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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Buraco na camada de ozônio está começando a cicatrizar

Planeta Terra
Seres humanos não servem só para estragar a natureza, no fim das contas. O buraco na camada de ozônio acima da Antártida está diminuindo e os aliviados cientistas afirmam que a "culpa" é nossa: o esforço mundial para diminuir a emissão de CFC (clorofluorcarbono) na atmosfera funcionou.

Os esforços para banir os gases - que eram usados em geladeiras, desodorantes e sprays de cabelo, sem preocupação - apareceram nos anos 1970 e 1980.

Em 1987, o Protocolo de Montreal, assinado por 46 países, selou o destino do CFC. Isso porque químicos britânicos descobriram que o cloro dos sprays reagia com o ozônio da atmosfera e dissipava a camada formada pelo gás que protege o planeta dos raios UV.

Quase 30 anos depois, os cientistas finalmente podem dizer que o acordo mundial funcionou. Uma equipe liderada por Susan Solomon, do MIT, observa a camada de ozônio que cobre a região da Antártida desde 2000. Nesse período, a pesquisadora afirma que o buraco diminuiu mais de 4 milhões de km² e que já existem sinais visíveis de recuperação.

Se o progresso do buraco continuar como espera a equipe, ele deve estar completamente "curado" até 2050. Mas é difícil prever se a melhora vai ser regular.

No ano passado, as medidas também se mostravam favoráveis até que uma exceção estatística assustou os cientistas: o buraco bateu recorde de tamanho em outubro de 2015, com 28,2 km² de área.

Algum tempo depois, porém, os estudos de Solomon esclareceram o problema: a erupção do vulcão Calbuco, no Chile, aconteceu na mesma época, formando nuvens de pequenas partículas na atmosfera. Este cenário facilita a reação destrutiva entre cloro e ozônio.

Apesar deste acidente de percurso, a equipe ainda está certa de que a camada de ozônio está cicatrizando o dano causado pelos humanos - e ao menos metade da redução do tamanho do buraco está diretamente relacionada com a proibição dos sprays de CFC.

Mesmo sem novas erupções vulcânicas, a melhora ainda deve ser instável: ainda existem restos de cloro na atmosfera e, toda a vez que o clima fica frio e ensolarado, a luz e a temperatura intensificam as reações com o ozônio.

Acima de tudo, porém, o time de Solomon nos dá licença para uma salva de palmas - pelo menos por hoje, a humanidade está mais para heroína do que vilã.

Fonte: Superinteressante

sábado, 4 de junho de 2016

Este pode ser o animal vivo mais velho de todo o mundo

Esponja do Mar encontrada no Havaí
Cientistas podem ter encontrado o animal vivo mais velho da face da Terra. Você provavelmente não acertaria que tipo de animal teria o título de maior ancião do nosso planeta. Ele é uma esponja marinha gigantesca que habita águas remotas do Havaí.

A descoberta foi publicada no periódico científico National Oceanic and Atmospheric Administration. O bicho, que tem tamanho aproximado de uma minivan, foi descoberto durante uma exploração no arquipélago.

Apesar das estimativas, os pesquisadores ainda não são capazes de afirmar com precisão qual a idade da esponja. "A idade [da esponja] fica, provavelmente, na ordem de séculos a milênios", disse Daniel Wagner, um dos autores do estudo, ao jornal britânico Guardian.

Os cientistas apontam na pesquisa que outras grandes esponjas, encontradas em águas mais rasas, tinham estimativa de vida de 2.300 anos – a espécie em questão foi encontrada a cerca de 2.100 metros de profundidade.

De acordo com o estudo, o animal tem cerca de 3,5 metros de largura e mais de dois metros de altura. Ele foi descoberto há um ano no Monumento Nacional Marinho Papahanaumokuakea, a maior área de conservação marinha dos Estados Unidos, por pesquisadores que operavam um veículo a distância. "Mais de 98% da área do Monumento está a 100 metros de profundidade, ou seja, impossível para nós mergulharmos apenas de scuba", explica Wagner.

Ainda segundo o cientista, cerca de sete mil espécies marinhas vivem no local. “Só nesta expedição nós voltamos com mais de 100 novas espécies. Então, há provavelmente muitas outras coisas lá em baixo”, finaliza.

Fonte: Exame

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Ataques de tubarões podem aumentar em 2016

Tubarão
Com a chegada do verão nos Estados Unidos, um especialista prevê aumento nos ataques de tubarões em todo o mundo neste ano, superando o número recorde do ano passado.

"Devemos ter mais mordidas de tubarão que no ano passado", afirmou George Burgess, diretor do Arquivo Internacional de Ataques de Tubarão da Universidade da Flórida, em entrevista pouco antes do fim de semana em que é comemorado o Memorial Day nos Estados Unidos, feriado que marca o início oficial das férias de verão norte-americanas.

Em 2015, foram registrados 98 ataques de tubarões, com seis fatalidades, de acordo com Burgess.

Por que o aumento? Pois a população de tubarões está crescendo e se recuperando lentamente dos números baixos históricos registrados na década de 1990. A população humana também cresceu e o aumento nos termômetros encoraja mais as pessoas a nadarem nas praias, explicou Burgess.

Ainda assim, a universidade observa que os ataques fatais de tubarões, embora sejam inegavelmente trágicos, são tão pouco frequentes que os banhistas enfrentam maior risco sendo mortos em buracos de areia na praia.

Fonte: REUTERS

Descoloração ameaça futuro da Barreira de Corais australiana

Mergulhadores vistos na Grande Barreira de Corais australiana
O embranquecimento em larga escala de corais destruiu pelo menos 35% do norte e do centro da Grande Barreira de Corais australiana, disseram cientistas nesta segunda-feira, o que representa um golpe duro na atração que é considerada um Patrimônio da Humanidade e que gera cerca de 3,59 bilhões de dólares anuais para o turismo local.

Os cientistas australianos disseram que a cifra da mortalidade de corais provavelmente irá aumentar, já que parte dos 65% de corais restantes nos recifes do norte e do centro não estão se recuperando da degradação.

O levantamento põe em xeque as perspectivas de longo prazo da Grande Barreira de Corais tendo em vista a mudança climática, e os cientistas afirmaram que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pode reconsiderar sua decisão de não incluir a barreira em sua lista de locais ameaçados.

"A Austrália argumentou que os valores do Patrimônio da Humanidade estão intactos por causa da região norte, e agora, é claro, sofreu um golpe duro", disse o professor Terry Hughes, diretor do Centro de Excelência de Estudos de Recifes de Corais ARC da Universidade James Cook, no Estado de Queensland.

Em março, os cientistas australianos disseram que só sete% da Grande Barreira de Corais escapou dos estragos causados pelo descoramento, e que estão muito preocupados especialmente com os corais do recife do norte.

O embranquecimento ocorre quando a água se torna muito quente, forçando os corais a expelirem algas vivas, o que faz com que se calcifiquem e fiquem esbranquiçados.

Fonte: REUTERS

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Golfinhos conseguem conversar para resolver problemas juntos

Golfinhos
Em momentos de crise, talvez possamos aprender com os golfinhos: aparentemente os animais têm a capacidade de debater, de forma pacífica, a solução para um problema.

A conclusão é dos cientistas do Instituto Dolphin Plus, na Flórida, e da Universidade de Mississipi, que passaram os últimos meses estudando o comportamento de seis golfinhos e a relação deles com situações problemáticas.

O estudo afirma que os bichos possuem uma linguagem específica para conversar uns com os outros em situações difíceis, determinando, juntos, a melhor forma de sair delas.

Essa linguagem é composta por sons pulsantes em uma frequência que os seres humanos conseguem escutar - na prática, parece que os golfinhos estão realmente batendo papo.

Os pesquisadores partiram de uma dúvida simples: já que são tão espertos, será que os golfinhos têm a capacidade de trabalhar em equipe?

Para responder, eles colocaram comida dentro de um pote de plástico que só podia ser aberto se duas cordinhas fossem puxadas ao mesmo tempo, cada uma para uma direção diferente.

Desse modo um golfinho sozinho até conseguiria abrir o recipiente, mas, em dois, a tarefa se tornava muito mais fácil e rápida.

Em 20 dos 24 testes feitos pelos cientistas, diferentes duplas de golfinhos trabalharam tentando abrir o pote - nas 4 restantes, os animais faziam o processo sozinhos.

O resultado foi surpreendente: quando os bichos estavam resolvendo o problema em dois, eles conversavam três vezes mais do que quando estão simplesmente socializando em situações normais.

Além disso, quando um golfinho estava tentando abrir a lata sozinho, os outros ficavam assistindo - mas os bichos não conversavam tanto nessas situações. Ou seja: as conversas durante o trabalho realmente eram um debate sobre o problema.

Já se sabia que os golfinhos usam suas "falas" para localizar uns aos outros e para a interação social - inclusive com seres humanos -, e até para aprender e ensinar coisas entre si.

Mas esta é a primeira vez que os cientistas percebem que os bichos emitem sons especialmente para resolver problemas.

Agora, imagine se as pessoas conseguissem desenvolver essa capacidade...

Fonte: Exame

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Turista vítima de ataque de tubarão em Noronha chega ao Recife

Ataque aconteceu na Praia do Sueste. Foto: Teresa Maia/DP
Já está no Hospital da Restauração, no Derby, área central do Recife, o turista paranaense  de 33 anos vítima de um ataque de tubarão na Praia do Sueste, no Arquipélago de Fernando de Noronha, na tarde da segunda-feira. O turista, que já teve o antebraço amputado, tem o quadro considerado estável e passa por exames na unidade de traumas do HR.

O incidente aconteceu no final da tarde desta segunda-feira, na praia localizada no Parque Nacional Marinho, e o rapaz, que não teve a identidade revelada, foi levado por seus familiares para o Hospital São Lucas, a única unidade de saúde do da Ilha. Foi o primeiro ataque registrado em Fernando de Noronha.

O primeiro atendimento ao turista foi realizado por uma equipe médica local, em conjunto com cirurgião, ortopedista e anestesista que estavam na região a passeio. É essencial para seu quadro de saúde que seja realizada sua transferência para uma unidade de saúde que atenda casos de alta complexidade, portanto sua saída da ilha será realizada em UTI Aérea para o Hospital da Restauração, no Recife, às 5h da manhã desta terça-feira. A transferência do turista foi realizada pela a Administração da Ilha, por meio da Secretaria Estadual de Saúde, após a estabilização de seu ferimento. Não existem voos noturnos em Fernando de Noronha.

Ataques - Este foi o 61º ataque de tubarão em solo pernambucano. Já foram registradas 24 mortes por este tipo de ataque desde 1992. O último ocorreu na Praia Del Chifre, em Olinda, Região Metropolitana do Recife, e deixou ferido o surfista Diego Gomes Mota, de 23 anos. Ele foi atacado na face anterior da coxa esquerda, enquanto estava no mar com dois amigos.

Já a última morte ocorreu em julho 2013, quando a estudante paulista Bruna Silva Gobbi, de 18 anos, foi atacada na Praia de Boa Viagem enquanto nadava a cerca de 20m da faixa de areia. Ela foi mordida na coxa esquerda e, além de perder muito sangue, sofreu paradas cardiorrespiratórias durante o seu atendimento. Bruna, que morreu na noite do mesmo dia do ataque, foi levada a UPA da Imbiribeira, na Zona Sul, e posteriormente ao Hospital da Restauração (HR), no Derby, área central do Recife.

Fonte:Diário de Pernambuco

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Ciência diz que cogumelos têm o poder de fazer chover

Cogumelos
Um cogumelo típico projeta dezenas de milhares de esporos na atmosfera a cada segundo, e até uma década atrás ninguém sabia como.

Nos anos 1990 o professor de botânica Nicholas Money, da Universidade de Miami, decidiu estudar “um dos maiores mistérios sem solução da biologia fúngica”, identificado um século antes pelo micologista A.H.R. Buller, descrito por Money como o “Einstein da Micologia”.

Buller encontrou evidências de que a resposta tinha algo a ver com uma gota de líquido que se formava sobre o esporo segundos antes de ele se projetar na atmosfera.

Money e seus colaboradores desenvolveram essa teoria, usando câmeras de alta velocidade para provar que a formação e o movimento dessa gota de líquido, conhecida como gota de Buller, de fato projeto os esporos no espaço.

Eles divulgaram suas descobertas em 2005.

Um novo estudo comandado por Money e publicado na PLOS ONE na semana passada leva essas descobertas mais longe, com a sugestão de que os cogumelos podem ajudar a promover a chuva.

A pesquisa revela que em ambientes úmidos, gotas podem formar-se sobre a superfície dos esporos mesmo depois de eles terem sido lançados no ar.

Embora Money desconfiasse que esse fosse o caso, a maioria dos micologistas, supunha que o mecanismo que cria a gota deixasse de ser ativo depois de o esporo ser liberado.

No entanto, segundo o estudo, à medida que os esporos se espalham pela atmosfera, essas gotículas podem crescer até formarem gotas de chuva.

“É mais ou menos contraintuitivo, se pensarmos em outros tipos de mecanismos”, falou Money. “Se alguma coisa é disparada de um canhão, não pode ser disparada de novo. Mas neste caso os esporos podem, sim, formar água sobre sua superfície por tempo indeterminado.”

As pessoas muitas vezes atribuem propriedades místicas aos cogumelos, mas nem mesmo o cogumelo de Alice no País das Maravilhas era capaz de fazer chover.

A descoberta dos cientistas sugere que os cogumelos podem ter desenvolvido uma capacidade espantosa de cuidar deles próprios, de fato criando a água de que precisam para crescer.

Mas, como Money e seus colaboradores observam no artigo, a relação entre os cogumelos e a chuva também pode desencadear um ciclo de seca: à medida que o aquecimento global provoca estiagens, nas épocas de menos chuva, menos cogumelos vão crescer, e com menos esporos na atmosfera é possível que chova ainda menos.

“Acho que estamos enriquecendo nossa visão de como os humanos dependemos dos fungos”, falou Money.

Inevitavelmente, talvez, as pessoas perguntam aos cientistas sobre a aplicação prática das conclusões de seu estudo. Seria possível de alguma maneira aproveitar o poder dos cogumelos para salvar cultivos agrícolas e florestas?

Money acha a ideia intrigante, mas é cético.

“Acho que o mais importante que se pode tirar de um estudo como este é aumentar nosso entendimento da delicadeza das relações entre diversidade biológica e como o planeta trabalha de maneira que apoia a condição humana”, ele disse.

“Quando derrubamos florestas ou fazemos outras coisas que podem prejudicar as populações de fungos, isso não afeta apenas os fungos –em última análise, afeta o Homo sapiens também”.

Arturo Casadevall, microbiólogo da Universidade Johns Hopkins especializado em fungos, não participou do estudo. Ele concorda com Money.

“Os esporos fúngicos são extremamente prevalentes”, ele disse. “São designados pela natureza para espalhar-se por via aérea".

O reino dos fungos é um reino ignorado, mas este estudo levanta a possibilidade de os fungos serem muito mais importantes do que imaginávamos.

Fonte: Exame/Abril

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Tecnologia ajuda agroindústrias a diminuir danos ao meio ambiente

No Paraná, um sistema transforma em riqueza os resíduos poluentes da fabricação do polvilho da mandioca. Essa tecnologia vem ajudando agroindústrias a evitar danos ao meio ambiente e, mais ainda, fazendo economia e gerando renda.

O cultivo de mandioca vem ganhando espaço no Paraná. Já são mais de 170 mil hectares, especialmente na região entre o norte e o oeste do estado. Uma safra anual estimada em cerca de 4 milhões de toneladas, o que representa 17 % da produção brasileira.

A família de José Anísio Pasquini planta mandioca há duas décadas. “Na época surgiu a oportunidade de trabalhar com mandioca, porque soja na nossa região não ia, pasto também já estava difícil e aí começamos com mandioca, achando um bom negócio. A gente está aí já há 22 anos na mandioca”.

A família Pasquini planta 1.400 hectares de mandioca na região de Nova Esperança e colhem cerca de 70 toneladas ao dia.

Nessa região do Paraná, a mandioca tem tratamento de cultura nobre e se usa muita tecnologia. O plantio já é praticamente todo mecanizado.

A plantadeira leva 4 trabalhadores, que só têm que abastecer o implemento com as manivas, o caule da mandioca que é usado para a reprodução da planta. A máquina corta a maniva no tamanho certo, coloca no chão e já cobre com terra.

Também há muito cuidado na escolha das variedades. É que quase toda a produção paranaense é destinada à indústria, que precisa de matéria prima o ano todo. Como, naturalmente, a mandioca produz melhor entre os meses de maio e agosto. Para ter colheita o ano inteiro, a solução é plantar variedades com ciclos diferentes, como explica o agrônomo Aílton Vantini. “A gente usa variedades para poder fazer um escalonamento de produção. Tem mandioca que você arranca com um ano, ano e meio e dois anos. Com isso você vai ter mandioca ao longo do ano inteiro”.

O Paraná responde por quase 70% da fécula ou amido de mandioca produzido no brasil. Também chamado de polvilho, o pozinho branco, bem fininho, tem diversos usos. “A fécula tem um bom mercado tanto na indústria alimentícia como indústria papeleira, indústria química, entre outras”, explica Andrew Pasquini, gerente da indústria.

A indústria, no município de Nova Esperança, também pertence à família Pasquini. Ela processa 400 toneladas de mandioca por dia.  Para a extração da fécula, a raiz é moída e a massa tem que ser lavada para soltar o amido.
O caldo que sai da lavagem vai  para um equipamento que desidrata e seca a mistura  até virar pó.

Para aquecer a água e os secadores, a indústria precisa de calor, que nos sistemas tradicionais é gerado com a queima de madeira.

Em todo processo, desde a lavagem até a extração do amido, se usa água, muita água. Em torno de 1 milhão de litros por dia.

Cada 100 quilos de mandioca rendem, em média, 25 quilos de fécula. O que sobra é resíduo. Essa massa pode ser usada na alimentação animal, mas a água proveniente do processo, que é chamada de manipueira, é poluente. “Essa água que vem da indústria, no processo de moagem da mandioca, tem tudo o que tem dentro da raiz da mandioca. Amido solúvel, que não foi transformado em amido sólido na fécula que eles extraem, tem matéria orgânica que vem da casquinha da mandioca, tem açúcares que não foram convertidos em amido e também o cianeto. O cianeto é altamente tóxico e não pode ser liberado no meio ambiente diretamente”, explica Eduardo Ferreira, agrônomo.

Eduardo Ferreira presta serviços de licenciamento ambiental na região. Ele trabalha com diversas fecularias e explica que o cianeto é um veneno presente na mandioca industrial ou mandioca brava, como é conhecida. Ele pode causar sérios danos à saúde das pessoas e do meio ambiente.  Por isso, a manipueira e não pode ser descartada diretamente na natureza. “Se você lançar direto nos corpos de água, nos rios, você vai utilizar o oxigênio para decomposição da matéria orgânica e vai prejudicar a fauna aquática”.

Para tratar a manipueira, o sistema mais comum são lagoas, construídas em sequência.  Dentro delas, a parte sólida da mistura decanta e vai para o fundo. Com ação do sol e de bactérias presentes no ambiente, os compostos orgânicos e tóxicos vão se degradando. A água mais limpa vai passando para as outras lagoas, até alcançar o nível de pureza exigido pela legislação ambiental. Esse processo libera mal cheiro e gás metano, que vai direto para a atmosfera.  “Ele é 21 vezes mais poluente comparado ao gás carbônico”, diz Eduardo.

Para se ter ideia, uma lagoa com 5 mil metros quadrados pode produzir por ano poluição equivalente à queima de 5 milhões de litros de gasolina.

A manipueira é poluente, mas também tem uma grande capacidade de gerar energia. Foi daí que surgiu a ideia de transformar a lagoa de tratamento em um gigantesco biodigestor.

Foi o Eduardo que levou esse modelo de biodigestor para a fábrica. “A quantidade gerada é grande, a carga orgânica que ela tem, o que vai virar biogás, é grande também e a solubilidade, a taxa de decomposição, de degradação dela é muito alta. Então, você consegue com biodigestores, teoricamente pequenos, extrair 95% do potencial do biogás dessa água”, explica.

A construção do biodigestor é relativamente simples e barata. Ele é instalado sobre a primeira lagoa, que recebe a manipueira bruta, do jeito que sai da fábrica. Ela tem que ser cobertura com um plástico especial para isso, bem resistente. “Esse aqui é o polietileno de alta densidade. A garantia de fábrica é de cinco anos, mas ele pode durar até mais tempo. A gente tem locais que já tem seis, sete anos que está trabalhando tranquilo”.

Cobrindo e vendando bem a lagoa, todo o gás metano produzido pelo processo de fermentação e degradação da matéria orgânica, fica retido. Depois o gás é enviado para a indústria por uma tubulação subterrânea.  Leva em torno de 10 dias para manipueira ser transformada em gás. “A gente está produzindo 250kg de GNV por hora”.

A produção equivale a 19 botijões de gás de cozinha por hora. O suficiente para alimentar os equipamentos da indústria que aquecem a água e desidratam o amido. Com isso, a empresa praticamente eliminou a queima de lenha. “A gente gastou aproximadamente R$ 400 mil para montar toda a estrutura e a gente está tendo uma economia de aproximadamente R$ 40 mil por mês na queima da lenha na caldeira. Em 10 meses nós pagamos o  investimento e depois a gente foi tendo só o benefício”, garante Andrew.

A instalação do biodigestor não elimina a necessidade do complexo de lagoas de tratamento. Só que agora, a água que é devolvida para o rio sai muito mais limpa e em menos tempo. “Mensalmente é feita análise no laboratório, para analisar todos os parâmetros que o órgão ambiental exige para poder lançar essa água no rio. Ela entra com potencial poluidor alto, digamos 100%.  Desses 100%, 1% ou 2% é o que sobra aqui no final. Esses 2% que sobram não vai mais agredir o meio ambiente”, explica Eduardo.

Outra empresa, que tem três fecularias na região, está fazendo mais. Paulo Lopes, dono da empresa, conta que já implantou o biodigestor em todas as fábricas. “A gente gastou aproximadamente, em torno de R$ 1,2 milhão. É bastante, mas valeu a pena, porque ele trouxe uma economia bastante numerosa, mais de R$ 100 mil mensal”.

Além da geração de energia, o pessoal está aproveitando tudo o que sobra da produção da fécula.

Depois da extração do gás, nesse processo ainda sobra água e uma água muito rica em nutrientes. Por isso, ela é ideal para ser usada em sistemas de fertirrigação. “A gente tem todos os nutrientes, os macro e micros. Mas os caros, mais pesados da adubação, são nitrogênio, fósforo e potássio, que a gente tem em grande quantidade. Essa água seria interessante na própria mandioca, em pastagem, café, coqueiro. Tudo que precisa de potássio ela faz. Potássio é um dos elementos mais caros e a gente tem sobrando”.

Em um sistema integrado com a criação de gado de corte, a massa da mandioca, que fica livre do cianeto, depois do processamento, vai para o cocho alimentar os animais.  O biofertilizante é usado na adubação das pastagens. “A expectativa é jogar em torno de 350 kg de nitrogênio, 50 kg de fósforo e 400 kg de potássio. É uma excelente adubação. E a gente consegue irrigar uma área de 250 hectares com essa água”, explica Eduardo Ferreira.

Na fertirrigação, além de nutriente as plantas recebem água e o pasto fica verde e produtivo o ano todo. Inclusive no período do inverno. Neno Lopes, filho de Paulo, conta que agora também pode plantar capins mais exigentes em adubação, como a grama estrela e o thifiton. Assim, vem conseguindo aumentar a lotação dos piquetes. “A gente mantinha aqui, sem a fertirrigação, uma média de duas cabeças por hectares. Hoje com fertirrigação e mais a massa, consigo ter 10 cabeças por hectare”.

Menos poluição, menos desmatamento, integração e economia. Com tantas vantagens, hoje já existem mais de 40 biodigestores instalados em fecularias do paraná. Empresas que estão aprendendo que produzir com sustentabilidade é bom para todo mundo.

Essa tecnologia também pode ser usada por outras indústrias que produzem resíduos semelhantes aos da mandioca. Além dos quarenta biodigestores instalados no Paraná, já existem mais 20 espalhados em fecularias pelo Brasil.

Fonte:G1

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Seaworld de San Diego promete acabar com shows de baleias orcas


O parque aquático Seaworld, de San Diego, na Califórnia, anunciou que vai acabar com os shows das orcas. O anúncio veio depois de uma série de críticas à violência na captura e ao confinamento dos animais.

O grupo Seaworld tem alguns dos parques mais famosos dos Estados Unidos. Muitos brasileiros, inclusive, vão passear e ver os shows das orcas que dão piruetas na piscina. Mas a imagem desses parques ficou manchada depois que um documentário foi lançado em 2013, mostrando a crueldade na captura dos animais e na criação dessas baleias em cativeiro, o estresse que elas sofrem. Mostra, também, como uma treinadora de um desses parques foi morta por uma das baleias.

Desde que o filme saiu, muita gente vem protestando contra os parques e o número de visitantes diminuiu.

Agora, o presidente do Seaworld anunciou que o show das orcas, como é feito hoje, vai acabar. Mas só em 2017 e só no parque de San Diego. Existem outros dois, no Texas e na Flórida. O executivo também disse que o show vai ser substituído por outro espetáculo com orcas, mais focado no comportamento natural delas, com um apelo de preservação, mas não deu mais detalhes.

Para entidades que defendem os animais, o problema central continua: é criar essas baleias em cativeiro. Hoje, o Seaworld mantém 24 baleias nos tanques, somando os três parques.

Fonte:G1