Mostrando postagens com marcador Arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arte. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O que as músicas que você escuta revelam ao Spotify?

App Spotify no iPhone
A relação do ser humano com a música é tão íntima e definidora de sua personalidade que o repertório de cada pessoa é capaz de contar ao Spotify não só sua idade ou local de residência, mas também sobre suas preferências políticas, se ele é sociável ou introspectiva, aventureira ou prudente.

O serviço de streaming analisa a atividade se seus usuários - que música escutam, quando, que padrões de reprodução seguem, que listas selecionam - para conhecer os gostos e, então, recomendar.

E, como o gosto musical é único, o Spotify descobriu que esse consumo pode dar pistas sobre a própria natureza humana.

"De todas as coisas que podemos medir com a tecnologia, a música é a que mais representa nossa personalidade", explicou à Agência Efe o responsável pelo setor de dados do Spotify, Brian Whitman.

Especialistas em inteligência artificial, cientistas, músicos, além de profissionais da sociologia e da psicologia, trabalham para compreender o que a música significa para cada usuário e desenvolver um serviço personalizado e adequado para os diferentes gostos.

"Somos capazes de descobrir, com um alto grau de confiabilidade, coisas sobre você: certamente a idade e onde a pessoa mora, mas também matrizes da personalidade", garante Whitman.

Por exemplo, é possível saber se uma pessoa é sociável, introspectiva ou aventureira. As preferências políticas - esquerda ou direita - e até mesmo grupos com os quais ela se simpatizaria.

"A música serve para expressar parcialmente quem somos, mas nunca vamos ser capazes de entender a complexidade de uma pessoa a partir da visão limitada que formamos através de sua atividade musical. Tentamos fazer suposições, nem sempre certeiras", alerta a responsável de produtos do Spotify, Ajay Kalia.

Na plataforma não há dois usuários entre os 100 milhões que usam o serviço que compartilhem gostos idênticos. Também há divergências sobre que canções são alegres, tristes ou relaxantes.

O Spotify analisa matematicamente cada música (tempo, ritmo, etc.), busca na web e nas redes sociais sobre o que os usuários escreveram sobre ela, faz reuniões para conhecer as motivações de quem a ouve.

Depois, reúne todas as informações para categorizá-la em seu catálogo de mais de 30 milhões de canções.

A próxima fronteira, segundo Whitman, é que o serviço "entenda as pessoas tanto quanto entende a música". Identificar o que o usuário é simples, revela Kalia. Outra história é fazer o mesmo com o não.

Para acrescentar complexidade ao quadro, os clientes nem sempre são honestos: identidade e atividade musical muitas vezes não estão alinhadas.

Ou seja, em algumas ocasiões, o usuário compartilha um tipo de música que não está escutando. Talvez um amigo seu, em vez de deleitar-se com Bach, esteja ouvindo Justin Bieber.

"Vimos que há músicas que as pessoas escutam, mas nunca compartilham porque não se ver associada a elas. E o contrário: composições que poucos reproduzem, mas muito publicam nas redes. É fascinante, queremos entender esse comportamento e conseguir um algoritmo que seja capaz de compreender isso", diz Kalia.

A conexão emocional com a música é evidente e todos na companhia sueca sabem disso, mas parece ser uma utopia determinar se uma canção é triste ou alegre. Mais ainda, criar algo capaz de adivinhar o estado de ânimo do ouvinte e o que ele deseja.

Rocío Guerreo, responsável da equipe editorial que elabora listas musicais, tem duas grandes conclusões: somos muito tolerantes com a músicas e estamos abertos ao descobrimento; e que gostamos de levar nossas emoções ao limite extremo.

No futuro, o serviço quer responder satisfatoriamente a pedidos do tipo: "Spotify, estou deprimido: me anime" ou "Tive um dia ruim, toque músicas relaxantes". Para isso, a empresa terá que conhecer que canções são capazes de despertar esses efeitos nas pessoas.

Será um caminho de teste-erro que hoje tem como máximo expoente as listas de descobrimento semanal: a cada segunda-feira é enviada aos usuários uma seleção que o algoritmo do Spotify acredita que possa ser interessante para aquela pessoa específica.

Talvez 70% das músicas ouvidas por alguém seja similar aos demais, mas o que acontece com os 30% que o tornam único?

"Em vez de nos estabilizarmos em lugares comuns, podemos detectar essas raridades e oferecer algo que só faça sentido para você. Nisso que estamos trabalhando", explica Kalia.

Fonte: EFE

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Mestres da cultura popular transformam feira de artesanato em galeria de arte

Recife Esculturas do mestre Cunha, de Jaboatão dos Guararapes, na 17 edição da Fenearte, a Feira Nacional de Negócios e Artesanato (Sumaia Villela/Agência Brasil)
“Se eu fizer um caminhão igual a um de verdade, vai ser igual a todos os outros e ao de todo mundo. Então, fiz a minha regra”. É assim que José Francisco da Cunha Filho, o mestre Cunha, de Jaboatão dos Guararapes (PE), explica de onde tira a ideia de fazer máquinas e pessoas misturadas a bicho.

É realmente difícil encontrar um trabalho parecido em feiras de artesanato no país. Os seres antropomórficos (características humanas aliadas a outros seres e coisas) de Cunha são bem características. E é tudo feito à mão – cada peça é única, mesmo que sejam irmãs em conceito. O trabalho autoral e o talento manual o fazem um dos mestres do artesanato pernambucano, cujas obras estão expostas desde ontem (7) na Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), realizada no Recife até o dia 17 de julho.

Além de Cunha, mais de 40 mestres – e discípulos - apresentam seus trabalhos na feira. As peças são comercializadas, mas até os visitantes sem recursos saem de lá ganhando. Instalados na galeria principal do galpão, que conta com mais de 3 mil expositores, esses artesãos transformam a Fenearte em uma galeria de arte.

Os mestres, em sua maioria, estão presentes na feira. Mesmo com 93 anos, dona Maria Amélia da Silva não perdeu até hoje uma edição da Fenearte, que já dura 17 anos. Também não perde a oportunidade de produzir. “As mãos já estão ruins, mas eu continuo mesmo assim”, garante, com a voz baixa, sentada em uma cadeira de rodas ao lado de um Francisco de Assis de barro, obra sua.

A artesã de Tracunhaém estabeleceu o norte da vida dela e da família a partir de um brincadeira de criança. Começou modelando bonecos, aos 10 anos. Com o avançar da idade e do ofício criou um traço característico, de temática católica, sobretudo. Hoje, o conceito foi passado para outras gerações, que já incorporam novos elementos à obra da mestra. O neto Ricardo Felix da Silva Júnior, de 17 anos, resolveu esculpir também outros integrantes da sociedade: agricultor, médico, músico. “Todo ano a gente trazia a mesma coisa. Só santo, santo. Então resolvi variar um pouco”, conta.

O tema religioso pode ser visto em muitos dos mestres expostos na Fenearte. É histórico, assim como a cultura da resistência. Brincadeira que encanta crianças até hoje, o mamulengo parece inofensivo, mas sempre foi ligado ao protesto e à libertação. É o que ensina o mestre José Lopes, de Glória do Goitá. “Esses bonecos vieram de Portugal para catequizar os índios, com os padres. Só que a senzala se apropriou disso e usava o mamulengo para inverter os papéis. O senhor de engenho, o fazendeiro, é que ia para o tronco levar chicotada”, diz.

O teatro de mamulengo é feito com bonecos de “vara” ou “pau”, que são os manuseados por varetas, e também pelos “mão-molengas”, nas palavras de José Lopes – os fantoches que ganham vida com uma mão humana em seu interior. A arte dele se relaciona ao tema deste ano da Fenearte, que destaca os brinquedos – como o mamulengo – e os folguedos populares. “A gente brinca, mas educa. Sempre foi uma arte de protesto, contra a miséria, contra o preconceito racial. Hoje também”, garante o mestre.

Os mestres têm destaque na programação da feira, mas o espaço reúne uma variedade de mais de 5 mil expositores. A organização atribui à Fenearte o título de maior feira da América Latina. Setenta e cinco por cento dos artesãos são de Pernambuco. O restante é dos demais estados do Brasil e também de outros países. O espaço conta ainda com apresentações de grupos de cultura popular. A programação completa da Fenearte está na internet.

Dólar em alta

A expectativa de movimentação financeira da Fenearte é de cerca de R$ 40 milhões, com um público de 330 mil pessoas. De acordo com o coordenador da feira, Thiago Angelus, o cálculo repete a estimativa do ano passado, já que a crise econômica pode frear o consumo dos visitantes. Ele argumenta, no entanto, que o mercado de artesanato vive um bom momento.

“Além da Fenearte, também fazemos a gestão dos centros de artesanato de Pernambuco. E a gente tem percebido crescimento, por incrível que pareça, na venda de artesaanto. Com essa alta do dólar, do euro, muitos estrangeiros têm vindo ao Nordeste e comprado. E hoje, faltando 15 minutos para a abertura do evento, decidimos abrir o portão, proque tinha muita gente na fila”, afirma Angelus. “E os artesãos se prepararam, eles percebem o momento, trouxeram também peças menores, com preços mais acessíveis”.

Já os artesão se dividem sobre os efeitos da crise. A mestra Maria Amélia não tem problema com cliente: suas obras são encomendadas por gente do estado e de fora de Pernambuco. Em menos de três horas de feira já havia vendido quatro peças das mais caras, de cerca de R$ 400. Já o mestre do mamulengo garante a renda com apresentações. Por enquanto, José Lopes avalia que as vendas estão menores do que em anos anteriores.

Expositores de outras áreas do pavilhão, como Edgard Viana, do Recife, se supreenderam com o movimento. “Eu estou admirado. Em se tratando de crise, eu vim um pouco temoroso, mas fiquei supreendido com o movimento bom, como tem sido bem aceito. As pessoas estão gostando, estão comprando”, comemora.

A Pernambucana Bernadete Farias e o holandês Danny van Maarseveen estão aproveitando também para fazer o maior número de contatos possíveis. A estratégia é distribuir amostras grátis do stroopwafel, um biscoito típico da Holanda, tudo feito na hora. “Nós vendemos para padarias, delicatessens, restaurantes. Agora queremos chegar ao supermercado e aumentar a clientela”, diz Bernadete.

Fonte: Agência Brasil

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Museu que abriga no Rio o maior acervo de arte popular do país ganhará nova sede

No ano em que comemora quatro décadas de criação, o Museu do Pontal, que abriga o maior e mais significativo acervo de arte popular do país, começou a ganhar uma nova sede hoje (23), quando começaram as obras do prédio, na Barra da Tijuca, zona oeste da cidade, que dentro de um ano deverá abrigar o espaço cultural, atualmente instalado em um sítio de 5 mil m², no vizinho bairro do Recreio dos Bandeirantes.

Em cerimônia com a presença do prefeito do Rio, Eduardo Paes, tiveram início hoje (23) as obras do prédio, na Barra da Tijuca

Sujeito a inundações, devido às alterações no solo, causadas pelos projetos urbanísticos que cercam a área, o atual prédio do museu oferece riscos à preservação do valioso acervo de 8.500 peças de 300 artistas populares brasileiros de todas as regiões do país. Tanto a instituição como as peças constituem um patrimônio carioca, tombado pelo município
desde 1991.

O terreno de 14 mil m² na Avenida Célia Ribeiro, onde começou a ser erguida a nova sede, foi cedido pela Prefeitura do Rio por um período de 50 anos renováveis. Um grupo de construtoras é o responsável pela obra, como contrapartida pelas intervenções feitas no entorno da atual sede do museu.

“Conseguimos fazer com que as próprias empresas da região se juntassem para encontrar essa alternativa. São cerca de R$11 milhões investidos pelo setor privado nessa área pública”, disse o prefeito Eduardo Paes na cerimônia que marcou o início das obras. O projeto privilegia a relação do acervo com a natureza que envolve a área.

“O museu terá um bom destino nesse belo espaço cedido pela prefeitura. O projeto que estamos pensando é para a cidade do Rio de Janeiro. Acredito que estaremos mais integrados com a cidade”, disse o diretor do Museu do Pontal, Lucas Van de Beuque. Ele é neto do francês Jacques Van de Beuque, que fundou o espaço cultural em 1976. Ao longo desses 40 anos, o Museu do Pontal já realizou mais de 70 exposições parciais de seu acervo no Brasil e em outros 15 países, além de ter sido visitado por milhares de estudantes, moradores do Rio e turistas.

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Brasileiro recebe prêmio em festival russo de arte contemporânea

Brasileiro recebe prêmio em festival de arte contemporânea russo
Renato Rodyner, 52 anos, é um artista plástico nascido em Porto Alegre e radicado há 25 anos em Portugal. Com uma longa trajetória, que passa pela xilogravura, litogravura, pintura, escultura e design de joias, Renato mora em Cascais, próximo à capital Lisboa, e é um pintor premiado e reconhecido no exterior. “A arte é boa quando uma pessoa simples olha e se emociona”, afirma.

O gaúcho acaba de chegar de Moscou, onde recebeu o prêmio de Arte Contemporânea no Vera – World Fine Art Festival, que aconteceu no final de maio. Para ele, o maior prêmio não foi o troféu que recebeu, feito por um escultor russo, e sim uma nova oportunidade de expor seu trabalho.

“Alexander Bourganov, um grande artista russo que tem muitas obras em igrejas e praças públicas de Moscou, estava lá para engrandecer o evento. Ele tem um museu [Bourganov Centre] e me perguntaram se eu queria conhecer. Fui sem saber que ele havia visto meu trabalho. Ele disse que a minha obra tinha paixão. Quando cheguei ao museu dele, vi que a nossa obra tem tudo a ver. Fizemos um desenho juntos e ele me convidou para fazer uma exposição lá. Então, daqui a uns meses, farei uma exposição no museu dele. Isso foi melhor que o prêmio!”, contou Renato.

Outro momento de grande alegria para o pintor brasileiro foi quando Pierre Cardin disse que ele era o “novo Picasso”.O designer de moda tem um quadro do artista plástico no antigo castelo do Marquês de Sade, no sudeste da França, do qual é proprietário. Renato conta que Cardin nunca escreveu o elogio publicamente. “Eu devia ter gravado. Foi o maior elogio que recebi!”

Neo-expressionista auto-declarado

O artista, que se descreve como neo-expressionista, é diretor e fundador da Rodyner Gallery, galeria de arte que funciona na Casa da Guia, charmoso centro comercial em Cascais, à beira de uma magnífica falésia, com vista para o Atlântico. Segundo Renato, artistas de diversas nacionalidades já expuseram nos corredores do palacete [do século XIX] e, agora, o local está abrigando artistas espanhóis. O espaço, que é ponto turístico de Cascais, tem restaurantes, lojas de moda e decoração, e belos jardins.

Um dos seus últimos trabalhos é a série de quadros “Revolução dos Beijos”, já apresentada no Rio de Janeiro e com planos de ir para Londres. “A ideia surgiu a partir da Revolução dos Cravos [1974], em Portugal. Achei lindo que conseguiram fazer uma revolução com flores, sem armas, sem violência. E vi que no Brasil, há alguns anos, diversos artistas estavam se beijando em forma de protesto. Não eram beijos gays, não estavam defendendo bandeiras; defendiam a liberdade, em um posicionamento contra a ignorância das pessoas, para mostrar que todos têm o direito de se beijar”, afirma.

Para Renato, a arte é boa quando uma pessoa simples olha e se emociona. Ele afirma que, independentemente do estilo, seja naif, abstrato ou hiperrealista, o que ele valoriza é a qualidade do trabalho artístico.

“Com o excesso de informação que a gente tem, é comum vermos trabalhos feitos no computador. Eu faço mesmo na mão, com pincel. E me incomoda essa fase da arte que não valoriza a técnica e o aprendizado. O trabalho de um artista plástico tem que ser plástico”, afirma Renato, que já expôs em Paris, Mônaco, Madri, Salamanca, Lisboa, Zurique, Nova Iorque, Budapeste, entre outras cidades.

Renato já foi citado em diversos livros dedicados à arte, entre eles “Pintura Contemporânea Portuguesa: 100 Pintores”.

História de vida

Desde muito pequeno, Renato frequentava o ateliê de uma de suas irmãs mais velhas, para observá-la pintar. Quando tinha 11 anos, outra irmã, que já trabalhava com cultura, o levou para o Centro de Desenvolvimento da Expressão, uma escola de arte estadual, onde aprendeu fotografia, xilogravura, litogravura, pintura, entre outras técnicas. Aos 14 anos, participou do Salão do Jovem Artista, realizado pelo jornal Zero Hora, em Porto Alegre. Obteve destaque no Salão, principalmente por seu talento ainda em tão tenra idade.

Naquele mesmo ano fez sua primeira exposição individual, de xilogravura. “Hoje em dia, acho que eu era melhor quando criança, pois era mais livre, experimentava sem medo da crítica”, diz Renato, rindo.

Continuou participando de algumas exposições coletivas no Rio Grande do Sul até os 18 anos, quando resolveu sair de casa. “Eu tinha que sobreviver, então resolvi criar estampas para confecções de moda”. A ideia deu certo e levou Renato para Olinda e, posteriormente, para o Rio de Janeiro, aonde criava peças para marcas famosas na época, como Frankie Amaury e Noventa Graus.

Aos 26 anos, após receber convite para um projeto em Portugal, Renato desembarcou em Lisboa. Desde então vem desenvolvendo seu trabalho em um ateliê, em Cascais. Entre seus quadros e esculturas, Renato ainda encontra tempo para, em parceria com Marco Monteiro, ilustrador e artista gráfico brasileiro, tocar o projeto da “Arte 351”, uma revista de arte para divulgar novos talentos.

Brasil

“Quero expôr no Rio Grande do Sul, porque não exponho lá há 30 anos. Eu gostaria que as pessoas soubessem que tem um artista gaúcho que é respeitado, que faz um trabalho sério fora do país”, afirma Renato, sem falsas modéstias.

Apesar de adorar o Brasil, Renato conta que fez sua vida do outro lado do oceano. “Acabei investindo em mim aqui, vivendo bem, comendo bem, aproveitando as coisas boas do país. Tudo que fiz e ganhei, investi no meu trabalho”.

“Aqui a política também é complicada, mas é mais tranquilo. Tenho que elogiar a saúde e a segurança. Nunca fui assaltado no Rio de Janeiro e fui assaltado em Cascais, mas, mesmo assim, Cascais é mais seguro que o Rio de Janeiro!”, disse.

Fonte: Agência Brasil

quarta-feira, 15 de junho de 2016

China silencia único museu do país dedicado à Revolução Cultural

Museu chinÊs que presta homenagem às vítimas da Revolução Cultural fica na cidade de Shantou. EFE/Antonio Broto
Em uma montanha nos arredores da cidade de Shantou está o único museu da China que presta homenagem às vítimas da Revolução Cultural (1966-1976), um local que neste ano, quando o início do movimento completa 50 anos, foi silenciado e passou a correr perigo.

Não é tarefa simples chegar ao museu. Os guias de viagens mal informam sobre ele e não há placas indicativas ao longo da estrada que leva ao Tashan Park, um parque natural de espessa vegetação onde está o memorial. Para passar despercebido, o museu tem aspecto de templo tradicional, embora nele muros e lápides não mostrem imagens budistas, mas os nomes de mais de 300 pessoas que foram acusadas de ser "contra-revolucionários" durante os anos 60 e 70.

Logo na entrada do museu e dentro dele há uma estátua e um retrato, respectivamente, de Yu Xiqu, um prestigiado juiz local que sofreu, como outros lá mencionados, graves abusos por parte dos guardas vermelhos.

Em 16 de maio deste ano foi comemorado, com quase total silêncio da imprensa oficial e das instituições comunistas, o 50º aniversário do início daquele período turbulento, e desde então todo o museu foi tapado por cartazes da propaganda comunista.

Na entrada, sobre o cartaz que indica que ali fica o museu é possível ler um cartaz que diz "Ato de promoção dos valores nucleares do socialismo". Alusões ao "Sonho Chinês", o mantra ideológico do atual presidente Xi Jinping, se repetem nas paredes forradas de cartazes, decoradas com foices e martelos e imagens da porta da Praça da Paz Celestial.

Não é fácil observar outros detalhes, já que policiais à paisana, se passando por turistas, tentam impedir à imprensa de fotografar e filmar o lugar, e interrogam jornalistas que se aproximam.

O museu foi construído em 2005 e é quase um milagre continuar de pé mais de dez anos depois, levando em conta que, embora o governo chinês reconheça oficialmente, após a morte de Mao Tsé-tung, que a Revolução Cultural foi um erro, evite que relembrar publicamente, e menos ainda citar as vítimas concretas. Neste caso foi um líder comunista local que decidiu criar esse museu. Peng Qian, um antigo tenente do prefeito de Shantou, construiu o espaço e foi o que, possivelmente, salvou a estrutura de ser demolida.

Contou Peng no passado que decidiu criar um lugar para homenagear um assunto tão delicado na China, após ficar sabendo que muitos vítimas dos linchamentos dos guardas revolucionários foram enterradas na Montanha Pagoda.

Em seus primeiros anos de funcionamento, o museu chegou a atrair certa atenção da mídia, e até recebeu doações milionárias para sua manutenção, mas em 2014, pouco antes de se aposentar, Peng cedeu totalmente a gestão do local ao governo, o que fez com que ele caísse no esquecimento e, nas últimas semanas, a ser presa da censura.

Shantou, um dos principais portos do sul da China, está a mais de 2 mil quilômetros de Pequim, o epicentro da Revolução Cultural, mas sua distância não lhe livrou, como ao resto do país, dos excessos dessa época, na qual milhões de pessoas foram indiscriminadamente perseguidas. Embora a Revolução Cultural seja tema de livros e filmes na China - o fato de que quase toda a população do país naquela época tenha sofrido dificulta a sua total censura -, o Museu de Shantou é o único dedicado integralmente a ela.

Existe pelo menos outro museu no país que menciona o período de terror dos guardas vermelhos, o de Jianchuan (centro do país), mas ele não está dedicado de forma exclusiva a isso, e dá uma imagem neutra ao fato histórico, sem mencionar as vítimas.

Apesar do silêncio no aniversário de 16 de maio, o jornal oficial do Partido Comunista, "Diário do Povo", que possui uma versão online em português, publicou no dia seguinte um editorial admitindo que a Revolução Cultural foi "um caos interno que trouxe enormes catástrofes" e se aventurou dizer que nunca se repetirá.

Fonte: EFE

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Grafite com beijo de Trump e Putin ilustra temor de lituanos

Grafitte Trump e Putin na Lituânia
Um grafite que mostra Donald Trump e Vladimir Putin se beijando na boca se tornou um viral nesta sexta-feira na Lituânia, onde os temores sobre uma possível aproximação crescem.

A imagem é inspirada na famosa foto de 1979 em que o então líder soviético Leonid Brezhnev beija o líder comunista da Alemanha Oriental Erich Honecker.

E ilustra a preocupação dos lituanos ante a simpatia expressada pelo pré-candidato republicano à Casa Branca ao presidente russo.

"Temos a sensação de viver uma nova Guerra Fria e os Estados Unidos poderiam ter um presidente que procura fazer amizade com a Rússia", disse à AFP o proprietário do restaurante de fast-food que abriga a parede grafitada, Dominykas Ceckauskas.

"Vemos semelhanças entre os dois protagonistas. Ambos têm um ego inflado e é engraçado ver como eles se entendem bem", acrescentou.

As relações entre Washington e Moscou são tensas há anos, mas Trump defende Putin, considerado por ele um "líder forte" e "sem dúvida, talentoso".

Os lituanos, bem como seus vizinhos da Letônia e da Estônia, estão preocupados com os comentários críticos de Trump em relação à Otan, que eles consideram como uma proteção crucial para sua segurança.

"Trump disse que a Otan está ultrapassada e é cara", revelou Kestutis Girnius, professor do Instituto de Relações Internacionais e Ciência Política em Vilnius.

"O grafite reflete o temor de alguns lituanos que têm a certeza de que Trump vai fazer reverência a Putin e negligenciar os seus problemas de segurança", disse ele.

Fonte: AFP

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O que você vê nesta obra revela como o seu cérebro funciona

Slave Market with the Disappearing Bust of Voltaire de Salvador Dalí
Entender a mente surrealista de Dali não é uma tarefa fácil. Porém, como você vê suas pinturas pode ajudar a ciência a decifrar os códigos do cérebro humano. Isso por que um grupo de pesquisadores da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, utilizou uma de suas obras para entender como o cérebro processa informações visuais.

Para isso, eles pediram para voluntários analisarem o quadro Mercado de Escravos com o Busto de Voltaire Desaparecendo do pintor espanhol. A pintura a óleo apresenta uma ilusão óptica intencional, em que o rosto de Voltaire é criado a partir da imagem de duas figuras. Embora seja possível ver ambas as figuras, geralmente, as pessoas veem uma delas primeiro.

Enquanto os participantes visualizavam a obra, os cientistas mapeavam as informações adquiridas pelo cérebro. Como esperado, o lado direito processou o lado esquerdo da imagem e vice-versa.

“Depois de cerca de 100 milissegundos de processamento pós-estímulo que o cérebro processa características muito específicas, como o olho esquerdo, o olho direito, o canto do nariz, o canto da boca (da pintura)”, explica Philippe Schyns, um dos autores do estudo, em entrevista à BBC.

Eles também notaram que os dois hemisférios começaram a se comunicar rapidamente para formar toda a pintura. Segundo Schyns, o cérebro demorou cerca de 200 milissegundos para reunir todas as informações.

Por ser uma pesquisa pioneira, ainda é preciso muito estudo para entender qual é o mecanismo que determina qual imagem deve ser vista primeiro.

No entanto, Schyns afirma que já existem muitas aplicações possíveis para a pesquisa. Uma delas é desenvolver a capacidade de robôs para processar dados visuais para que eles possam ver o mundo da mesma maneira que seus criadores.

E você, o que vê primeiro nesta pintura de Dali? Uma aglomeração de pessoas ou o busto do filósofo Voltaire?

Fonte:Exame

quarta-feira, 30 de março de 2016

Cannabis conservou pintura de 1.500 anos em caverna

Maconha
A cannabis foi fundamental para conservar durante 1.500 anos as pinturas em uma caverna da Índia, até que cientistas descobriram agora este segredo oculto durante 15 séculos para deleite dos que pedem a legalização desta droga no país.

O cânhamo índico que ficou impregnado nas paredes e no teto de uma das grutas de Ellora no século VI, foram o segredo do "ambiente saudável, confortável e esteticamente prazeroso" que, segundo um recente estudo, desfrutaram os eremitas que a habitaram.

A vida contemplativa dos monges budistas que foram seus moradores deu passagem em nossos dias à curiosidade dos turistas que visitam a cavidade, uma das 34 cavernas declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco nesta paisagem do oeste da Índia.

Ninguém tinha imaginado que o segredo da conservação dos afrescos nas rochas desta gruta estava na droga ilegal mais consumida do mundo, até os estudos dos cientistas indianos Milind Madhav Sardesai, botânico, e Manager Rajdeo Singh, arqueólogo.

"É o primeiro lugar onde foi encontrada esta combinação de cânhamo com argila e gesso nos afrescos", garantiu à Agência Efe Sardesai, pesquisador da Universidade Babasahed Ambedkar Marathwada na cidade vizinha de Aurangabad.

Singh, que trabalhou no local para o Serviço Arqueológico da Índia, corroborou que é a "primeira ocasião em que um estudo detalhado mostra a combinação da cannabis na lama de cal".

A maconha já foi achada em restos de uma mistura, mas com uma composição distinta à de Ellora, que foi usada como cimento em uma ponte na França que também data do século VI, mas que durou "só" entre 600 e 800 anos.

No entanto, "em Ellora as pinturas nos afrescos sobreviveram durante 1.500 anos e ainda seguem fortes", ressaltou Singh sobre a fórmula que foi usada para evitar a deterioração dos desenhos de plantas e figuras geométricas de tons mate em paredes e tetos, expostos aos raios do sol e à chuva que entram na caverna.

A mistura atuou como fixador na rocha, isolador de umidade e repelente de insetos, além de ser mais consistente e duradoura.

Nas grutas vizinhas de Ajanta, também declaradas Patrimônio da Humanidade, os artistas optaram por acrescentar casca de grãos de arroz na composição empregada para fixar os afrescos, com o resultado de um gesso mais brando que foi sendo perfurado pelos insetos.

A combinação descoberta em Ellora teria sido bem utilizada em muitos monumentos com problemas de conservação pela umidade em países como o Reino Unido, ressalta o trabalho publicado na revista científica "Current Science".

Além disso, a descoberta foi feita no momento em que cresce o grande movimento para legalização da maconha na Índia, dando novos argumentos à luta para descriminalizar esta planta, originária da Ásia e sagrada para o hinduísmo.

"Boa razão para legalizá-la", comentou Murai Lal, um dos seguidores deste movimento, através do perfil deste grupo no Facebook, enquanto outro adepto, Joel Michael Rebello, defendeu que a descoberta revela outra das muitas "vantagens" da erva.

Mais precavida, no entanto, se mostrou a polícia sobre as revelações científicas.

"A maconha está proibida pela Lei de Drogas Narcóticas e Substâncias Psicotrópicas", advertiu ao jornal "The Times of India" o delegado de Aurangabad, Amitesh Kumar, já que "não se pode cultivar, transportar, possuir ou consumir".

Apesar da advertência policial, esta legislação de 1985 tem resquícios que tornam legal o consumo de folhas de cannabis silvestre, mas não o cultivo da planta ou sua venda, salvo que uma lei regional permita seu comércio regulado, algo que quase não ocorre.

Porém, na prática, a erva é tolerada com fins supostamente religiosos, como na festa hindu de Holi, na qual é tão típico se lambuzar com pós de cores como consumir "bhang", uma bebida que leva cannabis.

Fonte: Exame

sexta-feira, 11 de março de 2016

1º cinema de realidade virtual é inaugurado em Amsterdã

Cinema VR: a aposta é criar uma experiência ainda mais imersiva para o espectador
O investimento de gigantes como Google e Facebook em realidade virtual já é há algum tempo um forte indício de que a tendência veio para ficar no mundo tecnologia e que é tendência é vê-la sendo aplicada cada vez mais no nosso cotidiano.

Mais uma prova disso é a inauguração do primeiro cinema em VR do mundo, em Amsterdã, na Holanda.

Em uma evolução significativa do já tradicional cinema 3D, a aposta é criar uma experiência ainda mais imersiva para o espectador.

Para isso, durante a exibição de um filme produzido com recursos 360º cada visitante do cinema recebe um um par de óculos Samsung Gear VR e fones de ouvido Seinheiser HD 201.

Assim como já acontece com os dispositivos como Oculus Rift, do Facebook, e o Cardboard, a versão do Gogole, a pessoa os coloca e pode ter uma visão dinâmica de diversos ângulos do vídeo.

O VR cinema é a versão definitiva de algumas experiências já testadas por temporadas em cidades da Europa, que deve ser expandido para outros locais, segundo a empresa responsável por sua criação.

O valor cobrado para experimentar a "sessão da realidade", que dura aproximadamente 35 minutos, é de € 12,50 (pouco mais de R$ 50) e os ingressos são vendidos através do site do VR Cinema.

Fonte: Exame

quarta-feira, 9 de março de 2016

STF derruba isenção das operadoras na contribuição ao cinema

Pipoca, ingressos e rolo de cinemaa
O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a liminar concedida em janeiro pela Justiça Federal que liberava as operadoras de telefonia celular de pagar a Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine).

O pedido de suspensão da decisão liminar, feito pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), foi deferido ontem (8) pelo presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski.

No início deste ano, o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), que representa empresas como Oi, Tim, Claro e Telefônica/Vivo, moveu duas ações judiciais contra a Condecine: uma contestando a própria existência da contribuição e outra questionando o reajuste de 28,5% na taxa, aprovado no ano passado pelo Congresso Nacional.

Segundo a entidade, as empresas do setor não integram a cadeia produtiva do audiovisual.

De acordo com a Ancine, as ações movidas pelas empresas de telecomunicações seguirão o trâmite legal, mas, com a decisão do STF, não cabe mais liminar até o julgamento.

As operadoras de telecomunicações afetadas pela liminar obtida pelo SindiTeleBrasil estão obrigadas a recolher normalmente a Condecine Teles referente ao ano de 2015, até o dia 31 de março.

A Condecine foi criada em 2011, quando foi aprovada a legislação que permitiu a entrada das operadoras de telefonia no mercado de TV por assinatura.

Na ocasião, foi feito um acordo para reduzir o valor pago ao Fundo de Fiscalização dos Serviços de Telecomunicações (Fistel) e criar a nova cobrança.

O SindiTelebrasil informou que não irá se manifestar sobre a decisão do STF.

Fonte: Exame

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

"50 Tons de Cinza" é eleito o pior filme do ano

Cena do filme "50 Tons de Cinza"
Uma cerimônia mais curta e não só branca - foi com brincadeira desse naipe que aconteceu a 36ª edição do Framboesa, na noite de sábado, no Palace Theatre, localizado no centro de Los Angeles.

Dedicado aos piores do cinema, o Razzie, como é chamado em inglês, focou seu desprezo em 50 Tons de Cinza, que foi eleito o pior em cinco das seis categorias em que concorria, inclusive a de pior filme do ano(empatado com Quarteto Fantástico).

Em todos os aspectos, o Framboesa busca ser uma paródia do Oscar. A começar por um número musical que abre a cerimônia, em homenagem aos filmes indicados.

Mas, ao contrário do luxo e da perfeição da festa da estatueta dourada, o Razzie mais se parece com uma grande revista musical inspirada na revista Mad, a julgar pela caricatura exagerada de astros e filmes.

Como nenhum dos atores compareceu para receber o troféu, o que é habitual, era exibido um vídeo em que um repórter simulava entregar o prêmio ao selecionado.

E, também como acontece no Oscar, a cerimônia do Framboesa é interrompida para a projeção de nomes e fotos de artistas que morreram no último ano - no caso, de profissionais que foram premiados como piores em um determinado momento da carreira, como o diretor Wes Craven, especializado em terror.

Sem o mesmo cuidado do rival em evitar assuntos delicados, o Razzie teve um sósia do presidente Obama entregando um prêmio (a imitação da forma de falar, aliás, foi perfeita) e as últimas categorias contou com uma paródia do pré-candidato republicano Donald Trump, que disparou ofensas contra imigrantes, especialmente os mexicanos.

Criado pelo publicitário John Wilson em 1981 - a primeira cerimônia aconteceu em sua sala -, o Framboesa oferece uma estatueta que não chega a custar US$ 5.

A fruta é usada no sentido da expressão "blowing a raspberry", que é simular o som de flatulência com a boca. Neste ano, contou com o voto de 943 eleitores, espalhados por 48 estados americanos e 20 países.

Veja a lista dos premiados como piores de 2015: o pior filme, na verdade, são dois, por causa do empate entre 50 Tons de Cinza e Quarteto Fantástico.

O primeiro também deu a Jamie Dornan o prêmio de pior ator, acompanhado da pior atriz, também por 50 Tons de Cinza, Dakota Johnson.

O pior ator coadjuvante foi Eddie Redmayne (O Destino de Júpiter). O pior diretor foi Josh Trank, por Quarteto Fantástico, também eleito como o pior remake.

Fonte: Exame

Chris Rock ironiza sobre diversidade racial no Oscar

Comediante Chris Rock durante apresentação do 88º Oscar, dia 28/02/2016
Todo mundo esperava que Chris Rock se referisse à polêmica sobre a falta de diversidade entre os indicados da 88ª edição do Oscar, e o humorista afro-americano cumpriu com as expectativas disparando ironias, mas sem se esquecer de entreter a plateia.

"Hey, contei pelo menos 15 negros nessa montagem!", foi a frase com a qual começou o comediante, um aperitivo para a torrente dialética que realizou durante as três horas e meia de festa, realizada no Teatro Dolby, de Hollywood (Califórnia).

"Bem-vindos aos prêmios da Academia, também conhecidos como os prêmios decididos por pessoas brancas", continuou o artista de 51 anos.

"Se escolhessem também os apresentadores, eu também não teria este emprego. Vocês estariam vendo o Neil Patrick Harris", acrescentou.

Rock reconheceu que recebeu pressões para boicotar a festa e renunciar da sua escolhe como mestre de cerimônias.

"Pensei e pensei, mas o Oscar não ia deixar de ser realizado porque eu não vim apresentar. E a última coisa que queria é que Kevin Hart me tirasse outro trabalho", afirmou entre risos.

"É a 88ª edição do Oscar. Essa coisa de não haver indicados negros entre os atores aconteceu pelo menos umas outras 71 vezes. No passado não protestávamos. Vocês sabem por quê? Porque estávamos ocupados demais sendo espancados e linchados para nos preocuparmos com quem ganha o prêmio de melhor fotografia", disse.

E chegou então sua grande pérola.

"Certamente que Hollywood é racista. E é dentro de sua irmandade. Mas as coisas estão mudando. Temos um 'Rocky' negro este ano. Alguns o chamam de 'Creed: Nascido para Lutar'. Eu o chamo de 'Rocky negro'", disse.

No final de sua primeira intervenção, Rock mudou de atitude, ficou um momento sério e pediu: "Não se tenta boicotar. Queremos oportunidades. Queremos que os atores negros tenham as mesmas oportunidades. E não só uma vez. DiCaprio tem grandes papéis todos os anos. Isso é tudo o que pedimos".

Nem tudo foi uma defesa com veemência da comunidade afro-americana.

Como exemplo disso Rock citou o caso de Will Smith, que decidiu não comparecer à cerimônia em rejeição à situação.

"Com certeza, estava muito bem em 'Um Homem Entre Gigantes'. É injusto que não o tenham indicado. Mas também é injusto que lhe pagassem US$ 20 milhões por 'As Loucas Aventuras de James West'", comentou entre risos.

Também comentou sobre a esposa de Will Smith, a atriz Jada Pinkett Smith, que também se ausentou.

"Boicotar o Oscar é como se eu boicotasse a calcinha de Rihanna: eu nem tinha sido convidado", afirmou.

O humor foi uma constante ao longo da cerimônia e especialmente brilhante foi o esquete no qual vários atores negros (Whoopi Goldberg, Leslie Jones, Tracy Morgan e o próprio Rock) substituíram os protagonistas reais de alguns dos filmes indicados a melhor filme.

Muitas gargalhadas também provocou o comentário do humorista Louis CK em alusão ao vencedor do Oscar de melhor documentário em curta-metragem, que acabou ficando com "A Girl In The River: The Price of Forgiveness", de Sharmeen Obaid-Chinoy.

"Estou feliz por todos, mas este prêmio tem a oportunidade de mudar vidas. Todos vocês vieram aqui como vencedores e irão pra casa sendo milionários. Com este prêmio não se ganha dinheiro. Estas pessoas nunca serão ricas. Portanto este Oscar significa muito. E vai embora para casa em um Honda Civic", brincou.

Fonte: Exame

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Leonardo DiCaprio pode ganhar seu 1º Oscar de melhor ator

Ator Leonardo DiCaprio durante primiere do filme "O Regresso" em Londres, dia 14/01/2016
Se o Globo de Ouro, o Sindicato de Atores dos EUA (SAG), o Bafta e diversas associações de críticos americanos não se equivocarem, Leonardo DiCaprio ganhará seu primeiro Oscar de melhor ator neste domingo pelo filme "O Regresso".

Este é um dos prêmios mais previsíveis da cerimônia, apesar das ótimas atuações de Bryan Cranston ("Trumbo: Lista Negra"), Matt Damon ("Perdido em Marte"), Eddie Redmayne ("A Garota Dinamarquesa") e Michael Fassbender ("Steve Jobs").

Leonardo DiCaprio - Chegou a hora?

Hugh Glass ficará muito provavelmente na história por ser o personagem que, finalmente, fará Leonardo DiCaprio, de 41 anos e um dos atores mais queridos e respeitados da indústria, ser agraciado com um Oscar.

Esta é sua sexta indicação e a quinta como ator (a outra foi como produtor de "O Lobo de Wall Street"), depois de "Gilbert Grape - Aprendiz de Sonhador" (1993), "O Aviador" (2004), "Diamante de Sangue" (2006) e "O Lobo de Wall Street" (2013).

"Não vou esconder que foi a filmagem mais difícil da minha vida, mas no final teve sua recompensa porque Alejandro González Iñárritu traduziu esse esforço em uma obra de arte", disse DiCaprio em entrevista à Agência Efe.

O filme exigiu um ano de gravações nas montanhas rochosas canadenses e na Patagônia argentina que em algumas ocasiões se transformaram, segundo participantes da produção, em um autêntico "inferno" devido às difíceis condições climatológicas, o que provocou até algumas demissões.

Bryan Cranston - O passo à frente de um astro forjado na televisão

Para Bryan Cranston, nunca faltou trabalho. O ator conta em seu currículo com cerca de 150 trabalhos entre cinema, teatro e televisão, mas somente com a estreia de "Breaking Bad" a indústria parece ter descoberto seu talento camaleônico que previamente tinha se conectado com o público graças ao papel de pai de família em "Malcom in the Middle".

Cranston recebeu sua primeira indicação ao Oscar, um reconhecimento por sua transformação no escritor e roteirista Dalton Trumbo.

É possivelmente sua primeira grande interpretação no cinema após papéis em filmes como "Pequena Miss Sunshine", "O Poder e a Lei", "Drive" e "Godzilla".

O protagonista de "Breaking Bad", que recebeu o prêmio de melhor ator no festival de cinema internacional de Palm Springs e da Associação de Críticos do sudeste de EUA, tem oito projetos em pauta, entre eles "All The Way", do canal "HBO", no qual encarna o ex-presidente Lyndon B. Johnson, e "The Infiltrator", uma nova trama sobre o narcotraficante Pablo Escobar.

Matt Damon - A face do otimismo na tragédia

"Sempre quis fazer Robinson Crusoé, e esta era minha oportunidade", afirmou Damon em entrevista à Agência Efe. Seu papel do astronauta Mark Watney no filme "Perdido em Marte", de Ridley Scott, trouxe ao ator sua quarta indicação ao Oscar.

As anteriores foram por "Invictus" (melhor ator) e "Gênio Indomável", com o qual obteve a estatueta de melhor roteiro original em parceria com Ben Affleck, além de ter concorrido como melhor ator.

Damon rodou "Perdido em Marte" imediatamente após terminar sua participação em "Interestelar", de Christopher Nolan, onde também dava vida a um astronauta isolado em um planeta inabitável.

Ambos os filmes foram enormes sucessos de bilheteria, superando amplamente os US$ 600 milhões no mundo todo.

Ganhador de um Globo de Ouro de melhor ator de comédia ou musical por "Perdido em Marte", Damon estreará neste ano "Jason Bourne", novo filme da saga do personagem-título, e estará em "Suburbicon", novo projeto como diretor de seu amigo George Clooney.

Eddie Redmayne - Por um improvável segundo Oscar consecutivo

O britânico soma sua segunda indicação consecutiva após conquistar o Oscar no ano passado por "A Teoria de Tudo".

Se ganhar a estatueta dourada de novo, fará parte do seleto grupo de atores que conquistaram dois prêmios seguidos nessa categoria, algo só conseguido por Spencer Tracy ("Captains Courageous", 1937, e "Boys Town", 1938) e Tom Hanks ("Philadelphia", 1993, e "Forrest Gump", 1994).

"O Oscar é coisa de um dia, mas requer toda uma vida para chegar até ele. É um vendaval de emoções. Tento estar aberto a tudo o que me ocorre e, sobretudo, aproveitar", comentou o ator em recente entrevista coletiva durante o tradicional almoço de indicados organizado pela Academia.

Redmayne verá sua merecida fama se multiplicar neste ano com a estreia de "Animais Fantásticos e Onde Habitam", um filme derivado do universo "Harry Potter" no qual interpretará Newt Scamander, um viajante especialista no estudo de criaturas mágicas.

Michael Fassbender - Reconhecimento a um trabalho monumental

Em sua segunda indicação ao Oscar após a obtida por "12 Anos de Escravidão", Fassbender propõe um Jobs feroz, com personalidade atrativa, sedutora e perigosa, graças a um descomunal roteiro, obra de Aaron Sorkin.

Das 185 páginas do roteiro, Fassbender recita 100. Essa foi a difícil tarefa do ator para moldar um personagem repleto de camadas e contradições e que quase foi destinado a Leonardo DiCaprio e Christian Bale.

Fassbender, um dos atores mais requisitados de Hollywood, tem em pauta sete projetos, entre eles "X-Men: Apocalipse", "Assassin's Creed" e "The Light Between Oceans", onde compartilha cenas com sua atual parceira, Alicia Vikander e também estará na sequência de "Prometheus", chamada "Alien: Covenant", e em "The Snowman", adaptação do grande sucesso de vendas do norueguês Jo Nesbo.

Fonte: Exame

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Como o cinema e a literatura podem valorizar nossa rotina

Filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"
Uma vida ordinária, comum, seria desinteressante?

O cinema e a literatura, de maneira bastante delicada, nos mostram que é bem o contrário disso.

Na comédia romântica Questão de Tempo (About Time, 2013), o personagem de Domhnall Gleeson descobre que herdou do pai a possibilidade de voltar no tempo. Ele explora o dom sempre que os ventos não conspiram a seu favor, corrigindo situações e convertendo (quase) tudo em vitória.

John Marcher, o protagonista do romance A Fera na Selva, de Henry James (The Beast in the Jungle, 1903), passa anos esperando, angustiado, a chegada de um evento raro e estranho que mudaria a vida dele.

A espera define a existência do personagem que, tão focado em aguardar o extraordinário, acaba sofrendo as consequências de não enxergar as possibilidades de direcionar a própria vida.

De olho no feed do Facebook, compartilhamos o que julgamos ser interessante, vibramos com conquistas de amigos, lamentamos derrotas ou tristezas, confirmamos presença em eventos e comparamos nossas vidas às vidas alheias. Somos tão felizes quanto? Estamos nos divertindo tanto quanto? Nosso dia foi tão agitado quanto o deles? Nossos bichinhos são tão inteligentes quanto? Nossos feitos são tão entusiasmantes quanto?

Hoje em dia, arrisco dizer que tais perguntas geralmente servem, para algumas pessoas, como filtro para se definir quão grandiosa ou empolgante é uma vida.

A grande questão deveria ser: quem disse que uma existência comum, simples, ordinária, sem acontecimentos magníficos, não é extraordinariamente deliciosa e digna de lembranças? Ainda mais em um país em que o viver é luxo para aqueles que estão tentando meramente sobreviver a um rol de adversidades.

Claro que sobreviver é um objetivo muito pequeno para qualquer um de nós, capazes de idealizar acontecimentos e realizar sonhos. O que talvez a gente não perceba é que a cobrança de se ter uma vida monumental ou extraordinária pode nos cegar para todos os minutos imponentes, memoráveis e encantadores revelados em nosso dia a dia.

Depois de experimentar a morte de uma pessoa muito querida e de lidar com o incontornável, o protagonista de Questão de Tempo percebe que não há viagem no tempo que proporcione a felicidade de seu convívio com a mulher, os três filhos, a mãe, a irmã e o trabalho.

A conclusão a que ele chega é emocionante, e todos nós podemos nos apropriar dela: “Eu simplesmente tento viver cada dia como se eu tivesse voltado no tempo para a data de hoje, como se fosse o último dia da minha vida extraordinariamente comum”.

Não encontramos esta cena legendada em português, mas vale assisti-la mesmo assim. Mas atenção, é a cena final!

Fonte: Exame

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Museu incentiva visitantes a trocarem câmeras por desenhos

Pessoas desenham no Rijksmuseum, em Amsterdã
O Rijksmuseum, em Amsterdã, é um dos museus mais famosos e visitados da Europa. Em suas salas, repousam clássicos de Vermeer, Rembrandt e Van Gogh.

https://www.magazinevoce.com.br/magazinejacksoncampos/

Recentemente, a equipe do museu percebeu o quanto os celulares estavam atrapalhando a experiência dos visitantes diante das obras de arte.

"Visitar um museu na era dos smartphones e das mídias sociais é sempre uma experiência passiva e superficial. Os visitantes são distraídos com facilidade e não experenciam, de verdade, a beleza, a mágica e o maravilhoso", o museu escreveu.

Para tentar resolver o problema, eles criaram uma campanha que incentivava o desenho e a observação atenta no lugar da fotografia fácil e vulgar de um iPhone.

No fim de semana dos dias 24 e 25 de outubro, ninguém pôde fotografar as obras. Com a campanha "The Big Draw", quem passou por lá ganhou papel e lápis profissionais para desenhar e rascunhar obras de arte.

A ideia, segundo eles, era "descobrir e apreciar a beleza da arte e da história pelo desenho".

"Você vê mais quando desenha" foi o lema da campanha.

A ideia deu tão certo que o Rijksmuseum acabou criando o "Drawing Saturday": todo sábado, agora, é dia de deixar o smartphone no bolso e se aventurar no desenho - sempre por conta da casa.

A equipe do museu fez questão de frisar sempre aos participantes que a ideia é tentar e se divertir, sem se preocupar com o resultado final.

Nas redes sociais do museu, já é possível ver muitas pessoas sentadas e concentradas. Cada um dedicado no seu próprio caderno de desenho.
O museu também divulgou um vídeo da campanha e seus resultados até agora:


Fonte: Exame/Abril

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ingressos disponíveis para a exposição “O Mundo de Tim Burton” no MIS

Ingressos disponíveis para a exposição “O Mundo de Tim Burton” no MIS
Quem não teve uma sensação estranha quando Jack, ajudado pelos outros habitantes da cidade do Helloween, resolve sequestrar o papai noel para fazer seu próprio natal? O filme O Estranho Mundo de Jack, de 1993, é apenas um entre as dezenas de clássicos criados por Tim Burton, que terá uma exposição no MIS no próximo ano.

A exposição mais aguardada pelos brasileiros já tem ingressos disponíveis no site Ingresso Rápido. O Mundo de Tim Burton, que acontece no MIS, Museu da Imagem e do Som de São Paulo, entre os meses de fevereiro e maio do próximo ano. O museu será a primeira instituição da América Latina a expor a mostra sobre o cineasta estadunidense.

Os ingressos que foram liberados hoje são exclusivos para a semana de lançamento da exposição, que ocorrerá entre os dias 3 e 6 de fevereiro de 2016. Haverá venda de lotes, liberados de hora em hora, para os dias 04, 05 e 06, nos seguintes horários: Entre as 10h e as 20h nos dias 04 e 05 de fevereiro, e entre as 9h as 21h no dia 06. Os valores variam de R$ 40 a R$ 80. No caso da abertura da exposição, que acontecerá no dia 03 de fevereiro, o MIS disponibilizará um lote de 100 ingressos, cujo preço varia entre R$ 200 e R$ 400.

Doe um livro e pague meia

O Museu preparou uma promoção especial para quem oferecer um livro de ficção, em bom estado. Trata-se da campanha Leia um Livro, que dará acesso à meia entrada àquele que doar um livro conforme especificado acima. Os livros arrecadados serão repassados a instituições selecionadas pelo museu. Estudantes, idosos e professores da rede pública continuam com seu direito a meia-entrada, independente da doação.

O Mundo de Tim Burton

A exposição, que já foi exibida em cidades como Nova York, Paris e Praga, explora toda a gama do trabalho criativo de Tim Burton e apresenta desde desenhos da primeira infância até sua carreira consolidada como diretor. A mostra reúne mais de seiscentos itens como desenhos, raramente ou nunca antes vistos, pinturas, fotografias, fotos de filmes, storyboards, bonecos, maquetes, fantasias e objetos de sua vasta filmografia como Edward Mãos de Tesoura, O Estranho Mundo de Jack, Batman, Marte Ataca !, Ed Wood, e Beetlejuice, e de projetos pessoais não realizados e pouco conhecidos que revelam seu talento como artista, ilustrador, fotógrafo e escritor trabalhando no espírito do Surrealismo Pop.

O MUNDO DE TIM BURTON/ Ingressos para a semana de lançamento
Data 19 de outubro, a partir das 12h
Apenas pelo site Ingresso Rápido: www.ingressorapido.com.br/timburton

Ingressos

Abertura da exposição
Data 3 de fevereiro de 2016 (quarta-feira)
Horário 18h às 21h
Valores R$ 400,00 (inteira) e R$ 200,00 (meia-entrada e visitantes que trouxerem um livro de ficção em bom estado)
Dois ingressos por CPF

Semana de lançamento
Data 4, 5 e 6 de fevereiro de 2016
Horário 10h às 20h (04.02 e 05.02) e 9h às 21h (06.02) – bilhetes com horário marcado de hora em hora.
Valores R$ 80,00 (inteira) e R$ 40,00 (meia-entrada e visitantes que trouxerem um livro de ficção em bom estado)
Quatro ingressos por CPF

Museu da Imagem e do Som – MIS
Avenida Europa, 158, Jardim Europa, São Paulo | (11) 2117 4777 | www.mis-sp.org.br
Estacionamento conveniado: R$ 10 | Valet: R$ 15 [Conveniado]
Acesso e elevador para cadeirantes. Ar condicionado.

Fonte: Vá de Cultura

Criaturas geneticamente modificadas inspiram exposição ComCiência

A exposição ComCiência Expo ComCiência fica até 4 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil, em SP
Exposição ComCiência mistura realismo e o fantástico. (Foto: Divulgação)
Esculturas que misturam o realismo e o fantástico, com inspiração em pesquisas de biotecnologia e engenharia genética, estão na primeira exposição da artista Patricia Piccinini no Brasil, chamada ComCiência. As obras, que circulam entre o hiper e o surrealismo, têm características humanas, escala de tamanho real e questionam os efeitos da ciência, além dos limites morais e éticos do homem no mundo contemporâneo.

Realidade e fantasia ajudam a artista a refletir também sobre o conceito de beleza e normalidade. Em “O visitante bem-vindo”, uma criatura estranha, com traços de primatas, está diante de uma menina, em cima da cama. Ela sorri encantada, sem nenhum medo ou estranhamento. Para uma criança, a percepção do que é considerado belo pode ser muito abrangente, incluindo o ser mutante que está diante dela. “Trata-se de uma obra sobre a aceitação”, diz o curador Marcello Dantas.

Na cabeceira da mesma cama, está um pavão, que, segundo a artista, tem a beleza como vantagem seletiva. Piccinini escreve: “Minhas criaturas, apesar de estranhas e por vezes inquietantes, não são assustadoras. Em vez disso, é a sua vulnerabilidade que muitas vezes vem à tona. Elas pedem que olhemos além de sua estranheza, nos convidando a aceitá-las”.

A intenção da artista foi contemplada. “O carisma e o afeto com os seres humanos, essa conexão com um ser que, para nós, parece tão estranho e tão feio, nos remete também ao belo. Esse afeto transcende a feiura, é muito belo”, disse Paloma Costa, 38 anos, ao visitar a exposição. “Isso me faz refletir, não é uma coisa assim tão utópica chegar ao futuro e os cientistas começarem a perceber essa mistura entre ser humano e outros animais para criar habilidades. Me abriu a mente”, acrescentou.

Em outro momento da mostra, uma criança sustenta seu corpo com apenas um dos braços, é um garoto aparentemente forte. Mais de perto, o menino não parece completamente humano, seus dedos dos pés são grudados, como uma nadadeira, e seu rosto lembra uma foca. Piccinini traz ao público a questão das mutações em laboratório, questionando se seriam seres superiores ou ainda super-heróis, uma resposta que ainda não temos. “Te faz pensar que, de repente, o teu filho pode ter genes de um morcego, que pode ver no escuro e pode ter habilidades daquele animal”, disse Paloma.

As mutações genéticas, que permeiam o trabalho da artista, podem ser vistas ainda nas obras chamadas “Metaflora”, em que flores são compostas de pele semelhante à humana, cabelo, línguas e garras, refletindo sobre o cultivo de alimentos geneticamente modificados. Segundo a artista, as pessoas são cercadas por modificações genéticas escondidas nos alimentos e animais, sem ao menos se dar conta disso.

Há também uma flor gigante que põe ovos, demonstrando uma junção de características animais e vegetais, com textura de pele humana. Essa espécie está no meio de um jardim com flores brancas em forma de ovário, o que reflete um desejo de reprodução e, por consequência, de sobrevivência.

Há quem faça relação entre as obras de Patricia Piccinini e Ron Mueck, que expôs na Pinacoteca de São Paulo, e que impressionaram pelo realismo dos personagens e pelo perfeccionismo do artista. Assim como Patricia, ele usou materiais como fibra de vidro, fios de cabelo e silicone para reproduzir cada detalhe do corpo humano.

Cíntia Carvalho, 24, visitou ambas exposições e gosta da semelhança das esculturas com os seres humanos. Ela destacou a forma como os dois artistas escolhem materiais que transformam as obras em algo mais humano e mais próximo do real. “Parece que são pessoas mesmo, seres humanos, parece que são feitos de carne e osso. Qualquer pessoa que foi à exposição do Ron Mueck pode fazer o mesmo comparativo”, disse.

A exposição ComCiência Expo ComCiência fica até 4 de janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil. A entrada é franca.


Fonte:Portal r3