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segunda-feira, 7 de março de 2016

Queda do dólar provoca corrida em bancos e corretoras

Notas de dólar
A forte queda dos preços do dólar na quinta e na sexta-feira da semana passada fez disparar a procura pela moeda americana nas agências dos bancos e nas corretoras.

Diretores de instituições estimam que a procura no mínimo dobrou em relação aos dias normais e, em alguns casos, triplicou. Na Mirae Wealth Asset Management, a venda quase triplicou, explica Pablo Stipanicic Spyer, diretor de operações.

“Foi um movimento pontual, mas dobrou na quinta e na sexta-feira”, diz. No Banco Ourinvest, que além da clientela própria também fornece moeda para outras instituições, o aumento da procura foi de mais de 120% comparado a um dia normal entre quinta e sexta-feira.

Também no Banco Paulista, a procura por dólar pelos clientes no varejo mais que dobrou na sexta-feira e continua forte hoje, mas um pouco menor.

O dólar comercial, que vinha sendo negociado a R$ 4,00 ao longo deste ano, caiu de R$ 3,94 na terça-feira para R$ 3,71 na sexta-feira.

Já o turismo, das viagens e cartões, caiu de R$ 4,09 para R$ 3,87. Hoje, as cotações estão em R$ 3,78 e R$ 3,87, respectivamente.

A moeda iniciou a semana em queda, mas recuou com força na quinta-feira, após o vazamento da suposta delação premiada do ex-líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral, e mais ainda na sexta-feira, com o depoimento força do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os eventos aumentaram a especulação em torno de uma saída da presidente Dilma Rousseff do cargo.

Na assessoria de câmbio FB Capital, a procura mais que dobrou na quinta e na sexta-feira, tanto em valores quanto em número de operações e de consultas de clientes, explica seu diretor, Fernando Bergallo.

”O pessoal ficou louco, foi uma enxurrada, não demos conta de atender tanta gente nos procurando para comprar dólar”, diz.

“Fiquei até 17h30 de sexta-feira atendendo clientes desesperados para comprar e buscando cobertura para vender moeda, tamanha foi procura de pessoas querendo aproveitar essa barrigada dos preços”, conta.

”Muita gente nem entendia muito bem o que estava acontecendo, mas correu comprar.”

Segundo Bergallo, muitos investidores haviam adiado a compra de dólares quando a moeda superou os R$ 4,00.

“Muita gente deixou até de pagar compromissos no exterior, o que criou também uma demanda reprimida, que veio toda de uma vez para o mercado”, explica.

Junto vieram clientes procurando antecipar a compra de moeda de compromissos futuros para aproveitar os preços.

“Teve clientes que venderam ações para comprar dólar ou resgataram antes aplicações que iam ficar livres de imposto para aproveitar os preços”, diz. E são valores razoáveis, de US$ 100 mil a US$ 300 mil.

“Nós não trabalhamos com o dólar de varejão, mas mesmo assim, a procura foi muito grande”, diz.

Hoje, porém, o volume continua elevado, mas mais perto do normal, diz Bergallo.

“Tivemos já quatro clientes nos procurando para enviar recursos para fora, mas já há uma redução em relação a quinta e sexta-feira, até porque as pessoas querem ver agora para onde vão os preços”, explica.

Para ele, os próximos dias serão importantes para definir a procura pela moeda. A expectativa é que, se houver um movimento forte para cima ou para baixo, a procura caia.

“Se houve ruma variação forte, o comprador vai esperar para ver qual a nova banda de flutuação da moeda”, diz.

Bergallo lembra que muita gente assumiu compromissos em dólar, como a compra de imóveis no exterior, quando a moeda estava em torno de R$ 2,00 a R$ 2,50, entre 2013 e 2014, a agora está sofrendo para pagar os compromissos com a moeda acima de R$ 4,00.

Por isso a grande procura quando a moeda recuou para perto de R$ 3,70.

“Recomendamos aos clientes para comprar, pois entendemos que uma queda dessas, de 8% em poucos dias, vai ter uma correção, uma realização, e as pessoas físicas costumam perder essas oportunidades”, explica.

O especialista considera o movimento da moeda e dos mercados na semana passada exagerado. “O cenário externo ajudou a derrubar a moeda, mas não vejo nenhuma correlação entre o Lula ser preso e a economia melhorar”, afirma.

“Ou mesmo de o governo Dilma cair e tudo melhorar, é um chute muito longo, pois nem sabemos quem vai assumir no lugar dela ou qual o rumo que a economia vai tomar”, avalia. “Foi um movimento muito mais especulativo do que com base em fundamentos”.

Fonte: Exame

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O euro foi um fracasso?

Euro
O euro foi um fracasso?

Esta foi a questão lançada para 50 economistas reunidos nos dias 06 e 07 de novembro para uma conferência em Ditchley Park, Oxfordshire, no Reino Unido.

O debate foi resumido em um relatório recém-lançado, mas a pergunta em si é capciosa: fracasso para quem e com qual critério?

Apesar do euro não ter tido nenhuma debandada de membros em seus 14 anos de existência (nem mesmo da cambaleante Grécia), ele certamente frustrou as promessas de seus criadores.

Ao contrário dos Estados Unidos, do Reino Unido e de outros países da União Europeia com moedas próprias, a economia da zona do euro praticamente não cresceu em termos reais entre 2008 e 2015.

O desemprego na zona é de 11%, mais que o dobro dos países da UE que não o utilizam, e ultrapassa os 20% em países como a Espanha e entre a juventude.

Desafios e soluções

De acordo com vários debatedores, é impossível saber o que teria acontecido sem o euro. Sua própria existência o torna um perfeito bode expiatório para os problemas da Europa, como prova  a ascensão recentes de partidos anti-integração em vários países.

Mas ao mesmo tempo, vários alegam que o erro foi justamente ter criado uma união monetária sem união fiscal e política. Em entrevista para EXAME.com no ano passado, o professor do Cento de Estudos Europeus de Harvard, Peter Hall, resumiu o dilema:

"A grande ironia é que economistas e muitos oficiais concluíram que para o euro dar certo, é preciso mais integração fiscal e politica. E ao mesmo tempo, o efeito da crise foi persuadir os eleitores que mais integração seria indesejável."

Todo tipo de solução já foi colocada para o problema, desde a criação de uma nova moeda até a saída da Alemanha, cujo nível de superávit se tornou um peso para os outros membros.

Ainda assim, a grande maioria concorda que o euro é um caso clássico de "ruim com ele, pior sem ele".  Uma Europa que desistisse de se unir teria ainda mais dificuldade de enfrentar seus desafios comuns, como envelhecimento da população e falta de competitividade, ou de fazer reformas internas.

Isso sem falar nos custos reais de uma saída no curto prazo. A formação legal da zona do euro nunca sequer contemplou sua própria dissolução, então qualquer país que saísse iria se deparar com fuga de capital, recessão e muita incerteza legal.

A solução possível é gerenciar melhor a união que existe. Alguns avanços já foram feitos, como a união bancária, e após anos de dura austeridade os déficits estão finalmente caindo. Agora pode ser a hora de aprofundar a democracia interna e tornar o BCE menos político, por exemplo.

Um dos debatedores fez um paralelo entre o euro e a Schengen, área de circulação livre de pessoas do bloco da União Europeia e que hoje está colocada em questão diante da ameaça terrorista:

"Ambas criaram fatos concretos sem serem seguidos pelas instituições necessárias - e regras não são substitutas para as instituições apropriadas".

Fonte: Exame/João Pedro Caleiro

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Cazaquistão "minimizará" participação no mercado de divisas

Bandeira do Cazaquistão
O Banco Central do Cazaquistão anunciou nesta quinta-feira que vai "minimizar" as tentativas de conter a queda do tenge, a moeda do país, o que confirma os rumores de que a instituição deixaria o mercado estabelecer o valor dessa divisa em relação ao dólar.

"A fim de salvar os ativos de ouro e divisas do Banco Nacional e do Fundo Nacional, o Banco Nacional decidiu reduzir sua participação no mercado de divisas a partir de 5 de novembro de 2015," disse o banco central do Cazaquistão em comunicado.

A moeda cazaque chegou hoje a um patamar mínimo recorde de quase 304 tenges por dólar e subiu para 299,70 no fechamento.

"Esta mudança não representa uma ameaça para a estabilidade financeira e não contradiz o propósito do Banco Nacional de conseguir a estabilidade de preços", acrescenta o comunicado.

"Está claro que a posição do novo governador do Banco Nacional (Daniyar Akishev) é que o tenge deve chegar ao equilíbrio sem nenhuma intervenção", segundo o economista Aidarkhan Kusainov, que dirige a empresa de consultoria Almagesto.

Fonte: Exame/Abril