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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Como o cinema e a literatura podem valorizar nossa rotina

Filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain"
Uma vida ordinária, comum, seria desinteressante?

O cinema e a literatura, de maneira bastante delicada, nos mostram que é bem o contrário disso.

Na comédia romântica Questão de Tempo (About Time, 2013), o personagem de Domhnall Gleeson descobre que herdou do pai a possibilidade de voltar no tempo. Ele explora o dom sempre que os ventos não conspiram a seu favor, corrigindo situações e convertendo (quase) tudo em vitória.

John Marcher, o protagonista do romance A Fera na Selva, de Henry James (The Beast in the Jungle, 1903), passa anos esperando, angustiado, a chegada de um evento raro e estranho que mudaria a vida dele.

A espera define a existência do personagem que, tão focado em aguardar o extraordinário, acaba sofrendo as consequências de não enxergar as possibilidades de direcionar a própria vida.

De olho no feed do Facebook, compartilhamos o que julgamos ser interessante, vibramos com conquistas de amigos, lamentamos derrotas ou tristezas, confirmamos presença em eventos e comparamos nossas vidas às vidas alheias. Somos tão felizes quanto? Estamos nos divertindo tanto quanto? Nosso dia foi tão agitado quanto o deles? Nossos bichinhos são tão inteligentes quanto? Nossos feitos são tão entusiasmantes quanto?

Hoje em dia, arrisco dizer que tais perguntas geralmente servem, para algumas pessoas, como filtro para se definir quão grandiosa ou empolgante é uma vida.

A grande questão deveria ser: quem disse que uma existência comum, simples, ordinária, sem acontecimentos magníficos, não é extraordinariamente deliciosa e digna de lembranças? Ainda mais em um país em que o viver é luxo para aqueles que estão tentando meramente sobreviver a um rol de adversidades.

Claro que sobreviver é um objetivo muito pequeno para qualquer um de nós, capazes de idealizar acontecimentos e realizar sonhos. O que talvez a gente não perceba é que a cobrança de se ter uma vida monumental ou extraordinária pode nos cegar para todos os minutos imponentes, memoráveis e encantadores revelados em nosso dia a dia.

Depois de experimentar a morte de uma pessoa muito querida e de lidar com o incontornável, o protagonista de Questão de Tempo percebe que não há viagem no tempo que proporcione a felicidade de seu convívio com a mulher, os três filhos, a mãe, a irmã e o trabalho.

A conclusão a que ele chega é emocionante, e todos nós podemos nos apropriar dela: “Eu simplesmente tento viver cada dia como se eu tivesse voltado no tempo para a data de hoje, como se fosse o último dia da minha vida extraordinariamente comum”.

Não encontramos esta cena legendada em português, mas vale assisti-la mesmo assim. Mas atenção, é a cena final!

Fonte: Exame

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Respirar pela boca ao dormir aumenta risco de cáries

Mulher dormindo
As pessoas que respiram pela boca quando dormem e as que sofrem de apneia do sonho correm mais risco de ter cáries do que as que o fazem pelo nariz, segundo um estudo da Universidade de Otago, da Nova Zelândia, divulgado nesta segunda-feira (data local).

"Nossa pesquisa respalda a ideia de que respirar pela boca pode ser um fator fortuito vinculado às doenças dentais como a erosão do esmalte e as cáries", disse a chefe da pesquisa, Joanne Choi, para a "Radio New Zealand".

Na pesquisa foram estudados os níveis de ph oral de dez voluntários que dormiram de forma alterna com pinças no nariz que os obrigava a respirar pela boca durante o sono.

No estudo, publicado no "Journal of Oral Rehabilitation", se descobriu que os pacientes que foram forçados a dormir com a boca aberta tinham um ph médio de acidez de 6,6 comparado com o ph neutro de 7 registrado em quem respirava pelo nariz durante o sono.

Muitas vezes o nível caiu a 3,6, que está muito abaixo do limite de 5,5 quando o esmalte começa a se desmineralizar, nos casos em que os voluntários foram forçados a respirar pela boca, acrescentou a fonte.

O ph, cujos valores normais oscilam entre 5,6 e 7,6, ajudam a proteger a integridade da mucosa, acabar com restos alimentícios e bactérias, neutralizar os ácidos e remineralizar as lesões dentárias e possui, além disso, propriedades antibacterianas.

Fonte: Exame

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Usuários digitais dormem menos horas do que ficam online

Homem na cama navegando na internet pelo celular
Os usuários de meios digitais dormem menos horas do que o tanto que passam online, e embora a grande maioria pense que isto melhora sua qualidade de vida, não estão dispostos a pagar por serviços de maior qualidade.

Esse foi o resultado de uma pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial entre cinco mil usuários digitais em Brasil, China, Alemanha, África do Sul e Estados Unidos, representando assim todas as regiões e tanto países desenvolvidos como em desenvolvimento.

Só 34% dos usuários estão dispostos a pagar mais por um serviço melhor, um proporção que cai para 21% quando se trata de ter acesso a conteúdos educativos ou exclusivos em outra área. Mas 72% esperam que as companhias de internet protejam seus dados pessoais.

Há um entendimento geral de que os meios digitais tiveram um impacto positivo. 50% acreditam que sua vida é melhor graças a eles e uma em cada seis pessoas destacam sua utilidade para manter relações com amigos.

No entanto, a opinião sobre quão positivos são os meios digitais para a vida diária variam fortemente em cada país, com uma porcentagem elevada (entre 33 e 44%) de usuários no Brasil e na China que consideram que deveriam reduzir sua utilização.

Essa opinião é compartilhada por 20% dos usuários na Alemanha e nos Estados Unidos.

Em relação ao trabalho, dois terços dos entrevistados estimam que os meios digitais ajudam a fazer melhor seu trabalho, por facilitar os contatos profissionais, a parceria entre colegas, o desenvolvimento e a aprendizagem profissional.

Os efeitos sobre a memória de longo prazo, a duração do tempo de atenção, o estresse e o impacto sobre a saúde são os problemas mais frequentes associados pelos participantes da pesquisa ao uso dos meios digitais.

Em relação à vida privada, 41% assinalaram que foram influenciados na escolha dos meios digitais que utilizam por familiares e amigos, e só 5% pela publicidade.

De fato, um terço dos consultados afirmou utilizar bloqueadores de publicidade e controles de privacidade.

Outro aspecto relevante da pesquisa é a percepção que os usuários têm sobre a influência que os meios digitais tiveram em seu nível de participação política.

China e Brasil são os países onde mais gente - 70% e 62%, respectivamente - acreditam que que foram influenciados pela internet para um maior comprometimento político, muito acima dos 23% nos EUA, 29% na Alemanha e 39% na África do Sul.

Fonte: Exame