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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Roche é autorizado a testar método de diagnóstico da zika

Teste de laboratório com pepita e recipiente de petri
O laboratório farmacêutico suíço Roche recebeu autorização da Food and Drug Administration (FDA, a Agência Americana de Alimentos e Medicamentos) para testar um método de diagnóstico da zika.

Apesar de ainda não estar homologado, a FDA aprovou o teste, chamado LightMix Zika, com o argumento de que esta é uma situação de emergência, informou a Roche em um comunicado.

"O LightMix Zika é um teste molecular que permite aos profissionais de saúde detectar rapidamente o vírus" disse Uwe Oberlaender, diretora da Roche Molecular Diagnostics.

O vírus da Zika é considerado responsável pelo aumento de casos de microcefalia, uma má-formação dos recém-nascidos grave e irreversível, sobretudo na América Latina, e também se acredita que provoca doenças neurológicas em adultos como a síndrome de Guillain-Barré.

O mosquito Aedes aegypti é considerado o principal vetor da transmissão do vírus.

Roche, líder mundial da oncologia, é um dos grandes laboratórios do mundo a desenvolver testes de diagnóstico da zika.

Fonte: AFP

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Aumentam evidências de que pernilongo pode transmitir zika

Mosquito Aedes aegypti transmissor da dengue, vírus zika e febre chikungunya
O mosquito Aedes aegypti tem sido apontado como o principal vetor do vírus Zika, que, estima-se, infectou até junho 49 mil pessoas dentre 139 mil casos notificados no Brasil, e causou o nascimento de 1,6 mil crianças com microcefalia em 582 municípios.

Mas, além do Aedes aegypti, o Zika também pode ter outros vetores, como o mosquito Culex quinquefasciatus, conhecido popularmente como pernilongo ou muriçoca, sobre o qual crescem as evidências de que pode estar envolvido na emergência do vírus no país.

O alerta foi feito por Constância Flávia Junqueira Ayres Lopes, pesquisadora do Instituto Aggeu Magalhães (IAM) da Fiocruz em Recife, Pernambuco, em uma mesa-redonda sobre “O mosquito, o vírus e o que temos para combatê-los”, durante a 68ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre até o próximo sábado (09/07), no campus de Porto Seguro da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).

“Há sérias dúvidas se o Aedes aegypti é um vetor exclusivo do vírus Zika”, disse Lopes. “Em ambientes silvestres várias espécies de Aedes estão implicadas no processo de transmissão. Por que em ambientes urbanos somente uma espécie estaria envolvida?”, questionou.

De acordo com a pesquisadora, o mosquito Aedes aegypti começou a ser incriminado como vetor do vírus Zika em 1947, quando foi encontrado em uma floresta com nome homônimo em Uganda, na África, por pesquisadores financiados pelo Instituto Rockefeller, dos Estados Unidos.

Os pesquisadores estavam tentando isolar o vírus da febre amarela e, para isso, estudaram mosquitos de espécies de Aedes, velhos conhecidos como transmissores da doença.

Ao analisar o material coletado, eles observaram que o vírus que isolaram era diferente e o batizaram de Zika em homenagem à floresta onde foi descoberto.

Desde então, diversos outros isolamentos do vírus Zika foram feitos a partir de diferentes espécies de Aedes, como o Aedes africanus, contou a pesquisadora.

Em 1966, quando houve a primeira emergência do vírus Zika, na Malásia, foram analisados inúmeros pools de mosquito no país asiático e identificado apenas um como Aedes aegypti.

Já nas epidemias mais recentes do vírus Zika, como em 2007, na Micronésia, na região do Pacífico, quando cerca de 70% da população da ilha de Yap, com população de 7,3 mil pessoas, foi infectada, não foi encontrado nenhum pool de Aedes aegypti, afirmou a pesquisadora.

“Na verdade, há pouquíssimos mosquitos Aedes aegypti na Micronésia. Há outras espécies de Aedes na região, mas o Aedes aegypti é muito raro na maioria das ilhas e completamente ausente nas ilhas onde houve uma grande ocorrência de casos de infecção pelo Zika vírus”, disse.

Quando ocorreu a epidemia, Lopes entrou em contato com pesquisadores da região a fim de saber qual era a espécie de mosquito mais abundante por lá. A resposta dos pesquisadores foi o Culex quinquefasciatus, que não tinha sido investigado como um vetor do vírus Zika.

“A questão é que todo mundo que estudou a circulação do vírus Zika antes só olhou para as espécies de Aedes. Como esses mosquitos já são conhecidos como vetores de dengue, chikungunya e febre amarela, por que não seriam também do Zika?”, explicou Lopes.

No início da emergência do Zika no Brasil, a pesquisadora decidiu investigar se o Culex quinquefasciatus também poderia transmitir o vírus. O mosquito é 20% mais abundante do que o Aedes aegypti no ambiente urbano e é vetor de outros arbovírus (transmitidos essencialmente por artrópodes), como o do Oeste do Nilo e da encefalite japonesa, que são próximos do vírus Zika.

Além disso, começou a chamar a atenção da comunidade científica e da Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de cartas publicadas em revistas como Lancet, sobre a urgência e a necessidade de se investigar outras espécies de mosquito que também podem ser vetores do vírus Zika, e não apenas o Aedes aegypti .

“Até então, infelizmente, a comunidade científica e a OMS estavam focando só o Aedes aegypti e todo o combate ao vírus Zika foi voltado exclusivamente para essa espécie de mosquito, negligenciando uma série de outras, como o Culex quinquefasciatus”, afirmou Lopes.

Os resultados dos ensaios realizados pelos pesquisadores, em que foram infectados, em laboratório, mosquitos Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti com Zika para comparar suas capacidades de transmitir o vírus, indicaram que o desempenho das duas espécies é muito semelhante.

Os pesquisadores conseguiram observar a presença do vírus Zika na glândula salivar dos mosquitos Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti três dias após infectados.

“Esse ciclo é menor do que o do vírus da dengue, que leva entre 10 a 15 dias para vencer as barreiras de resistência e chegar à glândula salivar dos mosquitos. O pico de surgimento do vírus Zika na glândula salivar dos insetos ocorre sete dias após serem infectados”, detalhou Lopes.

A fim de verificar se o vírus Zika era capaz de sair da glândula salivar e ser encontrado na saliva dos mosquitos, os pesquisadores realizaram um teste em que expuseram os insetos a um papel filtro coberto com mel e um antibiótico.

Ao se alimentar do mel, os mosquitos depositavam saliva no papel filtro, que era coletada e dela extraído o RNA.

O resultado do ensaio, em vias de ser publicado, aponta que o Zika está presente e com carga semelhante na saliva dos mosquitos Culex quinquefasciatus e Aedes aegypti.

“Como o Culex quinquefasciatus é mais abundante no ambiente urbano do que o Aedes aegypti, queremos saber agora qual tem maior importância no papel de transmissão do vírus Zika”, disse Lopes.

Os resultados dos estudos realizados pelos pesquisadores da Fiocruz foram apresentados à OMS, que recomendou à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) que outras espécies de mosquitos – principalmente o Culex quinquefasciatus – fossem investigados em regiões com casos registrados de infecção por vírus Zika no mundo.

Mudança na forma de controle

Na avaliação de Lopes, uma das implicações de ter outras espécies envolvidas na transmissão do vírus Zika, caso seja comprovado, é que mudará drasticamente a forma de controle da infecção, que hoje está focada exclusivamente no Aedes aegypti.

Os hábitos do Aedes aegypti são bastante diferentes dos do Culex quinquefasciatus, ressaltou.

Enquanto o Aedes aegypti pica durante o dia, o Culex quinquefasciatus pica durante a noite. Isso deve provocar uma mudança de hábito das pessoas – especialmente as grávidas – que estão tomando medidas de proteção contra a picada, como o uso de repelentes, somente durante o dia.

Além disso, enquanto o Aedes aegypti tem preferência por colocar ovos em água parada, de chuva, o Culex quinquefasciatus gosta de colocar seus ovos em água extremamente poluída, como a de esgoto e de fossa. “Isso irá requerer um investimento na melhoria das condições de saneamento no país, que é um problema histórico”, avaliou a pesquisadora.

O controle do Culex quinquefasciatus, contudo, deve ser mais fácil do que o do Aedes aegypti, estimou Lopes.

Enquanto a fêmea do Aedes aegypti prefere depositar seus ovos de forma distribuída para garantir que sua prole tenha maiores chances de sobrevivência, a fêmea do mosquito Culex quinquefasciatus deposita seus ovos em um único lugar.

“Os criadouros do Culex quinquefasciatus são mais concentrados e têm um alto nível de infestação, enquanto os do Aedes aegypti são mais distribuídos”, comparou a pesquisadora.

“A chance de sucesso de um programa de controle de Culex quinquefasciatus é muito maior do que o de Aedes aegypti. Prova disso é que até hoje não há um controle efetivo da dengue no Brasil”, avaliou.

De acordo com a pesquisadora, Recife – a cidade considerada o epicentro da epidemia do vírus Zika no Brasil – é a única no país onde há incidência de filariose – uma doença parasitária crônica causada por vermes nematoides (as filárias). O parasita é transmitido pelo mosquito Culex quinquefasciatus, que é o vetor exclusivo.

Um trabalho realizado por colegas dela na Fiocruz de Recife identificou que os casos de microcefalia registrados na cidade ocorreram exatamente em regiões onde também foram notificados casos de filariose.

“Cerca de 85% das mães que tiveram bebês com microcefalia vivem em áreas onde foram registrados casos de filariose”, afirmou Lopes.

Algumas das características das regiões onde moram essas mães são as baixas condições de saneamento básico, com esgoto a céu aberto.

“Se o vírus Zika fosse transmitido exclusivamente por Aedes aegypti seria uma doença democrática, como a dengue é. Todo mundo pega, e não somente as pessoas que estão extremamente expostas a picadas e à transmissão do vírus”, avaliou.

Fonte: Agência FAPESP

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Exames de Zika serão obrigatórios para planos de saúde a partir desta semana

A partir da próxima quarta-feira (6),  os planos de saúde terão que cobrir obrigatoriamente três exames de detecção do vírus Zika. Os procedimentos deverão ser disponibilizados para gestantes, bebês filhos de mães com diagnóstico de infecção pelo vírus, bem como aos recém-nascidos com malformação congênita sugestivas de infecção pelo zika.

A escolha destes grupos levou em conta o risco de bebês nascerem com microcefalia devido à infecção da grávida pelo vírus durante a gestação. A microcefalia é uma malformação irreversível que pode comprometer o desenvolvimento da criança em diversos aspectos.

A norma da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece que os planos têm que oferecer o PCR, indicado para a detecção do vírus nos primeiros dias da doença; o teste sorológico IgM, que identifica anticorpos na corrente sanguínea; e o IgG, para verificar se a pessoa teve contato com o zika em algum momento da vida.

Normalmente, a ANS revê a cada dois anos o rol de procedimentos obrigatórios a serem cobertos pelos planos de saúde. A última revisão começou a valer em janeiro deste ano. Porém, no caso do exame de diagnóstico do vírus Zika, a incorporação dos testes laboratoriais ocorreu de forma extraordinária, segundo a agência reguladora, por se tratar de uma emergência em saúde pública decretada pela Organização Mundial da Saúde.

Os planos de saúde tiveram 30 dias para se adequarem à nova regra.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Vacina contra zika agora pode ser testada em humanos

Vacina de gripe
O laboratório farmacêutico Inovio e o parceiro GeneOne Life Sciences informou que receberam aprovação de reguladores norte-americanos para iniciar testes em humanos para uma vacina contra o vírus Zika.

A pesquisa em estágio inicial terá 40 pessoas saudáveis para avaliar segurança, tolerância e resposta imunológica geradas pela vacina GLS-5700.

"Planejamos dosar nossos primeiros indivíduos nas próximas semanas e esperamos relatar os resultados interinos da fase 1 posteriormente neste ano", disse o presidente-executivo da Inovio, Joseph Kim.

Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o Zika como emergência de saúde pública global. O vírus foi associado à microcefalia, uma má-formação congênita em bebês.

Na semana passada, autoridades norte-americanas relataram três bebês nascidos com má-formações congênitas provavelmente ligadas ao Zika.

O laboratório francês Sanofi provavelmente vai iniciar seus próprios testes de vacina em humanos no ano que vem.

Já a indiana Bharat Biotech é outra companhia que está na corrida para desenvolver uma vacina para a doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Fonte: Reuters

sexta-feira, 17 de junho de 2016

LG Eletronics vende TV que repele mosquitos na Índia

Logo da LG
A unidade indiana da LG Eletronics começou a vender uma televisão com uma ferramenta que a empresa diz que repele mosquitos, o que pode disseminar doenças como malária, zika e dengue.

A TV com "Tecnologia para Espantar Mosquitos" usa ondas ultrassônicas que são inaudíveis aos humanos, mas fazem com que os mosquitos fujam, de acordo com a empresa. O aparelho foi lançado no país nesta quinta-feira, disse a LG.

A mesma tecnologia, que foi certificada como eficaz por um laboratório independente nas proximidades de Chennai, na Índia, foi usado pela LG em aparelhos de ar condicionado e máquinas de lavar, disse a empresa.

A tecnologia, que também funciona quando a TV está desligada, está disponível em dois modelos, cotados em 26.500 rúpias e 47.500 rúpias (394 e 706 dólares).

A televisão será vendida no mês que vem nas Filipinas e no Sri Lanka. O representante da LG, Kim Sang-yeol, disse que não há planos para comercialização em outros mercados.

A companhia começou a desenvolver o aparelho antes do surto do Zika vírus na América Latina, o que alimentou as preocupações sobre a segurança nos Jogos Olímpicos, que começarão no Rio de Janeiro em agosto.

Fonte: REUTERS

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Ministério da Saúde confirma 30 novos casos de microcefalia

Na última semana, o Ministério da Saúde confirmou o diagnóstico de  microcefalia e outras alterações no sistema nervoso em 30 bebês, todos sugestivos de terem sido causados por infecção congênita. Ao todo, agora são 1.581 casos registrados de outubro do ano passado até o dia 11 de junho. Outros 3.047 bebês com suspeita de malformações ainda não tiveram os exames concluídos para diagnóstico preciso.

Do total de confirmados, 226 tiveram exames laboratoriais comprovando que foram causados pelo vírus Zika. Entretanto, para o Ministério da Saúde este número não reflete a realidade. Para a pasta, a maior parte dos confirmados foram causados pelo vírus Zika, mas, por dificuldades de diagnosticar a doença, a situação não foi comprovada em laboratório.

O novo boletim registrou 3.308 casos descartados por apresentarem exames normais, por apresentarem microcefalia, malformações confirmadas por causa não infecciosas ou não se enquadrarem na definição de caso.

Os 1.581 casos confirmados em todo o Brasil ocorreram em 562 municípios, localizados em 25 unidades da Federação e no Distrito Federal. A maior parte dos registros (1.394) foi registrada no Nordeste.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Projeto pode servir de base para vacina contra zika

Aedes aegypti, mosquito transmissor do zika vírus
Pesquisadores brasileiros, ingleses e norte-americanos uniram forças em um projeto que tem como objetivo mapear a resposta imunológica humana contra o vírus Zika.

Os resultados poderão servir de base, no futuro, para o desenvolvimento de uma vacina.

No Brasil, o trabalho é apoiado pela Fapesp e coordenado pelo professor João Santana da Silva, do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).

Os parceiros internacionais são Daniel Altmann, do Imperial College London (Reino Unido), e William Kwok, do Benaroya Research Institute (Estados Unidos).

A proposta foi selecionada recentemente em uma chamada de propostas de pesquisas lançada em parceria com o Medical Research Council (MRC), do Reino Unido.

“Um dos primeiros passos será identificar quais peptídeos virais são reconhecidos pelas células humanas de defesa e induzem uma resposta imunológica. Em seguida, temos de descobrir quais células são ativadas e quais substâncias – citocinas e quimiocinas – são induzidas pelo contato com o material do vírus”, contou Santana da Silva.

A equipe sediada em Londres ficará responsável pela seleção e o desenho de algumas dezenas de peptídeos presentes no envelope viral que serão usados nos ensaios – entre eles aqueles presentes na proteína NS1, cujo papel é modular a interação entre o Zika e o sistema imunológico humano.

Os peptídeos selecionados serão então sintetizados pelo grupo norte-americano na forma de tetrâmeros, ou seja, moléculas formadas por quatro diferentes peptídeos.

“Essa é uma estratégia para agilizar os ensaios de rastreamento, pois ao colocar a célula de defesa em contato com um desses tetrâmeros testamos quatro peptídeos ao mesmo tempo. Se houver resposta, fazemos novos ensaios com cada um dos quatro peptídeos isolados”, explicou Santana da Silva.

Os ensaios in vitro com células humanas serão conduzidos na FMRP-USP. Para isso, serão usados leucócitos (as células brancas do sangue) isolados do sangue de pessoas que já tiveram Zika e se curaram e também de pacientes que estão na fase aguda da doença.

“O contato entre o tetrâmero e o leucócito é feito sobre um papel absorvente e, se houver produção de citocinas, essas substâncias ficam aderidas ao papel. Podemos então fazer ensaios para caracterizar o que foi produzido”, contou o professor da FMRP-USP.

Os peptídeos que se mostrarem capazes de induzir a resposta imune serão testados em camundongos transgênicos, capazes de expressar proteínas do complexo principal de histocompatibilidade (MHC, na sigla em inglês) humano.

Essa modificação genética faz com que o sistema imune do animal mimetize o humano.

“Esse modelo foi desenvolvido em Londres e, a princípio, esses ensaios seriam feitos lá. Mas estamos tentando importar os animais porque temos todas as condições de fazer os testes aqui em Ribeirão Preto”, disse Santana da Silva.

No momento, o grupo da FMRP-USP já realiza testes com diferentes linhagens de camundongo para avaliar quais são suscetíveis à infecção pelo vírus Zika.

“Testamos na linhagem C57BL/6 geneticamente modificada para não expressar os receptores paras as citocinas interferon (INF) alfa e beta, que fazem parte da resposta imune inata contra o vírus. Todos os animais ficaram doentes e acabaram morrendo”, disse Santana da Silva.

“Já os animais da mesma linhagem sem a modificação genética também ficaram doente, mas conseguiram se curar, o que é mais interessante como modelo, pois nos permite estudar qual é o tipo de resposta que está protegendo o animal – avaliar se o mais importante são anticorpos ou linfócitos do tipo TCD4 ou TCD8”, disse.

Fonte: Agência Fapesp

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Dispensador de larvicida é premiado por inovação contra zika

Mosquito Aedes aegypti, em centro de pesquisa em Cali, Colômbia 2/2/2016
Um dispositivo capaz de dispensar automaticamente quantidades suficientes de larvicida para manter caixas d’água livres de larvas de mosquito por até um ano foi escolhido como a “solução mais implementável” em um concurso de inovação realizado nos Estados Unidos, no início de abril, com o objetivo de criar novas ferramentas para combater o vírus Zika e demais patógenos transmitidos pelo Aedes aegypti.

Três brasileiros integram o grupo responsável pelo desenvolvimento do LAD (Dispensador Automático de Larvicida, na sigla em inglês): o engenheiro Marcelo de Castro, fundador da empresa Linpix Software LLC, e os alunos de doutorado da Universidade da Carolina do Norte (UNC) em Charlotte Adriano Schneider e Denis Jacob Machado – este último bolsista da Fapesp.

A equipe conta ainda com Gregorio Linchangco, também aluno de doutorado da UNC Charlotte, o médico M. Ihsan Kaadan (Massachusetts General Hospital), a estudante secundarista Kara Luo (Lexington High School), a estudante de medicina Karen Cheng (Boston University School of Medicine) e o engenheiro Paul Chang (Cornell University).

“Castro teve a ideia de criar o dispensador automático depois de ver reportagens veiculadas na imprensa brasileira que mostravam equipes de saúde do governo visitando mensalmente bairros com grande incidência de Aedes para aplicar larvicida manualmente nas caixas d’água”, contou Machado.

Segundo o pesquisador, tal medida não é eficaz no combate ao mosquito, pois, como há muita circulação de água no interior das caixas, o larvicida rapidamente se dispersa.

“Como a larva do mosquito leva entre 7 e 10 dias para se desenvolver, os reservatórios estariam protegidos somente na primeira semana após a aplicação do produto”, acrescentou Machado.

Em apenas 48 horas, com auxílio de uma impressora 3D, o grupo criou um protótipo do LAD, que no Brasil deverá ser lançado com outro nome.

Trata-se de um dispositivo portátil de plástico que fica sob a superfície da água e garante uma concentração segura de larvicida nos reservatórios mesmo após vários ciclos (esvaziar e encher a caixa várias vezes).

A equipe estima que a manutenção só seja necessária uma vez por ano.

“Dessa forma, o número de visitas pode ser reduzido drasticamente e a eficiência da medida aumentada. Uma de nossas preocupações era encontrar meios de usar a menor quantidade possível de produto químico para eliminação das larvas.Levando em consideração seu ciclo de vida, não há necessidade de adicionar larvicida diariamente. Cerca de uma vez por semana é suficiente”, disse Machado.

Formado em Biologia Marinha, Machado cursa o doutorado na área de bioinformática, com o objetivo de desenvolver estratégias computacionais que podem ser usadas para entender a evolução de toxinas em anfíbios.

No Brasil, ele está vinculado ao Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), sob orientação do professor Taran Grant.

“Tenho grande interesse em toxicidade e, quando me convidaram para participar da equipe, minha principal preocupação foi garantir que a quantidade de larvicida liberada pelo dispositivo não fosse danosa nem para o meio ambiente, nem para os moradores da casa”, disse.

Nos Estados Unidos, Machado, Schneider e Linchangco são orientados pelo professor da UNC Charlotte Daniel Janies, coordenador do Departamento de Bioinformática e Genômica.

Schneider, originalmente, iniciou um projeto de doutorado voltado ao uso de ferramentas de bioinformática para o estudo do vírus HIV, causador da Aids.

Quando emergiu a epidemia associada ao vírus Zika, porém, seu foco mudou. “Desde janeiro tenho estudado a evolução do vírus Zika e, por meio de parcerias com especialistas em imunologia, tento entender quais alterações genéticas o vírus sofreu para alcançar a atual patogenicidade”, contou.

Hackeando o Zika

Realizado no Massachusetts General Hospital (MGH), em Boston, o evento Zika Innovation Hack-a-thon 2016 reuniu nos dias 2 e 3 de abril cerca de 150 interessados em saúde global e em inovação.

A iniciativa foi organizada pelo The Consortium for Affordable Medical Technologies (CAMTech) e pelo Global Disaster Response, um dos centros sediados no MGH.

O desafio proposto aos participantes era criar, em apenas 48 horas, soluções inovadoras para combater as doenças transmitidas pelo Aedes, bem como o mosquito vetor.

O Hack-a-thon – também conhecido como hack day ou hackfest – é um modelo de evento que surgiu no fim do século passado, nos Estados Unidos, visando reunir programadores, desenvolvedores de software e de hardware e promover colaboração intensa em um projeto específico.

“Mais recentemente surgiu uma versão de hack-a-thon voltada para inovação. De maneira geral, são organizados quando se sente a necessidade de encontrar soluções para um problema específico, neste caso, o combate ao Zika”, contou Machado.

Além do LAD, premiado na categoria “Solução mais Implementável”, outros projetos foram selecionados nas categorias “Solução mais Inovadora” e “Inovação que Promete o Maior Impacto em Saúde Pública”.

No primeiro caso, venceu um aplicativo para celular capaz de detectar a presença e a localização geográfica de larvas de mosquito.

No segundo caso, houve empate entre dois projetos: um aplicativo que permite ao usuário reportar áreas propícias para reprodução do mosquito e um jogo voltado a ensinar crianças sobre os riscos associados ao Aedes.

Além de um prêmio simbólico em dinheiro, os vencedores receberão apoio logístico da CAMTech para transformar a ideia em um produto.

“Eles têm uma plataforma de inovação e assessoram os grupos na aquisição de patente, no processo de desenvolvimento de produtos e na obtenção de financiamento”, contou Machado.

“O Hack-a-thon é um modelo interessante porque reúne pessoas de diversas áreas. Algumas ideias que originalmente não seriam viáveis, quando trabalhadas em time, tornam-se possíveis de implementar”, acrescentou.

Fonte: Exame

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Zika reduz o desenvolvimento do cérebro fetal em 40%

Mãe amamente bebê com zika
Em mais uma peça do quebra-cabeça que vem sendo montado por cientistas na tentativa de solucionar o vínculo entre zika e microcefalia, pesquisadores do Rio mostram que a infecção reduz o desenvolvimento do cérebro fetal em 40%, quando comparado com outro que não teve contato com o vírus.

O estudo, que tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), foi publicado pela revista Science.

O trabalho, liderado pelo pesquisador Stevens Rehen, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino, usou minicérebros.

São estruturas de menos de dois milímetros, obtidas a partir de células-tronco, que reproduzem o cérebro de um feto de dois meses.

Têm as camadas, os ventrículos e características anatômicas observadas num cérebro. A diferença é que não têm vascularização, então não conseguem crescer além dessa fase.

Em pesquisa anterior, a equipe de Rehen já havia demonstrado a destruição de células neuronais pelo zika. Desta vez, o minicérebro foi infectado pelo zika no 35º dia de desenvolvimento (equivalente ao feto no segundo mês de gestação) e teve a taxa de crescimento acompanhada pelo período de 11 dias.

"O que a gente observa é a redução de crescimento em torno de 40%. De certa forma, o resultado é equivalente ao que é observado in vivo. A partir desse resultado, nós temos um modelo para testar possibilidades de tratamento", afirmou Rehen.

É nessa fase do desenvolvimento que começa a ser formado o córtex, área nobre do cérebro. "São camadas de cérebro que se formam durante o desenvolvimento. Quando se impede isso de acontecer, se formam alterações que temos visto nos bebês cujas mães tiveram zika, como microcefalia, lisencefalia (ausência de circunvoluções no cérebro)."

Os pesquisadores também contaminaram o minicérebro com o vírus da dengue. "Ele infecta até mais do que o da zika, mas não causa estragos", explicou o especialista.

Na próxima etapa do trabalho, os pesquisadores querem entender como o zika entra nas células neuronais. Estudo do pesquisador Arnold Kriegstein, da Universidade da Califórnia, mostrou que células do cérebro em desenvolvimento têm o receptor AXL.

"A pesquisa sugere que seja através desse receptor que o zika entra nas células. Já havia evidências de que vários vírus, como o da Febre Oeste do Nilo e o da dengue, usam esse receptor. É como uma porta que é utilizada por outros vírus para acessar a célula. Ele mostrou que tem a porta. Ninguém colocou o vírus para abrir. Agora vamos testar o bloqueio desse receptor para ver se de fato o vírus não entra", afirmou.

Rehen já encomendou o anticorpo para AXL e o inibidor desse receptor - os insumos são importados. Agora depende dos trâmites burocráticos para a pesquisa andar. São pelo menos 60 dias até o material chegar.

Fonte: Exame

Unicamp cria biblioteca digital sobre zika e Aedes aegypti

Aedes aegypti mosquito transmissor da dengue e zika virus
Com o objetivo de concentrar informações científicas e de outras fontes que auxiliem no desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas ao enfrentamento das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) criou a Biblioteca Digital Zika http://bdz.sbu.unicamp.br/wp/, plataforma on-line de acesso aberto que disponibiliza conteúdos publicados na área em todo o mundo.

A iniciativa surgiu a partir de conversas entre o Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) e o grupo de trabalho coordenado pela Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP), formado por docentes e pesquisadores de diferentes especialidades que buscavam reunir soluções nas áreas de controle do inseto, virologia, epidemiologia e imunologia, entre outras. A ideia é fornecer suporte informacional aos cientistas ligados à força-tarefa da Rede Zika, composta por representantes de várias instituições no Estado de São Paulo responsáveis por projetos de pesquisa apoiados pela FAPESP sobre o vírus e seu vetor (leia mais sobre a rede em agencia.fapesp.br/22671).

“Como se trata de um tema relativamente novo, a informação é um elemento fundamental para dar suporte ao pesquisador e possibilitar que ele, a partir do que já foi conseguido, avance no conhecimento. Todo esse material foi organizado e continua sendo compilado para que a informação seja alcançada pelo cientista de forma rápida e precisa, fazendo com que o conhecimento acumulado sobre o vírus, seu vetor e as doenças relacionadas a eles circule, multiplique-se e contribua para o fortalecimento das pesquisas na área, a formulação das políticas públicas necessárias e o bem-estar da população”, disse Regiane Alcântara Bracchi, coordenadora do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) e supervisora da Biblioteca Digital Zika.

Já são mais de 200 artigos disponíveis, todos validados por pesquisadores da Unicamp ligados à Rede Zika. O conteúdo é classificado em cinco grupos: caracterização molecular e biológica; mecanismos de imunopatogenicidade; novas metodologias de diagnóstico; estratégias de bloqueio da transmissão e controle do mosquito; e epidemiologia, imunologia e repercussões clínicas. É possível fazer busca por autor, assunto e título em todos os grupos.

De acordo com Alvaro Penteado Crósta, vice-reitor da Unicamp e coordenador da biblioteca, a escolha dos temas buscou abranger todos os aspectos científicos relacionados ao Zika.

“Por se tratar de um vírus pouco conhecido e com alto potencial de propagação, existe atualmente uma grande proliferação de iniciativas de pesquisas do Zika em todo o mundo. Isso resulta numa igual proliferação de artigos científicos, livros, relatórios e notícias divulgados em vários tipos de mídia. A Biblioteca Digital Zika tem o objetivo de coletar e disponibilizar essa vasta gama de informações em um único sítio eletrônico, levando a grande economia de tempo dos pesquisadores que necessitam dessas informações para dar suporte às suas pesquisas”, contou Crósta.

A biblioteca também conta com análises da produção científica a partir de bases de dados para auxiliar o pesquisador na compreensão do desenvolvimento das pesquisas na área. O serviço permite identificar as temáticas com o maior número de pesquisas, a participação do Brasil e de instituições brasileiras em estudos sobre o vírus Zika e os pesquisadores que mais publicaram sobre o assunto, além de outras ocorrências, oferecendo um panorama geral da produção de conhecimento científico sobre a área no mundo.

Há, ainda, orientações sobre fontes de financiamento, voltadas a programas de fomento à pesquisa que contribuam para enfrentar os impactos na saúde pública das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, além de notícias veiculadas pela imprensa nacional e internacional, vídeos e outros conteúdos informativos e chat on-line com bibliotecários para esclarecimento de dúvidas e solicitação de informações.

Além de Bracchi e Crósta, integram a equipe da Biblioteca Digital Zika Gláucia Maria Pastore, pró-reitora de Pesquisa da Unicamp e coordenadora da Rede Zika na instituição, e Daniela Feijó Simões, Márcio Souza Martins, Michele Lebre de Marco e Oscar Eliel, responsáveis pelo desenvolvimento e pela implantação do projeto, bem como profissionais das diretorias de Tecnologia da Informação, Tratamento de Informação, Difusão da Informação e Gestão de Recursos do SBU e das bibliotecas do Instituto de Biologia, da Faculdade de Medicina e do Instituto de Química da Unicamp.

“A iniciativa de criação de um portal que permita acesso rápido a informações científicas de qualidade vai auxiliar enormemente o desenvolvimento dessa área de pesquisa, tema de tanta relevância para a saúde pública mundial como o caso do vírus Zika. Além disso, o portal inaugura um novo formato de divulgação científica qualificada para públicos-alvo”, declarou Pastore.

A plataforma está disponível para acesso público desde março, no site bdz.sbu.unicamp.br, e segue sendo atualizada. Está em desenvolvimento um sistema de alerta para notificar a entrada de novos conteúdos disponíveis.

Fonte: Exame

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Chave para tratamentos, estrutura do zika vírus é descoberta

O zika virus, a dengue e a chikungunya, são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
O descobrimento da estrutura do zika vírus, publicada nesta quinta-feira pela revista "Science" em um novo estudo, representa um passo fundamental para desenvolver futuros tratamentos e vacinas.

Por trás deste avanço estão os cientistas Richard Kuhn e Michael Rossmann, da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, que determinaram a estrutura do vírus da dengue em 2002 e a do vírus do Nilo Ocidental em 2003.

A pesquisa identifica regiões da estrutura do zika que são diferentes de outros vírus do mesmo gênero (flavivírus), como a dengue, o do Nilo Ocidental e a febre amarela.

As regiões da estrutura que são específicas do zika podem ser a chave para explicar as diferenças sobre como o vírus é transmitido e como a doença se manifesta.

"A estrutura do vírus oferece um mapa que mostra as regiões onde seria possível atacar o vírus com tratamento terapêutico, o que pode ser usado para criar uma vacina efetiva ou que pode melhorar a capacidade de diagnosticar o zika e de distinguir a infecção de outros vírus do mesmo gênero", explicou Kuhn.

Ainda não existe tratamento ou vacina para o zika e é necessário melhorar seu diagnóstico, uma tarefa complicada porque na maioria das ocasiões não há sintomas ou, se há, são leves e similares aos de outros vírus do mesmo gênero.

"Determinar a estrutura melhora enormemente nossa compreensão do zika, um vírus sobre o qual se sabe muito pouco, e ilumina as áreas mais promissoras para continuar a investigar e combater a infecção", sustentou Kuhn.

A estrutura do zika é, em geral, muito similar às de outros flavivírus, com o ácido ribonucleico (RNA) como único material genético e envolvido por uma membrana de gordura.

Essa forte similaridade com outros vírus do mesmo gênero, como a dengue e a febre amarela, não surpreendeu os cientistas e representa um motivo de esperança no sentido de poder aproveitar os avanços já existentes no desenvolvimento de vacinas, embora as "sutis diferenças" possam ser fundamentais.

"A maioria dos vírus não invade o sistema nervoso ou o feto em desenvolvimento pela barreira hematoencefálica (as células entre os vasos sanguíneos e o sistema nervoso central) e pela barreira da placenta, mas a associação com um desenvolvimento inadequado do cérebro no feto sugere que o zika invade", apontou Devika Sirohi, uma das pesquisadoras.

"Não está claro como o zika tem acesso a essas células e as infecta, mas talvez essas áreas de diferença estrutural possam estar envolvidas. Essas áreas únicas talvez sejam cruciais e requerem mais pesquisa", acrescentou.

A equipe de cientistas da Purdue determinou a estrutura do zika com criomicroscopia eletrônica, uma técnica muito utilizada em biologia estrutural e na qual a amostra é estudada a temperaturas muito baixas.

A resolução alcançada só costumava possível com a cristalografia de raios X, a técnica padrão desde 1950 para determinar a estrutura dos vírus, mas que requer uma grande quantidade do vírus nem sempre disponível.

"Essa técnica pode ser muito complicada, principalmente para vírus como o zika, com uma membrana de gordura e que não se organizam exatamente em um cristal. Além disso, demora muito. Agora fazemos o mesmo com microscopia de elétrons e vemos o vírus em um estado mais original. Algo impensável há alguns anos", afirmou Rossmann.

Para realizar a pesquisa, a equipe da Purdue estudou o zika vírus isolado de um paciente infectado durante a epidemia na Polinésia Francesa.

O surto atual do zika na América, um vírus novo no continente, está cercado de perguntas que a ciência tenta responder em meio ao que a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera uma emergência de saúde global.

A rápida expansão e as doenças associadas ao zika obrigaram os organismos e agências de saúde a reconhecerem o quanto ainda se desconhece sobre um vírus que foi descoberto em 1947 na floresta Zika de Uganda.

Fonte: Exame

quarta-feira, 30 de março de 2016

EUA autorizam experimento para zika em doações de sangue

Doação de sangue
A Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) dos EUA informou que vai permitir o uso de um teste experimental na triagem de doações de sangue para o vírus zika. O teste é fabricado pela Roche Molecular Systems.

A decisão significa que territórios norte-americanos com infecções ativas de zika, em especial Porto Rico, poderão retomar a coleta e análise de sangue local.

No começo deste mês a ilha suspendeu as doações e começou a importar sangue dos EUA, seguindo recomendações do FDA.

Nesta quarta-feira o FDA anunciou que o uso do teste poderá ser expandido se o vírus se espalhar para outras áreas dos EUA. Atualmente nenhum estado norte-americano registrou transmissão local da doença.

No entanto, alguns especialistas dizem que os problemas enfrentados por Porto Rico podem ocorrer na Flórida, no Texas e em outros estados do sul do país.

"No futuro, caso ocorra transmissão do vírus zika em outras áreas, estabelecimentos de coleta de sangue poderão continuar coletando doações e usar o teste experimental de triagem, minimizando problemas na oferta de sangue", afirmou Peter Marks, diretor do Centro para Biologia do FDA.

Fonte: Exame

segunda-feira, 14 de março de 2016

Óleos naturais são eficazes contra o Aedes, mostra pesquisa

Mosquito Aedes aegypti
Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e da Fundação Ezequiel Dias (Funed) atestou a eficiência do uso dos óleos de orégano e de cravo para matar as larvas do mosquito Aedes aegypti.

O próximo passo do estudo será desenvolver a fórmula para um larvicida, que será colocado à disposição do mercado.

Em contato com o criadouro, os óleos matam as larvas em até 24 horas. A pesquisadora Alzira Batista Cecílio espera que até o meio do ano a formulação já esteja pronta para ser apresentada à indústria.

"Produto natural não pode ser patenteado. Então, só após a formulação do larvicida, poderemos patentear e iniciar as negociações com as empresas", afirma.

O estudo é um desdobramento de outra pesquisa mais ampla, que testa o uso de produtos naturais para combater diversos tipos de vírus.

"Nesse cenário preocupante em relação ao vírus da dengue, nós decidimos começar a estudar também plantas que pudessem eliminar o vetor", acrescenta Alzira. Além da dengue, o mosquito Aedes aegypti é o transmissor do vírus zika e da febre chikungunya.

O orégano e o cravo foram selecionados após análise de mais de 20 plantas. O óleo é extraído com o uso de equipamentos específicos.

Por essa razão, não adianta por exemplo colocar folhas de orégano ou cravo nos vasos das plantas.

Neste momento, está sendo feito o estudo fitoquímico, para detalhar a composição química dos óleos.

Futuramente, está previsto também o teste desses óleos no combate a outras fases da vida do mosquito, o que pode levar ao desenvolvimento de um inseticida aerosol ou um repelente.

A pesquisadora alerta, porém, que esses produtos são apenas ferramentas auxiliares para combater o Aedes. "Eliminar os criadouros continua sendo o ponto chave", reitera.

Larvicida degradável

Segundo Alzira Cecílio, o objetivo é desenvolver um produto que não contamine o meio ambiente, já que a maioria dos criadouros de larvas está espalhada.

Elas podem ter contato com animais e até água voltada para o consumo humano, como por exemplo nas caixas d'água.

"Queremos um larvicida que seja degradado rapidamente e não contamine a água, ao mesmo tempo em que tenha boa eficácia. A maioria dos larvicidas usados hoje exige algum cuidado na aplicação e deixa a água com alguma toxicidade", explica.

No mês passado, uma nota técnica da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) gerou polêmica ao criticar os larvicidas usados atualmente.

O governo do Rio Grande do Sul chegou a suspender o uso do Pyriproxifen, ao considerar que o produto poderia estar relacionado à ocorrência de microcefalia em bebês.

A própria Abrasco negou que tenha colocado essa possibilidade em questão.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do grupo de saúde e ambiente da Abrasco, Marclo Firpo, explicou que foi um mal-entendido, mas reafirmou que a entidade é contra o uso de agentes químicos na água potável e que danos à saúde decorrentes desses produtos não estão descartados.

"Consideramos um contrassenso sanitário, um absurdo a colocação de veneno larvicida na água potável", disse.

Fonte: Exame

sexta-feira, 4 de março de 2016

Novo estudo reforça ligação entre o zika e a microcefalia

Mãe amamente bebê com zika
Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pelo periódico Cell Stem Cell concluiu que o vírus zika pode infectar células embrionárias que ajudam a formar o cérebro. O estudo reforça a evidência de que o vírus pode causar microcefalia em bebês.

O trabalho é assinado por Hengli Tang, da Universidade do Estado da Flórida, e por vários outros investigadores.

O vírus, disseminado por meio do mosquito Aedes aegypti, se dissemina pela América Latina e pelo Caribe. Cientistas mostram-se alarmados com os indícios de que, quando a doença atinge uma grávida, o bebê pode nascer com microcefalia.

Investigações anteriores concluíram que encontraram o vírus zika nos cérebros com defeitos de bebês que acabaram morrendo.

Agora, o novo estudo publicado nesta sexta-feira conclui que, em estudos laboratoriais, o zika pode prejudicar células específicas, que ajudam a desenvolver o cérebro.

Mas especialistas ponderam que isso ainda não prova que o vírus causa o problema da microcefalia em bebês.

Fonte: Exame

quarta-feira, 2 de março de 2016

Laboratórios anunciam 1º teste triplo contra vírus

Teste de laboratório com pepita e recipiente de petri
Representantes do laboratório da Fundação Baiana de Pesquisa Científica e Desenvolvimento Tecnológico (Bahiafarma) e do Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) anunciaram ontem uma parceria para o desenvolvimento do kit para diagnóstico rápido dos vírus da zika, da dengue e da chikungunya.

Este será o primeiro do Brasil a detectar a presença dos vírus no organismo humano, ativo ou não, e determinar se a pessoa está imune às três doenças.

Além de detectar os vírus no organismo, a tecnologia vai determinar se a pessoa está imune às doenças.

"Para mulheres em idade fértil e grávidas será um avanço significativo ter esse conhecimento", diz o médico e pesquisador da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Fernando Kreutz, diretor do Grupo FK-Biotec.

Fonte: Exame

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Dilma promete "todos os recursos" para vacina contra zika

A presidente Dilma Rousseff
A presidente Dilma Rousseff prometeu nesta sexta-feira investir recursos federais para o desenvolvimento de uma vacina contra o Zika vírus, mas ressaltou a importância de a população combater o mosquito transmissor Aedes aegypti enquanto uma vacina não estiver disponível.

"Vamos usar todos os nossos recursos para garantir uma vacina contra o Zika vírus, mas até a gente criar a vacina, produzir e distribuir nós temos de combater o vírus de qualquer jeito", disse Dilma em discurso durante cerimônia de entrega de moradias do programa Minha Casa Minha Vida em Petrolina (PE).

Segundo a presidente, que ainda nesta sexta visitará uma escola de Juazeiro (BA) para dar uma aula sobre o combate ao Aedes, "só tem um jeito, que é matar o mosquito, não deixar o mosquito nascer. Temos de combater o mosquito nas nossas casas".

Especialistas do Brasil e dos Estados Unidos estão trabalhando juntos em pesquisas para encontrar uma vacina contra o Zika vírus, que se espalhou rapidamente nas Américas desde que apareceu pela primeira vez na região em 2015.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Marcelo Castro, disse que uma vacina pode ser desenvolvida em aproximadamente um ano, como resultado de uma parceira fechada pelo ministério com a Universidade do Texas, nos EUA.

Até o momento estão previstos investimentos brasileiros de 1,9 milhão de dólares nos próximos cinco anos na parceria com os Estados Unidos.

O Brasil, país mais afetado pelo Zika, estabeleceu no ano passado a relação entre o vírus e um surto de microcefalia em recém-nascidos na Região Nordeste do país, o que aumentou os temores em relação à doença. A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta sexta-feira que há evidências crescentes de ligação do Zika com a microcefalia, mas que pode levar de 4 a 6 meses para se provar essa relação.

Mais de 500 casos de microcefalia ou outras alterações do sistema nervoso central já foram confirmados no Brasil, dos quais a "maior parte" está ligada à infecção pelo Zika vírus, segundo o ministério. Outros 3.935 casos suspeitos de microcefalia no país estão sendo investigados.

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, cuja entidade declarou o surto de Zika uma emergência global de saúde pública, visitará o Brasil na próxima semana para se encontrar com autoridades de saúde e vítimas da doença.

Fonte: Exame

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Zika não é uma ameaça à Olimpíada do Rio, diz médico alemão

Vidigal, no Rio de Janeiro
A epidemia de zika vírus no Brasil precisa ser monitorada, mas não é uma ameaça à Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016, disse o principal médico da delegação olímpica alemã nesta quarta-feira.

Bernd Wolfarth, chefe da Confederação Alemã de Esportes Olímpicos, declarou à Reuters, entretanto, que cabe aos próprios atletas decidirem se participam ou não dos Jogos.

"Tirando o fato de que os atletas decidem por si mesmos, e com toda a liberdade, se irão ou não competir, deve-se agora acompanhar os desdobramentos (do vírus) com muita atenção", afirmou.

O vírus, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, disseminado no Brasil e que vem sendo ligado a casos de microcefalia –uma má-formação cerebral–, está causando alerta mundial desde que se alastrou para além das Américas e desperta preocupações entre autoridades esportivas de todo o globo no momento em que as delegações se preparam para a Rio 2016, entre os dias 5 e 21 de agosto.

Na terça-feira o Quênia causou alvoroço quando o presidente de seu Comitê Olímpico Nacional, Kipchoge Keino, afirmou que sua delegação pode boicotar os Jogos por causa do zika, mas mais tarde autoridades disseram ser prematuro determinar o impacto do vírus.

No início desta quarta-feira, Toni Minichiello, treinador da atual campeã do heptatlo, a britânica Jessica Ennis-Hill, afirmou que a Grã-Bretanha deveria retirar seu campo de treinamento para a Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016 do Brasil e que não irá incentivar sua atleta a defender o título.

Não há vacina nem tratamento para o zika, por isso o combate ao surto se resume à erradicação das populações e dos focos de proliferação dos mosquitos e à prevenção de infecções.

Fonte: Exame

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Já é possível detectar Zika em sangue de transfusão

Sangue
Ciências Biomédicas da USP, para tratar de questões relacionadas à epidemia de Zika e aos crescentes casos de microcefalia associados.

“Já estava em andamento um projeto, apoiado pela FAPESP, dedicado à prevenção da transmissão transfusional da malária no Estado de São Paulo. Em dezembro, solicitamos um recurso adicional que foi usado no desenvolvimento do teste para detectar o vírus Zika”, contou Levi.

A metodologia alia um método de biologia molecular conhecido como PCR (reação em cadeia da polimerase) em tempo real a protocolos desenvolvidos no Centro de Controle de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, para detecção do vírus Zika.

“O protocolo do CDC sugere alguns reagentes específicos, primers e sondas, já testados e aprovados para detecção do vírus Zika usando PCR em tempo real. Fizemos algumas adaptações nesse protocolo aqui no Hemocentro de São Paulo”, contou.

A validação do método foi feita com controles positivos (isolados do vírus cultivados em laboratório que servem para confirmar se o que está sendo detectado é de fato o vírus Zika) fornecidos por pesquisadores da Rede Zika.

“Depois validamos também no plasma do receptor contaminado por transfusão – gentilmente cedido pelo dr. Marcelo Addas, do Hemocentro da Unicamp. Como obtivemos sucesso, já distribuímos o método para a Rede Zika, para quem quiser usar”, contou Levi.

Diante da falta de evidências sobre a importância de triar todo o sangue doado para a presença do vírus Zika, avaliou Levi, não haveria possibilidade e/ou necessidade de incluir o teste na rotina de todos os bancos de sangue do país.

“Estamos observando atentamente a evolução dos casos e, se forem surgindo evidências de que isso é necessário, vamos batalhar para obter mais recursos. Por enquanto o que entendemos prudente é triar apenas essa pequena parcela”, avaliou.

Fonte: Exame

Contra zika, ONU pede liberação do aborto na América Latina

Grávidas
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu nesta sexta-feira, 5, a liberalização do aborto e dos contraceptivos nos países mais atingidos pela epidemia de zika, que pode provocar a má-formação congênita em bebês em caso de contaminação por mulheres grávidas.

A recomendação foi anunciada, em Genebra, na Suíça, e leva em consideração legislações nacionais como a do Brasil, que não autorizam a interrupção da gravidez.

Para o alto comissário, Zeid Rad'ad Zeid Al-Hussein, a medida deve ser tomada em caráter de urgência, em especial na América Latina, onde a incidência do vírus e de casos é maior.

"É urgente que as leis que restringem o acesso a estes serviços sejam revistas em adequação com as obrigações dos direitos humanos, a fim de garantir o direito à saúde para todos", exortou a autoridade.

A porta-voz da instituição, Cecile Pouilly, protestou ainda contra a falta de coerência das autoridades, que vêm recomendando que não se engravide neste momento, mas não disponibilizam os meios adequados.

"Como podem pedir a essas mulheres que não engravidem, sem oferecer a possibilidade de impedir a gravidez?", questionou.

O Alto Comissariado dirigiu o recado à América Latina, onde o mosquito Aedes aegypti é mais presente.

O inseto é considerado o maior vetor de transmissão do vírus, que em caso de gravidez pode gerar complicações na formação do feto, em especial causando microcefalia.

"Enfrentar a propagação do zika é claramente um desafio maior para governos da América Latina", afirmou Zeid Al-Hussien.

"Mas o conselho de alguns governos para que as mulheres adiem a gestação ignora na realidade que muitas mulheres e garotas simplesmente não pode exercer o controle sobre em quais circunstâncias elas vão engravidar, em especial em um ambiente no qual a violência sexual é tão comum".

A entidade advertiu ainda que as legislações que proíbem ou restringem políticas públicas de acesso a serviços de saúde e de procriação, em especial em circunstâncias epidêmicas, como a atual, estão em contravenção com o direito internacional.

O Alto Comissariado lembrou ainda que a Organização Mundial da Saúde declarou a epidemia uma emergência internacional e advertiu para a propagação "explosiva" do vírus.

Fonte: Exame

Pesquisadores usarão "minicérebros" para estudar zika

Cérebro
Minicérebros criados em laboratório serão usados para investigar a ligação entre zika e microcefalia. As estruturas de menos de 2 milímetros reproduzem o tecido do cérebro de um feto de 3 meses e foram obtidas por meio de células-tronco.

Os modelos, hoje empregados no estudo de transtornos psiquiátricos, serão inoculados com o vírus da zika.

O trabalho está entre as 23 linhas de pesquisa que receberão recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj) a partir de março.

A agência de fomento do governo fluminense dividiu os grupos científicos em seis redes que se dedicarão a pesquisas sobre zika - temas como métodos de diagnóstico, controle do mosquito, acompanhamento de gestantes infectadas pelo vírus e de seus filhos.

As redes, que reúnem 379 pesquisadores, receberão R$ 12 milhões.

O pesquisador Stevens Rehen, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está entre os que têm a missão de responder se a infecção por zika provoca a microcefalia.

"A gente não tem a resposta. É muito precoce assumir que zika tem relação direta com as alterações no sistema nervoso. Existe uma correlação epidemiológica, mas isso não significa necessariamente que o vírus cause a má-formação. Tanto que a Organização Mundial da Saúde divulgou o alerta em cima do surto de microcefalia, não da zika. Existe consequência real para células do sistema nervoso humano em desenvolvimento causada pela infecção pelo vírus? Talvez até chegue ao fim (da pesquisa) e diga que não vi nenhuma evidência de alteração. Isso pode significar que o mecanismo se dê de forma indireta: uma resposta à ação inflamatória da mãe sobre o feto."

Histórico

"A formatação de redes nos permitiu em espaço curto de tempo colocar mil pessoas envolvidas num trabalho para dar resposta à sociedade. São 400 pesquisadores. E acredito que novas redes vão se formar, interagir, e teremos um fato histórico extraordinário na ciência brasileira", disse o imunologistaWilson Savino, da Fundação Oswaldo Cruz, coordenador de uma das redes.

Fonte: Exame