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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Guerrilhas ajudam a reduzir oferta mundial petróleo

Membros de grupo rebelde islamita contrário ao Estado Islâmico em tanque de guerra, Líbia, dia 28/02/2016
As guerrilhas de esquerda na Colômbia, os rebeldes na Líbia e os militantes na Nigéria estão tendo sucesso onde os maiores produtores de petróleo do mundo fracassaram, ajudando a não aumentar o excedente de 1,5 milhão.

Arábia Saudita, Rússia e outros grandes produtores não conseguiram chegar a um acordo para congelar a produção no início deste mês, mas as interrupções provocadas por fatores como ataques a oleodutos e paralizações de campos retiraram 800.000 barris por dia da oferta de petróleo bruto neste ano, de acordo com a FGE, empresa de consultoria do setor de energia.

Em um momento em que a queda dos preços do petróleo reduz a receita dos produtores, em algumas regiões do mundo eles enfrentam dificuldades para manter o fluxo da oferta, segundo o Citigroup.

“A verdade é que o excesso de oferta no mercado é muito limitado”, disse Ed Morse, diretor de pesquisa sobre commodities do Citigroup. “Existe uma tendência maior a interrupções da oferta em países petrolíferos vulneráveis”.

Uma iniciativa dos maiores países produtores de petróleo para fechar um acordo de congelamento da produção fracassou depois que uma reunião, realizada entre membros da Opep e países de fora do grupo, no dia 17 de abril em Doha, no Catar, finalizou sem chegar a uma conclusão.

“O foco em Doha não levou em conta os maiores problemas não tratados na reunião”, disse Morse, referindo-se às interrupções da produção que contribuíram para impulsionar o aumento dos preços desde fevereiro.

“Líbia e Nigéria são imprevisíveis, são assim atualmente e sempre serão”, disse John Driscoll, estrategista-chefe da JTD Energy Services, que passou mais de 30 anos negociando petróleo em Cingapura.

“Não podemos ignorá-los da perspectiva dos fundamentos porque esses distúrbios, ataques, sabotagens e explosões intensificam a descontinuidade da produção. É preciso levá-los em conta no mercado”.

Distúrbios

O preço do petróleo Brent, referência para mais de metade do petróleo mundial, também ilustra o impacto das interrupções.

O barril de carregamentos para entrega imediata ficou 29 centavos de dólar mais caro do que as últimas remessas devido a uma estrutura de mercado chamada backwardation, que costuma indicar insuficiência da oferta.

Os contratos a curto prazo estavam com desconto, ou contango, no início deste ano.

A África não é o único lugar a sofrer distúrbios.

Ataques realizados por guerrilhas marxistas também interromperam a oferta da Colômbia, onde a produção caiu para 916.000 barris por dia em março, uma redução de 8 por cento em relação ao patamar registrado em dezembro.

As exportações diárias de petróleo bruto do país caíram 14 por cento em relação ao mês anterior, para cerca de 622.000 barris em março, segundo um relatório de remessas, a alfândega dos EUA e dados de monitoramento de remessas compilados pela Bloomberg.

Alvo fácil

“Oleodutos e instalações na superfície em áreas remotas dificultam a proteção e a segurança contra ataques de parte dessa infraestrutura, considerando a história contínua de distúrbios civis em alguns desses países”, disse Tushar Tarun Bansal, consultor sênior em Cingapura da FGE. “Se um oleoduto passa por perto, ele será um alvo fácil”.

Ao mesmo tempo, a oferta do Iraque também foi afetada, os campos do Mar do Norte da Europa estão se preparando para fechar por manutenção e a crise do setor energético prejudicou a extração em países como os EUA e a Venezuela.

A Agência Internacional de Energia estima que o excedente de petróleo se reduzirá em 87 por cento, para 200.000 barris por dia, no segundo semestre de 2016 porque a produção de países de fora da Opep registra a maior queda em 25 anos.

“As interrupções não programadas criaram reduções da oferta que eram necessárias para acabar com o excedente”, disse Peter Lee, analista da BMI Research, do Fitch Group.

O congelamento da produção poderia “gerar certo impacto sobre a confiança do mercado no curto prazo, mas o que impulsiona os preços no longo prazo é o que acontece com a oferta real”.

Fonte: Exame

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Petrobras vai modificar cálculo da participação nos lucros

Funcionários caminham na sede da Petrobras
O comando da Petrobras prepara uma mudança na remuneração dos empregados que deve provocar mais um embate com os sindicatos.

O pagamento da participação nos lucros e resultados, que hoje leva em conta principalmente o desempenho da produção da empresa, vai passar a ser mais baseado no resultado econômico.

Segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, no novo modelo, que já está em fase avançada de elaboração, as metas financeiras vão definir 65% do bônus pago anualmente aos 78,5 mil funcionários da estatal e também vão pesar no plano de cargos e salários, enquanto a relevância da produção vai recuar de 80% para 10

Com um prejuízo de R$ 34,8 bilhões e sem bater metas de produção em 2015, a estatal não distribuiu bônus este ano. Mas, no ano passado, mesmo com prejuízo de mais de R$ 20 bilhões em 2014, a empresa ainda distribuiu R$ 1 bilhão em bônus, por ter atingido parte das metas de produção.

O novo modelo pretende exigir do trabalhador um maior comprometimento com as metas de disciplina de capital da petroleira, que serão incluídas no plano de negócios. O comando da estatal não tem dúvidas de que a mudança proposta agora vai provocar gritaria entre os sindicalistas, que, apesar de historicamente atrelados ao PT, já resistem ao projeto do presidente da companhia, Aldemir Bendine, de vender ativos e mirar na disciplina de capital.

A aprovação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pela Câmara dos Deputados tornou mais incerto o futuro da atual direção da Petrobras. Mas, segundo fontes, a diretoria trabalha com a premissa de que o projeto não tem conotação política e que os ajustes são necessários para o fortalecimento financeiro da estatal no longo prazo.

No novo modelo, os indicadores financeiros escolhidos para balizar a distribuição de bônus são: margem Ebitda (geração de caixa), fluxo de caixa livre, gerenciamento dos gastos operacionais e desinvestimento, considerado essencial para ajustar o endividamento da companhia. Esse grupo vai contribuir com 65% da participação dos lucros.

Já os indicadores de sustentabilidade - práticas de segurança, meio ambiente e saúde - vão pesar 20%, mais do que os avanços técnicos de produção de petróleo, que terão peso de 10% no cálculo da participação nos lucros. Já as políticas públicas entram com 5%.

As linhas gerais do programa de remuneração foram apresentadas aos funcionários durante a última negociação do acordo coletivo.

O comando da petroleira sabe o desafio que será fazer o novo modelo ser aceito pelos trabalhadores porque a mudança de cultura será muito grande. Mas não abre mão de promover as alterações.

O novo modelo já tem o aval dos comitês de assessoramento do conselho de administração e foi bem recebido entre os gerentes.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Venezuela diz que EUA ajudaram a arruinar acordo de petróleo

Bandeira com o logotipo da Opep
A pressão intensa dos Estados Unidos foi uma das razões pelas quais produtores de dentro e fora da Opep não conseguiram alcançar um acordo em Doha, no domingo, para congelar a produção, disse o ministro de Petróleo da Venezuela, Eulogio Del Pino, a repórteres.

"Os EUA estavam por trás da pressão. Eles têm um problema com Venezuela, Rússia... Eles estão fazendo isso por razões políticas e estão ignorando o sofrimento de seu próprio povo. Pergunte a qualquer petroleira nos EUA - elas estão todas muito tristes pelo que aconteceu ontem", disse.

Fonte: Exame

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

EI busca ativos de petróleo fora da Síria, dizem EUA

Petróleo
O Estado Islâmico está buscando possíveis ativos de petróleo vulneráveis na Líbia ou outros lugares fora do reduto do grupo militante na Síria, onde controla cerca de 80 por cento dos campos de petróleo e gás, disse uma autoridade dos Estados Unidos na terça-feira.

A autoridade, que falou a repórteres em Washington sob condição de anonimato, disse que os Estados Unidos estão examinando cuidadosamente quem controlava os campos, oleodutos, rotas de caminhões e outras infraestruturas em locais que podem ser vulneráveis a ataques.

Esses locais incluem a Líbia e a Península do Sinai, acrescentou a autoridade.

"Eles estão analisando ativos de petróleo na Líbia e outros lugares. Estaremos preparados", disse.

Os Estados Unidos estimaram que o Estado Islâmico estava vendendo até 40 milhões de dólares mensais de petróleo.

Fonte: Exame/Abril