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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Como a malária pode se expandir na América do Sul até 2070

Mosquito Anopheles albimanus, transmissor da malária
O principal vetor de transmissão da malária na América do Sul é o mosquito da espécie Anopheles darlingi.

Ele foi o responsável por praticamente 276 mil casos da doença registrados no Brasil em 2012, a maioria (99%) restrita à Amazônia.

O A. darlingi é um inseto muito bem adaptado à vida na floresta amazônica, onde o regime de chuvas é abundante o ano todo e as temperaturas médias elevadas – embora com amplitude climática relativamente pequena, ou seja, com pouca variação entre as temperaturas do mês mais quente e as do mês mais frio do ano.

Ocorre que, devido às mudanças climáticas e ao aumento progressivo das temperaturas no planeta, a Amazônia pode passar por grandes mudanças.

Nos próximos 50 anos, há o risco de a paisagem de floresta tropical ser substituída em boa parte pelo avanço do cerrado, onde o clima é mais quente e a amplitude climática bem maior.

Nestas futuras condições, o A. darlingi poderá desaparecer. Mas isso não significaria o fim da malária. Há na América do Sul nove espécies de mosquitos do Complexo Albitarsis.

A maioria delas não se adapta bem ao ambiente amazônico. Preferem climas mais secos e quentes. Todas são transmissoras dos protozoários Plasmodium falciparum e P. vivax, os agentes causadores da doença.

Das nove espécies, sete estão presentes no território brasileiro e poderão se tornar futuros vetores importantes de transmissão da malária, expandindo até 2070 a área de transmissão da doença.

Este é o alerta que o biólogo Gabriel Laporta, da Universidade Federal do ABC (UFABC), faz no artigo “Malaria vectors in South America: current and future scenarios”, publicado no periódico Parasites & Vectors.

A pesquisa foi desenvolvida durante o pós-doutoramento de Laporta na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP),com apoio da Fapesp, e continua por meio de uma bolsa Apoio a Jovens Pesquisadores , no âmbito do Programa BIOTA.

Sabe-se que durante a última Idade do Gelo, há 10 mil anos, o clima e a vegetação da Amazônia eram muito diferentes.

O clima era mais seco e, no lugar da floresta tropical, existia um imenso cerrado. “O mesmo poderá acontecer no futuro”, afirma Laporta.

Com as mudanças climáticas, é de supor que o progressivo aumento das temperaturas acabe por impactar o clima e a vegetação da Amazônia.

As espécies vegetais que preferem um clima mais seco e quente do que o atual, como o do cerrado, deverão proliferar.

Já aquelas espécies típicas da floresta úmida, que não suportam bem um regime com menos chuvas, tenderão a desaparecer ou migrar para as ilhas de umidade onde sobreviverão rodeadas por uma floresta tropical muito reduzida em relação à de hoje.

É nesse cenário que a área de ação do mosquito A. darlingi tende a se reduzir dramaticamente, ao mesmo tempo em que a expansão do cerrado acelerará a proliferação das nove espécies do Complexo Albitarsis.

“Meu trabalho é de modelagem. É um trabalho probabilístico”, diz o pesquisador. Para construir os seus modelos de nichos ecológicos dos mosquitos, Laporta empregou variáveis como a topografia, os diferentes climas e os muitos biomas da América do Sul.

Também definiu a distribuição atual na América do Sul do plasmódio P. falciparum, do mosquito A. darlingi e das nove espécies do Complexo Albitarsis.

Todas aquelas variáveis foram aplicadas ao cenário mais pessimista proposto pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que representa a situação na qual os comportamentos humanos em relação às mudanças climáticas não se alterariam daqui para o futuro.

Como resultado de sua modelagem, Laporta produziu dois cenários para o clima da América do Sul em 2070.

No primeiro, a temperatura média anual subirá de 2 a 3 graus centígrados, enquanto a precipitação no mês mais seco cairá entre 6,5 e 8 milímetros, e no mês mais quente, até 12 milímetros. Tais valores manteriam os biomas sul-americanos relativamente inalterados.

No segundo cenário, de mudanças climáticas mais severas, a temperatura média anual aumentaria 4 graus centígrados e as precipitações declinariam em até 5 milímetros no mês mais seco, e entre 15 e 17 milímetros no mês mais quente. Nesta segunda hipótese, o modelo indica a grande probabilidade da transformação do bioma amazônico.

No segundo cenário, a distribuição do A. darlingi recuaria dos atuais 22% do território sul-americano para 11%.

Quanto às espécies de mosquitos do Complexo Albitarsis para as quais o índice de precipitação elevado é importante, elas apresentariam uma distribuição decrescente nos cenários futuros.

Já aquelas espécies desse complexo que se beneficiam com o aumento das temperaturas ou a alteração dos biomas teriam grande expansão nas suas distribuições geográficas.

Feitas todas as contas, o protozoário P. falciparum, que ocorre atualmente em 25% do território da América do Sul, avançaria sua área de incidência para 37% do continente.

No segundo cenário, o agente causador da malária poderia se alastrar por 46% do continente.

“Para obter esses resultados considerei apenas as mudanças climáticas e os hábitats dos mosquitos. Não considerei os esforços humanos na eliminação da doença e no controle dos vetores”, sublinha Laporta.

Vale dizer que os cenários por ele traçados para a expansão da área de atuação dos mosquitos transmissores na América do Sul são modelos razoáveis, porém longe de serem definitivos.

É muito provável que a Amazônia se torne mais quente e mais seca, com impacto sobre sua fauna e flora. Já a convivência do brasileiro com a malária e seus vetores não é um cenário determinístico.

“Malária é doença de país pobre. A malária é epidêmica em países onde as infraestruturas de moradia, saúde e saneamento são ruins. Sou otimista. Não acredito que os brasileiros aceitem que o país mantenha em 2070 as péssimas condições de infraestrutura atuais nos locais onde a doença ocorre.”

O artigo "Malaria vectors in South America: current and future scenarios", de Laporta e outros, publicado em Parasites & Vectors, pode ser lido no endereço: http://www.parasitesandvectors.com/content/8/1/426.

Fonte:Exame

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Brasil melhora IDH, mas cai uma posição no ranking mundial

Bandeira do Brasil
O Brasil registrou melhora no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 2014. Os dados divulgados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) mostram que o IDH passou de 0,752 em 2013 para 0,755 em 2014.

Apesar do aumento, o Brasil caiu uma posição no ranking mundial de desenvolvimento humano e passa a ocupar o 75º lugar entre 188 países.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano 2015, lançado hoje (14), o país perdeu uma posição porque foi ultrapassado pelo Sri Lanka, que teve crescimento acelerado no último ano. O IDH mede o desenvolvimento humano por meio de três componentes: a expectativa de vida, educação e renda.

A coordenadora do Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional, Andréa Bolzon, explicou que a diferença no ritmo de crescimento dos países causou a queda do Brasil. “Apesar de o Brasil ter crescido no IDH, outro país cresceu em ritmo um pouco mais acelerado que o nosso. A isso se deve nossa queda”.

Com a 75° posição, o Brasil fica atrás de países latino-americanos como a Argentina (40°), o Chile (42°), Uruguai (52°), Cuba (67°) e a Venezuela (71°). O primeiro lugar no ranking mundial é da Noruega, seguido pela Austrália e a Suíça. Em último está o Niger.

O relatório mostra que, no Brasil, indicadores que representam melhorias sociais tiveram avanço, como a esperança de vida ao nascer, que aumentou de 74.2 em 2013 para 74.5 em 2014, e a média de anos de estudo que passou de 7,4 para 7,7 nesse período.

Houve queda na Renda Nacional Bruta (RNB) per capita de 2014 (15.288), quando comparada a 2013 (15.175). Desde 1990, a RNB do Brasil não havia sofrido retração.

“O relatório mostrou que do ponto de vista da renda per capita, houve pequena retração e é claro que isso afeta também nosso índice de desenvolvimento humano. Agora, daqui para a frente, precisamos aguardar para ver como as coisas vão se refletir no relatório”, disse Andréa Bolzon.

Questionada se a queda no Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil poderá ter impacto negativo no IDH, ela respondeu que existe essa possibilidade, já que um dos indicadores é a renda que está relacionada ao PIB.

O Brasil acumula trajetória constante de crescimento do IDH. De 1990 a 2014, o crescimento foi 24,2%, o maior no período entre os países da América do Sul. Em relação à posição no ranking mundial, de 2009 a 2014 o país avançou três posições.

As políticas públicas brasileiras têm responsabilidade direta sobre esses avanços, segundo a coordenadora do Pnud.

“O relatório reconhece esses programas de proteção social e de transferência de renda como importantes para aumentar o desenvolvimento humano. O desenvolvimento dos países tem acidentes de percurso e, se você tem uma rede de proteção social forte, obviamente as coisas ficam mais seguras para todo mundo”, afirmou Andréa.

O relatório do Pnud, intitulado O Trabalho como Motor do Desenvolvimento Humano, traz também dados de 188 países e sugere estratégias para criar oportunidades e assegurar o bem-estar dos trabalhadores.

Fonte: Exame/Abril

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Historiador diz ter prova de que origem de Colombo é falsa

Retrato de Cristóvão Colombo e sua família
O historiador português Manuel Rosa, especializado em estudos colombianos, voltou a colocar em dúvida que Cristóvão Colombo tenha nascido na Itália e garante ter encontrado a prova definitiva.

Em um novo artigo publicado pela revista Legal History Review, da universidade de Quinnipiac (Connecticut, EUA), Rosa assegura que o espólio de Colombo, no qual se baseia a teoria oficial de que nasceu em Gênova, era falso.

"A importância do artigo é que prova que o espólio de 1498 foi uma falsificação feita 90 anos depois que Colombo morreu", contou o historiador em entrevista à Agência Efe.

"Descobri que o suposto documento foi contestado em sua época pela própria justiça espanhola, que já sentenciou que esse documento vale o mesmo que uma folha em branco. A descoberta põe em dúvida tudo o que foi escrito até agora sobre Colombo. A história de Colombo como nos contaram é falsa", acrescentou.

Segundo Rosa, estes novos elementos sobre Colombo dão maior fundamento a sua teoria sobre o homem enviado às Índias.

"Colombo nasceu na ilha da Madeira (Portugal) e era, na realidade, filho do rei polonês Ladislao III, que fugiu para o local após lutar contra os turcos em uma batalha na qual até agora muitos pensavam que tinha morrido", alegou.

Na Madeira, o pai de Colombo teria vivido com o nome falso de Henrique Alemão.

Rosa, que em 2008 publicou "Colombo. A história jamais contada", na qual já começava a desconstruir a biografia oficial do descobridor da América, se disse "ciente" das críticas que recebe de parte da comunidade de historiadores.

O especialista afirma em seu livro que Cristóvão Colombo servia em segredo a Portugal, e não à Espanha, país que com o descobrimento da América pretendia afastar dos ricos mercados da Ásia.

Segundo o historiador, o autêntico Colombo não era um plebeu italiano às ordens da monarquia espanhola, mas um homem de confiança da monarquia de Portugal que sabia bem desde o princípio que não se dirigia às Índias, mas à América.

Rosa disse à Agência Efe acreditar que "quando o livro for publicado em inglês - até agora só é possível encontrá-lo em português, espanhol, lituano e polonês -, toda a história de Colombo como se conhece será derrubada".

Fonte: Exame/Abril

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Colômbia e Venezuela começam reunião sobre crise fronteiriça

Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, dá as boas vindas a Juan Manuel Santos, presidente colombiano, em Puerto Ayacucho
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e Juan Manuel Santos, presidente colombiano: um pequeno grupo de colombianos se congregou para gritar palavras de ordem contra o governo venezuelano.

Delegações da Colômbia e Venezuela, lideradas por suas chanceleres, começaram nesta quarta-feira em Cartagena a reunião para discutir a crise na fronteira comum, detonada pela decisão de Caracas de fechar a principal passagem fronteiriça e deportar mais de mil colombianos.


Na reunião, realizada na Casa do Marqués de Valdehoyos, sede alterna da Chancelaria, participam as ministras de Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holguín, e da Venezuela, Delcy Rodríguez, acompanhadas por outros membros dos respectivos gabinetes.

As delegações se cumprimentaram friamente no começo da reunião, mas não fizeram declarações, que serão feitas no final, quando haverá um balanço do tratado.

Na rua da sede do encontro, um pequeno grupo de colombianos se congregou para gritar palavras de ordem contra o governo venezuelano e a polícia teve que pedir que se retirassem para não entrar em conflito com dois venezuelanos que defendiam o presidente Nicolás Maduro.

A expectativa gerada para este encontro para solucionar a crise fronteiriça, iniciada há uma semana, deu passo ao ceticismo a teor das recentes declarações do governo venezuelano.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse ontem à noite que o fechamento da passagem fronteiriça de Cúcuta-San Antonio é quase "a ponta do iceberg" da resposta de seu governo à "violência paramilitar" e antecipou que na reunião bilateral de hoje na caribenha Cartagena serão ditas "verdades muito duras".

"Eu orientei a chanceler a dizer todas as verdades", disse Maduro.

A chanceler Rodríguez ratificou hoje essa postura em mensagem no Twitter na qual deixou claro que no encontro com Holguín a diplomacia será posta a toda prova.

"Parto para Cartagena para exigir respeito aos direitos da Venezuela na construção de uma fronteira produtiva, de paz e respeitosa dos direitos humanos", escreveu a chanceler venezuelana.

A Colômbia, por sua vez, advertiu por meio do presidente Juan Manuel Santos que a reunião de Cartagena, além de "buscar soluções conjuntas" à crise na fronteira, servirá para apresentar um "protesto pela forma como foram maltratados nossos compatriotas".

Em outro tweet publicado pouco antes do início da reunião, Rodríguez antecipou que seu país não aceitará exigências.

"A Venezuela convida o governo da Colômbia a levar muito a sério os graves problemas de desatenção de sua população", expressou.