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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Zika pode estar associado a outra doença neurológica

Mosquito Aedes aegypti transmissor da dengue, vírus zika e febre chikungunya
Além da microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré, o vírus zika pode estar associado a mais uma doença neurológica: a encefalomielite aguda disseminada (ADEM, na sigla em inglês), síndrome autoimune que causa inflamação no sistema nervoso central.

Um estudo feito no Recife e que será divulgado na sexta-feira no encontro anual da Academia Americana de Neurologia, em Vancouver, no Canadá, encontrou evidências de associação entre o vírus e a ADEM em pelo menos dois casos.

Cientistas já desconfiavam de uma conexão entre o zika e a ADEM, conforme mostrou o jornal O Estado de S. Paulo em fevereiro. Mas só agora serão apresentados os resultados científicos do estudo liderado por Maria Lucia Brito Ferreira, chefe do Serviço de Neurologia do Hospital da Restauração, no Recife.

"Embora seja um estudo pequeno, ele pode fornecer evidências de que o vírus causa no cérebro efeitos diferentes daqueles que haviam sido identificados nos estudos em curso. Mas muita pesquisa ainda terá de ser feita para explorar se há uma relação causal entre o zika e esses problemas cerebrais", disse Maria Lúcia.

No estudo os cientistas acompanharam, entre dezembro de 2014 e junho de 2015, todos os casos que chegaram ao Hospital da Restauração com sintomas de infecção por arbovírus - a família de vírus que inclui zika, dengue e chikungunya.

Todos os pacientes estudados chegaram ao hospital com febre e erupções na pele. Alguns também apresentavam coceiras, dores em músculos e articulações, além de olhos vermelhos. Alguns tiveram sintomas neurológicos logo em seguida e outros os apresentaram cerca de 15 dias depois.

Os autores registraram 151 casos com algum tipo de manifestação neurológica, mas seis deles desenvolveram sintomas neurológicos típicos de doenças autoimunes - aquelas nas quais o sistema imunológico do paciente ataca e destrói células de tecidos saudáveis de seu próprio organismo.

Os seis pacientes foram submetidos a exames e testes sanguíneos. Quatro apresentavam a síndrome de Guillain-Barré que, assim como a microcefalia, tem sido associada à infecção por zika. Outros dois foram diagnosticados com ADEM. Os testes revelaram que os seis já haviam sido infectados por zika, mas nenhum deles por dengue ou chikungunya.

Nos pacientes com ADEM, segundo os especialistas, as células de defesa do organismo no cérebro e na medula espinhal atacam a bainha de mielina, uma cobertura de gordura que envolve as fibras nervosas e tem função semelhante à da capa de um fio condutor de eletricidade. A síndrome de Guillain-Barré também é autoimune e envolve danos à bainha de mielina.

Danos

Nos dois casos registrados, as tomografias do cérebro mostraram que os pacientes com ADEM tinham sinais de danos na matéria branca cerebral. Segundo os cientistas, os sintomas são semelhantes aos de uma esclerose múltipla, mas em geral a ADEM provoca um único ataque do qual a maior parte dos pacientes se recupera em cerca de seis meses.

Quando tiveram alta do hospital, cinco dos seis pacientes continuavam com problemas motores. Um teve problemas de visão e outro apresentou problemas de memória e de capacidade de raciocínio.

"Isso não quer dizer que todas as pessoas infectadas com o zika terão esse tipo de problema cerebral. Daqueles que apresentaram problemas no sistema nervoso, a maior parte não tem sintomas cerebrais. No entanto, nosso estudo pode ajudar a esclarecer possíveis efeitos duradouros com os quais o vírus pode estar associado no cérebro", disse Maria Lúcia.

"Neste momento, não parece que os casos de ADEM estejam ocorrendo com uma incidência tão grande como a dos casos de Guillain-Barré, mas essas descobertas feitas no Brasil sugerem que os médicos devem ficar vigilantes quanto à possível ocorrência de ADEM e de outras doenças autoimunes relacionadas ao sistema nervoso central", disse James Sejvar, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) de Atlanta, nos EUA.

"A questão é: por que o vírus zika parece ter essa forte associação com a síndrome de Guillain-Barré e, potencialmente, com outras doenças autoimunes e inflamatórias do sistema nervoso?", questionou Sejvar.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Óleos naturais são eficazes contra o Aedes, mostra pesquisa

Mosquito Aedes aegypti
Uma pesquisa da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais e da Fundação Ezequiel Dias (Funed) atestou a eficiência do uso dos óleos de orégano e de cravo para matar as larvas do mosquito Aedes aegypti.

O próximo passo do estudo será desenvolver a fórmula para um larvicida, que será colocado à disposição do mercado.

Em contato com o criadouro, os óleos matam as larvas em até 24 horas. A pesquisadora Alzira Batista Cecílio espera que até o meio do ano a formulação já esteja pronta para ser apresentada à indústria.

"Produto natural não pode ser patenteado. Então, só após a formulação do larvicida, poderemos patentear e iniciar as negociações com as empresas", afirma.

O estudo é um desdobramento de outra pesquisa mais ampla, que testa o uso de produtos naturais para combater diversos tipos de vírus.

"Nesse cenário preocupante em relação ao vírus da dengue, nós decidimos começar a estudar também plantas que pudessem eliminar o vetor", acrescenta Alzira. Além da dengue, o mosquito Aedes aegypti é o transmissor do vírus zika e da febre chikungunya.

O orégano e o cravo foram selecionados após análise de mais de 20 plantas. O óleo é extraído com o uso de equipamentos específicos.

Por essa razão, não adianta por exemplo colocar folhas de orégano ou cravo nos vasos das plantas.

Neste momento, está sendo feito o estudo fitoquímico, para detalhar a composição química dos óleos.

Futuramente, está previsto também o teste desses óleos no combate a outras fases da vida do mosquito, o que pode levar ao desenvolvimento de um inseticida aerosol ou um repelente.

A pesquisadora alerta, porém, que esses produtos são apenas ferramentas auxiliares para combater o Aedes. "Eliminar os criadouros continua sendo o ponto chave", reitera.

Larvicida degradável

Segundo Alzira Cecílio, o objetivo é desenvolver um produto que não contamine o meio ambiente, já que a maioria dos criadouros de larvas está espalhada.

Elas podem ter contato com animais e até água voltada para o consumo humano, como por exemplo nas caixas d'água.

"Queremos um larvicida que seja degradado rapidamente e não contamine a água, ao mesmo tempo em que tenha boa eficácia. A maioria dos larvicidas usados hoje exige algum cuidado na aplicação e deixa a água com alguma toxicidade", explica.

No mês passado, uma nota técnica da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) gerou polêmica ao criticar os larvicidas usados atualmente.

O governo do Rio Grande do Sul chegou a suspender o uso do Pyriproxifen, ao considerar que o produto poderia estar relacionado à ocorrência de microcefalia em bebês.

A própria Abrasco negou que tenha colocado essa possibilidade em questão.

Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador do grupo de saúde e ambiente da Abrasco, Marclo Firpo, explicou que foi um mal-entendido, mas reafirmou que a entidade é contra o uso de agentes químicos na água potável e que danos à saúde decorrentes desses produtos não estão descartados.

"Consideramos um contrassenso sanitário, um absurdo a colocação de veneno larvicida na água potável", disse.

Fonte: Exame

sexta-feira, 4 de março de 2016

Zika caught 'killing' brain cells

Baby with microcephaly
It was able to destroy or disrupt the growth of neural progenitor cells, which build the brain and nervous system, in lab tests.

The discovery, published in the journal Cell Stem Cell, adds weight to claims that Zika is causing brain abnormalities in babies.

However, the US researchers caution this is not yet the conclusive link.

There have been more than 4,800 confirmed and suspected cases of babies born with small brains - microcephaly - in Brazil.

It is widely thought that the Zika outbreak is to blame, but this has not been scientifically confirmed.

The team from the Johns Hopkins, Florida State and Emory universities infected a range of tissue samples with Zika virus for two hours and then analysed the samples three days later.

The virus was able to infect up to 90% of neural progenitor cells in a sample leading to nearly a third of cells dying and the growth of the rest being disrupted.

A similar effect in a developing brain could have devastating results.
Zika virus images
The virus was able to infect only 10% of other tissue types tested including more advanced brain cells, kidney cells and embryonic stem cells.

Prof Guo-li Ming, one of the researchers, said the findings were significant and represented a first step to understanding the link between microcephaly and Zika.

She told the BBC News website: "Neural progenitor cells are especially vulnerable to the Zika virus.

"They are giving rise to the cortex - the primary part [of the brain] that shows reduced volume in microcephaly.

"But this research does not provide the direct evidence that Zika virus is the cause for microcephaly."

She said studies looking at brain organoids or animal studies were still needed.

Fonte: BBC

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Aedes aegypti do Bem reduz em 82% incidência do mosquito

Mosquito da dengue Aedes aegypti
A quantidade de larvas selvagens do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, diminuiu 82% no bairro Cecap/Eldorado, onde, desde março do ano passado, estão sendo soltos mosquitos geneticamente modificados.

A comparação foi feita com o bairro Alvorada, a 1,5 quilômetro da região onde o Projeto Aedes aegypti do Bem, desenvolvido em parceria com a empresa Oxitec, não está sendo aplicado.

O anúncio foi feito nesta terça-feira pela prefeitura de Piracicaba. O Cecap foi escolhido para o teste porque foi o bairro mais atingido pela dengue na cidade no verão de 2014-2015.

Desde julho, segundo dados da prefeitura, apenas um caso da doença foi registrado no bairro, comparado aos 50  ocorridos no município.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Piracicaba, a experiência começou em abril do ano passado, com a liberação, até agora, de 800 mil mosquitos machos, que não picam as pessoas e carregam um gene autolimitante que faz com que seus filhotes morram ainda na fase de larva.

A população inicial beneficiada pelo projeto foi de 5 mil pessoas. O objetivo é estender o experimento para a região central da cidade, englobando de 35 a 60 mil habitantes.

Com o sucesso do projeto, a prefeitura e a empresa criadora da tecnologia assinaram um protocolo de intenções para instalação de uma fábrica da Oxitec no município, já que o laboratório onde são produzidos os insetos fica em Campinas, também no interior paulista.

Com isso, a produção semanal passará de 2 milhões de mosquitos para 60 milhões, o que permitirá a extensão do programa.

A fábrica gerará mais de 100 empregos.

Segundo o diretor da Oxitec do Brasil, Glen Slade, a produção da fábrica piracicabana poderá também ser usada para tratar outras cidades do estado de São Paulo e do Brasil que se interessem em usar o chamadio Aedes aegypti do Bem para combater o transmissor da dengue, zika e chikungunya.

“Nos próximos anos, faremos um investimento da ordem de milhões de reais na nova unidade de Aedes aegypti do Bem, que tem capacidade prevista de atender mais de 300 mil pessoas”, anunciou Slade.

Fonte: Exame

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Governo cria sala de controle para combater dengue e zika

Mosquito Aedes aegypti
O governo federal criou a Sala Nacional de Coordenação e Controle para o enfrentamento da dengue, do vírus chinkungunya e do zika vírus. A instituição da sala está determinada em Decreto presidencial publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira, 22.

Segundo o decreto, o objetivo da sala é gerenciar e monitorar a intensificação das ações de mobilização e combate ao mosquito Aedes aegypti para o enfrentamento das doenças a ele associadas.

O grupo será composto por representantes, titulares e suplentes, dos seguintes órgãos: Ministério da Saúde (que o coordenará), Ministério da Integração Nacional, Casa Civil, Ministério da Defesa, Ministério da Educação, Ministério do Desenvolvimento Social e Secretaria de Governo.

Poderão ainda ser convidados para integrar a sala de controle representantes de outros órgãos federais, estaduais, distritais e municipais e de organizações da sociedade civil.

A Sala de Controle, no âmbito do Plano Nacional de Enfrentamento da Microcefalia, deverá definir diretrizes para intensificar a mobilização e o combate ao mosquito Aedes aegypti em todo o País, além de consolidar e divulgar informações sobre as ações e os resultados obtidos.

Caberá ao grupo ainda coordenar as ações dos órgãos federais de disponibilização de recursos humanos, insumos, equipamentos e apoio técnico e logístico, em articulação com órgãos estaduais, distritais, municipais e entes privados envolvidos; monitorar os procedimentos adotados para intensificar as ações de mobilização e combate ao mosquito; apoiar e acompanhar a instalação das salas estaduais, distrital e municipais de coordenação e controle.

O decreto diz ainda que a participação na sala de controle será considerada prestação de serviço público relevante, por isso, não remunerada.

Fonte:Exame/Abril

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Zika infectou 500 mil e casos de microcefalia crescem 41%

Pé de bebê recém-nascido
Apontado como responsável pelo aumento de casos de microcefalia no país, o zika vírus infectou ao menos meio milhão de brasileiros neste ano, de acordo com a estimativa mais otimista do Ministério da Saúde.

Na previsão mais pessimista, foi contaminado 1,4 milhão de pessoas, segundo o Protocolo de Vigilância e Resposta à Microcefalia e ao Zika, divulgado nesta terça-feira, 8.

O Brasil já soma 1.761 casos suspeitos de má-formação, com 19 mortes de bebês notificadas. Para o ministro da Saúde, Marcelo Castro, a situação é "gravíssima".

O governo federal publica, pela primeira vez, uma projeção sobre o grau de disseminação do zika pelo país.

Embora ainda não existam testes em quantidade e qualidade suficientes para diagnosticá-lo e, como em 80% dos casos o paciente infectado não apresenta sintomas, o ministério fez uma projeção com base em casos descartados de dengue - as duas doenças têm sintomas semelhantes - e em referências da literatura médica internacional.

O ministério chegou ao número mínimo de 497.593 casos e máximo de 1.482.701.

Por se tratar de uma doença nova em território nacional, não havia teste de sorologia específico para o zika no início da epidemia e, portanto, também não era possível, sem métodos diagnósticos, exigir das prefeituras a notificação obrigatória de todos os casos, como acontece com a dengue.

A estimativa foi feita considerando apenas os 19 Estados com circulação autóctone (interna) do vírus confirmada por laboratório. Considerando a projeção mais conservadora, São Paulo é o Estado com o maior número de casos estimados: 236 mil.

Em seguida, aparecem Minas (54 mil), Paraná (42 mil), Ceará (38 mil) e Pernambuco (34 mil).

O documento no qual constam as projeções também estabelece diretrizes aos profissionais de saúde e áreas técnicas para lidar com casos suspeitos e pacientes confirmados de microcefalia.

Professor de Infectologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edimilson Migowski afirma que é bastante provável que a projeção do ministério esteja correta.

"Quando verificamos que o número de casos de dengue no último verão estava muito alto no país, eu já levantava a hipótese de que alguns deles poderiam estar sendo confundidos com zika", disse ele.

"Infelizmente, temos no país todos os ingredientes para a epidemia de zika: boa parte dos municípios tem altos índices de infestação pelo Aedes aegypti e, por se tratar de uma doença nova, quase 100% da população está suscetível a ela", completou.

Segundo o especialista, com o alto número de casos estimados, é provável que o país continue assistindo a um aumento de notificações de microcefalia.

Má-formação

O boletim epidemiológico divulgado ontem pelo ministério mostrou que os registros de má-formação aumentaram 41% em apenas uma semana e estão espalhados por 411 municípios de 13 Estados e do Distrito Federal. Pernambuco segue liderando com o maior número de casos: 804.

Pelo novo protocolo, as vigilâncias de Estados e municípios deverão detectar casos não apenas em recém-nascidos, mas também monitorar gestantes com possível infecção por zika e fetos com alterações no sistema nervoso, além de abortos espontâneos e nascidos mortos suspeitos de contrair o vírus.

Campanha

Também ontem, o ministro da Saúde participou, no Rio, do lançamento da campanha "10 Minutos Salvam Vidas", da Secretaria Estadual da Saúde, para incentivar a população a eliminar criadouros do mosquito. Castro lembrou que o Aedes tem comportamento sazonal.

"O menor número na população de mosquito está ocorrendo agora. Temos praticamente dois meses para agir em terrenos baldios, piscinas abandonadas, em todo lugar que possa acumular água", afirmou.

Ele lembrou que os mosquitos têm hábitos diurnos, se escondem nas casas e atacam pelas extremidades - pés e mãos. "São as mulheres que ficam com os pés descobertos, porque, mesmo que estejam de calça, normalmente usam sandália", disse Castro.

O ministro afirmou que não faltarão recursos para ações de combate ao mosquito.

"É a primeira vez que acontece na história da humanidade (microcefalia associada ao zika). Estamos aprendendo. Os cientistas são unânimes em afirmar que (o surto) se espalhará para os demais Estados, com exceção de Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por causa do clima. É uma situação extremamente grave. Entendo que este é o problema número um que o Brasil tem hoje. E tem de ser atacado com todas as forças, porque são vidas humanas que estão em jogo."

Ontem, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e mais seis governadores pediram à presidente Dilma Rousseff apoio das Forças Armadas e recursos financeiros para combater o Aedes.

Fonte: Exame/Abril

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

SP tem primeira suspeita de microcefalia por zika vírus

Pé de bebê recém-nascido
O Estado de São Paulo registrou o primeiro caso suspeito de microcefalia relacionado ao zika cuja transmissão do vírus teria ocorrido dentro do território paulista.

A suspeita surgiu porque a gestante não tem histórico de viagem para o Nordeste ou outros Estados atingidos pela doença.

A criança nasceu há cerca de um mês em uma maternidade de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, com perímetro cefálico de cerca de 28 centímetros.

O bebê foi posteriormente avaliado por uma equipe do Hospital São Paulo, vinculado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que verificou indícios de microcefalia relacionada ao zika.

"No caso da infecção pelo vírus, além do perímetro cefálico reduzido, temos diversas calcificações e uma superfície cerebral mais lisa, e o padrão de imagem do cérebro dessa criança é muito compatível com esse quadro. É um caso de microcefalia com alta probabilidade de ter relação com o zika", diz Marcelo Masruha, médico do setor de neurologia infantil da Unifesp e um dos profissionais que examinaram a criança.

Masruha afirma que a mãe do bebê relatou ter tido, no primeiro trimestre da gravidez, sintomas de zika, como febre e manchas pelo corpo.

"Soubemos que o hospital em Guarulhos notificou o caso de microcefalia à vigilância epidemiológica e, quando a criança chegou até nós, no dia 24 de novembro, fizemos uma nova notificação pelo Hospital São Paulo. Não entendo por que esse caso ainda não entrou para as estatísticas do Ministério da Saúde", observa o médico, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil.

No último boletim epidemiológico de microcefalia, divulgado pelo ministério na terça-feira, não havia casos suspeitos do problema no Estado de São Paulo.

A Secretaria Municipal de Saúde de Guarulhos confirmou o registro de um caso de microcefalia, mas afirmou que ainda não é possível confirmar se há relação com o zika vírus.

Já o Ministério da Saúde afirmou que recebe as notificações por meio das secretarias estaduais e, até o fechamento do último boletim, no dia 28 de novembro, não havia recebido nenhum caso de São Paulo. A secretaria estadual, por sua vez, informou que só trabalha com casos confirmados.

Antes desse relato, o Estado só apresentou casos de microcefalia associados ao zika em bebês cujas mães passaram parte da gravidez em cidades nordestinas.

Foram dois casos do tipo na capital paulista. Uma das gestantes engravidou em Pernambuco e lá ficou durante os primeiros meses da gestação. A segunda chegou da Paraíba.

Segundo Masruha, há um terceiro caso suspeito na capital, de uma gestante que passou pelo Rio Grande do Norte. A criança nasceu com perímetro cefálico de 26 centímetros.

Emergência

Ontem, o governo da Paraíba decretou emergência por causa do vírus. O mesmo já foi feito por Pernambuco e Rio Grande do Norte. Em todo o país, já foram notificados 1.248 casos de microcefalia com suspeita de relação com o zika vírus.

Fonte: Exame/Abril

Governo de SP quer PM e Defesa Civil contra mosquito

Mosquitos da dengue são mostrados no Rio de Janeiro em 24 de setembro de 2014
O governo do Estado de São Paulo vai criar um comitê composto por 11 secretarias estaduais para definir um plano de enfrentamento conjunto à dengue e ao zika vírus.

Uma das propostas que serão feitas pelo secretário estadual da Saúde, David Uip, será engajar policiais militares e agentes da Defesa Civil no combate aos criadouros do mosquito Aedes aegypti.

"Será um comitê para combater todas as arboviroses. O plano já foi apresentado ao governador (Geraldo Alckmin) e ele autorizou as macrodecisões. Agora, com a participação de todas as secretarias, vamos definir estratégias detalhadas. Queremos uma força-tarefa com a Segurança Pública e com a Defesa Civil para extermínio do mosquito", diz Uip.

Participarão do comitê, além da Saúde e da Segurança Pública, as secretarias do Meio Ambiente, Planejamento e Gestão, Fazenda, Direitos da Pessoa com Deficiência, Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Social, Casa Militar, Casa Civil e Governo.

A Defesa Civil do Estado disse que ainda não foi comunicada sobre este comitê, mas que mobilizará as defesas civis municipais "a se engajarem na campanha" e, se necessário, auxiliará nas vistorias de locais que possam servir de criadouros".

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que os médicos do Hospital da PM já auxiliaram no último verão nas ações de combate ao Aedes e que esse trabalho poderá ser repetido na próxima temporada.

Mais ações

Conforme informou o Estado anteontem, o plano de enfrentamento do governo do Estado prevê ainda a oferta de testes de sorologia para zika para as gestantes de São Paulo e o acompanhamento das grávidas cujos bebês tiverem suspeita de microcefalia.

Questionado sobre a contratação de mais agentes e eventual repasse de mais recursos para a Prefeitura, Uip disse que essa decisão também será tomada pelo comitê, de acordo com a disponibilidade de recursos do governo estadual.

"É por isso que as secretarias da Fazenda e de Planejamento estão nesse grupo", disse ele. A primeira reunião do comitê deverá ocorrer na próxima semana.

Fonte: Exame/Abril

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Chegada do zika ao Sudeste é inevitável, diz infectologista

Mosquito Aedes aegypti
A chegada do vírus zika ao Sudeste é inevitável, segundo o infectologista Ralcyon Teixeira, supervisor do Pronto-Socorro do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo.

Ontem (27) foram anunciados dois casos de microcefalia, na capital, em gestantes que vieram de Pernambuco e da Paraíba.

“Há riscos, devido às chuvas, ao calor e à presença do Aedes aegypiti [mosquito transmissor do vírus]", disse. De acordo com o infectologista, como há Zika circulando pelo Nordeste, é inevitável que o vírus chegue à região Sudeste.

“No final deste ano, é para vir dengue [também transmitida pelo Aedes] com muito força”, acrescentou.

Ralcyon explica que as duas mulheres com casos confirmados em São Paulo já passaram da fase de transmissão do vírus, que dura aproximadamente 11 dias.

“Para essas, mulheres não existe mais riscos, pois ela não têm circulação do vírus no sangue. Assim, não passa para outras pessoas, mesmo com o mosquito as picando”, disse.

Recomendação às gestantes

As mulheres grávidas devem redobrar a atenção para evitar o contato com o Aedes aegypiti. Ralcyon disse que pouco se sabe sobre como a infecção afeta o feto durante a gestação, mas a formação dos órgãos do bebê ocorre até o segundo trimestre da gravidez.

“É o período mais importante. Provavelmente, as infecções mais precoces, no início da gestação, são as que mais comprometem”, disse ele.

A microcefalia pode ser consequência de um problema ósseo da cabeça do bebê, que geralmente se resolve com o tempo, de uma malformação congênita ou infecção adquirida pela mãe (caso do Zica).

Crianças com microcefalia desenvolvem, em 90% dos casos, algum nível de retardo mental.

Por isso, as gestantes devem ficar atentas aos sintomas do Zika: vermelhidão na pele, dor no corpo, febre, coceira e olhos vermelhos. Além disso, a população precisa ajudar na eliminação do mosquito vetor.

“Nunca se tornou tão importante a ideia da prevenção ao mosquito. Não deixar água parada, verificar os focos em casa, usar telas e repelentes de ambiente ou tópicos. A maioria dos focos do Aedes está dentro de casa”, disse Ralcyon.

Ontem, o secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha, também reforçou a necessidade do combate ao mosquito, já que a dengue é potencialmente mais grave para uma gestante do que o vírus Zika.

"O que tenho dito é que a dengue é potencialmente mais grave para uma gestante do que o vírus Zika. Temos relatos de óbitos de gestantes com dengue. Temos relatos de aborto no período de infecção por dengue e de comprometimento do feto", disse Padilha.

Fonte:Exame/Abril