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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

PM lançou uma bomba a cada sete segundos durante protesto

Jovem machucado na cabeça após Polícia Militar dispersar manifestação antes mesmo de começar passeata, dia 13/01/2016

Queixas.com.br
A Polícia Militar lançou uma bomba de efeito moral a cada sete segundos para dispersar o ato do Movimento Passe Livre, nesta terça-feira, 12, na Avenida Paulista.

A contagem foi feita pelo jornal O Estado de S.Paulo a partir de um vídeo divulgado no Facebook do coletivo Território Livre, grupo que apoia as manifestações contra o reajuste da tarifa.

Em seis minutos de imagens, são lançados pelo menos 49 artefatos explosivos.

Os estilhaços das granadas do Choque, junto aos golpes de cassetete da chamada Tropa do Braço, contribuíram para deixar ao menos 24 pessoas feridas, algumas em estado grave.

Uma repórter da TV Gazeta e um fotógrafo foram atingidos. O vídeo que mostra a ação dos policiais foi feito com um celular, do alto de um prédio, no encontro da Avenida Paulista com a Rua da Consolação.

O local foi palco do impasse entre o comando da PM e as lideranças do MPL. Os policiais exigiam que o ato seguisse para o centro de São Paulo e terminasse na Praça da República.

Todo o efetivo da tropa foi montado para este trajeto. Os homens do Choque e os blindados israelenses foram posicionados de uma forma que impedia a descida do MPL pela Avenida Rebouças até o Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

O trajeto tinha sido definido pelos manifestantes.

Chuva de bombas

Os PMs e os manifestantes ficaram frente a frente quando o ato tentava sair em direção a Avenida Rebouças. Os policiais, então, começaram a atirar os explosivos.

Após a dispersão dos manifestantes, o secretário estadual de Segurança Pública, Alexandre de Moraes, negou haver abusos por parte da corporação.

Nos protestos de 2013 a Polícia Militar utilizou balas de borracha contra os manifestantes. Na época, a tática precisou deixar de ser usada, após o Ministério Público Estadual (MPE) entrar com uma ação na Justiça.

Um fotógrafo ficou cego após ser baleado no olho e uma repórter só não perdeu a visão porque estava usando óculos. Apesar disso, ela precisou passar por cirurgia.

Fonte: Exame

PM descumpriu próprio "manual antidistúrbio" em protesto

Jovem machucado na cabeça após Polícia Militar dispersar manifestação antes mesmo de começar passeata, dia 13/01/2016

Queixas.com.br
Durante a dispersão do ato do Movimento Passe Livre (MPL) na terça-feira, 12, a Polícia Militar não seguiu orientações do Manual de Controle de Distúrbios Civis da corporação, documento obtido pelo pela reportagem.

Entre as recomendações não cumpridas estão o esvaziamento de ruas apenas quando há rotas de fuga e o aviso prévio, com megafones, antes do enfrentamento. Encurralar manifestantes é ainda uma violação de direitos humanos para a Organização das Nações Unidas (ONU).

A ação da PM foi iniciada após impasse sobre a definição do trajeto da passeata.

A Secretaria da Segurança Pública informou, em nota, que "alguns manifestantes e grupos infiltrados não respeitam o texto constitucional, que exige a prévia comunicação". A pasta afirmou que "agirá absolutamente dentro da legalidade".

"Não é possível transformar democracia em anarquia, vandalismo e banditismo." A reportagem procurou o tenente-coronel André Luiz Oliveira, que comandou a operação, mas não obteve resposta.

O controle de distúrbios civis (CDC), segundo o manual, consiste em ação para esvaziar uma área. "Deve-se ter em mente que o objetivo principal de uma tropa de CDC é a dispersão da multidão, não detenção ou confinamento", diz o texto.

Para não encurralar, a PM deve garantir rota de fuga. "O conhecimento prévio do local do distúrbio é de suma importância para permitir o deslocamento por vias de acesso adequadas de modo a assegurar vias de fuga."

Na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista, havia cordões de isolamento na Rua Haddock Lobo e no acesso à Avenida Rebouças. A única fuga possível, pela Rua da Consolação, era de onde as bombas eram lançadas.

O manual estabelece que, antes do uso da força, seja dada uma "ordem de dispersão" aos manifestantes, "por meio de amplificadores de som, alto-falantes das viaturas ou usando megafones". As bombas foram lançadas sem o procedimento.

O texto afirma ainda que reuniões pacíficas, "mesmo com a possibilidade de uma transformação devido a diversos fatores, como por exemplo o exaltamento, não devem ser acompanhadas preventivamente no local da ocorrência pela tropa especializada em CDC".

As equipes que iniciaram a dispersão do ato estavam presentes no local antes mesmo da maioria dos manifestantes, que começaram a lotar a Avenida Paulista após as 17 horas.

A ação da PM também contraria a Normativa e Prática de Direitos Humanos para a Polícia, da ONU. O texto afirma que, "quando for necessário dispersar uma multidão, deixe sempre um corredor claro e evidente para escapar". A recomendação foi elaborada em 2003 pelo Alto Comissariado para Direitos Humanos e tem como meta criar um padrão que as forças policiais possam seguir em todo o mundo.

Medidas graduais são recomendadas e a ONU insiste que essa tática precisa ser "planificada". "Serão aplicados meios não violentos antes de se recorrer à força", diz. "A força apenas se utilizará para fins lícitos de aplicação da lei", aponta. "Evite táticas desnecessariamente provocadoras."

Uma vez que força seja necessária, porém, a ONU deixa claro que há limites e padrões de conduta. "A força será proporcional aos objetivos lícitos", indica. "Tudo será feito para limitar os danos e as lesões. Todas as pessoas feridas ou traumatizadas serão imediatamente atendidas."

Reações

Consultor em Segurança e ex-comandante do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), Diógenes Lucca defende a ação da PM na dispersão de anteontem. "O manual é a regra geral e uma norma de conduta. Mas, dentro do quadro de hoje, de impunidade com os baderneiros, é perfeitamente adequado a PM mudar (as orientações)", afirma.

Na perspectiva do Direito, o constitucionalista Ives Gandra Martins afirma que a operação foi legal. "Inconstitucional é uma manifestação que prejudica a vida de um cidadão. O que a polícia fez foi proteger os patrimônios públicos e privados e orientar a manifestação, o que me parece absolutamente constitucional", diz. "Se a PM não fizesse isso, seria omissa. Os cassetetes só foram usados quando tentaram furar o bloqueio."

Contraponto. A professora de Direito Constitucional da Faculdade Getúlio Vargas (FGV) Eloísa Machado discorda de Martins e afirma que a PM não deve cercar a manifestação.

"O papel da polícia, por mais difícil que seja achar o equilíbrio, é proteger a manifestação e manter a integridade do patrimônio e das pessoas", diz. "Ao cercar um protesto, impedir que ele avance, a corporação frustra um direito garantido."

Para Renata Neder, assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, a ação da PM "violou claramente o direito à manifestação". Ela diz que não houve falta de preparo da PM. "É uma repressão pensada e planejada. Claramente há uma orientação para de não deixar o ato acontecer."

Bombas

Ainda no protesto de terça, a Polícia Militar lançou uma bomba de efeito moral a cada sete segundos para dispersar o ato do MPL.

A contagem foi feita com base em um vídeo divulgado nas redes sociais do Território Livre, grupo que apoia as manifestações contra o reajuste da tarifa de ônibus, trens e metrô. Em seis minutos de imagens foram lançados pelo menos 49 artefatos explosivos.

O vídeo que mostra a ação dos policiais foi feito com um celular, do alto de um prédio, no encontro da Avenida Paulista com a Rua da Consolação, local onde houve o impasse entre a polícia e o Passe Livre sobre o trajeto da manifestação.

Os policiais exigiam que o ato seguisse para o centro de São Paulo e terminasse na Praça da República.

Fonte: Exame

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Polícia militar de São Paulo treina tiros em vaca

Um vídeo de policiais atirando em uma vaca (ou boi) circula nas redes sociais nesta quarta-feira, 25 de novembro. Nas imagens, gravadas por um dos policiais, um oficial atira com arma de grosso calibre em uma animal aparentemente indefeso e dominado. Ainda é possível perceber os colegas incentivando o policial militar de São Paulo à atirar seguidas vezes.

O vídeo vazou e não se sabe ainda onde ocorreu a cena e quando ela foi gravada, contudo sabe-se que o policial que gravou as cenas divulgou o vídeo em uma rede social e outro integrante decidiu espalhar o conteúdo, contudo ele tem medo de represálias e prefere não se identificar.


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

PM pede prisão de 6 policiais acusados de assassinato em SP

Polícia Militar de São Paulo
A Corregedoria da Polícia Militar vai solicitar ainda hoje (14) a prisão preventiva de seis policiais acusados de participar de uma execução de Fernando Henrique da Silva no último dia 7.

Ontem (13), dez PMs já haviam sido detidos administrativamente para serem ouvidos sobre o crime.

As imagens, feitas pelo celular de uma testemunha, mostram um policial jogando o suspeito rendido de um telhado no Butantã, zona oeste da capital paulista.

“É aquela pessoa que é algemada no teto de uma casa, jogada para o local onde estavam os policiais militares aguardando. E ali, ela é executada”, ressaltou o promotor Rogério Zagallo, que acompanha o caso.

Na sexta-feira (11), cinco policiais militares do 23º Batalhão da Polícia Militar de São Paulo haviam sido presos por um crime correlato, o assassinato de Paulo Henrique de Oliveira.

As vítimas teriam sido mortas após praticar um roubo de moto e tentar fugir dos policiais. Os acusados de envolvimento nos crimes devem ser indiciados por homicídio qualificado e fraude processual.

Imagens de câmeras de segurança mostram Paulo Henrique se entregando, inclusive levantando a camisa para mostrar que não estava armado.

Em seguida, ele é colocado contra um muro, fora do alcance da câmera, momento em que teria sido morto. O vídeo mostra um dos policias pegando uma arma na viatura para, de acordo com Zagallo, forjar um confronto e justificar a morte do suspeito.

“No 51º DP [Distrito Policial], eles registraram uma ocorrência completamente mentirosa de que as duas mortes teriam acontecido em trocas de tiros. Quando, na verdade, o que ocorreu foram duas execuções covardes e cruéis”, enfatizou o promotor.

De acordo com o ele, as prisões provisórias valem por 30 dias, e podem ser prorrogadas por mais um mês.

Zagallo reclamou das dificuldades enfrentadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público para ter acesso aos resultados da investigação da Corregedoria da PM.

“A corregedoria alega que não tem o poder de compartilhar com ninguém as provas que ela obtém, somente à Justiça Militar. Só que a Justiça Militar é incompetente para julgar esse tipo de coisa. A Constituição fala que, no caso de homicídio doloso praticado contra civil, o órgão competente é o tribunal do juri”, destacou.

Como a promotoria e Polícia Civil só terão acesso ao trabalho da Corregedoria ao final da investigação, Zagallo diz que o trabalho de acusação fica prejudicado, uma vez que o órgão de apuração interno tem acesso fácil a informações importantes.

“A Polícia Militar já tem os nomes da escala, quem estava naquele dia envolvido na ocorrência, as viaturas que participaram, as gravações dos áudios do Copom [Centro de Operações da PM]”, exemplificou.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo disse, por meio de nota, que casos como esses são apurados e punidos com rigor.

“É importante salientar que a Polícia Militar atua rigorosamente na depuração interna, sendo implacável contra desvios de conduta. O DHPP [Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa] prossegue nas investigações para coletar provas materiais e testemunhais sobre o caso."

Fonte: Exame.com