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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Racistas usam Twitter com relativa impunidade, diz relatório

Twitter em tela de celular
Racistas e simpatizantes do nazismo baseados principalmente nos Estados Unidos, usam o Twitter com relativa impunidade e frequentemente têm mais seguidores que militantes islâmicos, mostrou um estudo divulgado nesta quinta-feira.

Dezoito proeminentes contas de racistas examinadas no estudo, incluindo a do Partido Nazista Americano, tiveram um aumento acentuado no número de seguidores do Twitter para um total de mais de 25 mil, ante 3.500 em 2012, de acordo com um estudo do Programa de Extremismo da Universidade George Washington visto pela Reuters.

As descobertas contrastam com a queda na influência do uso do Twitter pelo Estado Islâmico, em meio à repressão que visou o grupo militante, segundo uma pesquisa conduzida por J.M. Berger e descobertas de outros especialistas antiextremismo e autoridades do governo.

"Os racistas e nazistas superaram o EI na média de amigos e contas de seguidores por uma margem substancial", diz o estudo.

"Nazistas têm uma contagem média de seguidores quase oito vezes maior que a dos apoiadores do EI, e uma mediana mais de 22 vezes maior".

Embora o Twitter tenha empreendido uma campanha agressiva para suspender os usuários do EI - a empresa disse que fechou 360 mil contas por ameaças ou promoção do consideradas atos terroristas desde meados de 2015 - Berger disse em seu relatório que "os racistas e nazistas operam com relativa impunidade".

Fonte: Reuters

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Ex-guarda de Auschwitz se desculpa pela primeira vez

Foto do campo de concentração de Auschwitz em 1945
Um ex-guarda das SS, de 94 anos, julgado por cumplicidade em 170.000 assassinatos no campo de extermínio de Auschwitz durante o nazismo, quebrou nesta sexta-feira seu silêncio pela primeira, para pedir desculpas às vítimas.

"Permaneci em silêncio por toda a minha vida", disse Reinhold Hanning ao tribunal que o julga na cidade ocidental de Detmold, mais de 70 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

"Sinto vergonha de ter deixado que esta injustiça ocorresse e de não ter feito nada para evitá-la (...) Lamento sinceramente", afirmou o acusado, que trabalhou do início de 1942 a junho de 1943 no campo de extermínio mais famoso do genocídio nazista.

Hanning entrou com 18 anos nas Waffen SS, e combateu nos Bálcãs e depois no front russo, até ser transferido a Auschwitz. Membro da unidade SS Totenkopf, permaneceu no campo de base Auschwitz-I, e supervisionou por vezes as chegadas a Birkenau (Auschwitz-II).

No décimo-terceiro dia de seu julgamento, o acusado, que havia mantido silêncio até então, lamentou seu pertencimento a uma organização criminosa responsável pela morte de inúmeras famílias e inocentes, segundo a agência alemã DPA.

Anteriormente, seus advogados leram ante o tribunal um texto de 23 páginas sobre a juventude e o envolvimento de seu cliente. Nele, Hanning reconhece ter tido conhecimento das execuções em massa realizadas em Auschwitz.

O texto retrata o acusado como um jovem apolítico que não pôde fazer nada para impedir sua incorporação às SS.

"Auschwitz foi um pesadelo. Queria nunca ter estado ali", conclui o texto.

Hanning enfrenta entre 2 e 15 anos de prisão, uma condenação meramente simbólica, diante de sua idade avançada.

Fonte: Exame

quarta-feira, 30 de março de 2016

Sérvia devolve a judeus bens de vítimas do Holocausto

Primeiro ministro da Sérvia, Aleksandar Vucic, olhando fotografias de vítimas do holocausto no país
Em 1945, Aleksandar Lebl, um sobrevivente do Holocausto retornou à Sérvia e recuperou a casa da família. Foi um dos poucos.

A maioria das propriedades dos judeus dizimados na Segunda Guerra Mundial ficaram sem herdeiros, um problema que deve ser resolvido por meio de uma lei.

Mais de 70 anos depois de ter sido declarada "livre de judeus", a Sérvia aprovou uma lei em fevereiro para restituir à pequena comunidade judaica essas propriedades sem herdeiros.

É um dos primeiros países do leste europeu a adotar tal medida.

Mais de 80% dos 33.000 judeus que viviam na Sérvia antes da Segunda Guerra Mundial foram exterminados até a primavera de 1942 e seus bens confiscados pelos nazistas ou pelo governo fantoche de Belgrado.

"Depois da guerra, as autoridades decidiram devolver as propriedades, mas com tantas vítimas não havia ninguém para recuperá-las", declarou à AFP Lebl, de 93 anos.

Hoje, os judeus residentes na Sérvia, um país de cerca de 7,1 milhões de pessoas, não chegam a 1.000.

A lei aprovada visa fazer justiça aos judeus que sobreviveram e resolver o problema da falta de herdeiros.

Milhares de propriedades, principalmente imobiliárias, serão entregues à Associação de comunidades judaicas no país, que planeja alugá-las em sua maioria.

"Nós identificamos 3.000 imóveis confiscados pelos alemães durante a guerra", indicou o presidente da Associação, Ruben Fuks.

Este não é um número final. É muito provável que aumente, sobretudo na província de Voivodina, onde viviam quase a metade dos judeus da Sérvia antes da guerra, acrescentou.

"A Sérvia tem uma obrigação moral com os judeus que dedicaram suas vidas e trabalho a este país", afirmou recentemente o ministro da Justiça, Nikola Selakovic.

Os judeus apoiaram a luta dos sérvios por sua independência no século XIX e lutaram junto a eles na Primeira Guerra Mundial.

Em 2009, 46 países assinaram a chamada declaração de Terezin, comprometendo-se a restituir os bens aos judeus.

Fonte: Exame

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Filme biográfico sobre Anne Frank estreia na Berlinale

Anne Frank, em foto divulgada em 1959
O primeiro filme biográfico alemão dedicado ao trágico destino de Anne Frank estreou na Berlinale e é também um apelo "por uma atitude mais positiva em relação aos refugiados" que chegam diariamente à Europa.

"Se o nosso filme sobre o destino de uma família judia perseguida e aniquilada pode contribuir para uma atitude mais positiva em relação aos refugiados, então todos nós podemos nos orgulhar", declarou Fred Breinersdorfer, roteirista do filme "Das Tagebuch der Anne Frank" ("O diário de Anne Frank"), num momento em que a Europa enfrenta uma crise migratória sem precedentes desde o final da Segunda Guerra Mundial.

"As perseguições, expulsões e destruição são coisas que não podemos simplesmente nos livrar", acrescentou.

O filme, exibido terça à noite em uma seção paralela à competição oficial, conta a história da adolescente judia de 13 anos e sua família, alemães forçados a fugir para a Holanda após a chegada ao poder dos nazistas em Berlin.

Mas em 1940, o exército alemão invadiu a Holanda, forçando a família Frank a se esconder a partir de 1942, quando sua irmã Margot é condenada a ir a um campo de trabalhos forçados.

Em seu diário, a jovem Anne descreve sua vida na clandestinidade, entre junho de 1942 e agosto de 1944, quando sua família é denunciada.

Crônica da vida dos judeus perseguidos na Europa sob o jugo nazista, o diário foi publicado em holandês em 1947 por seu pai, o único sobrevivente da família.

Desde então, mais de 30 milhões de cópias foram vendidas em todo o mundo e o livro foi objeto de várias adaptações, no teatro, cinema e televisão.

"Quando contamos sobre o seu destino hoje (...), que citamos a frase 'aquele que salva uma vida, salva a humanidade' (tirada do Talmud, um dos textos fundamentais do judaísmo), então, como autores do filme, realizamos uma grande coisa", declarou Walid Nakschbandi, co-produtor.

Uma vida "roubada"

"Nós acreditamos que (...) seria muito importante ter um filme em uma linguagem moderna, e também em alemão, porque a família vivia na Alemanha há 400 anos", indicou à AFP Yves Kugelmann, um membro do Fundo Anne Frank, organismo detentor dos direitos do livro.

Com sede em Basileia (Suíça), o Fundo abriu seus arquivos para a equipe de filmagem que teve acesso a 100.000 documentos: textos, objetos, fotografias. Assim, todas as cenas do filme tinham sua própria "fonte", insistiu Hans Steinbichler, o diretor.

"Para mim, era importante remover de Anne Frank (...) esse status sagrado... Porque era a única maneira de fazer passar a mensagem de que o que foi roubado dela foi uma vida normal", explicou.

É a jovem Lea van Acken, de 16 anos, que interpreta uma Anne Frank no auge da adolescência.

A atriz alemã declarou na terça-feira ao jornal alemão Bild que releu de maneira aprofundada a obra para melhor entrar no papel. "Mas eu estava sentada na minha cama e simplesmente não podia embarcar. Senti de repente que era arrogante de minha parte tentar me colocar no seu lugar", disse ela.

Ela então decidiu escrever "cartas para Anne onde dizia coisas sobre mim", explicou a jovem com o cabelo raspado a fim de filmar a cena mostrando a chegada da adolescente em Auschwitz.

Anne Frank morreu de tifo no campo de concentração de Bergen-Belsen no norte da Alemanha, em 1945.

Fonte: Exame

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Governador de NY barra anúncios controversos da Amazon

Anúncio com conteúdo supostamente nazista teria sido colocado no metrô:
Os anúncios para um novo programa da Amazon.com mostrando imagens de inspiração nazista foram retirados de uma movimentada linha de metrô de Nova York, após intervenção do governador Andrew Cuomo, disse um porta-voz do setor de trânsito na terça-feira.

As propagandas para "The Man in the High Castle" envolviam completamente os assentos, paredes e tetos de um trem da linha que liga as estações da Times Square e do Grand Central Terminal, em Manhattan.

Adam Lisberg, porta-voz da Autoridade de Transporte Metropolitano (MTA, na sigla em inglês), disse que o trem foi retirado de serviço depois da hora do rush para que os anúncios pudessem ser removidos.

Um representante da Amazon informou no início da noite que a empresa não tinha pedido a remoção dos anúncios, contradizendo uma autoridade do setor de trânsito que havia dito que a própria empresa tinha solicitado a retirada.

Lisberg não quis comentar sobre as conversas internas entre a MTA e seus anunciantes, mas disse que Cuomo tinha telefonado para o chefe da MTA na terça-feira e pedido que garantisse a remoção dos anúncios.

Mais cedo na terça-feira, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, havia pedido à Amazon que retirasse os anúncios, dizendo que eram "irresponsáveis e ofensivos aos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, suas famílias, e inúmeros outros nova-iorquinos".

O programa, baseado em um romance de Philip K. Dick, retrata uma realidade alternativa em que a Alemanha nazista e o Japão dividem o controle dos Estados Unidos, depois de vencerem a Segunda Guerra Mundial.

Os anúncios incluem uma versão da bandeira norte-americana com uma cruz de ferro e a águia alemã em lugar das estrelas, bem como uma bandeira japonesa imperial estilizado.

Em um comunicado, a Amazon não abordou diretamente a controvérsia, dizendo que a série é parte de sua linha de "programação de alta qualidade, provocante, de estímulo a discussões”.

Os anúncios nas linhas de metrô estavam programados para exibição até 6 de dezembro. Os pôsteres em 260 estações não foram removidos.

Fonte: Exame/Abril