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segunda-feira, 4 de julho de 2016

Brasil testa robô que remove câncer de útero com uma incisão

Representação de célula cancerígena
Na quarta-feira, o Brasil testou, de forma pioneira, uma técnica minimamente invasiva no tratamento do câncer de colo de útero. Pela primeira vez nas Américas, a cirurgia de remoção do tumor e dos órgãos afetados pela doença foi feita com o auxílio de um robô por meio de uma única incisão no abdome da paciente.

Batizada de single-port ou single-site (entrada única), a cirurgia permite que o cirurgião faça todo o procedimento inserindo uma câmera e duas pinças do robô em uma incisão de apenas 2,5 centímetros feita no umbigo da paciente. Tradicionalmente, a cirurgia robótica exige pelo menos cinco incisões na barriga da paciente, uma para a inserção de cada instrumento.

"A cirurgia robótica, por si só, já tem mais benefícios do que a videolaparoscopia porque nos dá mais precisão no procedimento. O grande diferencial do robô é a visão em três dimensões, que dá noção de profundidade. Tudo isso com uma câmera Full HD que aumenta em até 20 vezes o local operado e pinças capazes de fazer mais movimentos do que a mão humana", explica Alexandre Silva e Silva, oncoginecologista do Centro de Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, onde a cirurgia foi feita.

"Essa precisão diminui o risco de, durante a cirurgia, lesarmos nervos e grandes vasos localizados próximos dos órgãos que devem ser removidos", diz o cirurgião.

Em relação aos benefícios da técnica de incisão única, o especialista ressalta que é um método pouco invasivo e evita a criação de inúmeras cicatrizes no abdome da mulher. Ele propicia ainda rápida recuperação da paciente.

Na operação feita na última quarta-feira, em uma mulher de 41 anos com tumor em estágio inicial, foram retirados o útero, as trompas e os gânglios linfáticos. Todo o material operado foi removido do corpo pelo canal vaginal.

Alta com rapidez

A cirurgia teve duração de quase sete horas e contou com cinco profissionais. Além de Silva, responsável pelo controle do robô e, portanto, pela operação da paciente, participaram dois médicos assistentes, um anestesista e uma instrumentadora.

Apesar da complexidade da técnica, a paciente teve alta no dia seguinte e já estará liberada para fazer atividades corriqueiras, como dirigir, sete dias depois da operação.

O treinamento para o controle de robôs para esse tipo de cirurgia só é oferecido fora do país e custa cerca de US$ 30 mil. Para ser capaz de aplicar a técnica, Silva passou por um treinamento em Atlanta, nos Estados Unidos, em maio.

A experiência deverá ser relatada pela equipe do Hospital Oswaldo Cruz em periódicos científicos nacionais e internacionais. "É uma técnica que ainda não foi tão difundida porque tanto o treinamento quanto os equipamentos são muito caros e complexos", diz.

Indicação

O médico ressalta, no entanto, que as cirurgias para o tratamento de câncer de colo de útero - tanto as técnicas tradicionais quanto as robóticas - são indicadas apenas para pacientes com tumores iniciais.

Para os casos em que a doença está mais avançada, o tratamento preferencial costuma ser feito com base em quimioterapia e radioterapia.

Fonte: Estadão Conteúdo

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Estudo elucida bactérias resistentes a antibióticos

Utilização inadequada de antibióticos contribui para o quadro de bactérias multirresistentes
A formação do biofilme bacteriano é um dos maiores problemas nas infecções. Isso ocorre quando, respondendo a uma condição ambiental adversa (excesso de temperatura, falta de nutrientes, alteração de pH, presença de antibióticos etc.), as bactérias mudam radicalmente seu modo de vida: deixam de se comportar como seres unicelulares, nadando livremente no meio, e formam uma grande colônia, com os indivíduos aderindo a uma superfície, ligando-se uns aos outros e produzindo uma matriz extracelular protetora, composta principalmente por açúcares.

Esse biofilme, que tende a crescer, é extremamente resistente a antibióticos, aumenta a toxicidade dos patógenos e leva a infecção a um estágio crônico.

Por isso, a compreensão do mecanismo que faz as bactérias transitarem do modo livre e nadante para o modo de biofilme constitui um tema atualíssimo da microbiologia.

Uma grande quantidade de pesquisa foi direcionada ao tema ao longo da última década.

Um estudo realizado por uma colaboração internacional de especialistas, sob a coordenação do brasileiro Marcos Vicente de Albuquerque Salles Navarro, acaba de dar importante contribuição para a elucidação desse mecanismo.

Artigo a respeito foi publicado pelos pesquisadores no jornal PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America): “Mechanistic insights into c-di-GMP– dependent control of the biofilm regulator FleQ from Pseudomonas aeruginosa” .

Navarro é professor do Departamento de Física e Ciência Interdisciplinar do Instituto de Física de São Carlos, da Universidade de São Paulo.

E recebeu auxílio da FAPESP, na modalidade Apoio a Jovens Pesquisadores, com a pesquisa “Estudos estruturais e funcionais de proteínas envolvidas em vias de sinalização celular mediadas por c-di-GMP”.

Em muitos patógenos – tal é o caso da bactéria Pseudomonas aeruginosa, enfocada no estudo – o processo de transição da forma livre e nadante para a forma de biofilme é orquestrado pelo nucleotídeo c-di-GMP, diguanilato monofosfato cíclico, formado no interior das bactérias a partir de algum estímulo externo.

O c-di-GMP é a molécula sinalizadora envolvida em diversos processos fisiológicos, entre eles o controle da expressão gênica na transição entre estilos de vida.

“Flutuações nos níveis intracelulares de c-di-GMP fazem com que as bactérias desliguem os genes responsáveis pela produção do flagelo [a estrutura proteica em forma de cauda que possibilita a esses seres unicelulares nadarem no meio líquido] e liguem os genes responsáveis pela produção da matriz extracelular de polissacarídeos [que envolve e protege a colônia bacteriana]”, disse Navarro à Agência FAPESP.

Esse processo já era conhecido pela comunidade especializada e reportado na literatura. A novidade trazida pelo estudo foi esclarecer o papel de uma proteína específica, a FleQ, no mecanismo de funcionamento do c-di-GMP. “A FleQ é uma proteína-chave na transição entre as duas formas de vida bacteriana.

Ela é receptora do c-di-GMP. E, ao interagir com ele, inibe a expressão da biossíntese flagelar e promove a expressão da biossíntese polissacarídea. O que fizemos foi descrever exatamente como isso acontece”, afirmou o pesquisador.

A FleQ é chamada de “fator de transcrição” por ser uma molécula auxiliar no processo de transcrição do DNA no RNA mensageiro.

Esses fatores de transcrição ligam-se a regiões específicas do DNA e, uma vez ligados, recrutam toda a maquinaria encarregada da transcrição para aquele ponto específico.

Ali, a maquinaria lê os genes do DNA que serão transcritos no RNA e, posteriormente, serão traduzidos em proteínas.

“Em condições de baixas concentrações de c-di-GMP, a FleQ apresenta-se como uma proteína hexamérica. Ou seja, os milhares de átomos que a compõem interagem uns com os outros formando um arranjo hexagonal ou hexâmero. Essa estrutura complexa se liga a duas regiões específicas do DNA, promovendo a transcrição dos genes responsáveis pela formação do flagelo e inibindo a transcrição dos genes responsáveis pela formação da matriz polissacarídea. Assim, suscitam nas bactérias o modo de vida livre e nadante”, detalhou Navarro.

“Porém, quando interage com o c-di-GMP, a FleQ muda completamente sua forma espacial, passando de um hexâmero a uma dupla de trímeros. Nesta nova conformação, ela se torna incapaz de ativar a transcrição dos genes do flagelo e passa a ativar a transcrição dos genes da matriz polissacarídea. Demonstramos rigorosamente esse processo em nível molecular”, prosseguiu.

Para descobrir tudo isso, os pesquisadores utilizaram vários métodos físicos – como a cristalografia de raios X – que permitiram determinar a estrutura espacial da molécula da proteína FleQ e a enorme mudança que essa estrutura sofre na presença do c-di-GMP.

Além disso, produziram mutantes da molécula para investigar como alterações pontuais influíam na atividade da proteína.

“Fizemos um estudo completo in vitro.E complementamos esse estudo com uma investigação funcional in vivo, observando como essas variantes da proteína atuavam na bactéria”, resumiu Navarro.

O pesquisador classifica seu estudo como ciência básica. Mas o horizonte de aplicação é evidente.

O entendimento do mecanismo de atuação do c-di-GMP é um tema emergente em microbiologia devido à procura de novos meios de combate aos processos infecciosos, novos antibióticos, novos adjuvantes, especialmente no contexto atual, de altíssima disseminação de cepas bacterianas multirresistentes.

Está provado que, interferindo nas vias de sinalização que promovem a formação do biofilme, é possível tornar as bactérias muito mais suscetíveis. E há um novo boom de pesquisas na área.

Fonte: Agência FAPESP

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Empresa de biotecnologia tentará ressuscitar 20 mortos

Zumbi de The Walking Dead
Uma empresa de biotecnologia tenta fazer algo cientificamente ousado: ressuscitar 20 pessoas clinicamente mortas. Chamada Bioquark, a companhia da Filadélfia obteve aprovações éticas das entidades de saúde dos Estados Unidos e da Índia para o seu projeto.

A ideia não é dar vida nova a pessoas que faleceram, mas às que hoje vivem somente com o auxílio de aparelhos médicos e não podem viver de maneira independente.

De acordo com Ira Pastor, CEO da Bioquark, este é o primeiro experimento científico do gênero e seus resultados podem representar mais um passo em direção à – talvez possível – reversão da morte dos humanos.

"Para realizar uma iniciativa tão complexa quanto esta, vamos combinar ferramentas de medicina biológica com outros aparelhos médicos existentes usados para a estimulação do sistema nervoso central, em pacientes que apresentam outros problemas severos de falta de consciência", afirma Pastor.

A companhia americana vai aplicar células-tronco, estimulação nervosa e outros tratamentos em pessoas que sofreram sérios traumas cerebrais.

A iniciativa se apoia em estudos científicos recentes que mostraram existir fluxo sanguíneo e atividade elétrica após a morte de uma célula cerebral, porém em quantidade insuficiente.

A equipem médica da Bioquark espera ver evidências de regeneração na medula espinhal superior e no ritmo cardíaco dos pacientes após as seis semanas de seus primeiros testes com 20 pessoas.

Numa visão futurística, o tratamento pode trazer humanos de volta à vida depois de sofrerem fortes traumas na cabeça.

Alguns peixes e anfíbios podem regenerar partes de seus cérebros após ferimentos graves e a ideia da Bioquark é trazer isso para a humanidade, após um período de pesquisa ainda sem estimativa de conclusão.

"Salvar partes individuais pode ser de grande ajuda, mas é um longo caminho até que seja viável ressuscitar um cérebro totalmente, de maneira funcional, em um estado sem danos", declarou Pastor, segundo o Telegraph.

Fonte: Exame

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Luvas traduzem linguagem de sinais em tempo real

Luvas que traduzem linguagem de sinais
A inclusão social tem sido turbinada pela tecnologia. Este ano, por exemplo, o Facebook disponibilizou uma função que descreve fotos para cegos, e rolou um workshop para ajudar crianças a criar próteses usando impressoras 3D.

Agora, chegou a vez de pessoas com dificuldades auditivas ou de fala, que usam a linguagem de sinais para a comunicação.

Com as luvas SignAloud, os sinais são reconhecidos e traduzidos automaticamente em linguagem falada e escrita- e em tempo real, como qualquer outro tradutor online.

O projeto SignAloud - que pode ser traduzido como "sinais em volume alto" - tem um funcionamento simples: as luvas têm sensores de movimento supersensíveis, que captam os diferentes gestos realizados pela pessoa.

Os dados colhidos ali são enviados, via Bluetooth, para um computador, que analisa os sinais a partir de uma base de dados.

Quando a máquina encontra um sinal correspondente, ela o traduz em palavras, que aparecem na tela e são "faladas" pelo computador, em uma velocidade parecida com a de uma conversa normal.

Além de úteis, as luvas são práticas, discretas, e confortáveis, e podem ser usadas no dia a dia sem parecerem uma roupa robótica esquisita.

As SignAloud foram criadas pelos estudantes Navid Azodi e Thomas Pryor, da Universidade de Washington, que usaram o tempo livre entre as aulas e os equipamentos fornecidos pela própria faculdade para levar o projeto adiante.

O esforço foi recompensado: eles ficaram em primeiro lugar no prêmio Lemelson, do MIT, que premia as melhores invenções tecnológicas de jovens dos Estados Unidos. Azodi e Pryor receberam US$ 10 mil para aperfeiçoar o projeto - e mais 15 mil cada.

O dinheiro, dizem os dois, será usado para adaptar as luvas para outras linguagens de sinais do mundo, já que o protótipo que rendeu o Lemelson aos estudantes só funciona para a linguagem de sinais americana, a ASL, e cada país tem a sua linguagem correspondente - a do Brasil, por exemplo, se chama Libras (Linguagem Brasileira de Sinais).

Os jovens também pretendem melhorar a base de dados, diminuindo erros de contexto - você sabe, como aqueles que acontecem quando o Google traduz uma frase literalmente e o significado fica esquisito.

Outra ideia é que as SignAloud possam ser usadas em hospitais, para monitorar movimentos de pacientes que sofreram derrame ou algum acidente que prejudique os movimentos.

Assista os dois testando as luvas:

Fonte: Exame

Biossensor detecta moléculas ligadas a câncer e mais doenças

Biossensor portátil e de baixo custo foi desenvolvido por pesquisadores do Laboratório Nacional de Nanotecnologia
Um biossensor desenvolvido por pesquisadores do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), em Campinas, mostrou-se capaz de detectar moléculas relacionadas a doenças neurodegenerativas e alguns tipos de câncer.

Trata-se de um dispositivo eletrônico manufaturado sobre uma plataforma de vidro.

Nele, um transistor é formado por uma camada orgânica em escala nanométrica, contendo o peptídeo glutationa reduzida (GSH), que reage de maneira específica quando em contato com a enzima glutationa S-transferase (GST), relacionada a doenças como Parkinson, Alzheimer e câncer de mama, entre outras.

A reação GSH-GST é detectada pelo transistor e pode ser utilizada no diagnóstico.

O biossensor foi desenvolvido no âmbito do Projeto Temático "Desenvolvimento de novos materiais estratégicos para dispositivos analíticos integrados", realizado com o apoio da FAPESP, que reúne pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento em torno da tecnologia dos dispositivos point of care, sistemas de teste simples executados junto ao paciente.

“Utilizando plataformas como esta, doenças complexas poderão ser diagnosticadas de forma rápida, segura e relativamente barata, uma vez que a tecnologia utiliza sistemas em escala nanométrica para identificar as moléculas de interesse no material analisado”, explica Carlos Cesar Bof Bufon, coordenador do Laboratório de Dispositivos e Sistemas Funcionais (DSF) do LNNano e pesquisador associado ao projeto coordenado pelo professor Lauro Kubota, do Instituto de Química da Unicamp.

Além da portabilidade e do baixo custo, Bufon destaca como vantagem do biossensor em escala nanométrica a sensibilidade com que o dispositivo detecta as moléculas.

“Pela primeira vez a tecnologia de um transistor orgânico é utilizada para detecção do par GSH-GST, visando diagnosticar doenças degenerativas, por exemplo. Isso possibilitará a detecção de tais moléculas mesmo presentes em baixas concentrações no material examinado, uma vez que as reações são detectadas em escala nanométrica, ou seja, de milionésimos de milímetros.”

O sistema pode ser adaptado para detecção de outras substâncias, como moléculas relacionadas a diferentes doenças e elementos presentes em material contaminado, entre outras aplicações.

Para isso, alteram-se as moléculas incorporadas no sensor, que reagirão na presença dos componentes químicos que são alvo de análise no ensaio, chamados de analitos.

“O DSF do LNNano tem desenvolvido uma variedade de plataformas para sensoriamento químico, físico e biológico voltadas a setores estratégicos nacionais e internacionais, incluindo saúde, meio ambiente e energia”, diz Bufon.

O objetivo, conta o pesquisador, é “ter em mãos uma série de soluções em dispositivos point of care para responder com agilidade a uma série de demandas”. Por exemplo, surtos de doenças ou análise de analitos contaminantes, como o chumbo e toxinas em amostras de água.

A pesquisa que levou ao desenvolvimento do biossensor para detecção de moléculas relacionadas a doenças neurodegenerativas e a alguns tipos de câncer foi relatada no artigo Water-gated phthalocyanine transistors: Operation and transduction of the peptide–enzyme interaction, publicado na revista Organic Electronics, e está disponível no endereço em www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1566119916300416.

O trabalho é de autoria dos pesquisadores Rafael Furlan de Oliveira, Leandro das Mercês Silva e Tatiana Parra Vello, sob a coordenação de Bufon, todos do DSF do LNNano.

Do vidro ao papel

Com o objetivo de reduzir ainda mais os custos, melhorar a portabilidade dos biossensores desenvolvidos e facilitar seu processo de manufatura e descarte, o grupo vem trabalhando em sistemas de detecção de substâncias em plataformas de papel.

“O papel, enquanto plataforma para a fabricação de dispositivos analíticos, apresenta uma série de vantagens por se tratar de um polímero natural, amplamente disponível em todo o mundo, leve, biodegradável, portátil e dobrável”, diz Bufon.

O desafio é converter um material isolante, caso do papel, em condutor. Para isso, o pesquisador desenvolveu uma técnica que possibilita impregnar nas fibras de celulose polímeros com propriedades condutoras, tornando-o capaz de conduzir eletricidade e transmitir informações de um ponto a outro e permitindo atribuir a ele a função de um sistema para sensoriamento.

“A técnica é baseada na síntese in situ de polímeros condutores. Para que esses polímeros não fiquem retidos na superfície do papel, é necessário que eles sejam sintetizados dentro dos poros da fibra de celulose e entre eles.

Para isso, o processo é feito por meio de uma rota de polimerização química a vapor: um agente oxidante líquido é incorporado ao papel, que, em seguida, é exposto aos monômeros (pequenas moléculas capazes de se ligarem a outras) na fase de vapor.

Ao evaporarem sob o papel, os monômeros entram na fibra em escala submicrométrica, penetrando entre os poros, onde encontram o agente oxidante e iniciam o processo de polimerização ali mesmo, impregnando todo o material”, explica.

Ainda de acordo com o pesquisador, “é como tentar encher uma sala com balões; se eles não passam pela porta cheios de ar, uma alternativa é enchê-los lá dentro”.

Uma vez impregnado pelos polímeros, o papel passa a ter as propriedades condutoras deles.

Essa condutividade pode ser ajustada dependendo da aplicação que se queira dar ao papel, manipulando-se o elemento que é incorporado à fibra de celulose.

Dessa forma, o dispositivo pode ser condutor de corrente elétrica, levando-a de um ponto a outro sem grandes perdas (imagine antenas de papel, por exemplo), ou semicondutor, interagindo com moléculas específicas e funcionando como sensor físico, químico ou eletroquímico.

Fonte: Exame

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Novo dispositivo pode detectar câncer de mama pela saliva

Câncer de mama
A detecção do câncer de mama cedo favorece seu tratamento, por isso que uma equipe do Centro Tecnológico de Monterrey (México) desenvolve um dispositivo para facilitar este processo através da saliva.

Através do sensor incorporado em um filme ultrafino -de cerca de dois mícrons de espessura e dez milímetros de comprimento-, o dispositivo é capaz de detectar uma proteína conhecida como Cerb-b2.

Esta proteína, que se localiza na saliva, é desenvolvida por "um grupo muito amplo de mulheres" que apresentam câncer de mama nos períodos iniciais, explica à Agência Efe o responsável da pesquisa, o médico Joaquín Esteban Oseguera Peña.

A grande vantagem deste método é que antecipa a detecção da doença mesmo em mulheres que realizam auto-exame, já que a prova funciona quando o tumor é medido em mícrons -com um tamanho mil vezes menor do que quando pode ser detectado manualmente.

A Cerb-b2 aparece em, aproximadamente, 98% das mulheres com câncer de mama.

Com este aparelho "imediatamente poderia ser decidido se há esta proteína e, em consequência, quais são as probabilidades de que a pessoa esteja desenvolvendo câncer de mama", afirmou Oseguera, que lidera um grupo de pesquisa de oito pessoas no campus do Estado do México da instituição universitária.

"A ideia fundamental -continua o médico- é que o dispositivo possa ser acessível a todo o público, sobretudo em lugares afastados ou de difícil acesso para equipes mais sofisticadas".

Segundo o médico, é "provável" que a ideia de um dispositivo como este possa se estender a outros tipos de câncer vinculados com outras proteínas, embora seja necessitaria "fundamentá-lo com estudos".

Por enquanto, a equipe de pesquisa entrou em contato "só em nível preliminar" com alguns hospitais públicos da área, e em aproximadamente um ano terá constituído todo o desenvolvimento adicional que permitirá realizar testes com pacientes.

Fonte: Exame

quarta-feira, 9 de março de 2016

Ruas da França poderão ser iluminadas por bactérias

Glowee - bacteria - energia - luz
É essa a promessa da empresa francesa Glowee, que pretende começar a comercializar a novidade no ano que vem.

Trata-se de um gel que contém nutrientes, conservantes e a bactéria Aliivibrio fischeri, que normalmente vive na pele de animais marinhos capazes de brilhar no escuro, como certas espécies de polvos e algas.

A empresa diz ter criado um processo para produzir essa bactéria em grande quantidade, e inventado uma maneira de fazê-la sobreviver, no gel especial, por até três dias - durante os quais ela brilha por meio de um fenômeno natural chamado bioluminescência (reação química por meio da qual seres vivos podem produzir luz).

A ideia é aplicar o gel com as bactérias em prédios e vitrines de loja, onde sua luz esverdeada certamente chamaria a atenção - e também driblaria a legislação francesa, que proibe vitrines acesas durante a madrugada.

As bactérias funcionariam como luz decorativa e auxiliar, não como fonte principal de iluminação pública.

Mesmo assim, entre os investidores da Glowee está a estatal EDF, que controla 95% das redes elétricas da França.

Fonte: Exame

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Empresa francesa anuncia 1º implante de retina artificial

Engenheiro da startup francesa Pixium Vision mostra retina artificial, dia 04/02/2016
A companhia francesa Pixium Vision, que desenvolve sistemas para a recuperação da visão, anunciou nesta quarta-feira que realizou com sucesso um primeiro implante de sua retina artificial Iris II, que deve ser comercializada na Europa a partir de meados de 2016.

A Iris II oferece esperanças aos pacientes que perderam a visão por causa da retinite pigmentária, uma patologia da retina hereditária e degenerativa.

Com 150 eletrodos, três vezes mais que seu protótipo Iris 1, estimula artificialmente a retina defeituosa e restaura parcialmente a visão para capturar formas e movimentos.

"Esta novidade mundial, realizada em um paciente de 58 anos, transcorreu com êxito", declarou em um comunicado o professor Michel Weber, chefe do serviço de oftalmologia do Centro Hospitalar Universitário (CHU) de Nantes, oeste da França, onde foi realizado o implante em janeiro.

Depois de vários anos de escuridão, o paciente agora percebe luzes e começará um processo de reeducação.

Depois de ter implantado o Iris I em oito pacientes, mais dez receberão este novo modelo em vários centros especializados na Europa como parte do teste clínico, anunciou ainda a Pixium Vision.

Além dos implantes, a pesquisa médica da empresa também explora a terapia genética e celular para restaurar a visão.

Fonte:Exame

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Doctors 3D-print 'living' body parts

Printed ear
The sections of bone, muscle and cartilage all functioned normally when implanted into animals.

The breakthrough, published in Nature Biotechnology, raises the hope of using living tissues to repair the body.

Experts described the technology, developed in the US, as a "goose that really does lay golden eggs".

The idea of placing individual human cells in a precise pattern to replace a damaged jaw, missing ear or scarred heart muscle holds much promise.

But the field has been limited by the huge challenge of keeping the cells alive - they become starved of oxygen and nutrients in tissues thicker than 0.2 millimetres.

Sponge

The team at Wake Forest Baptist Medical Centre developed a new technique that 3D-prints a tissue riddled with micro-channels, rather like a sponge, to allow nutrients to penetrate the tissue.
3D printer
The Integrated Tissue and Organ Printing System - or Itop - combines a bio-degradeable plastic which gives the structure and a water-based gel which contains the cells and encourages them to grow.

When the structures were implanted into animals, the plastic broke down as it was replaced by a natural, structural "matrix" of proteins produced by the cells.

Meanwhile, blood vessels and nerves grew into the implants.

Prof Anthony Atala, the lead researcher, said tissues could now be printed on a human scale.

While the implants have the same strength as human tissues, the researchers are now waiting to see how durable they are.

But Prof Atala said 3D printing was opening new doors for medicine.

He told the BBC News website: "Let's say a patient presented with an injury to their jaw bone and there's a segment missing.
"We'd bring the patient in, do the imaging and then we would take the imaging data and transfer it through our software to drive the printer to create a piece of jawbone that would fit precisely in the patient."
Broken jaw
Replacement jaw
Similar techniques in which the biodegradable scaffolding is built first and then soaked in cells are already being used in patients.

Women were given lab-grown vaginas at the Wake Forest centre two years ago, but the range of treatments is again limited by keeping the cells alive.

Prof Atala added: "In this study we printed a wide range of tissue strengths - from muscles as a soft tissue to cartilage and bone as a hard tissue showing a whole range of tissue strengths is possible.
"The hope is to continue work on these technologies to target other humans tissues as well."

And ultimately they aim to print directly into a patient.

'Golden goose'

Prof Martin Birchall, a surgeon at University College London, said the results were "striking".

He told the BBC: "The prospect of printing human tissues and organs for implantation has been a real one for some time, but I confess I did not expect to see such rapid progress.

"They have managed to create what appears to be the goose that really does lay golden eggs!"
He cautioned there was still more research to be done before the printer could be used in patients.

But he concluded: "Given the scale of this breakthrough, progress in other fields, the resources available to the researchers at Wake Forest and the imperatives for human health, I think it will be less than a decade before surgeons like me are trialling customised printed organs and tissues. I can't wait!"

Source: BBC

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Japoneses criam 1ª prótese de língua capaz de se movimentar

Dentista examina dentes e boca de um paciente em uma consulta
Uma equipe de dentistas japoneses da Universidade de Okayama desenvolveu a primeira próteses de língua capaz de se movimentar para pessoas que passaram por um câncer de boca e tiveram problemas de fala, informou nesta segunda-feira o diário "The Japan Times".

A prótese é feita de resina, de modo que o paciente possa movimentá-la de cima para baixo, e se conecta aos dentes inferiores graças a um arame.

Os usuários controlam o dispositivo através do empurrão da base da língua, o que lhes permite fazer contato com o paladar e falar, algo que até agora as pessoas que sofreram uma extirpação neste órgão não podiam fazer.

O líder da equipe de pesquisadores, o dentista Shogo Minagi, afirmou ao "The Japan Times" que o desenvolvimento desta prótese é uma "boa notícia para as vítimas de câncer oral", e explicou que iniciou a pesquisa incentivado por um colega que teve a doença.

Ele afirmou que espera que esta criação, que por enquanto está sendo testada em quatro pacientes, chegue a mais afetados pelo câncer de boca.

"Usamos materiais amplamente utilizados previamente, portanto qualquer consultório poderia realizar este tipo de procedimento. Gostaríamos de compartilhar nosso conhecimento sobre este dispositivo com as clínicas odontológicas do país para ajudar o maior número possível de pessoas", concluiu Minagi, que não especificou se o produto será desenvolvido no futuro para pacientes de fora do Japão.

Fonte: Exame

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Implante cerebral poderá devolver visão e audição

Interface cérebro-máquina
A Darpa, divisão de pesquisas de tecnologias de defesa do exército dos Estados Unidos, anunciou nesta semana um projeto que visa a criação de um implante que permitirá que o cérebro se comunique com máquinas, algo como uma telepatia entre humanos e computadores.

Chamado NESD (Neural Engineering System Design), o dispositivo teria o tamanho aproximado de um dado e teria também aplicações para a saúde. Por exemplo, a integração do cérebro com máquinas em tempo real pode ajudar a criar melhores soluções compensatórias para pessoas com problemas de visão e audição.

O NESD poderia transmitir informações como áudio e vídeo – este último chegaria em uma resolução mais alta do que a encontrada em televisores com telas 4K disponíveis no mercado atualmente.

Como indica o The Next Web, há uma série de aplicações possíveis para um implante como este que a Darpa trabalha para viabilizar. Daria para fazer pesquisas instantâneas no Google, conversar com amigos ou mesmo receber orientações para chegar a um determinado destino.

Nos próximos quatro anos, a Darpa vai investir 60 milhões de dólares no projeto NESD.

As interfaces neurais que existem hoje tentam enviar uma série de informações por meio de 100 canais, cada um reunindo dezenas de milhares de neurônios por vez. O projeto da Darpa se propõe a ser mais organizado e a gerar menos ruído na comunicação. A ideia é que o implante possa trocar dados de forma clara e individual com qualquer neurônio – porém, com limite de 1 milhão – em uma determina área do cérebro humano.

No entanto, para que esse implante neural seja viável, a Darpa deixa claro que serão necessárias algumas descobertas em diversas disciplinas, como neurociência, biologia sintética, sistemas de engenharia, eletrônicos de baixo consumo e provas clínicas.

Por conta disso, o órgão não estabelece uma data para que essa interface homem-máquina seja criada. Por outro lado, diversos especialistas nesses campos serão contratados para trabalhar no projeto, que pode ajudar a criar soldados conectados, bem como oferecer soluções melhores para problemas auditivos e visuais de civis.

Fonte: Exame