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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Escoceses lamentam proibição de gaitas no Mundial de rugby

Jogadores da seleção escocesa de rugby participam de treino, em Gloucester
O técnico de defesa da seleção escocesa de rugby, Matt Taylor, lamentou nesta terça-feira o fato de os organizadores da Copa do Mundo terem proibido a presença de gaitas nas arquibancadas do estádio Kingsholm de Gloucester, na Inglaterra, onde sua equipe enfrentará o Japão.

"Gosto de ouvir o som da gaita. Não sou escocês, mas meus pais são. Em todos os jogos em que participei, sempre houve gaitas", explicou o técnico australiano, que treina a Escócia desde 2012, depois de ter atuado quatro temporadas no país nos seus tempos de jogador (2000-2004).

"É algo importante para os torcedores, mas nós, jogadores, preferimos focar na partida", disse por sua vez o pilar WP Nel, que admitiu ter dificuldade para opinar sobre o assunto, já que é de origem sul-africana, e só vive na Escócia desde 2012.

A proibição da entrada de gaitas nos estádios da Copa provocou a ira dos escoceses e levou até 21 deputados a assinar uma petição parlamentar para pedir que os organizadores revejam a decisão.

O instrumento tradicional da Escócia faz parte da lista de objetos vetados, ao lado dos tambores, berrantes e vuvuzelas.

"Quando você ouve o som da gaita no aquecimento, é um incentivo a mais", lembrou o hooker Ross Ford na sexta-feira.

A Escócia terá que encarar o Japão com cautela, já que a equipe asiática protagonizou uma das maiores zebras da história do rugby no último sábado, ao derrotar por 34 a 32 a tradicional África do Sul.

Fonte: http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/escoceses-lamentam-proibicao-de-gaitas-no-mundial-de-rugby

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Rival 'moral' do futebol, rúgbi tem Mundial que começa nesta sexta


Os números apresentados pelos organizadores colocam a Copa do Mundo de rúgbi como o terceiro maior evento esportivo do planeta. Perderia apenas para o Mundial de futebol e os Jogos Olímpicos.

De acordo com as informações divulgadas, quatro bilhões de pessoas vão ligar a TV, em algum momento, para acompanhar pelo menos um trecho de partida do torneio que começa nesta sexta (18), na Inglaterra. Publicações britânicas já contestaram este dado. A BBC, por exemplo, afirma que a audiência deverá girar na casa de 1 bilhão de espectadores. O país anfitrião abre a competição às 16 horas (de Brasília) contra Fiji, em Londres.

A final está marcada para 31 de outubro. Os dirigentes do rúgbi ressaltam incansavelmente o crescimento da competição e a popularidade do esporte porque tenta rivalizar com o futebol, de onde a modalidade teve origem. E se não der na popularidade, que seja nos valores morais. "É uma imagem que já não corresponde tanto à realidade, mas que ainda persiste. O rúgbi sempre se orgulhou de ser eticamente superior ao futebol. Foi assim um dia. Hoje, teríamos de analisar com mais cuidado", disse Ian McGeechan à reportagem, ex-jogador da seleção escocesa e que recebeu título de "Sir" em 1990 da rainha Elizabeth pelos serviços prestados ao esporte.

Tradicionalistas gostam de dizer que no rúgbi ninguém simula contusões. Não há reclamações da arbitragem. Os atletas continuam em campo sem se importar com lesões. O capitão dos All Blacks, como é chamada a seleção da Nova Zelândia, Wayne Shelford, levou um pisão nos testículos em jogo contra a França, em 1987. O incidente lhe rasgou o saco escrotal. Ele ordenou que o departamento médico costurasse o ferimento. Cinco minutos depois, voltou a campo. "Isso é um caso extremo. Mas realmente, quem pratica rúgbi tem orgulho de contar casos em que enfrentou a dor para não sair da partida. Isso seria humilhante", completa McGeecham. É código de honra que sinaliza o respeito às regras. Principalmente no Reino Unido é comum que cada vez que um famoso e milionário futebolista é apanhado no meio de alguma polêmica, apareçam comentários em redes sociais dizendo que um jogador de rúgbi jamais faria aquilo. Uma das versões mais aceitas é que o esporte surgiu em 1823, quando o estudante William Webb Ellis pegou a bola com as mãos no meio de uma partida de futebol e começou a correr.

O rúgbi, que se orgulha do respeito às leis, surgiu de uma contravenção às normas de outra modalidade. Foram vendidos 2,2 milhões de ingressos de acordo com a organização, recorde para a Copa. Seria a quarta maior bilheteria da história de competição de apenas um esporte (não entram na conta os Jogos Olímpicos). Perde para os Mundiais de futebol de 2002, 2006, 2010 e 2014. No ano passado, a Fifa divulgou a comercialização de 3,4 milhões de bilhetes para o evento no Brasil.

O torneio que começa hoje será disputada por 20 seleções e a América do Sul será representada por Argentina e Uruguai. "A seleção pode dar às pessoas um senso de orgulho que a seleção de futebol não consegue há muito tempo. Ainda mais atuando em casa, a Inglaterra tem a obrigação de fazer uma grande campanha", afirma o inglês Jonny Wilkinson, herói do título mundial conquistado pelo país em 2003 e recordista de pontos na Copa (277).

O desafio será superar a Nova Zelândia, atual campeã e eterna favorita. Na chegada do elenco à Inglaterra, a delegação dançou o Haka, coreografia de guerra encenada antes de cada partida. Transformou-se em uma das marcas principais da equipe. A imagem da guerra está associada ao rúgbi, esporte em que o objetivo maior é levar a bola a todo custo até a linha final adversária, sem poder lançá-la para frente. Quando estourou a primeira Guerra Mundial, os jogadores das escolas britânicas foram os primeiros a se alistar. Quase todos morreram nos campos da batalha. "É outra filosofia [em relação ao futebol]. Se eu apitasse uma partida de futebol, cada equipe ficaria com cinco jogadores antes do intervalo", afirma o árbitro galês Nigel Owens, um dos 12 escolhidos para a Copa do Mundo que inicia nesta sexta.

Fonte: https://www.bemparana.com.br/noticia/406274/rival-moral-do-futebol-rugbi-tem-mundial-que-comeca-nesta-sexta