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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Brasil testa robô que remove câncer de útero com uma incisão

Representação de célula cancerígena
Na quarta-feira, o Brasil testou, de forma pioneira, uma técnica minimamente invasiva no tratamento do câncer de colo de útero. Pela primeira vez nas Américas, a cirurgia de remoção do tumor e dos órgãos afetados pela doença foi feita com o auxílio de um robô por meio de uma única incisão no abdome da paciente.

Batizada de single-port ou single-site (entrada única), a cirurgia permite que o cirurgião faça todo o procedimento inserindo uma câmera e duas pinças do robô em uma incisão de apenas 2,5 centímetros feita no umbigo da paciente. Tradicionalmente, a cirurgia robótica exige pelo menos cinco incisões na barriga da paciente, uma para a inserção de cada instrumento.

"A cirurgia robótica, por si só, já tem mais benefícios do que a videolaparoscopia porque nos dá mais precisão no procedimento. O grande diferencial do robô é a visão em três dimensões, que dá noção de profundidade. Tudo isso com uma câmera Full HD que aumenta em até 20 vezes o local operado e pinças capazes de fazer mais movimentos do que a mão humana", explica Alexandre Silva e Silva, oncoginecologista do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, onde a cirurgia foi feita.

"Essa precisão diminui o risco de, durante a cirurgia, lesarmos nervos e grandes vasos localizados próximos dos órgãos que devem ser removidos", diz o cirurgião.

Em relação aos benefícios da técnica de incisão única, o especialista ressalta que é um método pouco invasivo e evita a criação de inúmeras cicatrizes no abdome da mulher. Ele propicia ainda rápida recuperação da paciente.

Na operação feita na última quarta-feira, em uma mulher de 41 anos com tumor em estágio inicial, foram retirados o útero, as trompas e os gânglios linfáticos. Todo o material operado foi removido do corpo pelo canal vaginal.

Alta com rapidez

A cirurgia teve duração de quase sete horas e contou com cinco profissionais. Além de Silva, responsável pelo controle do robô e, portanto, pela operação da paciente, participaram dois médicos assistentes, um anestesista e uma instrumentadora.

Apesar da complexidade da técnica, a paciente teve alta no dia seguinte e já estará liberada para fazer atividades corriqueiras, como dirigir, sete dias depois da operação.

O treinamento para o controle de robôs para esse tipo de cirurgia só é oferecido fora do país e custa cerca de US$ 30 mil. Para ser capaz de aplicar a técnica, Silva passou por um treinamento em Atlanta, nos Estados Unidos, em maio.

A experiência deverá ser relatada pela equipe do Hospital Oswaldo Cruz em periódicos científicos nacionais e internacionais. "É uma técnica que ainda não foi tão difundida porque tanto o treinamento quanto os equipamentos são muito caros e complexos", diz.

Indicação

O médico ressalta, no entanto, que as cirurgias para o tratamento de câncer de colo de útero - tanto as técnicas tradicionais quanto as robóticas - são indicadas apenas para pacientes com tumores iniciais.

Para os casos em que a doença está mais avançada, o tratamento preferencial costuma ser feito com base em quimioterapia e radioterapia.

Fonte: Estadão Conteúdo

quarta-feira, 15 de junho de 2016

OMS alerta que ingerir bebidas muito quentes pode provocar câncer


A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou nesta quarta-feira que ingerir bebidas muito quentes pode provocar câncer de esôfago e acrescentou que não há evidências de que consumir café ou mate mornos possa ser cancerígeno.

"Os resultados mostram que ingerir bebidas muito quentes provavelmente causa câncer no esôfago e que é a temperatura, e não as próprias bebidas, as que parecem ser responsáveis por isso", afirmou em comunicado o diretor da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC, em inglês), vinculada à OMS, Christopher Wild.

Essa é a principal conclusão do trabalho de 23 cientistas convidados pela IARC para analisar as possíveis consequências cancerígenas de consumir café, mate e outras bebidas em sua forma quente.

Os especialistas avisaram que suas conclusões se baseiam em "evidências limitadas" extraídas de estudos sobre as consequências epidemiológicas que vinculavam o consumo de bebidas quentes ao câncer de esôfago.

"Estudos na China, no Irã, na Turquia e na América do Sul, onde tradicionalmente se bebe chá e mate muito quentes (cerca de 70o C) mostraram que o risco de câncer de esôfago aumenta em função da temperatura da bebida", acrescentou a IARC.

O organismo ressaltou, no entanto, que fumar e consumir bebidas alcoólicas são as principais causas do câncer de esôfago, "especialmente em muitos países ricos".

O câncer de esôfago é uma das oito formas mais frequentes da doença no mundo e é responsável por, aproximadamente, 400 mil falecimentos ao ano, ou seja, em torno de 5% do total das mortes por câncer.

"Desconhecemos a proporção em que os casos de câncer de esôfago possam estar relacionados ao consumo de bebidas muito quentes", informou o estudo.

Com relação ao café, classificado como "possivelmente cancerígeno para os humanos", desde 1991, os analistas consideraram que sua ingestão a temperaturas não muito elevadas não representa um risco evidente de gerar câncer nas pessoas.

"O amplo número de provas atualmente disponíveis levou a uma reavaliação da carcinogenicidade do café bebido", ressaltou a IARC após analisar "mais de 1.000 estudos em humanos e animais".

De fato, muitas dessas pesquisas analisadas pelos cientistas demonstram que o café não está associado ao câncer de pâncreas, mama e próstata, enquanto se acharam "riscos reduzidos" relativos aos de fígado e útero.

"Para mais de outros 20 tipos de câncer, não encontramos evidências conclusivas", ressaltou o texto.

Em entrevista coletiva em Lyon, na França, onde fica a sede do IARC, os estudiosos especificaram que não é possível estabelecer que não exista risco algum de câncer por beber café, mas que não há elementos que permitam associá-lo com a doença por si só.

O mesmo ocorre com a cafeína, que é "apenas um dos elementos" presentes no café, do mesmo modo que também não se pode assegurar que os que não tomam café tenham menos chances de sofrer um câncer do que os que o consomem.

A IARC também abordou o tema do mate, chá tomado especialmente na Argentina, na Bolívia, no Chile, no Paraguai e no Brasil, cujo consumo frio também não tem relação com o câncer.

"O mate frio não tem efeitos cancerígenos em experimentos com animais ou estudos epidemiológicos", destacou a instituição, que acrescentou que "beber mate a temperaturas que não sejam muito quentes não é classificado como cancerígeno para os seres humanos".

Fonte: EFE

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Câncer: as promessas da medicina de precisão e da genômica

Representação de célula cancerígena
Associada à genômica, a medicina de precisão, que visa a certas anomalias moleculares em um tumor cancerígeno, tem o potencial de aumentar as opções e a eficácia no tratamento de certos tipos de câncer, segundo pesquisas divulgadas neste sábado nos Estados Unidos.

Ao contrário da quimio e da radioterapia, a medicina de precisão permite preservar as células sadias. Esta abordagem e, sobretudo, a imunoterapia, que potencializa o sistema imunológico para destruir as células tumorais, estão revolucionando a oncologia.

Resultados preliminares de um teste clínico de fase 2, detalhados durante o maior colóquio mundial sobre câncer, celebrado este fim de semana em Chicago, foram considerados "animadores".

Dos 129 participantes do teste, 29 afetados por 12 tipos de câncer em estágio avançado, responderam positivamente a moléculas que não tinham sido aprovadas para o tratamento destes tumores pela agência americana de medicamentos, a FDA.

As respostas promissoras, vistas em quatro tipos de câncer, já levaram à ampliação do número de doentes que participarão deste teste clínico, afirmaram os pesquisadores.

"Estudos como este ajudarão os pacientes a se beneficiar em maior grau da medicina personalizada", explicou o doutor John Hainsworth, do Sarah Cannon Research Institute de Nashville (Tennessee).

O especialista destacou que os testes genômicos dos tumores - para determinar suas características genéticas - estão a cada dia mais acessíveis.

"Nossos resultados sugerem, por exemplo, que uma terapia dirigida ao gene mutante HER2 - que favorece o crescimento das células cancerígenas - poderia ser aplicada não só para tratar o câncer de mama ou o câncer gástrico", em parte dos quais sempre está presente, destacou.

Os resultados mais promissores desta abordagem foram comprovados em pacientes portadores da mutação HER2.

Sete em cada vinte deles sofriam de câncer colorretal, três em cada oito tinham tumor na bexiga e três em seis, de câncer nas vias biliares.

Em todos eles, o tumor diminuiu pelo menos 30%.

Com base nestes dados, os cientistas recrutaram um número maior de doentes para desenvolver o estudo, que deverá contar com 500 participantes.

Outro grupo de pacientes, que sofre de câncer de pulmão com mutações no gene BRAF, que regula as proteínas que atuam no processo de divisão e diferenciação celular, também foi ampliado, em função dos resultados positivos do teste.

Uma análise com 346 testes clínicos experimentais (fase 1) sobre um total de 13.203 pacientes, apresentado igualmente na conferência anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), obteve resultados similares.

Nos 58 estudos do tipo, que recorreram à medicina de precisão, os tumores cancerosos diminuíram em mais de 31% quando as moléculas empregadas no tratamento estavam dirigidas especificamente aos pontos fracos do tumor.

Quando este não foi o caso, a diminuição do tumor foi de apenas 5,1%, disse Maria Schwaederle, do Centro de Terapia Anticancerosa Personalizada da Universidade da Califórnia.

"Estudos deste tipo revelam o grande potencial da medicina de precisão para ajudar a identificar novos tratamentos, ao mesmo tempo em que destacam a necessidade de explorar testes baseados na genômica e um enfoque terapêutico desenvolvido a partir dos dados fornecidos pelos testes clínicos", disse Sumanta Kumar Pal, professor de cancerologia no centro de pesquisas City of Hope na Califórnia, que não participou das pesquisas.

Fonte: AFP

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Cientistas descobrem método que pode levar a vacina universal contra o câncer

Cientistas descobrem método que pode levar a vacina universal contra o câncer. EFE/EFE-TV
Cientistas alemães deram um importante passo para criar uma vacina universal contra o câncer, graças a uma técnica que instrui o sistema imunológico a atacar os tumores, de acordo com um trabalho publicado nesta quarta-feira pela revista britânica "Nature".

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Mainz, na Alemanha, utilizou nanopartículas que contêm RNA de um tumor para simular a invasão de um patogênico na corrente sanguínea e desencadear uma resposta autoimune.

Quando essas partículas entram em contato com o tecido linfático, um componente essencial do sistema imunológico, ativam os mecanismos de defesa frequentes, que dispõem de células como as dendríticas, para combater os organismos invasores.

A "Nature" ressaltou que os pesquisadores alemães conseguiram induzir respostas contra os tumores em ratos e, em uma primeira fase experimental, também em humanos, em três pacientes com melanoma.

"O trabalho provavelmente representa um passo adiante em direção a uma vacina universal para o câncer", disse a revista.

Os cientistas encontraram até agora dificuldades para descobrir mecanismos efetivos de vacinação porque as células cancerígenas são similares, em muitos aspectos, às normais. Por isso, o sistema imunológico se confunde e evita atacá-las.

Uma resposta defensiva eficiente só ocorre quando as células cancerígenas produzem antígenos - substâncias que fomentam a criação de anticorpos - diferentes aos das células saudáveis.

Outro dos fatores que freia a resposta imune ao câncer é que o crescimento dos tumores não é acompanhado de sinais inflamatórios importantes, como os que ocorrem durante uma infecção por bactérias, por exemplo, que disparam a resposta autoimune.

Por esses motivos, o sistema imunológico em algumas ocasiões tolera, ou inclusive promove a formação de tumores.

Em artigo que acompanha o trabalho dos alemães, Jolanda de Viers, do Centro Médico Universitário de Radboud (Holanda), afirma que o grupo de cientistas de Mainz, liderado por Ugur Sahin, adotou perspectiva "diferente" para as pesquisas realizadas até agora.

Os pesquisadores criaram nanopartículas nas quais os fragmentos de RNA estão cobertos de uma camada de lipídios, similares a uma membrana celular, para protegê-los.

Ao estabelecer uma carga elétrica negativa nessas partículas, os cientistas conseguem que elas sejam atraídas pelas células dendríticas, que, por sua vez, descobrem um antígeno específico contra o tumor cancerígeno.

Os pesquisadores alemães acreditam que qualquer antígeno baseado em uma proteína pode estar codificado no RNA. Por isso, consideram que essa técnica pode ser utilizada para criar vacinas contra qualquer tipo de câncer.

Fonte: EFE

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Usar celular não dá câncer, diz estudo feito por 30 anos

Vício em celular
"O Homem do Saco vai te pegar", "você pode acordar em uma banheira de gelo sem rim" e "usar celular causa câncer cerebral" estão todas no hall de frases em que você não acredita piamente, mas que, bem no fundo, dão um medinho.

Agora pelo menos da última delas você pode desencanar. Um grupo de pesquisadores australianos está cravando: o smartphone não vai danificar sua cabeça.

E a afirmação não é feita ao acaso. Foram 30 anos de pesquisa para poder chegar um resultado que eles consideram seguro.

O grupo de cientistas da Universidade de Sidney cruzou dados sobre a incidência de câncer cerebral registrada pelo governo local entre os anos de 1982 e 2013, com o número de usuários de telefones celulares desde 1987 (quando os telefones móveis chegaram à Austrália).

Foram quase 20 mil homens e mais de 14 mil mulheres analisadas, todos apontando que, não, a saúde deles não sofreu interferência da telefonia.

De acordo com o estudo, o registro de casos de câncer cerebral até chegou a aumentar nesse período - os homens tiveram 0,05% a mais de diagnósticos em 2013 do que no começo da pesquisa, as mulheres, por outro lado, se mantiveram estáveis.

Mas, ao comparar com dados ainda mais antigos, da década de 1970, os envolvidos perceberam que esse aumento começou a ocorrer justamente em 1982 - cinco anos antes do primeiro celular chegar à Austrália.

De acordo com os pesquisadores, o aumento, na verdade, se deu à um melhor diagnóstico da doença.

Foi justamente no começo dos anos 1980 que equipamentos tomográficos de melhor qualidade começaram a desembarcar na Oceania.

O estudo ainda calculou quantos casos da doença a população australiana teria se os aparelhos interferissem em algo.

Mesmo as previsões mais conservadoras acabaram frustradas (principalmente quando se pensa que o mesmo estudo apontou que 94% possuíam um celular).

"O número de casos esperados em 2012 era de 1.866, enquanto o montante registrado foi de 1.435 pacientes", afirmou Simon Chapman, professor de Saúde Pública da universidade e responsável pelo estudo.

Se você ainda não se convenceu, e acha que os casos ainda vão aparecer nos próximos anos, Simon insiste.

Os diagnósticos de câncer não aparecem em picos. "Nós vemos aumentos graduais em direção a um ponto máximo - que fica localizado, no máximo em 30 ou 40 anos (como é o caso do câncer de pulmão e de cigarro)". Pode jogar Candy Crush sem dor de cabeça.

Fonte: Superinteressante

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Estudo identifica genes e mutações que causam câncer de mama

Genética: modelo de DNA humano
Um amplo estudo divulgado nesta segunda-feira pela revista "Nature" identifica os genes e processos mutagênicos que intervêm no desenvolvimento do câncer de mama, o que abre a porta à pesquisa de novos remédios.

O estudo, que foi muito bem recebido pela comunidade científica no Reino Unido por ser o mais exaustivo até o momento, foi liderado por Michael Stratton, diretor do Instituto Sanger de Cambridge (sudeste da Inglaterra).

Em entrevista à rede pública britânica "BBC", Stratton disse que a descoberta "é um momento significativo para a pesquisa sobre o câncer".

"Na última parte do século passado, fomos capazes de identificar os primeiros genes individuais que mutavam", explicou.

"Agora, com nossa capacidade para sequenciar o genoma inteiro de um grande número de cânceres, estamos indo em direção à criar o que, mais ou menos é uma lista completa desses genes mutados de câncer", manifestou.

A equipe internacional de cientistas examinou as 3 bilhões de letras que compõem o código genético em 560 casos de câncer de mama (556 pacientes mulheres e quatro homens).

Foram descobertos no total 93 conjuntos de instruções ou genes, que, se mutarem, podem causar tumores.

Alguns destes genes já tinham sido descobertos anteriormente, mas estes pesquisadores acreditam que essa pode ser a lista definitiva, com exceção de algumas mutações raras.

Os autores identificaram uma série de "assinaturas de mutações" (as marcas que a mutação deixa) nesses genomas de pacientes de câncer que estavam associadas com consertos defeituosas do DNA e a função dos genes supressores de tumores BRCA1 e BRCA2.

Em conjunto, os cientistas identificaram 12 tipos de "danos" que podem causar mutações na mama, alguns relacionados com a história familiar, apesar de outros continuarem sem serem explicados.

Por exemplo, um tipo de mutação parece derivar de ataques que o corpo faz contra os vírus mediante uma mutação de seu código genético, um processo que causa esse dano colateral.

Os pesquisadores ainda desconhecem se estes processos do corpo humano podem ser alterados, mas esperam que a pesquisa continue com o objetivo de reduzir o risco de câncer.

"No futuro, gostaria de poder elaborar o perfil de genomas de câncer individuais, para identificar assim o tratamento que mais pode beneficiar uma mulher ou um homem diagnosticados com câncer de mama", declarou uma das pesquisadoras Serena Nik-Zainal.

"É mais um passo com o cuidado personalizado em casos de câncer", afirmou à "BBC".

Emma Smith, especialista da organização de pesquisa britânica Cancer Research UK, elogiou o estudo ao afirmar que "nos acerca a obter uma imagem completa das mudanças genéticas na origem do câncer de mama e, além disso, deixa intrigantes pistas sobre os processos biológicos fundamentais que podem falhar nas células e causar a doença".

Fonte: Reuters

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Novo dispositivo pode detectar câncer de mama pela saliva

Câncer de mama
A detecção do câncer de mama cedo favorece seu tratamento, por isso que uma equipe do Centro Tecnológico de Monterrey (México) desenvolve um dispositivo para facilitar este processo através da saliva.

Através do sensor incorporado em um filme ultrafino -de cerca de dois mícrons de espessura e dez milímetros de comprimento-, o dispositivo é capaz de detectar uma proteína conhecida como Cerb-b2.

Esta proteína, que se localiza na saliva, é desenvolvida por "um grupo muito amplo de mulheres" que apresentam câncer de mama nos períodos iniciais, explica à Agência Efe o responsável da pesquisa, o médico Joaquín Esteban Oseguera Peña.

A grande vantagem deste método é que antecipa a detecção da doença mesmo em mulheres que realizam auto-exame, já que a prova funciona quando o tumor é medido em mícrons -com um tamanho mil vezes menor do que quando pode ser detectado manualmente.

A Cerb-b2 aparece em, aproximadamente, 98% das mulheres com câncer de mama.

Com este aparelho "imediatamente poderia ser decidido se há esta proteína e, em consequência, quais são as probabilidades de que a pessoa esteja desenvolvendo câncer de mama", afirmou Oseguera, que lidera um grupo de pesquisa de oito pessoas no campus do Estado do México da instituição universitária.

"A ideia fundamental -continua o médico- é que o dispositivo possa ser acessível a todo o público, sobretudo em lugares afastados ou de difícil acesso para equipes mais sofisticadas".

Segundo o médico, é "provável" que a ideia de um dispositivo como este possa se estender a outros tipos de câncer vinculados com outras proteínas, embora seja necessitaria "fundamentá-lo com estudos".

Por enquanto, a equipe de pesquisa entrou em contato "só em nível preliminar" com alguns hospitais públicos da área, e em aproximadamente um ano terá constituído todo o desenvolvimento adicional que permitirá realizar testes com pacientes.

Fonte: Exame

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

OMS põe na mira embutidos e carnes por risco de câncer

Diferentes tipos de linguiça à venda na cidade francesa de Toulouse
O consumo excessivo de carnes é potencialmente cancerígeno, advertiu nesta segunda-feira a agência contra o câncer da OMS, num relatório de alto impacto para consumidores e produtores de todo o mundo.

A Agência Internacional para a Pesquisa sobre o Câncer (IARC, na sigla em inglês), subordinada à Organização Mundial da Saúde (OMS), colocou o consumo excessivo de carnes processadas, como embutidos ou frios, no Grupo 1 de risco de levar ao desenvolvimento de câncer, principalmente o colorretal.

Pertencem a esta categoria, por exemplo, o tabaco e o amianto. Mas a organização esclareceu que pertencer ao mesmo grupo "não significa que sejam igualmente perigosos".

Já o consumo excessivo de carnes vermelhas em geral - inclusive bovina, suína e ovina - foi inserido no Grupo 2, como "provavelmente cancerígenas" pelo informe, rico em indefinições devido à falta de dados conclusivos.

"Os resultados confirmam as recomendações de saúde pública atuais para que se limite o consumo de carne", acrescentou Christopher Wild, diretor da IARC.

Os vegetarianos saudaram este informe, que parece confirmar suas crenças. "Quantas advertências adicionais de saúde devemos receber para nos darmos conta de que a proteína animal não é boa para nós?", questionou Jasmijn de Boo, da britânica Vegan Society.

Quantidades razoáveis

Especialistas da França e da Grã-Bretanha, consultados pela AFP, estimaram que tudo é uma questão de quantidade. Pode-se continuar consumindo carne vermelha, afirmam, desde que a quantidade não supere os 500 gramas por semana e se busque eliminar as processadas da alimentação diária.

O instituto americano da carne (NAMI) criticou o relatório da OMS por considerar que constitui um "desafio ao senso comum".

Os autores do informe, acusa a NAMI, "trituraram os dados para chegar a um resultado específico".

Segundo a vice-presidente do NAMI, Betsy Booren, como parte da dieta mediterrânea, Espanha, Itália e França consomem grandes quantidades de presunto ou salames e "ostentam algumas das expectativas de vida mais longas do mundo e excelente saúde".

Ian Johnson, pesquisador de dietas radicado na Grã-Bretanha, afirmou não existirem provas de que os vegetarianos do seu país "tenham um risco menor de contrair câncer de cólon que os carnívoros".

Literatura científica

O organismo da OMS garante ter baseado suas conclusões na "literatura científica acumulada" e examinada por "um grupo de trabalho de 22 especialistas de 10 países".

A IARC conclui que cada porção de 50 gramas de carne processada consumida diariamente aumenta em 18% o risco de câncer colorretal. E cada porção diária de 100 gramas de carne vermelha aumentaria o risco em 17% "se a causalidade das associações entre consumo de carnes vermelhas e câncer colorretal ficasse demonstrada".

O grupo da IARC admitiu "carecer de dados suficientes para determinar se a forma como se cozinha a carne influi no risco de câncer".

"Para um indivíduo, o risco de desenvolver câncer colorretal devido ao consumo de carne processada é frágil, mas este risco aumenta em função da quantidade de carne consumida", afirmou Kurt Straif, outro encarregado da IARC.

E os hambúrgueres?

"A carne processada foi considerada cancerígena para o ser humano, com base em indícios suficientes segundo os quais seu consumo provoca câncer colorretal", informou a IARC. Além disso, menciona o risco potencial de câncer de próstata e pâncreas.

Por carne transformada ou processada entende-se "a carne transformada por sal, maturação, fermentação ou outros procedimentos destinados a realçar seu sabor ou melhorar sua conservação".

A maioria das carnes processadas é de porco ou de vaca, mas estas podem derivar de outras carnes vermelhas, ou de aves, vísceras ou subprodutos da carne, como o sangue, esclareceu a IARC.

Como exemplo das carnes processadas, o informe citou os hot-dogs ou salsichas de Frankfurt, presunto, chouriços, corned-beef, carne seca, bem como carnes em conserva e os preparados e molhos à base de carnes.

Em sua lista detalhada de exemplos, a OMS evitou mencionar explicitamente os hambúrgueres, produto à base de carne processada de consumo maciço em escala global, vendido em redes como McDonald's e Burger King.

As carnes vermelhas foram classificadas em uma categoria de risco menor do que as processadas como "provavelmente cancerígenas para o ser humano, com base em indicações limitadas, segundo as quais seu consumo induz ao câncer".

Por "carnes vermelhas", o informe diz que se deve entender "todos os tipos de carnes provenientes dos tecidos musculares" de mamíferos, incluindo a carne bovina, suína, ovina, equina e caprina.

"O consumo de carne vermelha ainda não foi estabelecido como causa do câncer", esclareceu a IARC. No entanto, se a causalidade das associações mencionadas ficar demonstrada, a carne vermelha poderia ser responsável por 50 mil mortes anuais provocadas por câncer no mundo.

Este número contrasta com o milhão de mortes ao ano por câncer atribuídas ao tabagismo, as 600 mil associadas ao álcool e as mais de 200 mil ligadas à contaminação atmosférica.

Fonte: Exame/Abril

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Droga anticâncer criada na USP é proibida pela Justiça

Câncer
Pacientes que lutam contra o câncer entraram em pânico quando descobriram que não poderiam mais ter acesso à fosfoetanolamina, uma substância supostamente anticancerígena, produzida por um professor Instituto de Química da USP de São Carlos.

A decisão foi tomada dia 28 pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), José Renato Nalini, que justificou o ato dizendo que "(...) não há nenhuma prova de que, em humanos, a substância reclamada, que não é um remédio, produza algum efeito no combate a doenças. Portanto, presentes os requisitos legais, o deferimento da suspensão é medida de prudência".

Para entender por que a medida gerou tanta insatisfação, é preciso voltar um pouco no tempo. A ação da fosfoetanolamina em células cancerígenas é estudada desde o começo dos anos 90 pelo professor da USP, Gilberto Orivaldo Chierice, hoje aposentado.

Essa substância é sintetizada naturalmente em algumas células do nosso corpo, como as do fígado e dos músculos do bíceps, por exemplo.

Até o ano de 2014, a versão sintética da substância era distribuída gratuitamente para os pacientes que buscavam um tratamento complementar ou alternativo. Seu custo de produção é de aproximadamente R$ 0,10 por cápsula.

Entre os relatos dos usuários, constam curas sem cirurgia, reduções drásticas dos tumores e melhora nas dores típicas do tratamento.

Alguns médicos chegaram a apoiar o uso do medicamento, mesmo sem provas conclusivas de sua eficácia, acreditando que a melhora venha do efeito placebo associado a um tratamento tradicional, como a quimioterapia ou a radioterapia.

Em 2014, o Instituto de Química de São Carlos assinou uma portaria proibindo a produção e distribuição de substâncias médicas e sanitárias que não possuíssem os devidos registros e licenças.

Como a fosfoetanolamina não tinha registro na Anvisa, acabou sendo proibida. E pacientes começaram a recorrer à Justiça para que o remédio fosse liberado.

A USP afirmou que não possui meios para produzir as cápsulas em larga escala. Mas, por decisão de liminares judiciais, foi obrigada a fabricar e fornecer a substância para mais de 360 pessoas entre meados de 2014 e setembro de 2015.

A comunidade científica não reconhece a eficácia da fosfoetanolamina contra o câncer. Há alguns estudos mostrando que a substância está relacionada com a morte de células cancerígenas, mas a Anvisa diz que, para obter o registro, é preciso apresentar análises clínicas detalhadas.

Supostamente, o mecanismo de ação da droga é o seguinte: nas células cancerígenas, as mitocôndrias têm a atividade prejudicada. Isso acontece pela falta de ácidos graxos, que é justamente o que a fosfoetanolamina fornece.

Dessa forma, se o paciente de câncer ingerir doses suplementares de fosfoetanolamina, em tese, as mitocôndrias voltam a funcionar.

Isso faz com que o sistema imunológico seja alertado para a presença da célula cancerosa - e dispare o processo de apoptose, ou morte celular. Ou seja, o próprio sistema de defesa do organismo mata as células cancerígenas.

Fonte: Exame

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Tratamento faz celulas cancerígenas comerem umas as outras

Rato
Pesquisadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia descobriram uma maneira de fazer células cancerígenas comerem umas as outras.

Com uma mistura de drogas que afinam o sangue com antidepressivos tricíclicos, os cientistas constataram um processo chamado autofagia, que faz com que as células cancerígenas de um tumor no cérebro comecem a se eliminar.

A combinação dos medicamentos fez o tempo de vida de um rato de laboratório com glioblastoma, em seus primeiros estágios, dobrar. Isoladas, as drogas não apresentaram o mesmo efeito.

Os dados do estudo mostram que a dupla acelera o ritmo de autofagia, dessa forma, fazendo as células morrerem.

"É importante ressaltar que a terapia dessa combinação não curou os ratos, mas atrasou a progressão da doença e modestamente estendeu seu tempo de vida", escreve Douglas Hanahan, um dos autores sênior do estudo.

Os medicamentos foram dados aos ratos, com intervalos de 10 a 15 minutos entre cada um, ao longo de cinco dias. O antidepressivo foi ministrado por via oral, enquanto o afinador de sangue teve aplicação intravenosa.

O tratamento ainda está em fase embrionária de avaliação e mais pesquisas ainda precisam ser feitas.

Fonte: Exame/Abril