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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Samarco tem 10 dias para solucionar vazamento em Mariana

Destruição provocada pelo rompimento de barragens da Samarco em Mariana, Minas Gerais
O Comitê Interfederativo criado para supervisionar o cumprimento do acordo firmado pela Samarco para recuperar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), deu 10 dias para que a empresa detalhe como vai conter os rejeitos de minério que continuam escoando em grande volume pela bacia do Rio Doce.

Um das descrições mais repetidas por ambientalistas e autoridades para se referir à tragédia de Mariana é a de que se trata de um desastre ambiental “em curso”.

Uma das principais razões para isso é o imenso volume de rejeitos de minério - mais de 13 milhões de metros cúbicos - ainda retido na região do rompimento e em margens e afluentes da bacia.

Rio Doce

Quando chove sobre a área, o material escoa até a foz do rio Doce, no Espírito Santo, deixando pelo caminho um rastro de poluição.

Para lidar com o problema, diques de contenção provisórios foram instalados pela Samarco, mas essas estruturas esgotaram rapidamente sua capacidade de armazenamento.

A empresa propôs a construção de estruturas permanentes, previstas para estarem prontas em dezembro, depois do início do período chuvoso.

Após vistoria em maio, no entanto, o Ibama concluiu que, se for mantido o atual ritmo de trabalho, tais diques só estarão prontos no ano que vem.

Pela resolução emitida ontem (7), a Samarco deverá, em dez dias, apresentar alternativas para a contenção de rejeitos, de modo a impedir uma nova poluição de grandes proporções da bacia do rio Doce a partir de outubro, quando aumenta o volume de chuvas na região.

Segundo o comitê, existe “a possibilidade iminente de chegar o próximo período chuvoso sem nenhuma capacidade de retenção de rejeitos”.

Plano emergencial

A resolução exige ainda que a Samarco apresente, nos mesmos dez dias, um plano para a dragagem emergencial do reservatório de Candonga, pertencente à Usina Hidrelétrica Risoleta Neves, que conteve ao menos 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos desde o desastre de Fundão e agora está em seu limite de segurança máximo, sob o risco de também se romper.

“A inação das partes Samarco e Consórcio Candonga representa o pior cenário”, disse o Comitê Interfederativo em relação ao problema.

Pelo acordo firmado entre o governo e a Samarco há três meses, a dragagem emergencial da barragem de Candonga deveria ter começado em 28 de março.

Procurada, a Samarco não disse porque ainda não iniciou o trabalho. A empresa, cujas proprietárias são a mineradora brasileira Vale e a anglo-australiana BHP Billiton, também não respondeu aos pedidos da Agência Brasil.

A barragem de Fundão, em Mariana (MG), se rompeu em novembro do ano passado, liberando no rio Doce mais de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração.

O desastre matou 19 pessoas e arrasou comunidades próximas, que ainda aguardam a reconstrução.

Fonte: Agência Nacional

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Polícia pede prisão de ex-presidente da Samarco

Vista aérea da lama de barragens da Samarco que invadiram o Rio Doce e chegam até a costa do Espírito Santo
A Polícia Civil de Minas Gerais pediu nesta terça-feira a prisão preventiva de sete pessoas, entre elas o presidente licenciado da mineradora Samarco, pelas mortes provocadas pelo rompimento de uma barragem de contenção dessa empresa em novembro do ano passado.

O presidente licenciado da Samarco, Ricardo Vescovi, e o ex-diretor geral de Operações, Kléber Terra, estão entre os sete acusados formalmente pela polícia de homicídio qualificado por dolo eventual, além de poluição de água potável.

O acidente, que provocou o que já é considerado o maior desastre ambiental do Brasil, deixou 17 mortos e dois desaparecidos, que são considerados como falecidos pelas autoridades.

A investigação da Polícia Civil, que durou três meses, começou em 6 de novembro, um dia depois da ruptura da barragem da Samarco, controlada pela Vale e pela anglo-australiana BHP.

O perito Otávio Guerra concluiu que o acidente aconteceu por um colapso na estrutura devido a uma liquefação, que provocou o acúmulo de água.

A polícia explicou em entrevista coletiva que detectou erros no controle dos diques, assim como equipamentos com defeitos, o que contribuiu para o rompimento da barragem.

A Samarco enfrenta vários processos na Justiça como consequência da tragédia que atingiu o estado de Minas Gerais, sepultando vários municípios e provocando vários danos ambientais e econômicos na região.

Ontem a Justiça bloqueou R$ 500 milhões da Samarco e suas controladoras para garantir o financiamento da reconstrução da cidade de Barra Longa, uma das mais devastadas.

A sentença ordenando o bloqueio indica que a Samarco e suas controladoras deverão apresentar nos próximos 30 dias um projeto para recuperar e reparar "integralmente" todos os bens públicos e infraestruturas que foram danificadas na cidade, sobre pena de uma multa diária de R$ 500 mil.

Fonte: Exame

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Samarco antecipa parte de indenização a atingidos por lama

05/11 - Barragens de rejeitos da empresa de mineração Samarco se rompem em Mariana (MG)
A Samarco fechou acordo com o Ministério Público de Minas Gerais e representantes de comunidades afetadas pelo rompimento da barragem da mineradora em Mariana (MG) para o pagamento de antecipação indenizatória de 10 mil reais para famílias que tinham imóveis atingidos que não eram utilizados como moradia.

A informação foi publicada nesta quinta-feira pela Samarco, joint venture da brasileira Vale em parceria com a anglo-holandesa BHP Billiton, que explicou que os valores serão pagos até 29 de fevereiro, com base nos cadastros previamente realizados destas famílias.

No acordo, também ficou definido que a Samarco indenizará os proprietários que perderam seus veículos, que receberão o valor da tabela FIPE do dia 5 de novembro de 2015, dia do rompimento, acrescido de juros e correção monetária até a data de pagamento.

Serão feitos pagamentos referentes a cerca de 35 veículos, segundo a Samarco. A empresa fará o pagamento após o proprietário entregar a documentação necessária, informou a empresa em nota enviada à imprensa.

O rompimento da barragem, considerado o pior desastre ambiental da história do Brasil, gerou uma onda de lama de rejeitos que deixou 17 mortos e diversos desabrigados, atingiu diversas cidades e poluiu o Rio Doce, que deságua no mar capixaba.

Fonte: Exame

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Mariana é o maior acidente mundial com barragens em 100 anos

Rio Doce poluído pela lama do rompimento de barragens em Mariana (MG)

Queixas.com.br
O rompimento da barragem de rejeitos da Samarco em novembro de 2015 - que destruiu o distrito mineiro de Bento Rodrigues - é o maior desastre do gênero da história mundial nos últimos 100 anos.

Se for considerado o volume de rejeitos despejados - 50 a 60 milhões de metros cúbicos (m³) - o acidente em Mariana (MG) equivale, praticamente, à soma dos outros dois maiores acontecimentos do tipo já registrados no mundo - ambos nas Filipinas, um em 1982, com 28 milhões de m³; e outro em 1992, com 32,2 milhões de m³ de lama.

Os dados estão presentes em estudo da Bowker Associates - consultoria de gestão de riscos relativos à construção pesada, nos Estados Unidos - em parceria com o geofisico David Chambers.

Apenas cinco acidentes com barragens de rejeitos excederam 10 milhões de m³ de lançamentos, até hoje, em todo o mundo.

Mas não é apenas nessa métrica (volume de rejeitos) que a tragédia mineira sai negativamente na frente. Em termos de distância percorrida pelos rejeitos de mineração, a lama vazada da Samarco quebra outro recorde. São 600 quilômetros (km) de trajeto seguidos pelo material, até o momento. No histórico deste tipo de acidente, em segundo lugar aparece um registro ocorrido na Bolívia, em 1996, com metade da distância do trajeto da lama, 300 quilômetros.

O ineditismo numérico continua em um terceiro quesito: o custo. O investimento necessário para reposição das perdas ocasionadas pelo desastre, no caso brasileiro, está orçado pela consultoria norte-americana em US$ 5,2 bilhões até o momento. O maior valor contabilizado com a mesma finalidade, após os anos 1990, foi de um acidente com perdas próximas a R$ 1 bilhão, na China. "Essas avaliações não levam em consideração a 'limpeza' das áreas afetadas, nem a 'correção' de danos diversos os quais os reparos podem não ser economicamente viáveis ou tecnicamente realizáveis", acrescenta o estudo da consultoria norte-americana.

"Embora os números exatos permaneçam um pouco distorcidos, a diferença de magnitude em relação a catástrofes passadas torna inequivocamente claro que o caso da Samarco é o pior registrado na história sobre essas três medidas de gravidade", pontua Lindsay Newland Bowker, coordenadora da Bowker Associates. O estudo registra, de 1915 a 2015, um total de 129 eventos com barragens - de 269 conhecidos - e projeta, em média, um acidente grave por ano no período de uma década.

Até 2015, foram registrados 70 eventos "muito graves" com barragens em todo o mundo. A classificação leva em conta o fato de esses acidentes terem ocasionado o vazamento de, no mínimo, 1 milhão de metros cúbicos de rejeitos, cada. De acordo com a pesquisa, enquanto na década que se encerra em 1965 havia sido contabilizado 6 milhões de m³ vazados em desabamentos de barragens, na década que termina em 2015, esse número saltou para 107 milhões de m³.

O estudo prevê que a década que se encerrará em 2025 registre 123 milhões de m³ de vazamentos de barragens de rejeitos. Em termos de quilometragem, também é registrada a tendência de crescimento. Na primeira década pesquisada, eram 126,7 quilômetros tomados por lama de rejeitos. Na última década, foram 722,2 quilômetros totais, já incluindo a falha da Samarco. A expectativa para os dez anos que se encerram em 2025 é de 723,5 km.

 "Todas as catástrofes na mineração são ocasionadas por erro humano e falhas ao não se seguir as melhores práticas estabelecidas, o melhor conhecimento, a melhor ciência", pondera Lindsay.

  A consultora complementa que os acidentes são, também, "falhas dos parceiros públicos"."Uma das preocupações é que o Brasil permite a utilização de barragens à montante, o método menos estável de construção, com barragens grandes. Trata-se de um desvio aos conhecimentos e práticas globalmente aceitas", explica. "No caso específico da Samarco, essa instabilidade inerente foi exacerbada por uma taxa de deposição de rejeitos e uma taxa de aumento na barragem muito superiores aos melhores padrões globais", complementa Lindsay.

O estudo lembra, ainda, outro acidente ocorrido com barragens no Brasil, em setembro de 2014, em Itabirito, também no estado de Minas Gerais. A Herculano Mineração é a responsável pela obra. Na ocasião, dois trabalhadores morreram e um desapareceu.

"As falhas da Samarco e da Herculano são apenas os dois exemplos mais recentes de um Estado que tem falhado na política nacional de mineração. Nenhuma ação foi tomada pelo governo em nível estadual ou federal para a identificar quais foram os problemas e evitar a sua manifestação com novas falhas repentinas", conclui Lindsay.

Esta semana, o subsecretário de Regularização Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente de Minas Gerais, Geraldo Vítor de Abreu, em depoimento à comissão da Assembleia Legislativa do Estado que investiga o desastre da barragem de Mariana, afirmou que Minas Gerais quer proibir o sistema de alteamento de barragens à montante na unidade da Federação. Procurada pelo Portal EBC, a empresa Samarco não se manifestou, até o momento, sobre os dados apresentados pelo estudo da Bowker Associates.

Fonte: Exame

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Recuperar Rio Doce levará ao menos 10 anos, diz ministra

Rio Doce poluído pela lama do rompimento de barragens em Mariana (MG)
https://www.magazinevoce.com.br/magazinejacksoncampos/
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse dia 17 que o projeto de recuperação da Bacia do Rio Doce será de longo prazo. “Quando falo de longo prazo, é um projeto de pelo menos uma década”.

A ministra participou da reunião com a presidente Dilma Rousseff e integrantes do comitê de gestão e avaliação de respostas ao desastre causado pelo rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco, na região de Mariana, em Minas Gerais.

Izabella Teixeira falou também sobre o plano de recuperação da Bacia do Rio Doce anunciado, após a reunião, pela presidente Dilma Rousseff.

Segundo a ministra, haverá muito trabalho pela frente a ser feito e que o objetivo é chamar todos as partes envolvidas para convergir numa proposta única que não é de curto prazo.

“O desastre é enorme, é uma catástrofe, o pior desastre ambiental do país, e temos que tomar medidas inovadoras para resolver. A gente sabe que a parte de peixes, a fauna intocada, répteis, isso foi perdido. Os especialistas terão que dizer quanto tempo leva [a revitalização]. Além da recuperação de nascentes e uma série de situações estruturantes para a restauração da qualidade ambiental na bacia”, disse Izabella.

Fonte:Exame/Abril

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MP exige R$ 1 bi da Samarco por rompimento das barragens

Destruição provocada pelo rompimento de barragens da Samarco em Mariana, Minas Gerais
Ministério Público de Minas Gerais e o MPF assinaram na tarde de hoje (16) um termo de compromisso com a Samarco para o pagamento de R$ 1 bilhão para custear medidas de contenção aos efeitos do rompimento das barragens de Fundão e Santarém, em Minas Gerais. O dinheiro será usado em ações preventivas para redução dos efeitos do despejo de rejeitos de mineração no Rio Doce, além de reparadoras ou compensatórias para as comunidades e municípios atendidos.

Fonte:Exame/Abril