenvolvidas por universidades portuguesas que apresentam conteúdos da área de forma lúdica e interativa e com recursos para professores e alunos.

O portal HypatiaMat reúne um conjunto de aplicativos desenvolvido em Portugal, na Universidade do Minho e com a colaboração de professoras de Coimbra, com o objetivo de contribuir para o processo de ensino e aprendizagem da Matemática, tendo como referência aspectos da Teoria Social Cognitiva, que trata do papel ativo do indivíduo no processo de aprendizagem.

“Os diferenciais das ferramentas decorrem de sua aderência a essa teoria psicológica e das implicações técnicas disso, especialmente no que tange aos processos de autorregulação da aprendizagem, contemplando, simultaneamente, as dimensões psicológica e técnica do processo”, disse Roberta Gurgel Azzi, responsável pela pesquisa Aprendizagem autorregulada da matemática em ambientes de aprendizagem por computador: um estudo brasileiro, realizada com apoio da FAPESP.

Para a pesquisadora, o estudo pode favorecer a superação do baixo desempenho dos estudantes na disciplina – de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), em 2014 o Brasil esteve na 58ª posição no ranking de Matemática.

O HypatiaMat traz uma série de aplicativos cujo conteúdo é voltado para alunos do ensino fundamental, envolvendo números e operações, geometria, incluindo conceitos básicos, ângulos, áreas, construções geométricas, perímetros e o Teorema de Pitágoras, e álgebra, abrangendo expressões algébricas, fatorização de polinômios, equações de primeiro e de segundo grau, entre outros temas.

Os textos dos aplicativos principais contam com ilustrações, demonstrações animadas e exercícios dinâmicos. Entre os recursos de suporte à aprendizagem autorregulada disponíveis aos alunos estão fontes de informação sobre sua interação com os jogos e seu desempenho.

Um deles é o Escritório do Aluno, que oferece um panorama geral da utilização do portal, registrado pelos aplicativos, com informações a respeito do número de entradas, o tempo médio de permanência, a quantidade de exercícios realizados, testes de conhecimento e tarefas para casa resolvidos e as respectivas porcentagens de acerto.

Já o Skillômetro (algo como “aprendímetro”) fornece ao aluno registrado um resumo de sua interação com o aplicativo que estiver sendo utilizado. A funcionalidade é aberta automaticamente ao início de cada interação e apresenta informações das interações anteriores, acrescidas do desempenho em cada um dos temas do aplicativo.

Há ainda um “tutor virtual” que apoia o aluno na compreensão e na resolução de eventuais problemas nos exercícios, estimulando sua persistência e apresentando formas de resolução detalhadas quando requerido.

“O feedback imediato e contínuo sobre os acertos e erros nos exercícios e o tutor virtual atuam conjuntamente para fornecer informações que, em tempo real, dão suporte à revisão das respostas, ao processo de resolução de problemas e, em última instância, auxiliam os processos de monitoramento e avaliação, componentes da autorregulação da aprendizagem”, observa Azzi.

Outro recurso disponível aos alunos, desde que participantes de uma turma conduzida por um professor registrado no portal, são os trabalhos para casa. O professor pode criar listas de exercícios direcionadas a turmas específicas, dentro e fora do contexto da sala de aula, relativas a qualquer um dos temas disponíveis no portal. Os resultados são armazenados e podem ser empregados para o feedback individualizado aos estudantes.

O portal também oferece recursos para auxiliar o professor no ensino. Por meio do Escritório do Professor, docentes podem acompanhar a interação de seus alunos com os aplicativos, tendo acesso às mesmas informações de monitoramento e aos resultados individuais dos trabalhos para casa.

A experiência brasileira

Os pesquisadores de São Paulo, acompanhados por professores de Matemática e pelos autores portugueses, converteram os conteúdos dos aplicativos para o português brasileiro, incluindo textos estáticos, exercícios dinâmicos e mensagens e intervenções do tutor digital, inclusive em áudio.

Originalmente desenvolvido para utilização no Hemisfério Norte, o sistema também passou por adaptações ao calendário escolar do Brasil, passando a poder também considerar o início do ano letivo em fevereiro. Para isso foi necessário adaptar suas estruturas de banco de dados e a interface do sistema.

Peculiaridades do ensino no Brasil foram contempladas pela adaptação, como suporte a múltiplas turmas de diferentes turnos, já que o sistema original considera o trabalho de professores que, via de regra, trabalham em somente uma escola e em período integral. Também foram feitos aprimoramentos na versão brasileira, como a criação de perfis para os alunos e de uma documentação para auxiliar estudantes e professores no uso do sistema, com textos de orientação procedimental, na forma de perguntas e respostas.

Além da adaptação do sistema, a experiência brasileira com o HypatiaMat teve duas diferenças importantes em relação à portuguesa: o emprego de dispositivos móveis individuais (tablets com Android) em sala de aula, em vez de computadores utilizados em um laboratório de informática, e, para um subgrupo de alunos, a utilização de uma lousa digital integrada ao uso do aplicativo nos dispositivos móveis.

Os professores envolvidos foram preparados em um curso de extensão universitária oferecido pela Unicamp, em que receberam orientações específicas para as ferramentas disponíveis no portal e formação básica na perspectiva social cognitiva da autorregulação da aprendizagem. Essa etapa contou com a participação de Pedro Rosário, da Universidade do Minho, coordenador do projeto internacional, e dos doutorandos da Unicamp Marcos de Toledo Benassi e Ana Paula Basqueira, que desenvolvem suas teses a partir do trabalho com o HypatiaMat.

“Diferentemente da experiência europeia, buscou-se capacitar os professores para uma compreensão social cognitiva do processo de ensino-aprendizagem, sem um foco no planejamento estrito das aulas a serem ministradas com o apoio do sistema. Dessa forma, os professores foram estimulados a planejar as aulas de seus cursos, envolvendo ou não o portal, considerando os aspectos discutidos em sua formação, adaptando-os às suas realidades e contextos específicos”, disse Azzi.

Os recursos estão disponíveis para acesso livre em www.hypatiamat.com. Para utilizá-los é preciso fazer um registro on-line como aluno ou professor.

Fonte: Exame