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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Milionário se diz arrependido por esquema de propinas

Jogando futebol
Quando o ex-funcionário do Citigroup, Alejandro Burzaco, comprou uma participação minoritária em uma empresa de marketing esportivo argentina, em 2005, ele soube que sua nova firma vinha subornando autoridades do futebol por anos, segundo registros judiciais divulgados na segunda-feira.

Em vez de deixar a Torneos y Competencias, Burzaco escolheu pagar subornos e propinas a “várias” autoridades do futebol pelos direitos de marketing aos torneios, disse ele a um juiz dos EUA em Nova York, em novembro passado.

A transcrição da confissão de culpa de Burzaco, feita em um tribunal fechado ao público, foi divulgada na segunda-feira a pedido da Bloomberg News.

“Eu fui informado de que o acordo estava em vigor havia algum tempo”, disse Burzaco. “Eu sei que deveria ter ido embora naquele momento, mas em vez disso eu concordei em trabalhar para a Torneos e concordei em ter um papel ativo nos esquemas de propinas. Eu me arrependo da decisão. Eu estava errado”.

Burzaco, que se tornou CEO da Torneos em outubro de 2006, disse que seus pagamentos ilícitos continuaram até 2015. Ele concordou em devolver US$ 21,6 milhões.

Em sua confissão Burzaco disse que havia trabalhado durante 15 anos no Citigroup. O porta-voz do banco, Mark Costiglio, preferiu não comentar sobre Burzaco.

Transcrições reveladas

O juiz também revelou as transcrições das confissões de culpa de José Margulies, um intermediário brasileiro que admitiu o pagamento de propinas, e de Jeffrey Webb, ex-presidente da Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe, ou Concacaf, que disse que aceitou pagamentos ilícitos. Ele é natural das Ilhas Cayman.

Burzaco disse que se uniu a integrantes de outras duas empresas de marketing esportivo ao concordar em pagar dezenas de milhões de dólares em subornos a autoridades do futebol pelos direitos da Copa América Centenário, um torneio de 32 jogos programado para 10 cidades dos EUA em junho. O torneio foi organizado por autoridades da Concacaf e da Confederação Sul-americana de Futebol, a Conmebol, que aceitaram subornos.

“No fim das contas, eu decidi não pagar suborno ou propina a autoridades da Conmebol e da Concacaf em conexão com o torneio de 2016 por medo da lei”, disse Burzaco. “No entanto, eu sei que foi errado concordar com o pagamento de subornos em si”.

Burzaco declarou-se culpado por conspiração para lavagem de dinheiro, conspiração para extorsão e conspiração para fraude eletrônica. Ele foi libertado sob a fiança de US$ 20 milhões.

No total, 15 pessoas se declararam culpadas por suas atuações ao longo de uma operação americana de repressão à corrupção no futebol nas Américas. Os promotores dizem que as autoridades do futebol e executivos pagaram mais de US$ 200 milhões em subornos pelos direitos de mídia e de marketing dos torneios, em nome de países que esperavam sediar a Copa do Mundo, e pelas eleições da Fifa, o órgão que administra o esporte.

Os promotores podem pedir aos juízes a vedação das transcrições dos réus que se declaram culpados e cooperam com as investigações. O Departamento de Justiça dos EUA está investigando a atuação dos bancos na facilitação de pagamentos para lavagem de dinheiro.

Direitos comerciais

Webb, que se declarou culpado uma semana depois, admitiu que aceitou subornos pelos direitos comerciais de uma série de torneios antes e depois de sua eleição como presidente da Concacaf, em maio de 2012. Ele concordou em devolver US$ 6,7 milhões.

Margulies, que tinha 76 anos quando se declarou culpado, dois dias após Webb, admitiu que em 1986 começou a ajudar seu amigo José Hawilla, dono da Traffic, com sede no Brasil, a conseguir direitos comerciais de torneios. Essa ajuda se transformou em subornos em 1991, quando ele começou a repassar propinas da Traffic a autoridades da Conmebol, disse ele. Hawilla declarou-se culpado antes e concordou em devolver US$ 151 milhões.

“Embora eu não tenha recebido minha comissão por esses pagamentos, eu os fiz para manter minha relação com a Traffic”, disse Margulies. “Eu fiz esses pagamentos de forma regular em nome da Traffic até cerca de 2007”.

Margulies disse que também efetuou pagamentos de subornos de 2000 a 2015 em nome de uma empresa que era, originalmente, uma joint venture da Traffic com a Torneos. Posteriormente, a empresa se tornou uma joint venture da Torneos com outros investidores, disse ele. Ele recebeu comissões de 1 por cento por essas transferências de dinheiro posteriores, que passaram por bancos americanos, disse ele.

“Estou arrependido pelos problemas que causei à minha família, ao mundo do futebol e aos Estados Unidos”, disse Margulies, que foi libertado sob fiança de US$ 10 milhões. Ele concordou em devolver US$ 9,2 milhões.

Fonte: Exame

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Corrupção afasta empresas e dificulta naming rights no país

Allianz Parque, novo estádio do Palmeiras, no jogo de estreia
Desde o início das obras de sua arena na região de Itaquera, o Corinthians trabalha para a negociação dos naming rights do estádio.

Com a construção das modernas arenas no Brasil para a disputa da Copa do Mundo, esse tema entrou em pauta em outros clubes do país, todos na busca de um parceiro.

Por ser recente no mercado brasileiro, este modelo de negócio gera dúvidas nos investidores. Os recentes escândalos de corrupção no futebol também são outro entrave, afinal, quem vai querer assinar um vinculo para correr o risco de ver sua marca exposta junto a instituições com problemas na Justiça?

No exterior, os naming rights estão consolidados. Quase todos os clubes das milionárias ligas profissionais dos Estados Unidos, por exemplo, têm suas ‘casas’ batizadas com o nome de alguma empresa ou produto.

No futebol europeu, o Bayern de Munique e o Munique 1860 dividem a moderníssima Allianz Arena, marca da seguradora alemã. O Emirates Stadium, nome da empresa de aviação, nasceu para substituir o tradicional Highbury, do Arsenal.

Para os clubes, trata-se de muito dinheiro em caixa, capaz de ajudar qualquer dirigente a formar equipes competitivas.

Para as empresas, o acordo também é bom e pode ser explorado de diversas maneiras, como explica o Grupo Petrópolis, dono da cervejaria Itaipava, que dá nome para dois estádios no Brasil: Arena Fonte Nova e Arena Pernambuco, além do Paulistão.

"O acordo nos dá direito a uma série de ativações internas e uso do espaço, como camarote, lounge e arquibancada. Dessa maneira, também utilizamos o espaço para relacionamento com públicos de interesse da empresa e da marca", explica dirigentes da empresa, que, no fim de 2012, fechou um acordo para pagar anualmente R$ 10 milhões até 2022 para a exploração no nome das arenas.

"A estratégia foi boa para a introdução da marca no Nordeste, região em que inauguramos recentemente duas fábricas, em Alagoinhas (BA) e Itapissuma (PE), e que passamos por esse processo de lançamento da marca Itaipava", informa a assessoria de imprensa da empresa. Tudo vira negócio.

A primeira tentativa desse novo modelo de parceria no Brasil se deu com o Atlético-PR, com a Kyocera, em 2005. A empresa de componentes eletrônicos foi por quase quatro anos dona dos direitos de exploração do nome da Arena da Baixada, ao pagar US$ 2 milhões (R$ 5,2 milhões na cotação da época) ao ano, mas sem direito de exploração da parte interna do estádio.

APRENDIZADO - Se o modelo é novo para clubes e investidores, também é para a mídia, que vive de anunciantes e costuma ignorar o nome desses parceiros por entender que está fazendo propaganda de graça. Pior: em algumas ocasiões, vê concorrência entre o nome da arena e algum anunciante oficial.

Parceira do Palmeiras há mais de um ano, a Allianz usou toda a experiência que tem como detentora de naming rights de outros cinco estádios ao redor do mundo para ajudar na hora de negociar valores, tempo de contrato e formas de exploração da dobradinha.

O estádio do Palmeiras é chamado cada vez mais de Allianz Parque. Foi também uma boa sacada ao manter o ‘Parque’ de Parque Antártica, seu antigo nome.

Ter divulgação na mídia é um fato reforçado pelo Grupo Petrópolis.

"O mercado brasileiro ainda precisa amadurecer. Esconder o naming rights desestimula os patrocinadores e faz com que estes se decepcionem com a postura da mídia. Se os patrocinadores não investirem, as arenas ficam em dificuldades, prejudicando torcedores e clubes. Todos perdem."

Ter essa garantia para um investidor é tão importante que o Corinthians conseguiu negociar para que a Globo, detentora dos direitos de transmissão dos principais torneios do país, fale o nome de seu parceiro quando a arena for ‘batizada’.

Outra barreira de mercado enfrentada por clubes e investidores é mudar algo que já está enraizado. Como o público vai passar a chamar estádios tradicionais como Beira-Rio, Morumbi, Maracanã e Mineirão (nestes dois últimos, estádios públicos e que envolvem outro tipo de negociação), por outros nomes?

"O futebol brasileiro está quebrando paradigmas. A tendência é que as restrições em relação às tevês caiam", diz Felipe Gomes, diretor de Gestão de Mercado e Estratégia da Allianz Seguros.

Fonte:Exame/Abril