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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Turquia recebe primeiros refugiados expulsos após acordo

A chanceler alemã, Angela Merkel, aperta a mão do premiê turco, Ahmet Davutoglu, durante visita de Merkel à Turquia, dia 08/02/2016
Três barcos partiram nesta segunda-feira rumo à Turquia com pelo menos 202 imigrantes que estavam nas ilhas gregas de Lesbos e Chios, como parte do polêmico acordo assinado entre UE e Ancara em 18 de março passado.

Este acordo contou com o apoio da Alemanha, que aceitou, no último ano, a maioria dos mais de um milhão de imigrantes que desembarcaram na Europa pela Turquia.

Em conversa por telefone, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro turco, Ahmed Davutoglu, consideraram que esta segunda-feira foi um dia "importante", que marcou o início da "implementação de uma parte central" da estratégia europeia para conter o fluxo de imigrantes, declarou a Alemanha.

Pelo acordo, 202 imigrantes, entre eles dois sírios, foram levados para a Turquia, enquanto outros 32 sírios foram levados para Hannover, no norte da Alemanha, e 11, para a Finlândia. Espera-se que, nesta terça, a Holanda receba mais refugiados.

Uma primeira embarcação procedente de Lesbos chegou ao porto de Dikili às 6h20 GMT (3h20 de Brasília), e outros dois devem chegar nas próximas horas - um ao mesmo porto, e outro, a Cesme.

Em Lesbos, a balsa Lesvos e o catamarã Nezli Jale receberam 131 pessoas, em sua maioria do Paquistão e de Bangladesh, no porto de Mytilene, informou Ewa Moncure, porta-voz da Frontex, a agência de vigilância de fronteiras externas da UE, que comanda a operação.

A Polícia grega anunciou números um pouco diferentes: 136 pessoas partiram de Lesbos, sendo 125 paquistaneses, quatro cingaleses, três bengaleses, dois indianos e dois sírios.

Segundo o ministro turco encarregado das relações com a UE, Volkan Bozkir, os sírios serão enviados aos campos de Osmaniye, no sul do país, e de Kirklareli, no norte, perto da fronteira com a Bulgária.

Os demais vão permanecer um tempo na Turquia, antes de serem devolvidos "pouco a pouco" para seus respectivos países.

Vários manifestantes expressaram apoio aos expulsos, com direito a uma faixa com frase "Turkey is not safe" ("Turquia não é segura") no terraço de um hotel diante do porto.

Mesmo assim, a operação aconteceu de maneira calma e ordenada, de acordo com Moncure.

Os imigrantes, todos homens, estavam no campo de Moria, a 10 quilômetros do porto.

Em Chios, outra ilha próxima da Turquia, a balsa Erturk Line-Cesme saiu do porto com 66 imigrantes a bordo, segundo a polícia: 43 afegãos, 10 iraquianos, seis paquistaneses, cinco cidadãos congoleses, um somali, um marfinense e um indiano.

Dezenas de ativistas e simpatizantes compareceram ao local para pedir "liberdade", mas não há registro de confrontos.

O acordo assinado entre a União Europeia e a Turquia prevê que, para cada sírio devolvido, outro será admitido no território comunitário, com um teto de 72 mil pessoas.

Um primeiro grupo de 16 sírios desembarcou nesta segunda-feira em Hannover, norte da Alemanha, e um segundo grupo deve chegar nas próximas horas.

No domingo, uma fonte do governo alemão afirmou que dezenas de imigrantes chegariam à França, à Finlândia e a Portugal.

Um ato ilegal

A agência de notícias grega ANA anunciou ontem que 750 imigrantes seriam devolvidos para a Turquia entre segunda e quarta-feiras, ao ritmo de 250 por dia. O grupo é composto, em sua maioria, por paquistaneses, cingaleses e africanos.

A Turquia começou a preparar centros de registro perto das ilha de Lesbos e Chios, assim como um campo de grande capacidade.

A UE enviou forças de segurança para apoiar a operação. O governo francês pretende mobilizar 200 homens, entre policiais, agentes do Batalhão de Choque e gendarmes.

Diante da ameaça de expulsão iminente, vários migrantes teriam solicitado asilo nas últimas horas. A princípio, o acordo envolve apenas os que não fizeram o pedido.

A operação provoca grande preocupação entre os defensores dos direitos humanos, incluindo a organização Anistia Internacional, que acusa Ancara de forçar uma centena de sírios por dia a voltar para a Síria. O governo turco nega a acusação.

"O que vai acontecer com as milhares de pessoas que pediram asilo?", questionava a vice-diretora da AI na Europa, Gauri Vaugulik, falando de Lesbos.

A ONG alemã Pro Asyl denunciou as expulsões como "um ato ilegal e desumano".

Para o chefe da representação da Comissão Europeia na Grécia, Panos Carvounis, o "teste" desta segunda enviou "um sinal muito forte para dizer às pessoas: 'não venham mais para a Grécia pelo mar, porque vão ser devolvidos'".

O acordo não resolve o problema dos 50 mil refugiados que chegaram à Grécia antes de 20 de março e que permanecem bloqueados na fronteira desde o fechamento da rota dos Bálcãs.

Fonte: Exame

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Rússia convoca ONU por temer operação turca na Síria

Polícia e bandeira da Turquia na frente de igreja grega ortodoxa, dia 18/11/2015
A Rússia convocará nesta sexta-feira uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, depois que a Turquia defendeu uma operação militar terrestre na Síria com seus aliados, anunciou em um comunicado a diplomacia russa.

"A Rússia tem a intenção de convocar hoje uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para debater este tema, e submeter um projeto de resolução que consiste em por fim a todas as ações que socavam a soberania e a integridade territorial da Síria", indica o ministério russo das Relações Exteriores.

A Turquia defendeu uma intervenção militar terrestre da coalizão internacional na Síria, o que arruinaria definitivamente a possibilidade de um cessar-fogo, que devia inicialmente entrar em vigor nesta sexta.

Fonte: Exame

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

EUA pede que Rússia e Turquia evitem escalada na Síria

Tanques do Exército da Turquia na fronteira com a Síria
Os Estados Unidos pediram, nesta segunda-feira, à Rússia e Turquia que evitem qualquer tipo de escalada no conflito sírio ante o tom cada vez mais violento que Moscou e Ancara empregam sobre suas operações miliares na Síria.

"É importante que russos e turcos dialoguem diretamente e tomem medidas para impedir uma escalada", disse à AFP um porta-voz do departamento de Estado.

O país americano se encontra comprometido em um situação incômoda, uma vez que Ancara é um de seus aliados no seio da coalizão contra o grupo Estado Islâmico, mas, ao mesmo tempo, Washington apoia os curdos da Síria, que agora são alvo dos bombardeios turcos.

Washington também é aliado da Rússia nos esforços para encontrar uma saída diplomática à guerra na Síria que se traduziram, na quinta-feira, em um acordo para um eventual "cessar de hostilidades" e uma "trégua humanitária".

Mas, há dez dias, os americanos pedem que Moscou cesse seus bombardeios no norte da Síria em apoio às forças governamentais do regime de Bashar Al-Assad.

Fonte: Exame

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

UE e Turquia se reúnem em cúpula focada na crise migratória

Um policial que escoltava um grupo de refugiados da Croácia para a Eslovênia sorri e dá a mão a uma garotinha
Os líderes da União Europeia (UE) e Turquia se reunirão neste domingo em uma cúpula que deverá servir a Ancara para obter um novo impulso à sua adesão ao bloco e uma ajuda financeira de 3 bilhões de euros para deter a chegada de migrantes.

A cúpula acontecerá em um contexto de tensão internacional, poucos dias depois de a Turquia derrubar um caça-bombardeiro russo perto da fronteira com a Síria, de onde vem a grande maioria dos refugiados que chegam à Europa.

"Para a UE, a cúpula visa reduzir o fluxo de migrantes. Para os turcos, trata-se de dar um novo impulso ao processo de adesão" ao bloco, afirmou uma fonte envolvida nas negociações sobre o texto final.

O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, defenderá em Bruxelas a posição de Ancara, e não o presidente Recep Tayyip Erdogan.

"O que é complicado é que haverá, ao mesmo tempo, uma negociação entre europeus e uma com os turcos", indicou outra fonte europeia.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, participará da cúpula convocada pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

A Alemanha, ansiosa em concluir um acordo com a Turquia, pressionou Tusk a convocar a cúpula, apesar da ameaça terrorista ainda presente na capital belga.

O objetivo é lançar a implementação do "plano de ação conjunto" negociado pela Comissão Europeia com Ancara, e que enumera uma série de compromissos, incluindo um controle das fronteiras com a UE.

A cúpula também ratificará a contribuição financeira da UE à Turquia, de 3 bilhões de euros, para ajudar Ancara a receber os refugiados em seu território.

Enquanto cerca de 700.000 imigrantes chegaram à Europa através da Turquia, o país também abriga cerca de 2,2 milhões de refugiados e requerentes de asilo.

O governo islâmico-conservador turco, reeleito recentemente, também não quer perder a chance de colher os frutos políticos desta nova cooperação.

A UE manifestou a sua vontade de acelerar o processo já em curso de isentar da obrigação de visto os cidadãos turcos que viajem para a Europa, além de se comprometer em "dar um novo impulso" às negociações de adesão da Turquia paralisadas há anos.

"Fomos informados de que o Capítulo 17 das negociações [sobre a política econômica e monetária] será aberto em meados de dezembro", declarou o presidente Erdogan na quinta-feira.

A UE concorda globalmente sobre o princípio desta nova cooperação, mas os membros do bloco permanecem divididos sobre o alcance das promessas e condições.

A UE criticou no início de novembro, "a tendência geral negativa no respeito ao Estado de Direito e aos direitos fundamentais" na Turquia e pediu ao novo governo turco "respostas a estas prioridades urgentes".

Quanto à ajuda financeira prometida, se todos concordarem em comprometer-se com 3 bilhões de euros, este montante será concedido "em um ano ou em duas fases", explicou uma fonte.

As tensões entre a Turquia e a Rússia, num momento em que a França procura forjar uma aliança contra o Estado islâmico, "complicaram ainda mais o diálogo, já difícil entre a UE e a Turquia", acredita Ian Lessern, especialista no German Marshall Fund, em Bruxelas.

Fonte: Exame/Abril

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Em defesa de jornalista preso, Vice tira todas as suas páginas do ar

O grupo de mídia Vice tirou todos seus canais digitais do ar nesta quarta-feira, 21, por duas horas para pedir a liberação do jornalista Mohammed Rasool, preso há 56 dias na Turquia sob alegações de prestar assistência a uma organização terrorista enquanto trabalhava para a Vice News. Com o protesto, realizado das 12h às 14h, todas as homepagages mundiais da companhia - quase 100 páginas - exibiram uma mensagem pedindo ajuda para soltar o profissional.
freerasool
Por meio da plataforma Change.org, a Vice criou uma petição dirigida ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan. A mobilização conta com apoio do Comitê para a Proteção a Jornalistas (CPJ). O fundador e CEO do grupo de mídia, Shane Smith, pediu ajuda dos leitores para divulgar o caso compartilhando a hashtag #FreeRasool nas redes sociais. “A própria existência da democracia depende de um quarto poder, livre e próspero”, disse.

Rasool, de 25 anos, faz mestrado em Relações Internacionais na Universidade Fatih, em Istambul. Ele nasceu em Sulaymaniyah, na região do Curdistão iraquiano, e como conhecedor da política e cultura local trabalhou como jornalista freelancer, intermediário e intérprete para agências internacionais de notícias como Associated Press e a Al Jazeera.

Sob acusações de prestar assistência a uma organização terrorista durante uma cobertura jornalística no sudoeste da Turquia, Rassol, Phil Pendlebury e Jake Hanrahan, foram detidos pela polícia. Enquanto seus colegas de trabalho foram libertados 11 dias depois, Rassol segue detido em um presídio de segurança máxima.

“A detenção injusta desse jovem e talentoso repórter é parte de um cenário difícil ainda maior de repressão à liberdade de imprensa na Turquia, que silenciou jornalistas locais e internacionais que tentavam fazer seu trabalho na região, sobretudo durante o período de eleições do país, que acontecerão no próximo mês”, avalia o diretor executivo do CPJ, Joel Simon.

Fonte:Portal Comunique-se