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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Estudo revela que aquecimento global começou há 180 anos

Aquecimento global: geleira derretendo
O aquecimento global começou há 180 anos, muito antes do que se achava até agora, e tudo isso devido ao impacto da revolução industrial no clima, segundo um estudo internacional publicado pela revista científica "Nature".

A Universidade Livre de Berlim, uma das instituições participantes da pesquisa, avançou nesta segunda-feira que esta é a principal conclusão de um estudo pioneiro do "arquivo natural do clima" dos últimos 500 anos (corais tropicais, núcleos sedimentares, estalagmites, anéis de crescimento e gelos) em ambos hemisférios.

Além disso, o estudo, dirigido por Nerilie Abram da Universidade Nacional da Austrália em Canberra, recolhe a análise de diferentes modelos de evolução do clima ao longo de milhares de anos.

"As pesquisas mostram que o aquecimento da Terra tem relação desde o princípio com o aumento da concentração de gases do efeito estufa consequência da revolução industrial", explicou em comunicado Jens Zinke, paleontólogo da Universidade Livre de Berlim e coautor do estudo.

Antes da revolução industrial, a quantidade de gases do efeito estufa (como o CO2) se encontravam na atmosfera em uma proporção comparativamente baixa.

Segundo o estudo, a partir de 1830, coincidindo com os primeiros passos da revolução industrial na Europa Ocidental, começou a ser notado um aumento das temperaturas, primeiro no Ártico e nas zonas tropicais dos oceanos, e posteriormente na Europa, Ásia e América do Norte.

Cinquenta anos mais tarde começou a ser evidente o início da mudança climática em grande parte do hemisfério sul, segundo a equipe científica, que atribui estas diferenças temporárias às correntes marinhas.

A principal contribuição deste estudo é a inclusão de grande quantidade de registros do "arquivo natural do clima" do hemisfério sul e sua comparação temporal com os do norte.

Os cientistas extraem, além disso, duas consequências dessa descoberta: a confirmação pelas mãos do homem por trás da mudança climática e a necessidade de revisar os prognósticos sobre o aquecimento global para as próximas décadas levando em conta que não é um fenômeno iniciado no século XX, mas no XIX.

Fonte: EFE

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sabe aquele 'cheirinho' pós-chuva? Ele guarda boa surpresa

Menina na chuva no meio da floresta
Ah, o cheirinho de terra molhada e de ar limpo após a chuva...difícil não gostar. O “petricor”, como é chamado esse odor característico, é velho conhecido dos cientistas, que o atribuem a um punhado de fatores, como a asperção de colônias de bactérias que crescem naturalmente no solo provocada pelo impacto das gotas da chuva, à liberação de óleos emitidos pelas plantas e, até mesmo, às partículas de gás ozônio (que tem odor semelhando ao do cloro, usado em limpeza), que desce para baixas altitudes em função da chuva.

Mas acontece que, quando atinge o solo, a chuva também libera no ar bolhas de água cheias de partículas da terra que, segundo os cientistas, podem influenciar o clima do Planeta, desempenhando um papel importante no destino da luz solar que nos atinge. Em um mundo em aquecimento, essa é uma descoberta promissora.

Segundo os autores da pesquisa, publicada na revista Nature Geoscience, durante muito tempo os cientistas associaram a presença de tais partículas orgânicas somente à erosão da terra pelo vento ou às atividades agrícolas. Os efeitos dos pingos de chuva nunca entraram na discussão.

Mas isso mudou. Observações de campo feitas pelos cientistas indicam que até 60 por cento de partículas que estão no ar depois de uma tempestade em determinadas áreas, principalmente pastagens e campos agrícolas, vêm do solo.

Essas partículas orgânicas são basicamente formadas por carbono (da decomposição de vegetações e organismos), oxigênio e nitrogênio, e geralmente se hospedam no ar por dias ou semanas, muitas vezes viajam longas distâncias.

Elas formam pequenas esferas vítreas, de menos de um centésimo da largura de um cabelo humano, que podem conter uma enorme influência sobre o clima na Terra por sua capacidade de refletir a luz solar.

Agora, os pesquisadores estão implantando um conjunto de ferramentas avançadas de imagem química para analisar as partículas e seu poder de refletir a luz e o calor do sol. Os cientistas acreditam que, por essas características, elas têm o potencial de mitigar o aquecimento do planeta.

Eles sugerem que as partículas poderiam servir como núcleos que controlaríam processos relacionados com a formação de nuvens (criar mais nuvens ou torná-las mais brilhantes, por exemplo) e outras ações que ajudariam a bloquear a luz do sol.

"Essas partículas têm um conjunto único de propriedades físicas e químicas, que podem ter um efeito substancial sobre o clima da Terra", disse o químico Alexander Laskin, que conduziu o estudo.

A pesquisa vai ao encontro de outro trabalho publicado no ano passado por uma equipe do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, que demonstrou em laboratório que os pingos de chuva poderiam liberar no ar partículas finas de água acumulada em superfícies minerais.

O novo estudo apresenta um exemplo do mundo real deste fenômeno e explora as implicações para o clima da Terra. Agora, a equipe pretende estudar partículas orgânicas do solo de diferentes locais para entender melhor o seu impacto ambiental.

Essas conclusões serão integradas em um modelo atmosférico que irá avaliar as implicações dos resultados em escalas climáticas locais e regionais.

Fonte: Exame

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Adolescentes processam Obama por causa do aquecimento global

Adolescentes processam Obama
O governo americano está sendo processado, pela primeira vez, por quem nem nasceu ainda.

Quem assina o processo, em nome das "futuras gerações", também não está por aqui há muito tempo: são 21 crianças e adolescentes de 8 a 19 anos que registraram uma ação contra o Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, e outras figuras políticas importantes por estar ferindo seu direito à vida, à liberdade e à propriedade.

Isso porque eles acreditam que os governantes não estão fazendo o suficiente para salvar o planeta do aquecimento global.

Sabem bem que as grandes consequências ainda não chegaram e, daqui a um tempo, o problema vai sobrar para eles.

Um dos argumentos do grupo é que as autoridades conhecem os danos potenciais dos combustíveis fósseis há décadas.

Existem estudos americanos sobre seus efeitos nocivos desde 1979 - muito mais velhos que as crianças que acusam agora o governo.

Já se sabia que reduzir a emissão desses gases era necessário para dar condições razoáveis de vida a gerações futuras - e por isso eles acusam o Estado de estar infringindo seus direitos constitucionais.

O governo e a indústria de combustíveis fósseis pediram o arquivamento do caso.

O juiz Thomas Coffin, no estado de Oregon, avaliou se as gerações futuras tinham o direito de entrar com esse tipo de processo - e concordou com as crianças que sim, uma vez que elas serão muito mais afetadas pelo desequilíbrio climático.

O governo alegou que não poderia ser diretamente responsabilizado pelo uso que é feito dos recursos naturais em todo o território americano.

Mas existe, no país, a doutrina de "public trust": de acordo com esse conceito, os recursos naturais são de todos, e o governo age como "administrador terceirizado" da população.

O juíz Coffin decidiu então, que se esses recursos estão sendo mal administrados. Ou seja, o governo está falhando.

Com a decisão favorável em Oregon, as crianças vão ter uma chance de levar o processo a um tribunal. Mas é claro que elas não estão sozinhas nisso.

A ONG Our Children's Trust está por trás do processo, oferecendo advogados para o grupo.

Além disso, o único adulto que assina o processo é James Hansen, um dos cientistas mais famosos por pressionar abertamente as autoridades mundiais por ações maiores e mais urgentes para conter o aquecimento global.

Caso as crianças vençam o processo, o governo pode ser judicialmente obrigado a adotar políticas mais agressivas para reduzir o uso de combustíveis fósseis e a emissão de gases estufa. Isso não necessariamente é ruim para o Obama - a presidência americana apresentou em 2015 o Plano Energia Limpa, que não saiu do papel por oposição do Congresso e da Suprema Corte. Um empurrãozinho poderia ajudar a tirar o projeto do limbo.

O processo dos adolescentes chamou a atenção da ONU, que convidou uma das assinantes, Victoria Barrett, de 16 anos, para falar no Dia da Terra, 22 de abril.

A participação dela foi parte do evento em que 175 países assinaram o Acordo de Paris, em que se comprometem a não deixar que a temperatura mundial suba mais do que 2 ºC até o fim do século.

Ainda falta a ratificação (quando o compromisso é formalmente assumido pelos presidentes) de pelo menos 55 países.

Mesmo que dê tudo certo e os objetivos sejam todos cumpridos, cientistas ainda têm dúvidas se a redução de emissão será suficiente para segurar o aumento da temperatura.

Alguns acreditam que os danos do aquecimento global já sejam irreversíveis. Nem por isso vale jogar para o alto os esforços internacionais - ou então tudo pode piorar mais e muito mais rápido.

Fonte: Exame

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Desperdício de alimentos contribui para mudanças climáticas

Grãos de soja em uma fazenda do Paraná
Reduzir o desperdício de alimentos em todo o mundo ajudaria a conter as emissões de gases de efeito estufa, diminuindo parte dos impactos da mudança climática, como os eventos climáticos mais extremos e a elevação do nível dos mares, disseram cientistas nesta quinta-feira.

Até 14% das emissões geradas pela agricultura em 2050 poderiam ser evitadas administrando melhor o uso e a distribuição dos alimentos, de acordo com um novo estudo do Instituto Potsdam de Pesquisa de Impacto Climático (PIK, na sigla em inglês).

"A agricultura é um grande indutor da mudança climática, tendo representado mais de 20% das emissões globais totais de gases de efeito estufa em 2010", disse o co-autor Prajal Pradhan.

"Evitar a perda e o desperdício de alimentos, portanto, evitaria emissões de gases de efeito estufa desnecessárias e ajudaria a mitigar a mudança climática".

Entre 30 e 40% de toda a comida produzida no planeta nunca chega a ser consumida, porque se deteriora depois de ser colhida e durante o transporte ou porque é jogada fora por comerciantes e consumidores.

A expectativa é que a parcela de alimentos desperdiçados aumente drasticamente se economias emergentes como China e Índia adotarem hábitos alimentares ocidentais, entre eles um consumo maior de carne, alertaram os pesquisadores.

Países mais ricos tendem a consumir mais alimentos do que é saudável ou simplesmente desperdiçá-los, enfatizaram.

À medida que nações mais pobres se desenvolvem e a população mundial cresce, as emissões associadas ao desperdício de comida poderiam saltar do equivalente a 0,5 gigatonelada de dióxido de carbono por ano para algo entre 1,9 e 2,5 gigatoneladas anuais até a metade do século, mostrou o estudo publicado no periódico científico Environmental Science & Technology.

Muitos argumentam que reduzir o desperdício de alimentos e distribuir o excedente onde ele é necessário poderia ajudar no combate à fome em lugares que não têm o suficiente --especialmente levando em conta que as terras para expandir o cultivo são limitadas.

Os pesquisadores analisaram a necessidade de alimentos no passado e para cenários futuros diversos e descobriram que, embora a necessidade média de alimentos por pessoa permaneça quase constante nas últimas cinco décadas, a disponibilidade de alimentos cresceu rapidamente --levando a um aumento de mais de 300% nas emissões relacionadas ao excedente alimentar cada vez maior.

Fonte: Exame

segunda-feira, 14 de março de 2016

Aumento de temperaturas torna acordo climático mais urgente

Aquecimento global: gelo derretendo
Um aumento recorde de temperaturas em 2016 ligado ao aquecimento global e ao fenômeno climático El Niño no oceano Pacífico torna mais urgente a adoção do acordo sobre o clima assinado por 195 nações em dezembro para diminuir as emissões de gases do efeito estufa e assim frear as mudanças climáticas, disseram cientistas nesta segunda-feira.

As temperaturas globais médias ficaram 1,35 grau Celsius acima do normal para fevereiro no mês passado, a maior alta de temperatura de qualquer mês levando em conta uma base de dados do período 1951-1980, de acordo com informações da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa) divulgadas no fim de semana.

O recorde anterior fora estabelecido em janeiro, resultante de um aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera e do El Niño, que libera calor a partir do Pacífico.

"Acho que até os climatologistas mais radicais estão olhando isso e dizendo: 'Mas como é possível?'", disse David Carlson, diretor do Programa Mundial de Pesquisas Sobre o Clima da Organização Meteorológica Mundial, uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), a respeito da disparada nos termômetros.

"É espantoso", afirmou ele à Reuters. "Certamente é um planeta alterado... isso nos deixa apreensivos quanto ao impacto no longo prazo". Cientistas dizem que o aquecimento global está causando chuvas e secas mais intensas e a elevação do nível dos mares.

Jean-Noel Thepaut, chefe do Serviço de Mudança Climática Copérnico, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Alcance, disse que a tendência de aquecimento no longo prazo "torna a implementação do acordo de Paris urgente".

Ele enfatizou que 15 dos 16 anos mais quentes de que se tem registro aconteceram no século 21.

Em dezembro de 2015, 195 países presentes à cúpula do clima da ONU em Paris firmaram um acordo com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa a zero até 2100, abandonando os combustíveis fósseis em favor de energias mais limpas, como a eólica e a solar.

Fonte: Exame

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Com o aquecimento global, voos serão mais longos e poluentes

Avião decolando
O acelerado aquecimento do planeta também terá consequências surpreendentes nos voos transatlânticos, cuja duração será maior, uma notícia ruim tanto para o bolso quanto para o meio ambiente, segundo um estudo.

Ao provocar uma aceleração de um fluxo de ar ('jet-stream') que sopra do oeste para o leste acima do Atlântico, a mudança climática provocará o aumento dos voos entre a Europa e a América do Norte, mas os reduzirá no sentido contrário, de acordo com a pesquisa publicada na 'Environmental research letters'.

"Os voos para o oeste terão que enfrentar ventos contrários mais fortes e os voos para o leste serão impulsionados por ventos favoráveis mais fortes", resume o estudo.

No total, "uma viagem de ida e volta será mais longa", já que o tempo perdido na viagem para a América não será compensado com o trajeto na direção contrária, embora seja mais rápido.

"Tudo isto terá como consequência o aumento dos gastos de combustível, o que potencialmente pode provocar um aumento das passagens e agravará o impacto ecológico dos voos", já que os aviões emitirão mais CO2, o principal gás do efeito estufa.

O estudo, dirigido por Paul Williams da Universidade de Reading (Reino Unido), se baseia na hipótese de uma concentração duas vezes maior de CO2 na atmosfera na comparação com seu nível na era pré-industrial, o que poderia acontecer nas próximas décadas.

Neste cenário, os voos de Nova York para Londres, por exemplo, duplicarão suas possibilidades de durar menos de 5 horas e 20 minutos. O recorde atual para este trajeto, batido por um Boeing 777 em janeiro de 2015, é de 5 horas e 16 minutos.

No sentido Londres-Nova York, a probabilidade de que os voos superem sete horas também será duas vezes maior.

O fluxo de ar 'jet-stream' costuma ser mais forte no inverno, já que é criado pela diferença de temperatura entre o Ártico e os trópicos.

Outro estudo da Universidade de Reading, também coordenado por Williams, concluiu em 2015 que o aquecimento implicaria um aumento das turbulências nas viagens de avião.

Fonte: Exame

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Mudança climática causaria degelo descontrolado na Antártida

NASA desmente pesquisas anteriores que apontavam diminuição no ritmo de degelo na Antártida
A Antártida corre o risco de perder de forma descontrolada suas camadas de gelo diante de qualquer variação climática, o que provocaria uma elevação significativa do nível dos oceanos, alertou um estudo divulgado nesta sexta-feira.

Uma equipe da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia, percebeu um rápido afinamento da Camada de Gelo Oriental da Antártica após estudar as marcas em rochas em diferentes níveis de altitude.

Segundo um comunicado da universidade neozelandesa, as imagens feitas pelos satélites mostram que algumas partes das camadas de gelo antártico estão afinando por causa do aquecimento dos oceanos.

"A descoberta é muito importante para prever a futura contribuição da Antártida às mudanças dos níveis do mar", disse o chefe da equipe de pesquisadores, Richard Jones.

A principal preocupação é a possível "instabilidade da camada de gelo marinha", pois um retrocesso de seus contornos poderiam dar lugar a uma perda instável de gelo.

Esta instabilidade pode ser provocada pelo menor aumento da temperatura.

"Pode ser necessária somente uma pequena variação climática para dar início a uma perda descontrolada de gelo capaz de continuar por séculos ou milênios", advertiu Jones. O estudo foi publicado na revista "Nature".

Os especialistas garantem que a Camada de Gelo Oriental tem gelo suficiente para elevar o nível dos oceanos em dezenas de metros.

Fonte:Exame/Abril

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Brasil deve passar a usar mais fontes de energia poluentes, prevê relatório

Pesquisadores ressaltam a importância de aumentar a eficiência e buscar alternativas menos poluentes para o setor de transportes
O Brasil deve aumentar a participação de fontes poluentes na matriz energética nos próximos anos, segundo análise feita pelo World Resources Institue (WRI). A organização internacional de pesquisa sobre sustentabilidade divulgou hoje (21) o relatório Oportunidades e Desafios para Aumentar

Sinergias entre as Políticas Climáticas e Energéticas no Brasil.
Segundo o documento, mais de 70% dos investimentos previstos para o setor de energia no país entre 2013 e 2022 devem ser feitos em fontes com altas emissões de gases de efeito estufa. “Em contraste com muitas das maiores economias emergentes, a matriz energética do Brasil está se tornando mais intensiva em carbono, não menos, por causa do aumento da dependência de combustíveis fósseis”, diz o texto. Ao todo, está estimada a alocação de US$ 500 bilhões no período.

A análise foi feita a partir das informações divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia e pela Empresa de Pesquisa Energética. Assinam o relatório o professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, Oswaldo Lucon, a coordenadora de projetos de clima no WRI Brasil, Viviane Romeiro, e a diretora do Open Climate Network,  Taryn Fransen.
Ao longo dos anos, o Brasil conseguiu reduzir o desmatamento, diminuindo o impacto da mudança do uso da terra nas emissões de carbono. De 2005 a 2011, a poluição gerada dessa maneira caiu 74%, de acordo com os dados do Ministério da Ciência e Tecnologia citados no relatório. Por outro lado, as emissões do setor de energia cresceram 24% no mesmo período, após terem registrado aumento de 44% na década anterior (de 1995 a 2005).

Para reverter a tendência, os pesquisadores ressaltam a importância de aumentar a eficiência e buscar alternativas menos poluentes para o setor de transportes. “À exceção de algumas cidades, o Brasil tem oferecido poucos incentivos até agora para fazer mudanças em direção a modos de transporte mais eficientes, incluindo o transporte sobre trilhos e o BRT (Bus Rapid Transit). Uma série de reformas nos níveis federal, estadual e municipal, poderia ajudar a acelerar essa mudança”, destaca o texto.

Integrar e otimizar o transporte público pode, de acordo com o estudo, além de trazer benefícios na mitigação das mudanças climáticas, melhorar a qualidade de vida nas cidades. “Os benefícios de investir em transporte de massa de passageiros nos maiores centros urbanos incluem a redução da poluição do ar e melhora do trânsito”, destaca o documento. Entre as medidas nesse sentido é apontado o incentivo a transporte por trilhos, para reduzir o uso de carros em longas distâncias. Os pesquisadores também defendem que o governo federal, por meio do Ministério das Cidades, fomente a criação de planos locais de mobilidade, que prevejam ações para restringir o uso dos carros.

O investimento em geração de energia por meio de fontes limpas, como solar e eólica, é outro ponto abordado pelo relatório. De acordo com o documento, há grande espaço para expansão nessa área, inclusive na questão do desenvolvimento tecnológico. “Existem oportunidades significativas inexploradas pelo Brasil nesse campo: a alta incidência de raios solares, os custos declinantes e uma forte interação entre o setor de energia fotovoltaica [solar] e as indústrias de componentes eletrônicos, em relação ao valor agregado da cadeia”.

O Brasil está tentando costurar um acordo global para a 21ª Conferência do Clima (COP 21), que será realizada em dezembro próximo, em Paris. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o principal objetivo é garantir um compromisso entre os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, reduzindo o aquecimento global e limitando o aumento da temperatura em 2ºC até 2100.

Fonte: http://www.diariodigital.com.br/geral/brasil-deve-passar-a-usar-mais-fontes-de-energia-poluentes-preve/135544/