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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Vaticano cria Ministério de Desenvolvimento Humano

Vaticano
O Vaticano anunciou nesta quarta-feira a criação de um grande ministério "de desenvolvimento humano integral", encarregado da justiça, do meio ambiente, da saúde e da solidariedade.

Neste novo dicastério, a questão dos migrantes estará sob a autoridade direta do Papa. Este organismo é produto da fusão de quatro serviços encarregados antes destes temas.

"Este dicastério será competente nas questões que se referem às migrações, aos necessitados, aos doentes e excluídos, aos marginalizados e às vítimas dos conflitos armados e das catástrofes naturais, aos detidos, aos desempregados e às vítimas de qualquer forma de escravidão e de tortura", indica um comunicado do Vaticano.

Mas, como "não pode haver hoje um serviço de desenvolvimento humano integral sem atender particularmente ao fenômeno migratório", este tema será confiado a um departamento submetido diretamente à autoridade do Papa.

Este superministério será lançado no dia 1º de janeiro de 2017 e estará dirigido pelo cardeal de Gana Peter Turkson, até agora presidente do Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz.

Fonte: AFP

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Belgas deixam de caçar Pokémons para caçar livros

Livros em campo com flores (natureza)
Inspirada pelo sucesso de Pokémon Go, a diretora de uma escola primária da Bélgica desenvolveu um jogo online para que pessoas busquem livros, e não monstros, atraindo dezenas de milhares de jogadores em semanas.

Enquanto com Pokémon Go jogadores usam o GPS e a câmera do celular para rastrear criaturas virtuais pelas cidades, a versão de Aveline Gregoire é jogada por um grupo no Facebook chamado "Chasseurs de livres" (Caçadores de Livros).

Jogadores publicam fotos e dicas sobre onde esconderam livros e outros tentam localizá-los. Ao terminar de ler um livro, os jogadores devolvem à cidade.

"Enquanto estava organizando minha biblioteca, percebi que não tinha espaço suficiente para todos os meus livros. Jogando Pokémon Go com meus filhos, tive a ideia de liberar os livros na natureza", disse Gregoire à Reuters.

Embora tenha sido criado há poucas semanas, mais de 40 mil pessoas já se juntaram ao grupo de Gregoire no Facebook.

Os livros variam de infantis a suspenses de Stephen King e são espalhados por cidades e áreas rurais, muitas vezes envolvidos em plástico para serem protegidos da chuva.

A família Detournay, da cidade de Baudour, no sul da Bélgica, disse que o jogo se tornou parte das caminhadas matinais. Eles encontraram um livro e deixaram outros quatro para que pessoas encontrassem.

"Minha filha disse que é como caçar por ovos de páscoa, só que com livros", disse Jessica Detournay.

Quando voltou para casa, a família recebeu uma notificação no Facebook informando que alguém já havia encontrado dois dos livros colocados. Gregoire agora pensa na ideia de avançar com o jogo e criar um aplicativo para ele.

Fonte: REUTERS

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Chanceleres de Rússia e EUA dialogam sobre Síria

O secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, reunidos em Genebra no dia 26/08/2016
O secretário de Estado americano, John Kerry, e o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, estavam reunidos em Genebra desde as 08h00 GMT (05h00 de Brasília) para tentar dar um novo impulso às negociações de paz para a Síria.

A reunião é realizada em um hotel diante do lago Leman.

O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, declarou na quinta-feira que a reunião entre os dois responsáveis das Relações Exteriores era "importante" e terá "um verdadeiro impacto" nas "iniciativas políticas da ONU para reativar o processo político na Síria".

Já foram realizadas várias sessões de negociações para colocar fim ao conflito na Síria, que deixou mais de 290.000 mortos em cinco anos, em Genebra, desde o início do ano, mas sem dar frutos.

Moscou e Washington têm o grupo extremista Estado Islâmico como inimigo comum, mas a Rússia apoia política e militarmente o regime de Damasco, enquanto os Estados Unidos apoiam a oposição síria, que exige a saída do presidente Bashar al-Assad.

Fonte: AFP

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Hungria recusa 600 refugiados no 1º dia de aplicação de nova lei

Hungria recusa 600 refugiados no primeiro dia de aplicação da nova lei. EFE/Zoltan Balogh
A Hungria começou a executar nesta terça-feira a polêmica reforma legal que permite expulsar refugiados e imigrantes interceptados perto da fronteira, medida que já foi aplicada a 600 pessoas.

"Durante o dia de hoje, os agentes acompanharam até a fronteira cerca de 600 pessoas, que colaboraram com as autoridades, e não houve incidentes", informou o capitão-general da polícia húngara, Karoly Papp, em relação à norma que entrou em vigor na meia-noite.

Segundo esta lei, as autoridades "acompanharão" até o outro lado das grades nas fronteiras meridionais do país todos os refugiados que forem interceptados dentro de uma faixa de oito quilômetros, um procedimento criticado pela ONU e várias ONGs.

Do outro lado das cercas, em uma estreita faixa de terreno ainda em território húngaro, os refugiados terão que ir às zonas de registro, onde poderão apresentar as solicitações de asilo.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) criticou na segunda-feira que esse procedimento dificultará ainda mais o processo de pedido de asilo.

Segundo o Acnur, o governo conservador húngaro está enviando aos refugiados a mensagem de que não há possibilidade de entrar no país, pelo menos de forma irregular.

O governo garante que trata-se de um sistema mais eficaz para "diminuir o número de imigrantes que permanecem no país ilegalmente", como disse György Bakondi, conselheiro de assuntos de segurança do governo.

Desde 2015, quando a Hungria fechou as fronteiras com Sérvia e Croácia, entrar no país de forma ilegal é considerado crime passível de cinco anos de prisão. Neste ano, mais de 17 mil refugiados ou imigrantes entraram no país.

Fonte: EFE

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Arqueólogos mostram evolução de sociedades mesopotâmicas

Voluntários trabalham em caverna no deserto do mar morto em escavação arqueológica, em Israel, dia 01/06/2016
Arqueólogos espanhóis conseguiram mostrar em um sítio arqueológico no Curdistão iraquiano, na antiga Mesopotâmia do Norte, a evolução das primeiras sociedades camponesas desde o Neolítico até o primeiro milênio antes de Cristo.

O sítio de Gird Lashkir, qualificado como "excepcional" pelo diretor do grupo de pesquisa e catedrático de pré-história da Universidade Autônoma de Barcelona (nordeste da Espanha), Miquel Molist, tem cerca de cinco hectares de extensão.

Conta além disso com uma sequência única de 15 metros de níveis arqueológicos que se sucedem.

Molist explicou que desde os anos 60, quando esteve na região o arqueólogo americano Robert Braidwood, não se havia trabalhado neste âmbito, nesta que é o primeiro sítio escavado com técnicas modernas e um dos que mais pode contribuir para o conhecimento das sociedades neolíticas.

Na Mesopotâmia, a agricultura e as primeiras sociedades urbanas chegaram 8.500 anos antes de nossa era e tiveram que passar quase 2.000 anos para que chegassem à Europa.

As escavações forneceram evidências de uma sucessão de ocupação do local que vai desde o Neolítico, cerca de 8.500 anos antes de Cristo, até o primeiro milênio anterior a nossa era, segundo explicou a professora de pré-história da UAB Anna Gómez Bach, membro da equipe.

O sítio arqueológico de Gird Lashkir era protegido pelo governo do Iraque e nunca tinha sido escavado, e fica perto do antigo curso de um rio em um território que é uma região autônoma, na qual não há conflitos bélicos.

As primeiras pesquisas foram feitas na parte superior do terreno e puderam ser recuperados três quartos de uma grande construção com muros de quase um metro de espessura, junto ao que havia muito material de cerâmica "in situ", por isso que se acredita que se tratava de um antigo armazém.

A hipótese trabalhada pelos especialistas sobre estes armazéns é que habitantes do sul de Mesopotâmia criaram colônias no norte da região, onde a terra era mais fértil, como cidades-satélite que abasteciam de matérias-primas o sul, onde as cidades eram maiores.

Molist ressaltou que também participou dos trabalhos a Universidade Salahaddin de Erbil e que do ponto de vista científico nunca tinha sido encontrado uma sequência similar de ocupações nem objetos como os que foram achados.

Há restos de cerâmica, moldes da Idade do Ferro e até cinco figuras de argila cozida que representam vacas ou gado bovino, os quais poderiam ser brinquedos, além de sílex e peças para moer grão, entre outras coisas.

O material achado, acrescentou o arqueólogo, está em muito bom estado de conservação e destacam um queimador de incenso e cravos de argila associados ao Neolítico e ao momento da construção de uma casa.

Os pesquisadores não descartam que possam ser encontrados alguns destroços de escritura cuneiforme na próxima expedição, que está prevista para a primavera de 2017.

Os arqueólogos ficaram seis semanas em 2015 e outras seis em maio deste ano com uma equipe de sete pessoas que se deslocou de Barcelona, às quais se somaram dez operários e pessoal local.

Esta jazida pode revelar o surgimento das primeiras cidades no norte de Mesopotâmia, que por um recesso de anos na pesquisa não se conhecem.

A região estudada estava fechada para a pesquisa, e de quatro equipes que trabalhavam em 2010 se passou para 40 em 2015, das quais três averiguam o Neolítico: a da UAB, que é a única espanhola que trabalha na região, uma britânica e outra japonesa.

As demais realizam pesquisas em relação ao mundo islâmico, a época medieval e a civilização persa, e sobre outras questões do mundo da arqueologia.

Fonte: EFE

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Megaprojeto de rodovia pretende ligar Londres a Nova York

Projeto de Rodovia
Já pensou numa rodovia que pudesse ligar a Europa aos Estados Unidos? Alguém teve essa ideia maluca e publicou o projeto: é a “Trans-Eurasian Belt Development" (TEPR).

Caso a mega rodovia saia do papel, terá 20.147 quilômetros de extensão, ganhando o título de pista mais longa do mundo. Passará pela América do Norte e Ásia, com destino final na Europa.

Depois de adentrar o Alasca é que o projeto fica mais complexo, pois precisariam ser construídos pelo menos 836 quilômetros de estradas para atender o estado, já que na parte mais ocidental do Alasca não há nenhuma via, apenas um território inóspito e muitas montanhas.

Não há detalhes da parte que ligaria o Alasca à Rússia, se seria uma ponte ou um túnel, mas sabe-se que teria 88,5 quilômetros de extensão - distância que levaria uma hora para ser atravessada.

A aventura não termina por aí já que, chegando na Rússia - o maior país do mundo - há mais 9.977 quilômetros de estrada pela frente. Nesse trajeto a Trans-Eurasian Belt Development passaria por diversas cidades da Rússia, incluindo sua capital Moscou.

Próximo do destino final, o percurso continua pela Europa que soma 2.414 quilômetros, atravessando Belarus, Polônia, Alemanha, Holanda, Bélgica, França, chegando à Londres (Inglaterra). Isso dá o total de 20.147 quilômetros, muito combustível, paisagens variadas e exuberantes.

O projeto da mega rodovia Trans-Eurasian Belt Development pode passar por mudanças antes de sair do papel, o que inclui o seu orçamento que custará pelos menos alguns trilhões de dólares.

O frio nas relações entre americanos e russos também atrapalha a complexa ligação entre o território dos dois países. No entanto a Rússia espera que, apesar do alto valor investido, a mega rodovia poderia gerar lucro. E facilitaria muito a experiência de viajar de carro pelo mundo.


Fonte: QuatroRodas

Comissão Europeia cria grupo para combater racismo e intolerância

Comissão Europeia criou grupo para combater racismo e intolerância. EFE/Jerome Favre
A Comissão Europeia (CE) criou nesta terça-feira um grupo de alto nível para combater o racismo, a xenofobia e outras formas de intolerância, com o objetivo de "intensificar a cooperação, a coordenação, melhorar a prevenção e lutar contra os discursos e crimes de ódio".

Em comunicado, a CE informou que o grupo reunirá representantes dos países-membros, do Parlamento Europeu, de organizações civis, do Conselho da Europa, do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) e da Agência Europeia de Direitos Fundamentais (FRA).

Durante a apresentação desta iniciativa, a comissária europeia de Justiça, Consumidores e Gênero, Vera Jourová, declarou que, nos últimos anos, "o racismo, a xenofobia e outras formas de intolerância estiveram crescendo e estendendo-se por toda Europa em uma velocidade tóxica".

Por isso, a CE utilizará o grupo de alto nível como uma plataforma para discutir as formas concretas para prevenir os discursos e crimes de ódio, explicou a comissária.

Jourová destacou que "só juntos poderemos garantir que as medidas eficazes se iniciam para prevenir e combater o racismo, a xenofobia e outras formas de intolerância na Europa".

O grupo de alto nível também ajudará a "maximizar as sinergias entre as partes interessadas" e colaborará no "desenvolvimento de respostas específicas comuns para combater com eficácia todas as formas de racismo e intolerância", acrescentou a CE em comunicado.

Concretamente, a plataforma criará uma metodologia comum para "gravar e colher informação sobre crimes de ódio".

Terá, além disso, a função de supervisionar a aplicação correta do Código de Conduta que a CE apresentou há duas semanas para controlar de maneira efetiva as mensagens de ódio na Internet, apoiadas por várias empresas de tecnologia.

Por outro lado, a CE antecipou que prepara um site que proporcionará um "acesso fácil à informação sobre financiamentos, projetos e iniciativas que a UE promoverá para promover a tolerância, além da luta contra o racismo, a xenofobia e a discriminação", completou a nota.

Fonte: EFE

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Quase 900 mil pessoas obtiveram cidadania europeia em 2014


Em 2014, cerca de 890 mil pessoas adquiriram a cidadania de um dos Estados-Membros da União Europeia (UE), segundo estudo divulgado hoje (13) pelo Eurostat, o banco de dados europeu. Entre os que obtiveram a cidadania naquele ano, 89% eram cidadãos de países de fora da UE, cerca de 788 mil pessoas.

O número foi menor do que o registrado em 2013, quando 981 mil pessoas obtiveram a cidadania europeia. Desde 2009, já são mais de 5 milhões de novos cidadãos.

Marrocos foi o país com o maior número de concessões obtidas (92.700), dos quais 88% foram requeridas na Espanha, Itália ou França.

A Albânia foi o segundo país com mais cidadanias obtidas (41 mil), das quais 96% adquiridas da Grécia ou da Itália. A Turquia aparece em terceiro lugar, com 37.500 cidadanias obtidas, das quais 60% provenientes da Alemanha.

Em seguida, aparecem a Índia (35.300, com maioria de cidadanias britânicas); o Equador (34.800) e a Colômbia (27.800), ambos com maioria espanhola; e o Paquistão (25.100, com aproximadamente 50% de cidadanias britânicas).

Cidadãos da UE

Em quinze países da UE, pelo menos 9 em cada 10 cidadanias concedidas foram para pessoas não-europeias. Na Estônia, por exemplo, 100% das cidadanias foram concedidas a cidadãos de fora da UE. Na Bulgária, a percentual foi de 99%, enquanto na Espanha, Lituânia e Romênia a taxa ficou em 98%. A Grécia e a Letônia apresentaram índice de 97%; Dinamarca, Portugal e Eslovênia (95%), Polônia (94%), Itália (93%), Reino Unido (92%), Croácia (91%) e França (90%).

Luxemburgo, Hungria e Malta foram os únicos países onde a maioria das pessoas que adquiriram a cidadania já eram cidadãos da UE. Os romenos (24.300 pessoas) e os poloneses (16.100) foram os dois maiores grupos de cidadãos europeus a adquirirem cidadania de outro país da UE.

No caso de Luxemburgo, os cidadãos portugueses foram os que mais obtiveram cidadania, seguidos por italianos, franceses, belgas e alemães. Já na Hungria, os pedidos foram quase todos de cidadãos romenos; e em Malta, os britânicos representaram a maior parcela.

A Espanha foi o país que mais concedeu cidadanis (205.900), o que representa 23% de todas as cidadanias concedidas na UE em 2014. Em seguida aparecem Itália (15%), Reino Unido (14%), Alemanha e França (12%).

Em 2014, as maiores taxas de naturalização foram registradas na Suécia, na Hungria e em Portugal. Essa taxa é calculada levando-se em conta o número de pessoas que adquiriram a nacionalidade de um país em relação à quantidade de estrangeiros residentes naquele país.

Em Portugal, para cada 100 estrangeiros residentes, 5,3 obtiveram a cidadania naquele ano. Entre as 20.168 pessoas que obtiveram cidadania portuguesa, 23% eram brasileiras (4.656 pessoas).

A União Europeia inclui Bélgica, Bulgária, República Checa, Dinamarca, Alemanha, Estônia, Irlanda, Grécia, Espanha, França, Croácia, Itália, Chipre, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Hungria, Malta, Países Baixos, Áustria, Polônia, Portugal, Romênia, Eslovênia, Eslováquia, Finlândia, Suécia e Reino Unido.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Ficar ou deixar a UE? Eis a questão no Reino Unido

Imagens do Brexit mostram a divisão no Reino Unido
No próximo dia 23 de junho, os britânicos definirão o futuro do país ao votarem no referendo que ficou conhecido como “Brexit” e no qual vão decidir se o Reino Unido continua ou se deixa de ser membro da União Europeia (UE).

Em debate no país desde 2015, quando o primeiro-ministro David Cameron prometeu a realização dessa consulta popular para agradar opositores, esse movimento está dividindo o país, da classe política, nacional e internacional, até a população, passando ainda pelas celebridades do mundo das artes e do esporte.

O referendo ganhou novos contornos nessa semana, quando foram divulgadas pesquisas de intenção de voto que mostram que a maioria das pessoas hoje pensam em votar a favor da saída desse bloco que reúne 28 países europeus.

O serviço de pesquisas YouGov, por exemplo, em uma pesquisa realizada entre os dias 1 e 3 de junho, revelou que essa saída é a preferência de 45% dos entrevistados, enquanto o grupo que deseja a continuidade é de 41%.

Outra pesquisa com esse teor, essa realizada pelo What UK Thinks (“O que pensa o Reino Unido”) entre os dias 27 de maio e 5 de junho, mostra um cenário mais acirrado: os partidários da saída estão em 50% contra 49%.

Uma terceira produzida para o jornal britânico The Guardian e conduzida por telefone pela empresa ICM, também segue nesse ritmo: 52% dos entrevistados manifestaram intenção de voto pela saída e 48% deles querem ficar no bloco.

Para se ter noção da divisão no país, foram divulgadas ainda pesquisas que revelam o oposto. A ferramenta do jornal Financial Times é uma delas e mostrava nessa segunda a vantagem do grupo que quer a permanência do Reino Unido na UE: 45% contra 43%.

Sair ou não sair?

Os argumentos contra e a favor da permanência são diversos. O grupo “Vote Leave – Take Control” (“Vote Sair – Tenha o Controle”) reúne partidários pela saída. De acordo com eles, a permanência significa continuar a enviar semanalmente 350 milhões de libras para fora do país. Além disso, consideram que o fluxo migratório ao país está “descontrolado”.

Já para o grupo “Britain Stronger in Europe” (“Reino Unido é mais forte na Europa”), a saída pode ocasionar a perda de 3 milhões de postos de trabalho, vagas essas que estão ligadas ao comércio com países membros da UE, e também do impressionante montante de 66 milhões de libras que o país recebe diariamente desses parceiros.

Do lado de fora da discussão bilateral, entre especialistas há praticamente um consenso de que a saída seria uma péssima ideia. Em uma pesquisa conduzida no fim de maio, o The Guardian revelou que 9 entre cada 10 economistas britânicos acham que a economia do país será duramente impactada pela saída do bloco.

Fora do Reino Unido, outros que se mostram desgostosos com essa ideia são o Fundo Monetário Internacional (FMI), os ministros da Economia dos países industrializados do chamado G7 e o consagrado analista internacional Ian Bremmer, presidente da influente consultoria de riscos políticos Eurasia.

Em entrevista à revista The Economist, Bremmer disse que a saída contribuiria negativamente para a marginalização do Reino Unido da esfera de poder global. Na sua visão, o Reino Unido deveria trabalhar para manter a UE no curso e abraçar o papel de líder no bloco.

A imprevisibilidade do resultado final é evidente. Resta saber se Cameron terá a resiliência de lidar com as consequências de qualquer uma dessas hipóteses.

Fonte: Exame

UE pede autorização da ONU para controlar embargo de armas à Líbia

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini. EFE/Mauricio Duenas Castañeda
A União Europeia (UE) pediu nesta segunda-feira ao Conselho de Segurança da ONU que autorize sua missão naval no Mar Mediterrâneo a assumir o controle do embargo de armas sobre a Líbia.

"Só posso confiar que este Conselho faça mais uma vez o correto e nos ajude a fazer do Mediterrâneo um lugar mais seguro para todos", disse a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em comparecimento ao principal órgão de decisão das Nações Unidas.

Em maio, os ministros das Relações Exteriores da UE firmaram um plano para que a operação naval EUNavfor Med "Sofia" vigie o cumprimento do embargo de armas e para que, além disso, comece a formar a guarda costeira líbia para que controle melhor os fluxos migratórios.

Enquanto a formação da guarda costeira será feita a pedido das autoridades líbias, a UE necessita a aprovação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para poder se ocupar do embargo de armas.

O Conselho já deu sinal verde às operações atualmente desenvolvidas pela missão "Sofia", voltadas a interromper o modelo de negócio das máfias que traficam com imigrantes no Mediterrâneo central.

Para isso foi necessário superar certas reservas da Rússia, que nesta segunda-feira já deixou perceptível que também tem dúvidas sobre esta ampliação de funções.

Logo após o discurso de Mogherini, o embaixador russo perante a ONU, Vitaly Churkin, questionou os sucessos conseguidos até agora pela operação naval europeia e pela gestão que os 28 Estados-membros fizeram da crise dos migrantes.

A alta representante da UE ressaltou que, desde que começou, a missão "Sofia" salvou "milhares de vidas" e levou muitos traficantes à justiça.

Mogherini falou perante o Conselho de Segurança em sessão dedicada à cooperação entre a organização europeia e Nações Unidas. Em outra sessão já prevista para esta segunda-feira, o Conselho abordará a situação na Líbia com o enviado das Nações Unidas para o país, Martin Kobler.

Segundo fontes diplomáticas, os membros do Conselho também começarão a analisar uma minuta de resolução apresentada pelo Reino Unido para dar sinal verde à solicitação da União Europeia.

Fonte: EFE

sábado, 4 de junho de 2016

Portugal é o segundo país que mais recebe refugiados em programa da UE


Mais de 300 refugiados, provenientes da Grécia e da Itália, chegaram a Portugal nas últimas semanas. O acolhimento dessas pessoas faz parte do compromisso assumido pelo país de receber, até o final do ano que vem, pelo menos 4,5 mil refugiados. Até o momento, o país ocupa o segundo lugar entre as nações da União Europeia que mais refugiados recebeu dentro do programa de recolocação. A França é o primeiro, com 700 refugiados realocados.

Diante da maior crise migratória desde a Segunda Guerra Mundial, os 28 países da União Europeia se comprometeram, em setembro do ano passado, a acolher 160 mil pessoas até 2017 por meio de programas de acolhimento de refugiados.

“Portugal, em termos absolutos, é o segundo país que mais recebeu refugiados. Foram cerca de 300 até agora. Mas isto corresponde a menos de 10% da nossa disponibilidade inicial [que era de acolher 4.500]. Os números mais recentes mostram que só foram disponibilizados, por todos os países da UE, cerca de 7 mil vagas”, disse o coordenador da organização não governamental Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) de Portugal, Rui Marques.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em 2014 o número de pessoas deslocadas por guerras atingiu o recorde de 59,5 milhões. Os conflitos obrigaram 42,5 mil pessoas a deixarem suas casas por dia, em média.

Em 2015, pelo menos 1 milhão de refugiados chegaram a Europa, a metade era composta de sírios fugindo da guerra em seu país.

Para Rui Marques, a Europa precisa de ações integradas que contribuam para solucionar os problemas migratórios. “No contexto da guerra da Síria, a União Europeia tem que ser participativa na construção de um processo de paz efetivo. Enquanto não houver paz na Síria, não terminará o fluxo de refugiados, porque as pessoas naturalmente fogem da guerra”, afirmou.

Ainda segundo ele, é necessário que a Europa apoie efetivamente, com mais recursos, os refugiados que estão abrigados em países vizinhos aos conflitos, como o Líbano, a Jordânia e a Turquia e também os campos de refugiados, onde há pessoas que querem permanecer próximas a seus países de origem, com condições dignas de vida, com escolas e serviços de saúde adequados.

“Como se sabe, na Europa, há uma grande tensão em relação ao acolhimento dos refugiados. Nós queremos, junto à opinião pública portuguesa, combater a ignorância e o medo, sensibilizando para uma cultura de acolhimento. O objetivo é que possa haver cada vez mais uma atitude positiva”, afirmou Marques à Agência Brasil.

De acordo com o Conselho Português para os Refugiados (CPR), a Europa tem desempenhado um papel modesto e o número de refugiados reinstalados no mundo anualmente tem ficado aquém das necessidades identificadas pela Acnur, raramente ultrapassando os 10% dos pedidos.

Rui Marques afirmou ainda que o processo de recolocação proposto pela UE tem se mostrado lento. “É muito lento e burocrático e faz com que aquele que era o objetivo europeu de reintegrar refugiados não atinja a quantidade que deveria. A UE não tem mecanismos para que esses processos corram rapidamente. Na Grécia, por exemplo, por causa da avalanche de pedidos, todo o procedimento é lento e eles não dão conta de processar.”

Portugal disponibilizou, até o momento, 700 vagas para refugiados em todo o país, 300 já foram preenchidas com pessoas vindas da Grécia (sírios e iraquianos) e da Itália (majoritariamente eritreus).

De acordo com a PAR, instituição composta por 320 organizações da sociedade civil, Portugal optou por não ter centros de refugiados. O modelo adotado pelo país é o comunitário, no qual instituições anfitriãs recebem famílias e as ajudam na integração e autonomia.

“Ajudar as pessoas no acesso à moradia; à aprendizagem do português; à inserção no mercado de trabalho, conforme forem aptas para isso; à integração no sistema de saúde; e [à inserção das] crianças no sistema de educação”, afirma Marques.

Para Marques, Portugal tem uma realidade atípica, diferente da da UE, pois todos os políticos, mesmo os de extrema direita, não fazem propaganda contra os refugiados.

Números

Segundo a PAR, mais de 4 milhões de refugiados fogem atualmente de guerras, metade deles são crianças. Além disso, 12,2 milhões de sírios precisam de ajuda humanitária, dos quais 7,6 milhões estão deslocados internamente.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), apenas nos primeiros sete meses de 2015, 133 mil crianças pediram asilo na Europa - uma média de 19 mil crianças por mês. Atualmente, mais de 5,6 milhões de crianças sírias precisam de ajuda humanitária. Cerca de 2 milhões de crianças continuam vivendo em zonas de difícil acesso no interior da Síria. Um quinto das escolas no país foram destruídas, danificadas ou são usadas como abrigos; 52 mil professores foram mortos ou fugiram do país. Mais de 2,6 milhões de crianças sírias e de países vizinhos continuam sem acesso à educação e mais de 100 mil crianças já nasceram em campos de refugiados.

De acordo com a Acnur, das 59,5 milhões de pessoas deslocadas forçadamente no mundo até o final de 2014, 19,5 milhões eram refugiadas; mais de 38 milhões foram deslocadas internamente e quase 2 milhões solicitaram refúgio. A Síria foi o país que gerou o maior número tanto de deslocados internos (7,6 milhões de pessoas) quanto de refugiados (3,88 milhões). Em seguida estão Afeganistão (2,59 milhões de refugiados) e Somália (1,1 milhão de refugiados).

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Rússia admite que crise deixou 5 milhões de cidadãos na linha da pobreza


A crise econômica que a Rússia atravessa deixou na pobreza aproximadamente cinco milhões de russos, admitiu nesta quarta-feira Andrei Belousov, assessor do presidente Vladimir Putin, em entrevista divulgada pela agência oficial "TASS".

"Os cidadãos que vivem com renda inferior ao mínimo vital somam atualmente 13% da população. Antes da crise o número era de 10%. São quase 5 milhões de novos pobres", disse Belousov, ex-ministro de Economia.

Em março, o governo estabeleceu a receita mínima para as pessoas em idade de trabalhar em 10.187 rublos (cerca de R$ 542) mensais.

"Estamos diante de um problema muito grave", disse o assessor presidencial, acrescentando que pode levar vários anos para que a Rússia volte ao nível anterior a crise.

Belousov indicou que, apesar da mudança de foco, existe um consenso de que o modelo anterior ao crescimento econômico "praticamente se esgotou".

"Obter (esse modelo) mais de 1-2 % de crescimento é quase irreal. E se fosse possível, não seria nada produtivo. Aconteceriam novas bolhas e, depois, uma nova recessão", explicou.

Daí, acrescentou o assessor de Putin, a necessidade de buscar novas fontes de crescimento e criar novos mecanismos que permitam alcançar taxas anuais de expansão da economia na ordem de 4%.

"Há sinais de que foi alcançada uma certa estabilização (da economia), mas ao mesmo tempo há uma série de importantes assuntos estruturais que não foram resolvidos", afirmou.

Belousov indicou que uma série de setores ficaram na "zona de risco", entre eles o automobilístico, a indústria ferroviária, a construção e a indústria leve.

O assessor da presidência acrescentou que o governo russo adotou e lançou programas anti-crise para estabilizar esses setores.

"Entendemos que os programas anti-crise são medidas transitórias e exigem soluções estratégicas", frisou.

Fonte: EFE

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Paris quer cidade mais verde e esportiva para Jogos de 2024

Anéis olímpicos no aeroporto de Sochi, cidade-sede da Olimpíada de Inverno de 2014
A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, apresentou nesta segunda-feira um plano de 43 pontos para tornar a cidade mais verde, mais esportiva e com um sistema de transporte mais sustentável dentro da candidatura para organizar os Jogos Olímpicos de 2024.

A criação de uma ciclovia unindo as principais instalações esportivas que seriam usadas no evento - o Stade de France, o Centro Aquático e a Vila Olímpica - é uma das principais propostas do plano, explicou a prefeita de Paris em comunicado.

Entre as medidas, se destacam a criação de uma rota de 35 quilômetros pelo centro da cidade para passear através de zonas verdes protegidas e um programa para limpar as águas do rio Sena, para que ele seja palco das provas do triatlo e posteriormente possa ser usado pela população.

A prefeitura de Paris também apresentou um projeto de linha de metrô que conectará o leste com o oeste da cidade, passando por algumas das instalações que serão usadas nas competições. Ela uniria o Parc de Princes (futebol), o complexo de Roland Garros (tênis), o estádio Jean Bouin (rúgbi), a Torre Eiffel (vôlei de praia), o Grand Palais (esgrima), a Esplanada dos Inválidos (tiro com arco) e o ginásio poliesportivo Bercy Arena (basquete e judô).

O plano de ação deve ser formalizado no próximo dia 17, afirmou o comitê de candidatura, que lembrou que muitas das iniciativas já estão em andamento já visando os Jogos Olímpicos de 2024.

"O plano para uma Paris mais verde, mais saudável com um transporte sustentável trabalha em harmoniza com os princípios-chave da candidatura para 2024, com objetivo de criar o entorno perfeito para um espetáculo esportivo de nível mundial e para promover os valores essenciais do movimento olímpico", afirmou o comitê de candidatura da capital francesa.

Fonte: EFE

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Indignação mundial após bombardeio contra refugiados sírios

Bombardeios em campo de refugiados na Síria
A comunidade internacional expressou indignação com os bombardeios que mataram cerca de 30 pessoas nesta quinta-feira em um campo de refugiados do norte da Síria, considerados "crime de guerra" pela ONU.

Além disso, ao menos 73 pessoas morreram nas últimas 24 horas em uma batalha entre as forças do regime de Bashar al-Assad e a Frente Al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda, em uma área ao sul de Aleppo, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Na quinta-feira à noite, 28 civis, incluindo crianças, morreram em ataques contra um campo de deslocados que fugiam dos combates na província de Idleb (noroeste).

Até o momento não foi possível determinar quem está por trás dos bombardeios, perto da cidade de Sarmada, na fronteira com a Turquia. Aviões do regime, da Rússia e da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos sobrevoam a Síria.

O governo negou qualquer envolvimento. O exército sírio chegou a afirmar que os rebeldes atacaram recentemente "alvos civis" para depois acusar o governo de Damasco. Os insurgentes, no entanto, não dispõem de aviões.

A Rússia também negou que qualquer avião do país ou da Síria tenha sobrevoado na quinta-feira a região do campo de refugiados.

"Nenhum avião russo ou qualquer outro sobrevoou a área", afirmou o porta-voz do ministério russo da Defesa, Igor Konashenkov, antes de destacar que o campo de deslocados poderia ter sido alvo de um ataque "premeditado ou acidental de artilharia" dos jihadistas da Frente Al-Nosra.

Os rebeldes sírios acusam a aviação do regime de Damasco de ser responsável pelo bombardeio.

Os vídeos divulgados na internet por militantes - apresentados como imagens da tragédia - mostram barracas azuis destruídas, em chamas, em meio a gritos de adultos e choro de crianças.

"Que Deus os amaldiçoe"

"Que Deus os amaldiçoe", grita uma pessoa em um dos vídeos.

"Onde estão as ONGs?", questiona outro.

Muitos voluntários correram para tentar apagar as chamas no campo devastado. Nas imagens também é possível observar os feridos, incluindo muitas mulheres, gritando de dor.

Em outro vídeo, equipes de emergência colocam cobertores sobre os corpos carbonizados. Várias vítimas perderam membros e as cenas são fortes.

"Os bombardeios são um crime de guerra", anunciou o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos.

"Estes acampamentos de barracas estão instalados nesta área há várias semanas e podem ser observados com facilidade. É extremamente improvável que os ataques tenham sido acidentais. É muito mais provável que tenham sido deliberados e constituam um crime de guerra", afirmou Zeid Ra'ad Al Hussein em um comunicado.

A diplomacia britânica se declarou "horrorizada" com o ataque, que atribuiu ao regime de Assad.

Stephen O'Brien, secretário da ONU para Assuntos Humanitários, concordou que o ataque "pode constituir um crime de guerra" e pediu uma investigação imediata.

A União Europeia chamou o ataque de "inaceitável" e o governo dos Estados Unidos afirmou que, embora não esteja confirmada a autoria do regime sírio no bombardeio, este corresponde "totalmente" a suas operações anteriores.

A guerra na Síria, que desde 2011 provocou mais de 270.000 morte, forçou milhões de pessoas a fugir, o que provocou uma tragédia humanitário que tem consequências inclusive na Europa.

Fonte: AFP

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Governo alemão diz que "islã faz parte do país"

Islamismo
O governo alemão expressou nesta segunda-feira rejeição aos pronunciamentos islamofóbicos da formação populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD) e lembrou que, tal como expressou reiteradamente a chanceler Angela Merkel, o "islã faz parte do país".

A Constituição garante a liberdade de religião e de culto, apontou o porta-voz do governo, Steffen Seibert, para acrescentar que não era incumbência do Executivo "comentar" os conteúdos dos programas dos partidos políticos.

O porta-voz da chanceler respondeu assim à polêmica surgida por causa das declarações da vice-presidente da AfD, Beatrix von Storch, no fim de semana passado, que definiu o islã de "ideologia que não está de acordo com a Constituição" alemã e alertou contra a suposta "islamização" progressiva do país.

A própria Merkel, questionada sobre a questão em um comparecimento junto ao presidente da Indonésia, Joko Widodo, se limitou a repetir as palavras de Seibert com relação à liberdade de religião, para acrescentar que "a imensa maioria dos muçulmanos pratica aqui sua religião de acordo com a Constituição".

Quando não é assim, enfatizou a chanceler, corresponde aos corpos de segurança atuarem em consequência e mantê-los sob observação.

Storch, representante do ala mais radical desse partido, se propõe a impulsionar uma moção no próximo congresso da formação, que será realizado em duas semanas em Stuttgart (sul do país), para proibir símbolos muçulmanos.

Sua proposta, secundada por outro dos vice-presidentes do partido, Alexander Gaulant, suscitou críticas de todo o espectro parlamentar alemão.

Desde as fileiras conservadoras de Merkel, o porta-voz de assuntos religiosos de seu grupo parlamentar, Franz Josef Jung, advertiu sobre a progressiva radicalização desse partido e disse que sua postura com relação ao islã cai na inconstitucionalidade.

O Conselho Central dos Muçulmanos da Alemanha já havia expressado no domingo protesto e seu presidente, Aiman Mazyek, comparou hoje o AfD com o partido nazista e o qualificou de partido anticonstitucional.

Estima-se que na Alemanha vivam quatro milhões de muçulmanos, aos que é preciso somar a grande maioria dos 1,1 milhão de peticionários de asilo chegados ao país no ano passado.

A AfD é uma formação emergente, presente nas câmaras regionais de seis dos 16 estados federados alemães, assim como na Eurocâmara, embora sem cadeiras no Bundestag.

No pleito regional realizado em março em três estados federados, o partido obteve porcentagens que oscilaram entre 12% e 24% e as pesquisas em nível nacional (embora as próximas eleições não ocorrerão até o ano que vem) lhes outorgam uma perspectiva de voto de 12% há algumas semanas.

Fonte: Exame

Venezuela diz que EUA ajudaram a arruinar acordo de petróleo

Bandeira com o logotipo da Opep
A pressão intensa dos Estados Unidos foi uma das razões pelas quais produtores de dentro e fora da Opep não conseguiram alcançar um acordo em Doha, no domingo, para congelar a produção, disse o ministro de Petróleo da Venezuela, Eulogio Del Pino, a repórteres.

"Os EUA estavam por trás da pressão. Eles têm um problema com Venezuela, Rússia... Eles estão fazendo isso por razões políticas e estão ignorando o sofrimento de seu próprio povo. Pergunte a qualquer petroleira nos EUA - elas estão todas muito tristes pelo que aconteceu ontem", disse.

Fonte: Exame

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Estado Islâmico arrecada 3 bilhões de dólares com tráfico

Forças iraquianas seguram bandeira do Estado Islâmico que retiraram de Ramadi após expulsar o grupo terrorista, dia 01/02/2016
O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) arrecada 3 bilhões de dólares ao ano com o tráfico de drogas, armas, obras de arte e contrabando de petróleo, estimou nesta quarta-feira o promotor encarregado da luta contra o terrorismo na Itália.

"O tráfico ilegal exige uma extensa rede de cúmplices externos, com conexões na chamada economia real através de paraísos fiscais e redes para a transferência de dinheiro", explicou Franco Roberti, promotor encarregado da luta contra a máfia e o terrorismo.

Roberti, que graças à legislação especial adotada contra a máfia siciliana Cosa Nostra e Camorra em Nápoles tem autorização para ordenar escutas telefônicas e apreensão de bens, estima que as "ligações entre as organizações criminosas e o terrorismo internacional se consolidaram".

"Eles precisam de dinheiro disponível, armas, documentos falsos, estruturas logísticas que as organizações mafiosas podem fornecer sem qualquer problema", reconheceu o promotor, durante uma coletiva de imprensa em Roma.

Fonte: Exame

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Turquia recebe primeiros refugiados expulsos após acordo

A chanceler alemã, Angela Merkel, aperta a mão do premiê turco, Ahmet Davutoglu, durante visita de Merkel à Turquia, dia 08/02/2016
Três barcos partiram nesta segunda-feira rumo à Turquia com pelo menos 202 imigrantes que estavam nas ilhas gregas de Lesbos e Chios, como parte do polêmico acordo assinado entre UE e Ancara em 18 de março passado.

Este acordo contou com o apoio da Alemanha, que aceitou, no último ano, a maioria dos mais de um milhão de imigrantes que desembarcaram na Europa pela Turquia.

Em conversa por telefone, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro turco, Ahmed Davutoglu, consideraram que esta segunda-feira foi um dia "importante", que marcou o início da "implementação de uma parte central" da estratégia europeia para conter o fluxo de imigrantes, declarou a Alemanha.

Pelo acordo, 202 imigrantes, entre eles dois sírios, foram levados para a Turquia, enquanto outros 32 sírios foram levados para Hannover, no norte da Alemanha, e 11, para a Finlândia. Espera-se que, nesta terça, a Holanda receba mais refugiados.

Uma primeira embarcação procedente de Lesbos chegou ao porto de Dikili às 6h20 GMT (3h20 de Brasília), e outros dois devem chegar nas próximas horas - um ao mesmo porto, e outro, a Cesme.

Em Lesbos, a balsa Lesvos e o catamarã Nezli Jale receberam 131 pessoas, em sua maioria do Paquistão e de Bangladesh, no porto de Mytilene, informou Ewa Moncure, porta-voz da Frontex, a agência de vigilância de fronteiras externas da UE, que comanda a operação.

A Polícia grega anunciou números um pouco diferentes: 136 pessoas partiram de Lesbos, sendo 125 paquistaneses, quatro cingaleses, três bengaleses, dois indianos e dois sírios.

Segundo o ministro turco encarregado das relações com a UE, Volkan Bozkir, os sírios serão enviados aos campos de Osmaniye, no sul do país, e de Kirklareli, no norte, perto da fronteira com a Bulgária.

Os demais vão permanecer um tempo na Turquia, antes de serem devolvidos "pouco a pouco" para seus respectivos países.

Vários manifestantes expressaram apoio aos expulsos, com direito a uma faixa com frase "Turkey is not safe" ("Turquia não é segura") no terraço de um hotel diante do porto.

Mesmo assim, a operação aconteceu de maneira calma e ordenada, de acordo com Moncure.

Os imigrantes, todos homens, estavam no campo de Moria, a 10 quilômetros do porto.

Em Chios, outra ilha próxima da Turquia, a balsa Erturk Line-Cesme saiu do porto com 66 imigrantes a bordo, segundo a polícia: 43 afegãos, 10 iraquianos, seis paquistaneses, cinco cidadãos congoleses, um somali, um marfinense e um indiano.

Dezenas de ativistas e simpatizantes compareceram ao local para pedir "liberdade", mas não há registro de confrontos.

O acordo assinado entre a União Europeia e a Turquia prevê que, para cada sírio devolvido, outro será admitido no território comunitário, com um teto de 72 mil pessoas.

Um primeiro grupo de 16 sírios desembarcou nesta segunda-feira em Hannover, norte da Alemanha, e um segundo grupo deve chegar nas próximas horas.

No domingo, uma fonte do governo alemão afirmou que dezenas de imigrantes chegariam à França, à Finlândia e a Portugal.

Um ato ilegal

A agência de notícias grega ANA anunciou ontem que 750 imigrantes seriam devolvidos para a Turquia entre segunda e quarta-feiras, ao ritmo de 250 por dia. O grupo é composto, em sua maioria, por paquistaneses, cingaleses e africanos.

A Turquia começou a preparar centros de registro perto das ilha de Lesbos e Chios, assim como um campo de grande capacidade.

A UE enviou forças de segurança para apoiar a operação. O governo francês pretende mobilizar 200 homens, entre policiais, agentes do Batalhão de Choque e gendarmes.

Diante da ameaça de expulsão iminente, vários migrantes teriam solicitado asilo nas últimas horas. A princípio, o acordo envolve apenas os que não fizeram o pedido.

A operação provoca grande preocupação entre os defensores dos direitos humanos, incluindo a organização Anistia Internacional, que acusa Ancara de forçar uma centena de sírios por dia a voltar para a Síria. O governo turco nega a acusação.

"O que vai acontecer com as milhares de pessoas que pediram asilo?", questionava a vice-diretora da AI na Europa, Gauri Vaugulik, falando de Lesbos.

A ONG alemã Pro Asyl denunciou as expulsões como "um ato ilegal e desumano".

Para o chefe da representação da Comissão Europeia na Grécia, Panos Carvounis, o "teste" desta segunda enviou "um sinal muito forte para dizer às pessoas: 'não venham mais para a Grécia pelo mar, porque vão ser devolvidos'".

O acordo não resolve o problema dos 50 mil refugiados que chegaram à Grécia antes de 20 de março e que permanecem bloqueados na fronteira desde o fechamento da rota dos Bálcãs.

Fonte: Exame

quarta-feira, 30 de março de 2016

Sérvia devolve a judeus bens de vítimas do Holocausto

Primeiro ministro da Sérvia, Aleksandar Vucic, olhando fotografias de vítimas do holocausto no país
Em 1945, Aleksandar Lebl, um sobrevivente do Holocausto retornou à Sérvia e recuperou a casa da família. Foi um dos poucos.

A maioria das propriedades dos judeus dizimados na Segunda Guerra Mundial ficaram sem herdeiros, um problema que deve ser resolvido por meio de uma lei.

Mais de 70 anos depois de ter sido declarada "livre de judeus", a Sérvia aprovou uma lei em fevereiro para restituir à pequena comunidade judaica essas propriedades sem herdeiros.

É um dos primeiros países do leste europeu a adotar tal medida.

Mais de 80% dos 33.000 judeus que viviam na Sérvia antes da Segunda Guerra Mundial foram exterminados até a primavera de 1942 e seus bens confiscados pelos nazistas ou pelo governo fantoche de Belgrado.

"Depois da guerra, as autoridades decidiram devolver as propriedades, mas com tantas vítimas não havia ninguém para recuperá-las", declarou à AFP Lebl, de 93 anos.

Hoje, os judeus residentes na Sérvia, um país de cerca de 7,1 milhões de pessoas, não chegam a 1.000.

A lei aprovada visa fazer justiça aos judeus que sobreviveram e resolver o problema da falta de herdeiros.

Milhares de propriedades, principalmente imobiliárias, serão entregues à Associação de comunidades judaicas no país, que planeja alugá-las em sua maioria.

"Nós identificamos 3.000 imóveis confiscados pelos alemães durante a guerra", indicou o presidente da Associação, Ruben Fuks.

Este não é um número final. É muito provável que aumente, sobretudo na província de Voivodina, onde viviam quase a metade dos judeus da Sérvia antes da guerra, acrescentou.

"A Sérvia tem uma obrigação moral com os judeus que dedicaram suas vidas e trabalho a este país", afirmou recentemente o ministro da Justiça, Nikola Selakovic.

Os judeus apoiaram a luta dos sérvios por sua independência no século XIX e lutaram junto a eles na Primeira Guerra Mundial.

Em 2009, 46 países assinaram a chamada declaração de Terezin, comprometendo-se a restituir os bens aos judeus.

Fonte: Exame

quarta-feira, 23 de março de 2016

UE deve parar jogos geopolíticos e se unir a nós, diz Rússia


O chanceler russo Sergei Lavrov
A União Europeia deve parar seus "jogos geopolíticos" e se unir à Rússia na luta contra os "terroristas", afirmou nesta quarta-feira o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, um dia após os ataques de Bruxelas.

"Eu realmente espero que os europeus deixem de lado os jogos geopolíticos e se unam (à Rússia) para não permitir que os terroristas assumam o controle do nosso continente comum", declarou Sergei Lavrov ao início de uma reunião com o seu colega alemão, Frank-Walter Steinmeier, citado pela agência de notícias Ria Novosti.

A Europa enfrenta uma grave crise de segurança após os ataques de Bruxelas, que fez mais de 30 mortos e 200 feridos na terça-feira, quatro meses depois dos atentados de Paris, que mataram 130 pessoas.

O apelo de Lavrov é feito em um contexto de pressão diplomática internacional para resolver o conflito na Síria, enquanto negociações indiretas entre a oposição e o regime sírio avançam lentamente em Genebra desde o final de fevereiro.

"Eu não posso pessoalmente imaginar que depois de 250.000 mortes e 12 milhões de refugiados, Bashar al-Assad seja uma figura aceitável para todos os habitantes", declarou a este respeito o ministro alemão em uma entrevista à agência de notícias Interfax.

"O futuro político da Síria deve ser decidido na mesa de negociações" em Genebra, acrescentou.

Steinmeier se reuniu durante a tarde com o presidente russo Vladimir Putin para um "diálogo aberto e construtivo (...) que durou uma hora e meia", segundo um comunicado da chancelaria alemã.

Este encontro deve ser seguido à noite por uma reunião com o secretário de Estado americano John Kerry, que chegou nesta quarta-feira na capital russa para tratar com Putin sobre a transição política na Síria.

Fonte: Exame