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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Microsoft consegue armazenar vídeos e livros em DNA humano

No futuro, talvez você não precise de um pen drive para salvar seus arquivos, mas apenas do seu DNA. A Microsoft conseguiu escrever cerca de 200 MB de dados na estrutura de um DNA. Entre as informações estavam 100 clássicos da literatura e um vídeo da banda americana OK Go.

Está é a maior quantidade de dados já gravados em um DNA. O recorde anterior, estabelecido em junho deste ano, era de 22 MB. “É mil vezes mais do havia sido feito no ano passado. Apenas demonstrar que podemos ampliar nossos métodos, já é algo muito importante”, disse Luis Ceze, professor da Universidade de Washington (instituição parceira da Microsoft) ao site Mashable.

Uma das vantagens do DNA é que, em teoria, ele pode guardar enormes quantidades de informação. Karin Strauss, pesquisadora-chefe da Microsoft, disse em entrevista para o MIT Technology Review que estima que uma caixa de sapatos cheia de DNA poderia deter o equivalente a 100 centros de dados gigantes.

Além disso, se mantido em um local fresco e seco, a estrutura pode manter os dados por até milhares de anos. Para vias de comparação, a fita magnética utilizada para guardar arquivos por longos períodos de tempo duram algumas décadas.

O motivo para realizar o projeto, segundo Strauss, está relacionado ao fato de que tecnologia de armazenamento não está evoluindo na mesma velocidade que a quantidade de dados cresce.

Mas o que está nessa fita de DNA? Além dos livros e do vídeo, também foram armazenadas cópias da Declaração Universal de Direitos Humanos em várias línguas e o banco de dados da Crop Trust, um órgão que protege a diversidade de cultivos.

Aliás, os pesquisadores colocaram o clipe musical, pois “eles [a banda] são inovadores e estão trazendo diferentes coisas de áreas distintas para a sua área, e nós sentimos que estamos fazendo algo similar”. Veja o vídeo da música abaixo:


Como o armazenamento foi feito

Você lembra quando o professor de biologia explicou que cada cadeia de DNA é constituída por um padrão repetido de quatro bases químicas: adenina (A), citosina (C), guanina (G) e timina (T)? Para tornar os dados compatíveis com o DNA, os pesquisadores precisaram converter os 1s e 0s de arquivos digitais binários para essas letras: ACGT.

A segunda parte do armazenamento foi feita com a ajuda da empresa Twist Bioscience. Os cientistas converteram os dados recém-mapeados em DNA sintético. Ceze explica que o DNA natural já é um dispositivo de armazenamento, afinal ele é usado para guardar as informações sobre os genes. “Nós estamos apenas mapeando um tipo diferente de dado na estrutura.”

Para tornar possível a leitura dos dados, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada de “reação em cadeia de polimerase”. Ela serve para amplificar as fitas do DNA. Desse modo, os cientistas conseguiram retirar um pedaço da estrutura e converte-la em bits para que as informações pudessem ser lidas em uma memória RAM codificada.

Apesar de a iniciativa ser incrível, ela custa caro. Strauss acredita que o valor para escrever e ler o DNA irá cair com o decorrer dos anos. Ceze também especula que em futuro próximo esse processo será rápido e barato. “Eu acho que é justo dizer que nós iremos ver algo concreto nesta década e isso vai afetar a vida das pessoas e o uso de computadores.”

Fonte: Exame

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Bebês com três pais podem se tornar realidade em 2017

Espermatozóide em óvulo
Cientistas britânicos anunciaram um novo método de reprodução que pode salvar as vidas de bebês que nasceram com uma rara doença hereditária. O tratamento, que foi revelado em um artigo na revista científica Nature, aponta para a possibilidade de um bebê ter duas mães diferentes.

O procedimento, controverso, consiste na substituição de uma pequena quantidade de DNA defeituoso no óvulo de uma mãe pelo DNA saudável de outra mulher. Isso significa que as crianças herdam os genes de um pai e de duas mães.

O objetivo por trás do processo é reduzir as chances de bebês nascerem com doenças mitocondriais, como dificuldades respiratórias e fraqueza muscular, que são transmitidas apenas pelas mães. Apesar de raras, elas podem ser fatais antes de a criança entrar na fase adulta.

Para realizar a troca de DNAs, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada de “transplante antecipado pronuclear". Nela, o núcleo do gameta (célula sexual) da mãe com DNA defeituoso é substituído pelo núcleo do gameta da mulher saudável. Isso é feito antes que o processo de reprodução das células (meiose) comece.

Estudos anteriores demonstraram que o processo era tecnicamente viável em óvulos humanos anormalmente fertilizados. Contudo, segundo os cientistas, eles não conseguiram se desenvolver. Assim, em resumo, o novo método não afeta negativamente o crescimento do embrião.

“Este estudo utilizando óvulos humanos normais é um grande avanço, pois previne a transmissão da doença mitocondrial. Além disso, nós não encontramos nenhuma evidência de que a técnica não é segura”, afirma Doug Turnbull, coautor da pesquisa, ao site The Independent.

Entretanto, ele adiciona que um de seus estudos feitos com células-tronco revelaram que a técnica pode não ser totalmente eficaz ao prevenir a transmissão das doenças. “Mas, para muitas mulheres que carregam essas mutações, o risco é muito menor do que conceber [uma criança] naturalmente.”

O próximo passo da pesquisa é sua apresentação à Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA). Caso a instituição conceda uma licença para o estudo, o procedimento poderá ser disponibilizado como um tratamento para as mulheres que carregam a condição genética.

De acordo com Turnbull, para que os trabalhos continuem, o órgão regulador de pesquisa embriológica do Reino Unido ainda precisa aprovar o atual estudo, que foi realizado com mais de 500 óvulos de 64 mulheres. Ele espera, no entanto, que os primeiros bebês sejam “criados” até o final de 2017.

Antes mesmo de a pesquisa se revelar um sucesso, críticos da Igreja Católica e da Igreja da Inglaterra afirmaram que o tratamento afeta as vidas e as concepções de crianças desnecessariamente. Os defensores do estudo argumentam que ele poupa o sofrimento de famílias que carregam em seus genes essas graves condições.

Fonte: Exame

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Estudo identifica genes e mutações que causam câncer de mama

Genética: modelo de DNA humano
Um amplo estudo divulgado nesta segunda-feira pela revista "Nature" identifica os genes e processos mutagênicos que intervêm no desenvolvimento do câncer de mama, o que abre a porta à pesquisa de novos remédios.

O estudo, que foi muito bem recebido pela comunidade científica no Reino Unido por ser o mais exaustivo até o momento, foi liderado por Michael Stratton, diretor do Instituto Sanger de Cambridge (sudeste da Inglaterra).

Em entrevista à rede pública britânica "BBC", Stratton disse que a descoberta "é um momento significativo para a pesquisa sobre o câncer".

"Na última parte do século passado, fomos capazes de identificar os primeiros genes individuais que mutavam", explicou.

"Agora, com nossa capacidade para sequenciar o genoma inteiro de um grande número de cânceres, estamos indo em direção à criar o que, mais ou menos é uma lista completa desses genes mutados de câncer", manifestou.

A equipe internacional de cientistas examinou as 3 bilhões de letras que compõem o código genético em 560 casos de câncer de mama (556 pacientes mulheres e quatro homens).

Foram descobertos no total 93 conjuntos de instruções ou genes, que, se mutarem, podem causar tumores.

Alguns destes genes já tinham sido descobertos anteriormente, mas estes pesquisadores acreditam que essa pode ser a lista definitiva, com exceção de algumas mutações raras.

Os autores identificaram uma série de "assinaturas de mutações" (as marcas que a mutação deixa) nesses genomas de pacientes de câncer que estavam associadas com consertos defeituosas do DNA e a função dos genes supressores de tumores BRCA1 e BRCA2.

Em conjunto, os cientistas identificaram 12 tipos de "danos" que podem causar mutações na mama, alguns relacionados com a história familiar, apesar de outros continuarem sem serem explicados.

Por exemplo, um tipo de mutação parece derivar de ataques que o corpo faz contra os vírus mediante uma mutação de seu código genético, um processo que causa esse dano colateral.

Os pesquisadores ainda desconhecem se estes processos do corpo humano podem ser alterados, mas esperam que a pesquisa continue com o objetivo de reduzir o risco de câncer.

"No futuro, gostaria de poder elaborar o perfil de genomas de câncer individuais, para identificar assim o tratamento que mais pode beneficiar uma mulher ou um homem diagnosticados com câncer de mama", declarou uma das pesquisadoras Serena Nik-Zainal.

"É mais um passo com o cuidado personalizado em casos de câncer", afirmou à "BBC".

Emma Smith, especialista da organização de pesquisa britânica Cancer Research UK, elogiou o estudo ao afirmar que "nos acerca a obter uma imagem completa das mudanças genéticas na origem do câncer de mama e, além disso, deixa intrigantes pistas sobre os processos biológicos fundamentais que podem falhar nas células e causar a doença".

Fonte: Reuters

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Genes podem influenciar a idade que você perde a virgindade

Reprodução digital do genoma humano
Escolher quando é o momento certo para perder a virgindade envolve muitas pressões sociais, como escolher o parceiro ideal, religião e um pouco de sorte. Agora, além desses fatores, a ciência adicionou outro elemento à conta: a genética.

Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, identificaram 38 genes que afetam a idade que uma pessoa tem sua primeira relação sexual. Desses, alguns são responsáveis pela liberação de hormônios sexuais e pela puberdade. Já outros têm relação com características cognitivas que afetam o comportamento das pessoas.

Um deles é o gene CADM2. Ele está associado com uma maior probabilidade de a pessoa ter uma personalidade impulsiva. De acordo com o estudo, essa variação está relacionada com a perda prematura da virgindade de um indivíduo e a um provável grande número de filhos que ele tem ou terá.

Outro exemplo é o gene MRSA, que está conectado com um alto grau de irritabilidade. As pessoas que possuem essa variação genética, provavelmente, tiveram ou terão sua primeira relação sexual com uma idade mais avançada, segundo os pesquisadores.

Os cientistas britânicos também descobriram que a genética tem menos impacto nesse assunto do que alguns fatores sociais e culturais. “Nós fomos capazes de quantificar que 25% das variações desses padrões foram devido às diferenças genéticas”, explicam os autores John Perry e Ken Ong em um artigo no site The Independent.

O estudo envolveu mais de 380 mil voluntários e foi publicada na renomada revista Nature Genetics. Na primeira parte da pesquisa, os cientistas coletaram informações sobre os genomas de 59.357 homens e 66.310 mulheres do Reino Unido. Depois, eles confirmaram o resultado encontrado com outras 241.910 pessoas dos Estados Unidos e da Islândia.

Perry e Ong apontam que a pesquisa é de grande importância, pois impacta o grau de reprodução de uma população. Além disso, ela pode ajudar na análise de outros riscos à saúde. “A primeira relação sexual em uma idade precoce está relacionada com uma série de resultados comportamentais, educacionais e médicas adversas”, afirmam os autores.

Segundo eles, a descoberta faz um alerta às autoridades de que o serviço público deveria ajudar as crianças a impedir a puberdade precoce com atividades físicas e dietas. O excesso de peso está ligado a alterações hormonais que podem impactar na época da puberdade, que pode ocorrer em qualquer momento entre os 8 e os 14 anos de idade. “Nossos resultados preveem que isso teria benefícios tanto na melhoria da saúde e na educação do adolescente, bem como na saúde futura em idades mais avançadas”.

Fonte: Exame

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Coreia do Sul confirma demissão do polêmico "doutor clone"

Clonagem de Cachorros
A Suprema Corte da Coreia do Sul confirmou nesta quarta-feira a demissão de Hwang Woo-souk, o cientista que enganou o mundo em 2004 ao anunciar que tinha clonado embriões humanos, uma dos maiores fraudes científicas das últimas décadas.

A máxima instância judicial do país considerou que Hwang, conhecido como o "doutor clone", foi demitido por justa causa pela Universidade Nacional de Seul (SNU) em 2006, informou a agência local "Yonhap", o que encerra o último processo judicial sobre o caso.

Hwang tinha processado a SNU por demissão sem justa causa ao afirmar que tinha apresentado documentos incorretos à comissão de pesquisa que descobriu o engano, versão que foi recusada hoje pelo tribunal.

O cientista, de 62 anos, anunciou em duas publicações, em 2004 e 2005, que tinha conseguido clonar um embrião humano e extrair células-tronco dele, o que em teoria poderia facilitar a criação de tecidos humanos.

O suposto descobrimento foi amplamente divulgado pelas revistas especializadas de todo o mundo, entre elas a prestigiada "Science", já que teria aberto as portas para a cura de doenças como diabetes e Alzheimer.

No entanto, em janeiro de 2006 uma comissão de pesquisa da SNU confirmou que Hwang tinha falsificado os resultados de seus experimentos e que nunca existiram tais células-tronco conseguidas de pacientes específicos.

O próprio cientista, que após o engano chegou a ser diretor do primeiro banco mundial de células, admitiu ter falsificado alguns dados de seus estudos.

Hwang, que esteve a ponto de ir para a prisão e teve a reputação manchada para sempre pelo chamado escândalo do "doutor clone", conseguiu clonar cachorros com sucesso e anunciou um projeto para trazer o extinto mamute de volta à vida.

Fonte:Exame/Abril