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sábado, 4 de junho de 2016

Crianças chamadas de “gordinhas” pelos pais ganham mais peso


Uma criança com sobrepeso dificilmente esquece como é ser gordinha, mesmo depois que se torna adulta.

O estigma da obesidade já é sentido desde essa fase e cria um ciclo vicioso - com medo de ser julgada ou maltratada pelos colegas, a criança gorda passa a evitar atividades físicas em geral, o que coloca sua saúde em risco.

As tentativas de proteger o corpo e a mente dos mais cheinhos têm piorado a situação. A aposta de escolas nos EUA e no Reino Unido tem sido medir a altura e o peso da criança e informar os pais caso exista sobrepeso.

Isso porque eles acreditam que os pais não percebem quando o peso do filho está acima do normal e não estabelecem uma alimentação regrada em casa.

Pesquisadores dos dois países testaram essa hipótese com 3.500 crianças de 4 anos. Ela estava metade certa: 80% dos pais de crianças acima do peso achavam que o Índice de Massa Corporal dos filhos estava normal.

Mas outros 20% tinham plena noção de que os filhos estavam gordinhos e isso não foi de muita ajuda.

O estudo acompanhou as crianças dos 4 aos 13 anos. Os participantes considerados gordos pelos pais ganharam mais peso nessa fase do que aqueles considerados normais.

Segundo os autores, a relação era tiro e queda: todas as vezes que fizeram as medições ao longo desses nove anos, a percepção dos pais quanto ao corpo dos filhos previa um ganho de peso.

A associação não tinha nada a ver com o corpo dos participantes em si, os cientistas garantem. Isso porque alguns pais achavam que seus filhos estavam com sobrepeso quando seu IMC era totalmente normal.

Ao longo dos anos, essas crianças também apresentaram ganho de peso, igualzinho àquelas que estavam realmente gordinhas.

Se o ganho de peso não é uma questão de tipo físico, os autores acreditam que as causas sejam psicológicas.

Passar pelo estigma da obesidade durante essa fase de desenvolvimento, vendo o estereotipo negativo de ser gordo espalhado pela mídia, é um dos fatores de risco para desenvolver compulsões alimentares.

A comida vira uma forma de consolo e a criança gordinha vira o adolescente obeso.

Em vez de se traduzir em uma mudança positiva de hábitos, a percepção dos pais do sobrepeso dos filhos se torna uma profecia autorealizada.

Fonte: Superinteressante

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Estudo indica que 13% da população mundial é obesa

Pessoas acima do peso se exercitando
Mais de um em cada dez adultos no mundo está obeso, ou seja, o dobro do que há 40 anos, e a proporção voltará a duplicar até 2025, revela nesta sexta-feira uma pesquisa publicada pela revista The Lancet.

O estudo alerta sobre o risco de uma crise de obesidade severa e doenças provocadas pelo excesso de gordura e açúcar nos países ricos ou de renda média, apesar de os quilos a mais afetarem principalmente as nações mais pobres.

"Haverá consequências para a saúde de magnitudes que desconhecemos", afirmou à AFP o coautor do estudo, Majid Ezzati, da Imperial College de Londres.

Dos 5 bilhões de humanos adultos vivos em 2014, 641 milhões eram obesos e em nove anos as pessoas acima do peso serão 1,1 bilhão, segundo a pesquisa.

As pessoa são divididas entre as que têm peso saudável e não saudável em função de uma escala relativa à altura denominada Índice de Massa Corporal (IMC).

Um IMC saudável vai de 18,5 a 24,9. Um IMC abaixo dos 18,5 é considerado anormalmente baixo, enquanto acima de 25 é considerado excesso de peso. Há obesidade a partir de 30 e de 35 em diante é obesidade severa. Além dos 40, é obesidade extrema com risco de vida.

Em escala mundial, entre os homens a proporção de obesos triplicou, passando de 3,2% em 1975 a 10,8% atualmente (266 milhões). Entre as mulheres, aumentou de 6,4% a 14,9% (375 milhões).

Isso equivale ao fato de que uma pessoa média vem aumentando 1,5 kg por década.

"Se a obesidade continuar aumentando neste ritmo, até 2025 aproximadamente um quinto dos homens (18%) e das mulheres (21%) serão obesos", indica em um comunicado The Lancet.

Mais de 6% dos homens e 9% das mulheres sofrerão com obesidade severa.

Cada vez mais

A proporção de pessoas excessivamente magras no mundo diminuiu menos do que cresceu a população de obesos, advertem os pesquisadores, passando de 13,8% em 1974 a 8,8% entre os homens e 14,6% a 9,7% entre as mulheres.

"Nos últimos 40 anos, passamos de um mundo em que o peso abaixo do normal era o dobro em relação à obesidade para outro em que há mais gente obesa que magra demais", indicou Ezzati.

No atual ritmo, haverá mais mulheres com obesidade severa (IMC de 35 ou mais) do que com magreza anormal, e o mundo não poderá alcançar a meta de frear a obesidade aos níveis de 2010 até 2025.

As pessoas mais obesas do mundo vivem nas ilhas da Polinésia e Micronésia, onde 38% dos homens e mais da metade das mulheres são obesos.

Cerca de um quinto dos obesos (118 milhões) vivem em seis países de altos rendimentos: Estados Unidos, Grã-Bretanha, Irlanda, Austrália, Canadá e Nova Zelândia.

Nos Estados Unidos vive um em cada quatro homens severamente obesos, e quase uma em cada cinco mulheres pertence à mesma categoria.

Até 2025, o estudo prevê que 43% das mulheres e 45% dos homens dos Estados Unidos serão obesos.

Na Europa, a Grã-Bretanha terá a proporção de mulheres obesas obesas mais elevada da Europa (38%) dentro de nove anos, seguida pela Irlanda (37%) e Malta (34%).

No outro extremo, Timor, Etiópia e Eritreia têm o IMC médio mais baixo do mundo.

"Para atender a este problema será necessário adotar políticas sociais e de alimentação que melhorem a qualidade alimentar entre os mais pobres, mas que também evite o consumo excessivo de carboidratos processados e outros alimentos não saudáveis".

Para os casos mais extremos de obesidade, a cirurgia pode ser o recurso mais eficiente.

A América Latina se encontra em valores mais próximos da normalidade, mas no geral registra um excesso de peso, com um IMC médio levemente superior ao limite de 25.

Mais de um quinto dos homens na Índia, Bangladesh, Timor, Afeganistão, Eritreia e Etiópia, e um quarto das mulheres de Bangladesh e Índia têm peso insuficiente, segundo a investigação, que arrecadou dados de 1.698 estudos realizados em um total de 19,2 milhões de adultos de 186 países, que representam 99% da população mundial.

Fonte: Exame