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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Vale vai recorrer de decisão que indisponibiliza suas lavras

Complexo Vargem Grande, da Vale, em Nova Lima (MG)
A mineradora Vale informou neste domingo que tomou conhecimento de uma decisão judicial da 12ª Vara Federal de Belo Horizonte (MG) sobre a indisponibilidade das suas licenças para a lavra de minério, após o rompimento em novembro da barragem de rejeitos de mineração da Samarco, na qual a companhia detém participação.

A Vale disse que a decisão não limita as suas atividades de produção e comercialização, mas que recorrerá da decisão.

"Ainda não intimada para a ciência dessa decisão, nem citada para a ação na qual ela foi proferida, a Vale esclarece que recorrerá da ordem judicial, demonstrando o descabimento da providência e contestará a ação no prazo legal", afirmou a companhia em nota.

A nota foi divulgada após a Justiça Federal de Minas Gerais determinar o bloqueio de bens da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, proprietárias da Samarco, alegando que a Samarco não tem patrimônio suficiente para o ressarcimento integral dos danos socioambientais causados pelo rompimento da barragem.

Em decisão tomada na noite de sexta-feira, o juiz federal Marcelo Aguiar Machado determinou que a Samarco efetue, no prazo de 30 dias, um depósito inicial de 2 bilhões de reais para a execução do plano de recuperação integral dos danos a ser elaborado pelas empresas envolvidas, com multa de 1,5 milhão de reais por dia em caso de atraso.

O incidente na barragem do Fundão, em 5 de novembro, inundou o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), deixou vários mortos e derramou lama espessa com rejeitos de mineração na bacia do Rio Doce, atingindo diversas cidades e chegando ao mar no Espírito Santo.

Apesar da dimensão do desastre, a Vale havia argumentado que a Samarco, como entidade legal independente e empresa de tamanho considerável em seu próprio direito, era inteiramente responsável pelo acidente e os danos e multas subsequentes.

Fonte: Exame/Abril

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Queda do preço do minério de ferro testa grandes mineradoras

Minério de ferro
O tombo dos preços do minério de ferro já forçou pequenas mineradoras a fechar, mas previsões de maior deterioração no mercado podem testar a persistência até mesmo das mega mineradoras de menor custo que ainda obtêm lucros.

O minério de ferro atingiu 37,50 dólares a tonelada na terça-feira, segundo o The Steel Index (TSI). Ele tocou 37 dólares na sexta-feira, menor preço desde que a TSI começou a compilar dados em 2008.

"Podemos facilmente ver o preço atingir 30 dólares a tonelada", disse o analista Gavin Wendt, da MineLife.

A maior produtora, a brasileira Vale, tem um preço de equilíbrio de 33,40 dólares a tonelada, segundo o Citi, enquanto a segunda maior mineradora, Rio Tinto, e a BHP Billiton ficam em 29,20 dólares e 29,40 dólares, respectivamente.

A outra grande produtora, Fortescue Metals, estabeleceu seus custos de equilíbrio em cerca de 37 dólares a tonelada, perigosamente perto do atual preço.

"Ao menos as três grandes estão com uma margem líquida de 5 a 9 dólares por tonelada", disse o Citi em nota. "A Fortescue está quase no equilíbrio e todo o restante está queimando caixa."

A BC Iron suspendeu na semana passada sua joint venture de mineração Nullagine com a Fortescue, já que não podia mais produzir por menos que o preço de venda.

Para Vale, Rio e BHP, ainda rentáveis, apesar do encolhimento das margens, está sendo possível produzir mais --excedendo um total de 1 bilhão de toneladas em 2017-- mesmo com o crescente excesso de oferta pesando sobre o preço.

"Alguns pessimistas estão prevendo um preço de 25 dólares a tonelada", disse o analista Keith Goode, da Eagle Mining.

Fonte: Exame/Abril