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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Polícia pede prisão de ex-presidente da Samarco

Vista aérea da lama de barragens da Samarco que invadiram o Rio Doce e chegam até a costa do Espírito Santo
A Polícia Civil de Minas Gerais pediu nesta terça-feira a prisão preventiva de sete pessoas, entre elas o presidente licenciado da mineradora Samarco, pelas mortes provocadas pelo rompimento de uma barragem de contenção dessa empresa em novembro do ano passado.

O presidente licenciado da Samarco, Ricardo Vescovi, e o ex-diretor geral de Operações, Kléber Terra, estão entre os sete acusados formalmente pela polícia de homicídio qualificado por dolo eventual, além de poluição de água potável.

O acidente, que provocou o que já é considerado o maior desastre ambiental do Brasil, deixou 17 mortos e dois desaparecidos, que são considerados como falecidos pelas autoridades.

A investigação da Polícia Civil, que durou três meses, começou em 6 de novembro, um dia depois da ruptura da barragem da Samarco, controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP.

O perito Otávio Guerra concluiu que o acidente aconteceu por um colapso na estrutura devido a uma liquefação, que provocou o acúmulo de água.

A polícia explicou em entrevista coletiva que detectou erros no controle dos diques, assim como equipamentos com defeitos, o que contribuiu para o rompimento da barragem.

A Samarco enfrenta vários processos na Justiça como consequência da tragédia que atingiu o estado de Minas Gerais, sepultando vários municípios e provocando vários danos ambientais e econômicos na região.

Ontem a Justiça bloqueou R$ 500 milhões da Samarco e suas controladoras para garantir o financiamento da reconstrução da cidade de Barra Longa, uma das mais devastadas.

A sentença ordenando o bloqueio indica que a Samarco e suas controladoras deverão apresentar nos próximos 30 dias um projeto para recuperar e reparar "integralmente" todos os bens públicos e infraestruturas que foram danificadas na cidade, sobre pena de uma multa diária de R$ 500 mil.

Fonte: Exame

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Polícia Civil faz operação em escritórios da Samarco

Entrada de prédio da Samarco em Mariana, Minas Gerais. 11/11/2015
A Polícia Civil realizava nesta sexta-feira uma operação de busca em escritórios da mineradora Samarco situados em Minas Gerais, de acordo com informação da companhia, que enfrenta os desdobramentos do mortal rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração em Mariana (MG), em 2015.

Segundo a assessoria de imprensa da Samarco, os policiais civis realizavam operação nos escritórios em Belo Horizonte e Mariana. Anteriormente, a assessoria havia informado que operação policial ocorria também em Vitória (ES).

"A empresa reitera que está colaborando com o trabalho dos policiais, assim como vem fazendo desde o início das investigações das causas do acidente com a barragem de Fundão", disse a Samarco em nota.

O rompimento da barragem de rejeitos em Mariana, que ocorreu em 5 de novembro, considerado o pior desastre ambiental da história do país, gerou uma onda de lama que devastou comunidades e deixou pelo menos 17 mortos e centenas de desabrigados.

A lama também atingiu o Rio Doce, que a levou até o litoral capixaba.

A operação da Polícia Civil ocorre um dia depois de o governo de Minas Gerais divulgar que os danos socioeconômicos decorrentes do incidente resultaram em prejuízo de 1,2 bilhão de reais a cidades do Estado.

O governo federal busca reparações pelo desastre que envolveriam cerca de 20 bilhões de reais a serem pagos pela Samarco, uma joint venture da Vale com a anglo-australiana BHP Billiton.

Não foi possível obter imediatamente mais informações sobre a operação junto à Polícia Civil.

Fonte: Exame

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Samarco, Vale e BHP pedem prorrogação de depósito de R$ 2 bi

Rio Doce
A mineradora Samarco e suas controladoras - Vale e BHP Billiton - deveriam depositar nesta quarta-feira, 3, o valor de R$ 2 bilhões determinado pela Justiça, em caráter liminar, para o fundo de recuperação da bacia hidrográfica do Rio Doce.

Porém, as empresas devem entrar com uma representação, ainda nesta quarta, para solicitar a prorrogação do prazo.

As informações são da Advocacia-Geral da União (AGU), que vai analisar o pedido.

Será a segunda vez que as empresas pedem para adiar a data do depósito, inicialmente fixada para 19 de janeiro.

O valor é apenas a primeira parcela do total de R$ 20 bilhões de indenização pedidos pela União e pelos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo em ação civil pública, ajuizada ano passado.

O fundo será utilizado na recuperação do meio ambiente e na reparação dos danos socioeconômicos causados pelo 'tsunami' de lama da barragem de Fundão, em Mariana, que rompeu em 5 de novembro.

A Samarco informou que apresentou petição à Justiça Federal na segunda-feira, comprovando que as garantias já concedidas somariam R$ 2,3 bilhões, "demonstrando a desnecessidade de nova caução ou sobreposição de garantias".

Esse montante seria fruto de outros acordos e a possível justificativa para pedir, novamente, a prorrogação da data do depósito.

A mineradora afirma negociar com a AGU um acordo para que o problema seja resolvido fora da esfera judicial.

Fonte: Exame

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mariana é o maior acidente mundial com barragens em 100 anos

Rio Doce poluído pela lama do rompimento de barragens em Mariana (MG)

Queixas.com.br
O rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em novembro de 2015 - que destruiu o distrito mineiro de Bento Rodrigues - é o maior desastre do gênero da história mundial nos últimos 100 anos.

Se for considerado o volume de rejeitos despejados - 50 a 60 milhões de metros cúbicos (m³) - o acidente em Mariana (MG) equivale, praticamente, à soma dos outros dois maiores acontecimentos do tipo já registrados no mundo - ambos nas Filipinas, um em 1982, com 28 milhões de m³; e outro em 1992, com 32,2 milhões de m³ de lama.

Os dados estão presentes em estudo da Bowker Associates - consultoria de gestão de riscos relativos à construção pesada, nos Estados Unidos - em parceria com o geofisico David Chambers.

Apenas cinco acidentes com barragens de rejeitos excederam 10 milhões de m³ de lançamentos, até hoje, em todo o mundo.

Mas não é apenas nessa métrica (volume de rejeitos) que a tragédia mineira sai negativamente na frente. Em termos de distância percorrida pelos rejeitos de mineração, a lama vazada da Samarco quebra outro recorde. São 600 quilômetros (km) de trajeto seguidos pelo material, até o momento. No histórico deste tipo de acidente, em segundo lugar aparece um registro ocorrido na Bolívia, em 1996, com metade da distância do trajeto da lama, 300 quilômetros.

O ineditismo numérico continua em um terceiro quesito: o custo. O investimento necessário para reposição das perdas ocasionadas pelo desastre, no caso brasileiro, está orçado pela consultoria norte-americana em US$ 5,2 bilhões até o momento. O maior valor contabilizado com a mesma finalidade, após os anos 1990, foi de um acidente com perdas próximas a R$ 1 bilhão, na China. "Essas avaliações não levam em consideração a 'limpeza' das áreas afetadas, nem a 'correção' de danos diversos os quais os reparos podem não ser economicamente viáveis ou tecnicamente realizáveis", acrescenta o estudo da consultoria norte-americana.

"Embora os números exatos permaneçam um pouco distorcidos, a diferença de magnitude em relação a catástrofes passadas torna inequivocamente claro que o caso da Samarco é o pior registrado na história sobre essas três medidas de gravidade", pontua Lindsay Newland Bowker, coordenadora da Bowker Associates. O estudo registra, de 1915 a 2015, um total de 129 eventos com barragens - de 269 conhecidos - e projeta, em média, um acidente grave por ano no período de uma década.

Até 2015, foram registrados 70 eventos "muito graves" com barragens em todo o mundo. A classificação leva em conta o fato de esses acidentes terem ocasionado o vazamento de, no mínimo, 1 milhão de metros cúbicos de rejeitos, cada. De acordo com a pesquisa, enquanto na década que se encerra em 1965 havia sido contabilizado 6 milhões de m³ vazados em desabamentos de barragens, na década que termina em 2015, esse número saltou para 107 milhões de m³.

O estudo prevê que a década que se encerrará em 2025 registre 123 milhões de m³ de vazamentos de barragens de rejeitos. Em termos de quilometragem, também é registrada a tendência de crescimento. Na primeira década pesquisada, eram 126,7 quilômetros tomados por lama de rejeitos. Na última década, foram 722,2 quilômetros totais, já incluindo a falha da Samarco. A expectativa para os dez anos que se encerram em 2025 é de 723,5 km.

 "Todas as catástrofes na mineração são ocasionadas por erro humano e falhas ao não se seguir as melhores práticas estabelecidas, o melhor conhecimento, a melhor ciência", pondera Lindsay.

  A consultora complementa que os acidentes são, também, "falhas dos parceiros públicos"."Uma das preocupações é que o Brasil permite a utilização de barragens à montante, o método menos estável de construção, com barragens grandes. Trata-se de um desvio aos conhecimentos e práticas globalmente aceitas", explica. "No caso específico da Samarco, essa instabilidade inerente foi exacerbada por uma taxa de deposição de rejeitos e uma taxa de aumento na barragem muito superiores aos melhores padrões globais", complementa Lindsay.

O estudo lembra, ainda, outro acidente ocorrido com barragens no Brasil, em setembro de 2014, em Itabirito, também no estado de Minas Gerais. A Herculano Mineração é a responsável pela obra. Na ocasião, dois trabalhadores morreram e um desapareceu.

"As falhas da Samarco e da Herculano são apenas os dois exemplos mais recentes de um Estado que tem falhado na política nacional de mineração. Nenhuma ação foi tomada pelo governo em nível estadual ou federal para a identificar quais foram os problemas e evitar a sua manifestação com novas falhas repentinas", conclui Lindsay.

Esta semana, o subsecretário de Regularização Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, Geraldo Vítor de Abreu, em depoimento à comissão da Assembleia Legislativa do Estado que investiga o desastre da barragem de Mariana, afirmou que Minas Gerais quer proibir o sistema de alteamento de barragens à montante na unidade da Federação. Procurada pelo Portal EBC, a empresa Samarco não se manifestou, até o momento, sobre os dados apresentados pelo estudo da Bowker Associates.

Fonte: Exame

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Lama da Samarco não vai chegar a Abrolhos, diz ministra

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, divulga os dados mais recentes do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real na Amazônia Legal feito pelo Inpe
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse hoje (25) que a lama com rejeitos de minério que vazou do rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), no dia 5 deste mês, não deve chegar ao Arquipélago de Abrolhos, nem aos manguezais de Vitória (ES).

Segundo ela, tradicionalmente as correntes marítimas vão para o sul nessa época do ano e a dispersão está dentro das projeções. “Não se espera uma dispersão de 200 quilômetros (km) como imaginam”, disse.

“Estamos avaliando a dimensão do acidente para entender o comportamento [da lama] no mar. A dimensão da dispersão da pluma vai dar clareza de como isso vai impactar no mar, mas afeta os crustáceos, os microrganismos”, explicou a ministra, destacando que a concentração da lama que se deposita na foz do Rio Doce é muito grande e está causando um “impacto irreversível”.

O Arquipélago de Abrolhos localiza-se no Oceano Atlântico, no litoral sul da Bahia, a 250 km da foz do Rio Doce. Vitória está a 150 km.

A lama que escorre pelo Rio Doce atingiu o mar no domingo e, segundo o Instituto Estadual de Meio Ambiente do Espírito Santo, a última atualização aponta que ela já se deslocou 5 km ao sul, 30 km ao norte e 20 km a leste, mar adentro.

Entretanto, o deslocamento é influenciado pelas ondas e pelo vento, então pode mudar.

Izabella disse que a Bacia do Rio Doce já tinha um cenário de degradação ambiental, inclusive nas nascentes, por causa da falta de tratamento de esgoto e garimpo, e que também passa por uma das maiores secas já registradas.

“Recuperar o Rio Doce é possível em um compromisso de longo prazo. Já tínhamos um quadro grave, e agora um quadro crítico. Levará tempo, mas teremos que fazê-lo. Não dá pra abrir mão do Rio Doce, façamos desse desastre um exemplo de recuperação ambiental nesse país”, disse.

A multa de R$ 250 milhões aplicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis à Samarco será recolhida ao Tesouro Nacional, mas deve constituir um fundo independente, segundo a ministra, para ser aplicado na revitalização do rio. “Até segunda-feira a multa ainda não tinha sido paga”, disse Izabella.

A ministra participou nessa quarta-feira do programa Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República em parceria com a EBC Serviços.

Fonte: Exame/Abril