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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Correr é o melhor remédio

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Os dados são preocupantes: cerca de 40% da população brasileira (o equivalente a mais de 57 milhões de pessoas) possui, pelo menos, uma doença crônica não transmissível (DCNT), revela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). Ainda de acordo com o levantamento feito pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), essas doenças, que envolvem a hipertensão arterial, o diabetes, os problemas na coluna, o colesterol e a depressão, são responsáveis por mais de 70% das mortes no país. Mas esse jogo pode virar. Bastam algumas mudanças na rotina. Uma delas é correr. Isso mesmo! O esporte pode ajudar a prevenir e combater praticamente todos os problemas crônicos de saúde. Confira.

HIPERTENSÃO ARTERIAL

A doença se dá quando veias e artérias se contraem ou perdem a capacidade de se dilatarem. Isso eleva a resistência para a passagem do sangue e aumenta a pressão sanguínea. Como o vasos do nosso corpo são recobertos internamente por uma camada muito fina e delicada, eles podem entupir ou romper caso o fluxo forte seja constante. Dependendo da região em que ocorrer o problema, a pessoa pode sofrer infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal… “A hipertensão arterial pode ter diversos fatores, mas, na maioria das vezes, é a genética que prevalece. Por isso, quem possui parentes com a doença necessita de maior atenção”, alerta Celso Amodeo, cardiologista e especialista em hipertensão do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo. Além da questão genética, indivíduos sedentários e que seguem um cardápio nada saudável, com muito consumo de sal e gorduras, também estão mais propícios a desenvolver a doença.

Proteja-se com a corrida Além de manter uma alimentação balanceada, fazer atividade física regularmente é uma das chaves para você ficar longe da hipertensão. O exercício ajuda a manter o peso sob controle, reduz o estresse e a frequência cardíaca em repouso, fatores diretamente ligados ao surgimento da doença. “A corrida ainda otimiza a ação de hormônios que controlam o sistema cardiovascular. Por tudo isso, propicia redução da pressão arterial, do açúcar no sangue e melhora o perfil dos lipídeos no sangue (colesterol e triglicérides)”, aponta Amodeo.

DIABETES TIPO 2

A doença ocorre quando a insulina (hormônio fabricado no pâncreas) produzida pelo corpo se torna insuficiente para normalizar a concentração de glicose na corrente sanguínea. “A insulina é responsável por promover a entrada do açúcar (glicose)  nas células”, esclarece Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Geralmente, a diabetes tipo 2 acontece após o 30 anos de idade e está associada à genética, obesidade e ao sedentarismo. Se não for controlado, o problema pode levar a outras complicações como infarto, derrame, alterações na visão e nos nervos. “Muitos males que surgem em decorrência do diabetes estão entre as principais causas de morte no país”, alerta Zilli.

Proteja-se com a corrida Durante o exercício, seu corpo utiliza a glicose como combustível, o que ajuda a reduzir o nível de açúcar no sangue. Além disso, o treino aumenta a sensibilidade celular à insulina (ou seja, o corpo precisa de menor quantidade do hormônio para levar a glicose para dentro das células). “A atividade física tem um efeito sobre o metabolismo da glicose por até 24 horas. De modo geral, nas pessoas com diabetes e glicemias abaixo de 300 mg/dL, o exercício diminui imediatamente a taxa de açúcar e melhora o controle da doença em longo prazo”, conta Zilli. Segundo o médico, o ideal é realizar pelo menos 30 minutos de atividade física por dia, cinco vezes por semana.

COLESTEROL ALTO

Normalmente, essa alteração se dá em pessoas sedentárias, com dietas ricas em alimentos gordurosos ou com histórico de problema na família. “Manter o colesterol ruim (LDL) elevado por muito tempo pode desencadear doenças cardiovasculares, AVC, doenças nas artérias dos membros inferiores e insuficiência renal”, aponta Celso Amodeo.

Proteja-se com a corrida Estudos demonstram que o treinamento físico regular melhora o perfil de lipídios no sangue. Ou seja, diminui o LDL e aumenta o HDL (colesterol bom). “Isso também tem impacto na redução da aterosclerose, com consequente diminuição do risco cardiovascular”, acrescenta o cardiologista.

DORES NA COLUNA

O principal problema nas costas que acomete os brasileiros é a chamada lombalgia. “Essa dor pode ser apenas resultado de uma contratura muscular na região da lombar ou indicativo de algo mais grave, como uma hérnia de disco ou desalinhamento das vértebras”, alerta Ana Camila Gandolfi, neurocirurgiã especializada em neurocirurgia do esporte e colunista do SUA CORRIDA.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que ao menos 80% da população mundial teve ou vai ter dor nas costas alguma vez na vida. “O sedentarismo crescente e ao hábito de ficar o dia todo sentado têm uma contribuição expressiva para o aumento do problema”, aponta Ana.

Proteja-se com a corrida Quando aliada a uma alimentação saudável, a corrida combate o sobrepeso, um dos fatores que contribuem consideravelmente para a lombalgia. Também fortalece a musculatura do core (formado pelo abdome, pelo quadril e pela lombar), o que previne incômodos na região. Além disso, promove a sensação de bem-estar, relaxamento e diminuição do estresse, reduzindo tensões que podem gerar dores nas costas. “Porém, é bom lembrar que, junto com a corrida, é importante fazer musculação. Isso porque, apenas a corrida não é suficiente para o fortalecimento do core e o impacto do esporte pode até agravar os problemas de coluna”, alerta Ana Camila.

DEPRESSÃO

É considerada um distúrbio afetivo. As pessoas com o problema se sentem muito tristes por um longo período de tempo e/ou sem motivo aparente, não têm vontade de fazer nada, ficam desinteressadas, sofrem com alterações no sono e na alimentação…

As causas para a depressão podem ser diversas: relacionamentos, trabalho, família etc. Além disso, existem alguns fatores que podem influenciar como personalidade do indivíduo, formação emocional e histórico na família. “Atualmente, cerca de 19% da sociedade tem depressão e não há campanhas para tratamentos e orientação”, afirma Yuri Busin, psicólogo e diretor do Centro de Atenção à Saúde Mental – Equilíbrio (CASME), em São Paulo.

O problema é bastante preocupante. Com o tempo, as pessoas depressivas que não passam por tratamento podem começar a perder o que conquistaram e até sentir vontade de tirar a própria via, pois não têm mais interesse nem energia para viver. “Esse desânimo, humor deprimido, indecisão, sentimentos de medo, insegurança e pessimismo irão atrapalhar o cotidiano do indivíduo, causando diversos prejuízos”, explica Busin.

Proteja-se com a corrida “A atividade física aumenta a produção de endorfina. Essa substância aumenta a sensação de bem-estar e ajuda a relaxar, o que minimiza os sintomas da depressão.” Além disso, o esporte estimula o convívio social, o relacionamento com as pessoas, ajuda a fazer novos amigos e a criação de metas para o futuro. Ou seja, a pessoa volta a enxergar diversos novos sentidos para a vida.

Fonte: Sua Corrida

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Correr é um ótimo remédio para a depressão

depressão
Depressão é assunto sério! De acordo com um relatório recente da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com a doença aumentou 18,4% nos últimos dez anos. E o Brasil é o país da América Latina em que a população mais sofre com o problema. Quase 12 milhões de brasileiros têm depressão, e outros 20 milhões sofrem de ansiedade – um dos fatores que podem gerar depressão.

Recentemente, o tema foi muito comentado, devido ao sucesso da série norte-americana 13 Reasons Why (Os 13 Porquês, em tradução livre), que narra a história de uma garota com depressão que decide cometer suicídio após sofrer abusos como bullying e assédio. Desde a estreia da série na Netflix do Brasil, o Centro de Valorização da Vida (CVV) relatou um aumento considerável no número de ligações de pedidos de ajuda ao serviço. De acordo com a associação, diversos contatos recebidos mencionaram a série.

Como identificar o problema

A depressão é um distúrbio de humor que pode ser gerado por diversos motivos: doenças graves (como câncer), circunstâncias da vida (perda de emprego, fim de relacionamento, mudança de cidade), estresse, traumas (morte de um ente querido, um acidente…).

Quando deprimida, a pessoa tende a ficar com uma visão muito negativa do mundo, perde a vontade e energia para fazer tarefas simples e habituais (como trabalhar, estudar, sair com os amigos) e, em casos mais extremos, tem pensamentos de morte.

Mas como saber se a pessoa sofre de depressão ou de tristeza? “Ficar triste não é um problema, mas em algumas situações a tristeza não “passa” e pode tornar-se crônica, evoluindo para o estado depressivo. É importante ficar atento. Se a pessoa demonstra a maior parte do tempo esses sintomas, por um período maior do que duas semanas, ela deve ser avaliada por um especialista”, explica Rita Calegari, psicóloga da rede de Hospitais São Camilo, em São Paulo. Ou seja, alguém ficar triste alguns dias porque seu cachorro faleceu é normal. O problema é quando essa tristeza não passa.

O exercício é um ótimo remédio

Existem diversas atividades que podem ajudar no combate à depressão, desde artes até o cuidado de animais. E uma das principais é a corrida. “A prática de atividades físicas atua como uma proteção a algumas das causas da depressão e ainda contribui para a recuperação de pessoas com a doença”, diz Rita.

Ao correr, diversos neurotransmissores são liberados em nosso cérebro, causando a sensação de bem-estar e relaxamento. Entre essas substâncias estão a endorfina (que traz alegria e satisfação) e a dopamina (que age como tranquilizante e diminui a ansiedade). “É praticamente um remédio contra a depressão, só que melhor, pois não há efeito colateral”, afirma Diego Leite de Barros, fisiologista do esporte do Hospital do Coração (HCor), em São Paulo.

Para combater a doença, Barros recomenda fazer atividades moderadas pelo menos três vezes por semana, por 20 minutos ou mais. “Esse é o tempo mínimo necessário para a liberação dos neurotransmissores. Porém, quanto maior for o treino, maior será o efeito”, explica o fisiologista. Isso não se aplica apenas à corrida, qualquer esporte é válido.

Vale ressaltar que não é apenas a endorfina que faz da corrida um ótimo remédio para a depressão. A atividade física também turbina a autoestima, estimula o envolvimento social, o contato com a natureza e a criação de objetivos. “Uma pessoa com depressão pode ter dificuldade de criar vínculos pessoais e fazer planos. Quando ela define metas, como correr uma prova de 10 km, está investindo energia num desejo, num sonho, e tem a expectativa de poder cumpri-la”, explica Rita. Fazer atividades ao ar livre aumenta a energia e a motivação, por isso, é muito indicado para pessoas com o distúrbio de humor – assim como as atividades em grupo.

Fonte: Sua Corrida

segunda-feira, 3 de abril de 2017

20 dicas incríveis sobre corrida

Duda Teixeira
Foto: Thinkstock

1. Entre um treino e outro, ande de bicicleta. A pedalada fortalece as coxas e melhora a capacidade do joelho de amortecer o impacto da corrida. A bike, nesse caso, teria o mesmo efeito que o exercício com peso para as pernas indicado na matéria.

2. Muitos corredores recomendam que se coma banana todos os dias. A fruta possui potássio, o que teoricamente diminui o risco de cãibras. Mas nenhum dos meus entrevistados recomendou isso. Eles apenas indicaram uma dieta balanceada e com frutas (que pode ser qualquer uma).

3. Outra recomendação muito comum entre os corredores é correr para um rodízio de carnes assim que terminar uma prova. Isso, segundo dizem alguns, seria uma forma de repor as proteínas do corpo, todo debilitado. Trata-se de outro mito. Ademir Paulino, professor da Companhia Athletica, desaconselha o truque: “Em vez de gastar energia para se recompor, o organismo passaria a se dedicar à digestão de toda essa carne”. Marcos Paulo Reis, do Pão de Açúcar, também não recomenda: “O mais provável é que a pessoa vai engordar, só isso”.

4. A esteira é uma boa alternativa para ganhar condicionamento físico. Além disso, amortece mais as passadas do que o chão. Mas quem pretende fazer uma prova de rua não pode treinar apenas nessa máquina. Nela, o corpo faz um sentido vertical, para manter o equilíbrio. Na rua, o sentido é para a frente. “Quem só treina na esteira costuma ter muita dificuldade para correr na rua por uma questão de equilíbrio”, afirma Ademir Paulino. “Corredores de esteira têm mais chance de torcer o pé, porque o piso da rua é irregular, enquanto na esteira é totalmente plano”, diz Fabiana Pereira, da 4any1.

5. O tênis não pode ser apertado. Alguns atletas preferem até comprar um número acima. Também é preciso estar atento à inclinação da sola. Há tênis para pessoas que pisam com o pé inclinado para dentro e pessoas que pisam para fora. Certas lojas oferecem testes para se descobrir isso. Na dúvida, opte por um calçado neutro, que não tem inclinações para os lados.

6. Pessoas acima do peso correm mais risco de sofrer lesões numa corrida. O ideal é ter um peso satisfatório para completar a prova com segurança. Se você está com sobrepeso, reduza o ritmo até conseguir perder alguns quilinhos.

7. Para saber se você está ou não em um bom ritmo, aqui vai uma dica curiosa: tente conversar com um parceiro. “Se o atleta não tiver fôlego para falar a palavra Piracicaba, então é melhor diminuir a marcha”, brinca Paulino.

8. Correr com muita chuva não é indicado, pois a água pode molhar o tênis e formar bolhas. Mas, se o tempo estiver apenas com uma leve garoa, não há desculpa.

9. Em dias muito frios, o treino pode não valer a pena. O risco de pegar um resfriado aumenta muito. Se você achar que dá para arriscar, comece o treino agasalhado e depois fique apenas com camiseta de manga comprida. “Ao final, lembre-se de trocar a camiseta suada o mais rápido possível”, diz Fabiana.

10. Se você joga futebol e quer treinar para uma corrida de 10 km, há dois treinos semanais possíveis, segundo Ademir Paulino, da Companhia Athletica:
//. Caso jogue apenas uma vez por semana, faça mais dois treinos semanais de corrida com 6 a 7 km.
//. Caso jogue duas vezes por semana, faça mais um treino semanal de 6 a 7 km.

11. Mulheres devem correr com tops justos para evitar desconforto. Caso o incômodo com as passadas continue, o ideal é usar dois tops. Isso ajuda a evitar que os seios caiam por causa do movimento da corrida (esse é um tema polêmico entre os especialistas, mas algumas pesquisas já insinuaram isso).

12. Um acompanhamento profissional é sempre indicado para os corredores. “Todo mundo precisa ter um médico que o acompanhe e peça os exames necessários”, diz Marcos Paulo Reis, consultor do grupo Pão de Açúcar.

13. O torrone, normalmente entregue ao se completar a prova, oferece uma boa quantidade de carboidratos. Mas alguns consultores acham que a ingestão rápida de muito açúcar, muito rápido, não faz tão bem assim. Já a barrinha de cereal não tem contra-indicações.

14. Antes da competição, conheça o trajeto da prova. Isso ajuda a reduzir o estresse no dia. Sem contar que talvez seja necessário guardar um pouco de energia para uma subida no final (todo mundo já cansou de ouvir aquela historinha da subida da Brigadeiro no final da São Silvestre…).

15. Em dias de sol, não se esqueça do boné, do protetor solar e de tomar bastante água.

16. Há muitas diferenças entre as provas de 10 km do Brasil. Algumas são repletas de subidas e descidas. Se possível, comece por uma prova de 10 km que seja plana e à noite, em razão da temperatura mais amena, ou em uma época não tão quente.

17. Acostume-se a beber água nos treinos. “Não é raro encontrar pessoas que têm refluxo durante as provas porque não se acostumaram a isso”, diz Fabiana Pereira, da 4any1.

18. Durma bem. Uma boa noite de sono ajuda a recuperar os músculos, reforçar os ossos e queimar as gorduras. Na noite anterior a uma prova, a falta de sono pode ser cruel com a disposição. O recomendado é dormir oito horas.

19. Se correr, não beba. Se beber, não corra. O álcool provoca desidratação, aumenta a freqüência cardíaca e pode provocar tonturas no treino. Além disso, a bebida é muito calórica e pode atrapalhar o controle do peso.

20. Caso você fique algumas semanas sem correr, volte a treinar num ritmo bem leve. Jamais tente voltar ao ponto em que estava. Para isso, é preciso paciência. Se você ficou um mês sem treinar, terá que correr por um mês para chegar ao ponto em que parou.

Fonte: Saúde/Abril

segunda-feira, 28 de março de 2016

Cientistas usam genética para melhorar desempenho de atletas

Fabiana Murer, atleta
Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está mapeando em atletas de elite de diferentes modalidades um conjunto de marcadores genéticos associados ao bom desempenho na prática esportiva.

O objetivo do projeto, intitulado Atletas do Futuro, é criar um banco de dados sobre variações genômicas (polimorfismos) frequentes na população brasileira e, com auxílio de softwares, usar essa informação tanto para a seleção e treinamento de novos talentos, como para o aperfeiçoamento da preparação física de atletas profissionais.

Resultados da pesquisa foram apresentados no dia 22 de março, em São Paulo, durante o workshop “Research on Sports and Healthy Living”, organizado pela Fapesp em parceria com a Netherlands Organisation for Scientific Research (NWO).

“Além de melhorar a performance, acreditamos que o conhecimento desses marcadores genéticos possa nos ajudar a reduzir o número de lesões e a prolongar o tempo de vida do atleta”, disse à Agência Fapesp João Bosco Pesquero, idealizador do Atletas do Futuro e coordenador, na Unifesp, do Centro de Pesquisa e Diagnóstico Molecular de Doenças Genéticas.

O grupo, que teve o auxílio de Elton Dias da Silva, Giscard Lima e Sandro Soares Almeida, já coletou dados de mais de 800 atletas – tanto na ativa quanto aposentados – de modalidades como judô, basquete, kickboxing, rúgbi, karatê, tênis, atletismo e futebol.

Entre os voluntários mais conhecidos estão o tenista Gustavo Kuerten, os jogadores de basquete Hortência Marcari e Oscar Schmidt, os judocas Edinanci Silva, João Derly e Aurélio Miguel e os corredores Marilson do Santos, Joaquim Cruz e Andre Domingos Silva.

O material foi coletado por meio de um raspado bucal, com um kitcomercial semelhante ao empregado em testes de paternidade.

A busca pelos marcadores foi feita por métodos de PCR (reação da polimerase em cadeia) e sequenciamento.

Para isso, foi usado um painel de genes-alvos já associados em estudos anteriores à performance esportiva, como, por exemplo, o ACTN3, que codifica uma proteína importante para a contração muscular, a alfa-actina 3.

“Com base na análise desses marcadores, criamos um escore que indica se aquela pessoa tem mais predisposição a atividades que requerem força ou a atividades de resistência. A princípio, estamos avaliando apenas essas duas variáveis. Mas é possível investigar outras, como capacidade respiratória ou propensão a lesão. No futuro, pretendemos ampliar o número de marcadores genéticos analisados”, contou Pesquero.

De acordo com o escore obtido pelo atleta, explicou o pesquisador, tanto a preparação física quanto a tática de jogo, no caso dos esportes coletivos, podem ser adaptados para alcançar melhores resultados.

O método foi testado com sucesso no time de basquete do Palmeiras, durante o campeonato de 2013, graças a uma parceria e orientação do preparador físico Chiaretto Costa e do fisiologista do exercício Paulo Correia, da Unifesp.

“Estávamos no meio do campeonato e o desempenho do time era ruim, havia perdido praticamente todos os jogos. Era um paciente terminal, então decidimos aplicar o tratamento experimental. A performance do grupo apresentou uma mudança drástica, melhorou muito, assim como a dos atletas individualmente”, contou Pesquero.

Na avaliação do pesquisador, o grande segredo está na capacidade de traduzir a informação genética para a prática esportiva.

“Já tentamos aplicar o método em diversos times de futebol. Fizemos as análises dos marcadores, mas há uma grande resistência em mudar o treino com base nos resultados”, contou Pesquero.

Outra experiência bem-sucedida, desta vez no basquete, foi com o time de São José dos Campos, na época comandado pelo preparador físico Adilson Doretto.

“Doretto já acompanhava o time havia três anos e relatou que o número de lesões caiu de 21, na temporada de 2010, para nenhuma, em 2013 – descontados os quatro casos de lesão por acidente. A performance do grupo também melhorou muito”, contou Pesquero.

Apesar dos potenciais benefícios do projeto para o treinamento de atletas profissionais, o pesquisador da Unifesp ressalta que seu principal público-alvo são crianças.

Uma das propostas de Pesquero é desenvolver um software que pudesse ser usado nas escolas, pelos professores de Educação Física, para identificar as modalidades mais adequadas para cada estudante e orientar o treino.

“Muitas vezes, a criança desiste do esporte porque acredita que aquilo não é para ela. Mas, na verdade, está fazendo algo que não é adequado ao seu perfil. Por exemplo, se ela gosta de natação e é mais propensa a atividades de força, podemos orientá-la a optar por modalidades como 100 metros livres. Modalidades acima de 400 metros livres seriam recomendadas para indivíduos propensos a atividades que requerem resistência. Quando a criança faz algo em que se destaca, aquilo funciona como um estímulo positivo, ajuda a manter a prática de atividade física e aumentam as chances de virar um atleta”, avaliou.

Vida saudável

Realizado com o objetivo de fomentar a colaboração entre pesquisadores do Estado de São Paulo e da Holanda, o workshop “Research on Sports and Healthy Living” reuniu, nos dias 22 e 23 de março, mais de 120 pesquisadores na sede da Fapesp.

Durante a abertura do encontro, o vice-presidente da Fundação, Eduardo Moacyr Krieger, ressaltou que o evento é parte de uma parceria bastante bem-sucedida entre Fapesp e NWO.

“Assinamos um acordo de cooperação em 2012 e, um ano depois, foram aprovados sete projetos financiados conjuntamente. Em 2014, outros sete projetos foram aprovados e, em 2015, mais três. Estamos trabalhando para lançar uma nova chamada de propostas em breve”, disse o vice-presidente.

Segundo Krieger, o esporte é uma das áreas em que melhor se tem aplicado a medicina translacional, ou seja, que melhor consegue transformar as descobertas feitas nos laboratórios em benefícios práticos para os pacientes.

Nico Schiettekatte, conselheiro de Ciência, Tecnologia e Inovação do Consulado Geral dos Países Baixos em São Paulo, lembrou que Brasil e Holanda assinaram nos últimos anos diversos acordos com a intenção de estimular a colaboração em pesquisa e inovação e que, em 2015, a área de esportes foi apontada como prioridade nessa relação bilateral.

“O governo holandês e o Consulado Geral em São Paulo estão extremamente satisfeitos com o aumento da colaboração em pesquisa e é com grande entusiasmo que apoiamos este workshop conjunto. Certamente vai oferecer uma base sólida para a ampliação e aprofundamento de nossas relações”, disse.

O membro da coordenação adjunta de Ciências da Vida da Fapesp Carlos Eduardo Negrão afirmou que a promoção de um estilo de vida saudável é um dos maiores desafios dos dias atuais.

Segundo ele, os avanços tecnológicos nem sempre se traduzem em melhoria na qualidade de vida.

“Nossa geração é muito menos ativa que as anteriores e as evidências mostram que o sedentarismo está associado ao desenvolvimento de doenças. Estudos mostram que atividade física reduz obesidade, dislipidemia, hipertensão e melhora o controle da diabete. Recentemente, exercícios têm sido recomendados também para o combate a doenças graves, como insuficiência cardíaca e câncer”, disse.

Entre os diversos temas abordados no evento destacou-se, por exemplo, a biomecânica de corrida de longa distância – tema da palestra apresentada por Marcos Duarte, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC).

Um dos objetivos da pesquisa é identificar padrões típicos e atípicos de corrida, de modo a prevenir lesões.

Francisco Louzada Neto, da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, apresentou o sistema desenvolvido no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) que funciona como um “Olheiro virtual”, ajudando a identificar novos talentos para times de futebol (Leia mais em: http://agencia.Fapesp.br/ 22207).

O holandês Aarnout Brombacher, da Eindhoven University of Technology, apresentou uma linha de pesquisa voltada a desenvolver dispositivos que podem ser usados por praticantes de esporte – tanto durante os treinos como no dia a dia – para a coleta de dados como aceleração, frequência respiratória e cardíaca, transpiração, entre outros.

Segundo o pesquisador, esse big data, se bem analisado e contextualizado, pode auxiliar tanto na prática esportiva como também no cuidado de idosos, reabilitação pós-trauma e recuperação de crianças em hospitais.

Também foram apresentadas palestras sobre o uso da tecnologia na promoção de um estilo de vida ativo, protocolos de reabilitação física, métodos de análise de big data relacionado à prática de esportes, bases moleculares da hipertrofia cardíaca (fisiológica e patológica), entre outras.

Fonte: Exame

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Que tal ganhar dinheiro para andar? É o que promete a moeda bitwalking


Se você estava precisando de um bom motivo ou incentivo para se levantar do sofá e começar a caminhar, que tal fazer isso em troca de dinheiro? É com essa oferta tentadora que uma nova moeda virtual surge no mercado.

A bitwalking é uma criptomoeda nos moldes da bitcoin, mas que não é gerada por "mineração". Um dólar da bitwalking (1 BW$) é gerado para cada 10 mil passos que você der. A ideia é estimular os exercícios físicos, tentar diminuir a quantidade de carros nas ruas e reduzir a poluição.

A bitwalking é gerada em um app para smartphones Android e iOS que realiza a contagem. E nem adianta tentar trapacear, pois o algoritmo do sistema consegue identificar fraudes na geração de passos.

Sem parar

Por enquanto, a nova moeda virtual ainda não está popularizada e só pode ser testada via convite em alguns países asiáticos ou africanos, além do Reino Unido. Um dos objetivos é justamente gerar uma pequena renda extra para quem precisa caminhar demais para chegar a um trabalho duro que não pague tão bem assim.

Por enquanto, são poucos os parceiros. A fabricante japonesa de eletrônicos Murata já trabalha para lançar uma pulseira inteligente que calcule melhor os dólares bitwalking, um festival de música britânico pode aceitá-la como moeda e lojas de sapatos já negociam com os responsáveis pela ideia.

Fonte:TecMundo

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Rival 'moral' do futebol, rúgbi tem Mundial que começa nesta sexta


Os números apresentados pelos organizadores colocam a Copa do Mundo de rúgbi como o terceiro maior evento esportivo do planeta. Perderia apenas para o Mundial de futebol e os Jogos Olímpicos.

De acordo com as informações divulgadas, quatro bilhões de pessoas vão ligar a TV, em algum momento, para acompanhar pelo menos um trecho de partida do torneio que começa nesta sexta (18), na Inglaterra. Publicações britânicas já contestaram este dado. A BBC, por exemplo, afirma que a audiência deverá girar na casa de 1 bilhão de espectadores. O país anfitrião abre a competição às 16 horas (de Brasília) contra Fiji, em Londres.

A final está marcada para 31 de outubro. Os dirigentes do rúgbi ressaltam incansavelmente o crescimento da competição e a popularidade do esporte porque tenta rivalizar com o futebol, de onde a modalidade teve origem. E se não der na popularidade, que seja nos valores morais. "É uma imagem que já não corresponde tanto à realidade, mas que ainda persiste. O rúgbi sempre se orgulhou de ser eticamente superior ao futebol. Foi assim um dia. Hoje, teríamos de analisar com mais cuidado", disse Ian McGeechan à reportagem, ex-jogador da seleção escocesa e que recebeu título de "Sir" em 1990 da rainha Elizabeth pelos serviços prestados ao esporte.

Tradicionalistas gostam de dizer que no rúgbi ninguém simula contusões. Não há reclamações da arbitragem. Os atletas continuam em campo sem se importar com lesões. O capitão dos All Blacks, como é chamada a seleção da Nova Zelândia, Wayne Shelford, levou um pisão nos testículos em jogo contra a França, em 1987. O incidente lhe rasgou o saco escrotal. Ele ordenou que o departamento médico costurasse o ferimento. Cinco minutos depois, voltou a campo. "Isso é um caso extremo. Mas realmente, quem pratica rúgbi tem orgulho de contar casos em que enfrentou a dor para não sair da partida. Isso seria humilhante", completa McGeecham. É código de honra que sinaliza o respeito às regras. Principalmente no Reino Unido é comum que cada vez que um famoso e milionário futebolista é apanhado no meio de alguma polêmica, apareçam comentários em redes sociais dizendo que um jogador de rúgbi jamais faria aquilo. Uma das versões mais aceitas é que o esporte surgiu em 1823, quando o estudante William Webb Ellis pegou a bola com as mãos no meio de uma partida de futebol e começou a correr.

O rúgbi, que se orgulha do respeito às leis, surgiu de uma contravenção às normas de outra modalidade. Foram vendidos 2,2 milhões de ingressos de acordo com a organização, recorde para a Copa. Seria a quarta maior bilheteria da história de competição de apenas um esporte (não entram na conta os Jogos Olímpicos). Perde para os Mundiais de futebol de 2002, 2006, 2010 e 2014. No ano passado, a Fifa divulgou a comercialização de 3,4 milhões de bilhetes para o evento no Brasil.

O torneio que começa hoje será disputada por 20 seleções e a América do Sul será representada por Argentina e Uruguai. "A seleção pode dar às pessoas um senso de orgulho que a seleção de futebol não consegue há muito tempo. Ainda mais atuando em casa, a Inglaterra tem a obrigação de fazer uma grande campanha", afirma o inglês Jonny Wilkinson, herói do título mundial conquistado pelo país em 2003 e recordista de pontos na Copa (277).

O desafio será superar a Nova Zelândia, atual campeã e eterna favorita. Na chegada do elenco à Inglaterra, a delegação dançou o Haka, coreografia de guerra encenada antes de cada partida. Transformou-se em uma das marcas principais da equipe. A imagem da guerra está associada ao rúgbi, esporte em que o objetivo maior é levar a bola a todo custo até a linha final adversária, sem poder lançá-la para frente. Quando estourou a primeira Guerra Mundial, os jogadores das escolas britânicas foram os primeiros a se alistar. Quase todos morreram nos campos da batalha. "É outra filosofia [em relação ao futebol]. Se eu apitasse uma partida de futebol, cada equipe ficaria com cinco jogadores antes do intervalo", afirma o árbitro galês Nigel Owens, um dos 12 escolhidos para a Copa do Mundo que inicia nesta sexta.

Fonte: https://www.bemparana.com.br/noticia/406274/rival-moral-do-futebol-rugbi-tem-mundial-que-comeca-nesta-sexta

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Saltadora brasileira chega à final no mesmo estádio onde perdeu as varas em 2008

A brasileira Fabiana Murer se classificou para a final do salto com vara do Campeonato Mundial de Atletismo, em Pequim. Murer garantiu a vaga na grande final na noite de domingo (23), horário de Brasília, após saltar 4,55m na única tentativa que fez.

                        (foto por: Divulgação/COB)
Murer voltou ao estádio do Ninho do Pássaro, onde está sendo disputado o torneio, sete anos após os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, quando a atleta perdeu uma das varas que utilizava na competição e foi eliminada.

"Estou tão focada na disputa que nem penso nisso, o que houve ficou para trás. A única coisa certa é que será uma disputa difícil, com várias saltadoras em busca do pódio", disse a saltadora ao ser perguntada sobre o episódio. A final será disputada na quarta-feira (26), às 8h (horário de Brasília).

Fonte: http://www.correio24horas.com.br/single-esporte/noticia/saltadora-brasileira-chega-a-final-no-mesmo-estadio-onde-perdeu-as-varas-em-2008/?cHash=d212dcca9dae3b227a367d7164fd4910