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quarta-feira, 22 de junho de 2016

Sistema imunológico das mulheres é melhor que o dos homens

Menino doente
É uma coisa que os imunologistas vinham cogitando há algum tempo. Em 1992, a Organização Mundial de Saúde (OMS) teve de tirar de circulação às pressas uma vacina contra sarampo que se revelou potencialmente letal - mas apenas para as meninas.

Ninguém sabe até hoje o que deu errado, mas foi um primeiro sinal de que mulheres e homens parecem ter um sistema imunológico diferente.

A conclusão de anos de estudos diversos foi publicada numa reunião de microbiologia em Boston (EUA), comentada pela Nature: sim, é diferente.

Mulheres em geral respondem de forma mais eficiente a infecções. Num dos painéis, a pesquisadora Katie Flanagan, da Universidade da Tasmânia (Austrália) relatou um caso recente, em que uma vacina contra tuberculose funcionava melhor para as mulheres.

Isso porque ela se mostrou capaz de suprimir uma proteína anti-inflamatória apenas para elas.

Parece contraditório, mas combater a inflamação, a reação natural do organismo contra uma infecção, pode ser um tiro no pé se isso vem antes de a infecção estar controlada.

As razões, de acordo com os cientistas, podem ser várias: o estrogênio, o hormônio sexual feminino, ativa as células envolvidas em respostas antivirais, enquanto a testosterona, seu par masculino, tem propriedades anti-inflamatórias o que, como visto acima, nem sempre ajuda.

Outra responsável é a proteína TLR7, produzida num gene localizado no cromossomo X. Ela é responsável por detectar vírus e ativar a reação do organismo.

Como as mulheres tem duas versões do cromossomo (meninas são XX e rapazes, XY, lembra do Ensino Médio?), isso significa que elas têm, em geral, um sistema imunológico mais eficiente.

O imunologista Marcus Altfeld, do Instituto Heinrich Pette, em Hamburgo (Alemanha), tem uma hipótese sobre como essa diferença surgiu.

Segundo ele, as mulheres desenvolveram essa superioridade imunológica para proteger fetos no útero e bebês pequenos. Mas esse poder vem a um custo: mulheres são mais suscetíveis a desenvolver doenças autoimunes, como reumatismo, lúpus e alergias.

Existe, por fim, uma séria questão política em jogo. Não é o fato de existir uma diferença biológica entre gêneros ? o que ativa uma reação alérgica em muitos militantes.

O caso é que a maioria dos estudos imunológicos é feita em homens. A justificativa para isso é que o ciclo menstrual e a gravidez podem "atrapalhar os resultados".

A consequência, como demonstra o caso da vacina letal de 1992, é prejudicial às mulheres. "É uma verdade inconveniente", afirma a imunologista Linde Meyaard, do Centro Médico Universitário em Utretch (Holanda).

"As pessoas [os cientistas] não querem saber se o que estudam em um sexo é diferente no outro."

Fonte: Superinteressante

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Ansiedade é duas vezes mais comum nas mulheres, diz estudo

Mulher ansiosa; ansiedade; casal
Em discussões políticas, no trabalho ou na família, é comum que as mulheres sejam chamadas de "loucas" - pelo menos com frequência que os homens.

Mas observar com seriedade a saúde mental feminina é algo raro, ainda mais sem cair no sexismo - e foi isso que um estudo da Universidade de Cambridge se propôs a fazer.

Analisando mais de mil artigos e pesquisas sobre ansiedade e depressão publicados desde 1999, eles chegaram a resultados assustadores: o transtorno de ansiedade é duas vezes mais comum nas mulheres do que nos homens.

E o número independe de qualquer outra questão, como a classe social, a etnia e a localização no globo.

Problemas psicológicos como depressão, bipolaridade e ansiedade não são incomuns. Na verdade, segundo a OMS, eles atingem 1 a cada 3 pessoas no mundo - e quando só o transtorno de ansiedade é considerado, o número vai para 4% da população global.

Entre as mulheres, 42% sofrem do transtorno, enquanto para os homens, o número cai quase pela metade: 29%.

Mas o que é o transtorno de ansiedade? A OMS o define como o sentimento constante de preocupação, de incapacidade e de medo.

Fisicamente, a pessoa pode ter náusea, taquicardia e problemas de sono, e, quando têm um ataque, podem nem conseguir sair de casa.

Esses sintomas ajudam a explicar por que é importante levar o gênero em conta na análise do transtorno de ansiedade: eles aparecem nas mulheres, segundo o estudo, porque elas permanecem constantemente em estado de alerta.

Para dar uma ideia, uma em cada cinco mulheres será estuprada ao longo de sua vida, de acordo com a OMS - uma óbvia fonte de tensão para elas.

Além disso, das 50 milhões de pessoas que vivem em situações de conflito, 80% são mulheres e crianças.

Vítimas de violência doméstica, assédio sexual nas ruas, dentro de casa, no trabalho e nos transportes públicos também são, majoritariamente, mulheres.

Além disso, existe também a pressão criada pelos múltiplos papéis impostos à mulher - como a maternidade -, e a falta de apoio da família se elas, enfim, decidem começar um tratamento psicológico.

Frequentemente, explica o estudo, as mulheres sequer têm autonomia para compreender que o que estão sentindo é um transtorno de ansiedade.

Faz sentido, então, que elas desenvolvam duas vezes mais ansiedade do que os homens.

A conversa sobre doenças mentais é importante porque elas ainda são ignoradas, mesmo quando o objeto de estudo não é gênero. Estima-se que, no mundo inteiro, menos da metade das pessoas que buscam ajuda psicológica de fato a conseguem.

E os próprios pacientes são relutantes em procurar ajuda - só duas a cada cinco pessoas que sofrem de transtornos procuram auxílio psicológico.

Enquanto esse comportamento não mudar, a depressão e a ansiedade só continuarão a ganhar terreno. Entre as mulheres, mais ainda.

Fonte: Superinteressante

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Anel vaginal contra a Aids é a nova esperança para milhões de mulheres

Anel vaginal apresentado pela Associação Internacional para os Microbicidas ajuda a prevenir a transmissão do vírus. EFE/Jèssica Martorell
Em uma nova tentativa de vencer a batalha contra a Aids, um anel vaginal que ajuda a prevenir a transmissão do vírus pode se tranformar na esperança de milhões de mulheres que vivem sob alto risco de contágio, especialmente nos países mais pobres.

O anel, que libera pouco a pouco um fármaco anti-retroviral, foi apresentado nesta terça-feira pela Associação Internacional para os Microbicidas (IPM, em inglês), um entidade sem fins lucrativos que participa da conferência internacional Womem Deliver.

"Embora muitos falem que o fim da epidemia está perto, a batalha ainda não terminou. As mulheres seguem se infectando a níveis muito altos na África Subsaariana", explicou à Agência Efe a diretora-executiva da IPM, Zeda Rosenberg, que precisou que seis de cada dez afetados desta região são mulheres.

Este anel de silicone, que é colocado na vagina e deve ser substituído a cada quatro semanas, pretende ajudar a atalhar a epidemia na região, onde as mulheres de entre 15 e 24 anos têm o dobro de possibilidades de contrair HIV do que os homens.

Com este novo método, similar ao anel vaginal anticoncepcional, as mulheres podem controlar sua saúde sem necessidade de negociar com seu parceiro -algo que deve fazer na maioria de países em vias de desenvolvimento- e inclusive evitar o contágio em caso de estupro.

Após realizar vários experimentos na África Subsaariana para demonstrar sua efetividade, o anel está agora sob um novo estudo -cujos resultados serão revelados a partir de julho- como passo prévio a conseguir a aprovação regulatória que permita sua comercialização.

"O seguinte passo é que as mulheres que necessitam tenham o anel vaginal em suas mãos. Se tudo ocorrer perfeitamente, podemos tê-lo no mercado no final de 2018. Nosso objetivo é que o preço esteja abaixo dos US$ 5 por unidade", explicou Rosenberg.

Ativistas e especialistas que participam nestes dias do encontro Women Deliver para traçar novas estratégias que permitam melhorar a saúde de meninas e mulheres receberam com entusiasmo este avanço científico que pode marcar um antes e um depois na luta contra a Aids, especialmente, no continente africano.

"O mais importante é que o anel pode ser usado sem o consentimento do homem e que as mulheres terão a opção de escolher por elas mesmas", disse à Agência Efe a ativista de direitos humanos sul-africana Yvette Raphael.

Um dos principais desafios, explica, é trabalhar lado a lado com as comunidades locais, explicar as vantagens do novo fármaco e conseguir sua aceitação porque, sem ela, poucas jovens se atreverão a usá-lo.

Por isso, a IPM trabalha com ativistas como Raphael no terreno para apresentar o anel vaginal como uma opção a mais para se proteger contra o HIV, lembrando que não deve ser um substituto, mas um reforço a outros métodos como os preservativos.

Desde 2012, a IPM realizou diferentes estudos nos quais participaram mais de 2.600 mulheres de entre 18 e 45 anos com alto risco de contágio na África do Sul, Uganda, Zimbábue e Malawi e que provaram que este método permitiu reduzir os contágios até 56% em mulheres maiores de 21 anos.

Além dos desafios científicos, o grande desafio para desenvolver este anel vaginal foi o financiamento, já que cada vez é mais difícil conseguir aliados -especialmente quando se tenta métodos de prevenção- perante o grande número de pesquisas que ocorrem atualmente.

No entanto, o projeto conta com o apoio de algumas grandes companhias e de governos como o da Dinamarca.

"Infelizmente a pesquisa tem cada vez menos interesse para os doadores. Por isso decidimos investir no anel vaginal, porque queremos fazer tudo o que for possível para tentar conter a epidemia da Aids", afirmou a principal assessora de saúde no Ministério dinamarquês de Relações Exteriores, Sanne Helt.

Fonte: EFE

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Comercial do Tinder na Índia gera debate sobre tradições

Comercial do Tinder na Índia
Um comercial do app Tinder na Índia está causando intenso debate sobre os costumes e tradições locais.

No vídeo, postado na página do Tinder India no Facebook, uma mulher está se arrumando em frente a um espelho.

A mãe dela vê a cena e pergunta se ela vai sair. A filha esconde o fato de que a saída será um encontro com um homem.

Mas a mãe vê as mensagens no iPhone da filha e aprova o encontro, dizendo que ela não precisa se preocupar.

Ela diz que aprova, dizendo que "da parte dela, passa para a direita" - uma alusão ao fato de passar para a direita no app significar que você gostou da pessoa mostrada.

O comercial já teve mais de 400 mil visualizações, desde que foi postado no dia 7 de maio.

Debate

Muitas pessoas, contudo, não aprovaram a campanha.

Para muitos, o vídeo é "irreal" em um país extremamente conservador. Para eles, uma mulher não teria essa liberdade apresentada e provavelmente seria punida por ter usado o app.

Nos costumes indianos, casamentos são arranjados, meninas casam cedo e pais não se mostram liberais desse modo quando se trata de encontros casuais.

Outros criticaram não por ser irreal, mas por não ser liberal demais.

Para eles, a campanha ainda mostra uma cultura muito condescendente, onde a mãe "aprova a filha virtuosa" - ou seja, ainda é a maneira dos pais controlarem a vida amorosa dos filhos.

No fim das contas, a marca estaria dizendo que o Tinder é "um app aprovado pelos pais, então é bom".

Algumas críticas compararam o Tinder indiano ao Shaadi.com, um famoso site de relacionamentos onde pais arranjam casamentos para os filhos.

Resposta

À BBC, Taru Kapoor, diretor do Tinder na Índia, disse que o vídeo mostra a dinâmica que está se transformando na cultura indiana.

"Como em toda geração, a juventude adota os fortes valores indianos ao mesmo tempo em que cria novas normas e rejeita outras que não se encaixam mais na ordem das coisas", disse.

A Índia é o maior mercado asiático para o Tinder. São 14 milhões de sim/não por dia.

Assista:
https://www.facebook.com/TinderInd/videos/575300302620524/

Fonte: Exame

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Por que grávidas têm enjoo, memória curta e olfato apurado

Grávidas
Enjoos, dores abdominais e memória defasada. Esses são alguns sintomas que a maioria das mulheres sente durante a gestação. Apesar de alguns deles tornarem a vida mais complicada, alguns existem para proteger o bebê.

Por exemplo, você sabia que o enjoo matinal pode estar relacionado com hormônios e a liberação de toxinas nocivas ao feto? A seguir, você saberá por que e como esses e outros sintomas estão ligados ao cérebro das grávidas.

Enjoo matinal

O enjoo matinal é um dos sintomas mais comuns durante a gravidez e atinge mais da metade (algumas pesquisas apontam até 90%) das grávidas. Geralmente, as náuseas diminuem ou desaparecem após a 18ª semana de gestação. Apenas 1% das grávidas passam toda a gravidez sentindo enjoos.

Várias teorias tentam responder a causa do enjoo. A mais popular sugere que a náusea é uma reação do corpo ao aumento do HCG, o principal hormônio da gravidez.

De acordo com pesquisadores da Universidade de Wisconsin, nos EUA, a ligação entre o HCG e o enjoo matinal é baseada na relação temporal entre o pico das náuseas e o pico de produção do hormônio – que ocorrem entre a 12ª e a 14ª semana de gestação.

Outra pesquisa feita na Universidade de Chicago, indica que vômitos na gravidez têm função benéfica. Segundo o estudo, toxinas na corrente sanguínea da mãe podem interromper o desenvolvimento do sistema nervoso central do feto. Esse processo ocorre durante os primeiros três meses de gestação, quando o enjoo matinal é mais comum.

Alguns pesquisadores acreditam que há uma relação entre essas toxinas e as náuseas durante a gravidez devido à postrema, área localizada na parte posterior do cérebro. É lá que vômitos são controlados e onde ocorre a detecção de toxinas na corrente sanguínea.

O estudo ainda revelou que essa área tem receptores para o hormônio HCG. Isso pode explicar por que o local é particularmente sensível durante a gestação.

Independentemente de qual teoria esteja correta, o enjoo matinal fornece uma vantagem evolutiva para o desenvolvimento do bebê. Afinal, o vômito da grávida serve para defender o bebê de ameaças interna ou externa.

Super olfato

Dois terços das grávidas reportam que têm o olfato mais apurado em comparação com a época em que não estavam grávidas. Segundo um estudo da Universidade de Umeå, na Suécia, as grávidas são mais sensíveis a odores como fumaça de cigarro, perfumes, comida estragada, alimentos cozidos e especiarias.

Nenhum estudo, porém, provou que as grávidas têm olfato melhor do que mulheres não grávidas. Na realidade, um estudo provou o contrário. Nele, 80 mulheres foram divididas entre grávidas e não grávidas. Durante a pesquisa foram apresentados seis aromas diferentes e não houve diferença na detecção entre os dois grupos.

Já outro estudo revelou que grávidas são melhores na identificação de odores. No início da gestação, as mulheres têm olfato mais sensível para evitar o consumo de alimentos tóxicos, segundo os cientistas.

Pesquisadores suecos provaram essa teoria com outro estudo. Eles apresentaram perfumes para mulheres grávidas e não grávidas. Depois, mediram as respostas em seus cérebros e encontraram uma amplitude maior na região do cérebro onde a decisões são feitas.

A pesquisa implica que a hipersensibilidade de mulheres grávidas pode estar mais relacionada a questões cognitivas do que a processamentos sensoriais.

Memória ruim

Um dos sintomas mais reportados é a perda de memória. Duas repórteres de EXAME.com estão grávidas e ambas notaram que estão esquecendo coisas básicas do dia a dia.

Há pesquisas que provam que elas podem ter a memória impactada pela gestação. Uma delas reuniu 14 estudos feitos com mulheres grávidas e não grávidas durante 17 anos. O resultado da meta-análise relatou que mulheres grávidas tendem a executar pior tarefas que exigem esforço da memória de curta duração.

Outro estudo de 2014, do Reino Unido, mostra que mulheres grávidas foram, em média, 11,7% inferiores em testes de memória, do que não grávidas. Além disso, cientistas descobriram que a perda de memória não tem relação com hormônios comuns durante gestações.

Apesar de os hormônios, aparentemente, não terem nenhum papel na perda de memória, um estudo de 2008 descobriu que há uma diminuição no nascimento de neurônios no hipocampo de ratas durante a gestação. Essa parte do cérebro está relacionada com a consolidação da memória curta e a navegação espacial.

Fonte:Exame/Abril

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Mulheres são bissexuais ou gays, mas nunca hétero, aponta estudo

Durante a experiência, as mulheres assistiram vídeos de homens e mulheres atraentes nus e tiveram atração medida

Um estudo realizado pela Universidade de Essex, no Reino Unido, chegou à conclusão de que as mulheres são bissexuais ou lésbicas, mas nunca heterossexuais. O estudo liderado pelo departamento de psicologia da universidade envolveu 345 mulheres

Durante a experiência, elas assistiram vídeos de homens e mulheres atraentes nus e tiveram as suas reações físicas analisadas. Mulheres que se declararam heterossexuais se excitaram pelos vídeos de ambos os sexos, enquanto as mulheres que se declararam lésbicas se atraíram muito mais pelas imagens femininas, e não demonstraram quase nenhuma atração com os vídeos de homens.

A excitação foi medida pelas respostas físicas das mulheres - se as pupilas delas dilataram ao assistir os vídeos ou se houve alteração nos batimentos cardíacos, por exemplo.

"Apesar da maioria das mulheres se identificar como hétero, nossa pesquisa claramente demonstrou que, quando se trata do que as excita, elas são bissexuais ou gays, mas nunca hétero", disse o médico Gerulf Rieger, chefe do departamento de psicologia que liderou a pesquisa.

O estudo ainda concluiu que as mulheres lésbicas tinham uma reação parecida com os homens quando se trata do estímulo sexual - ambos demonstram respostas bem definidas para o sexo que mais lhe atrai.

Fonte: Correio24hrs