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segunda-feira, 27 de junho de 2016

Poluição causa 6,5 milhões de mortes prematuras por ano

Poluição do ar causa 6,5 milhões de mortes prematuras por ano. EFE/Mario Ruiz
Um total de 6,5 milhões de pessoas morrem por ano de forma prematura devido à poluição do ar, segundo revelou nesta segunda-feira a Agência Internacional da Energia (IEA).

O documento "World Energy Outlook", apresentado em Londres, "evidenciou que a Ásia e África são as regiões com maior taxa de mortalidade por poluição e que este problema se transformou no quarto fator de risco para a saúde humana, atrás da pressão sanguínea, da má alimentação e do hábito de fumar".

Do número total, 3,5 milhões de falecimentos estão ligados ao uso de biomassa para cozinhar e querosene para iluminar os lares em zonas pobres, enquanto 3 milhões correspondem à respiração de ar poluído, sobretudo em grandes cidades.

A IEA avisou que, se não houver uma atuação imediata, as mortes prematuras por contato direto com a poluição do ar aumentarão até 4,5 milhões em 2040, em sua maioria em países em desenvolvimento do continente asiático.

A pesquisa ressaltou que a maioria das poluições provém do setor energético, concretamente da queima de combustíveis em fábricas, carros, centrais elétricas e em cozinhas particulares.

Para o diretor-executivo da IEA, Faith Birol, estes dados são "alarmantes" e revelam um "grande problema em nível global", além de que "os esforços que foram feitos para freá-lo não são suficientes".

Birol ressaltou que "este não é um problema só de países emergentes, como China, Índia, Indonésia, Brasil e México, mas também afeta as economias avançadas", apesar de Estados Unidos, União Europeia e Japão terem reduzido suas emissões poluentes por meio de regulações.

O relatório recolhe que "os altos níveis de poluição na China desafiam a saúde pública", dado que causam até 2,2 milhões de mortes prematuras e reduzem em 25 meses a esperança de vida.

A organização apontou também a Índia como um caso preocupante, já que "12 das 20 cidades do mundo com maior poluição de ar" se encontram nesse país asiático, e apontou que este padrão está se "transferindo à África, a cidades como Lagos e Cairo".

No outro lado da balança, a UE se posiciona como uma das zonas que "tomou passos importantes para melhorar a qualidade do ar", apesar de em 2015 terem ocorrido 340 mil mortes devido à poluição e a esperança de vida ter se reduzido em seis meses.

Para combater este panorama, Birol propôs chegar a um "Clean Air Scenario" ("Cenário de Ar Limpo") para 2040, que "reduziria as mortes prematuras em até 50%".

Para diminuir o número até 3,3 milhões de mortes anuais, a IEA defendeu um aumento de 7 % do investimento no setor da energia, o que chega até US$ 4,7 trilhões.

Entre as medidas postas sobre a mesa por esta organização estão reduzir as emissões poluentes por meio de tecnologias de controle, substituir combustíveis por energias renováveis, baratear os custos de redução e assegurar uma aplicação efetiva destas ações.

Birol garantiu que apresentará este relatório perante o G20, "porque aí se encontram países como China, Índia e Indonésia", e perante a ONU em Nova York, para que revise a legislação atual, que apesar de ser "boa", não é efetiva.

Conseguir o "Clean Air Scenario" também reportaria benefícios acrescentados a outras políticas, como o acesso às energias e a mudança climática.

Uma menor emissão de poluição significaria uma atmosfera libertada de dióxido de carbono -um dos gases do efeito estufa- e uma arma contra o aquecimento global, uma das principais batalhas da política internacional, na qual Birol qualificou à UE como uma "grande lutadora".

Fonte: EFE

segunda-feira, 20 de junho de 2016

As pizzas estão poluindo São Paulo

Pizza
Massa, molho de tomate, recheio e queijo, muito queijo regado a azeite de oliva, orégano e manjericão.

Poucas comidas têm tanto potencial democrático-pacificador quanto um bom pedaço de pizza.

E o Brasil sabe muito bem disso: somos o segundo maior consumidor de pizza do mundo - perdemos apenas para os Estados Unidos. Comemos 1,5 milhão de pizzas por dia e os paulistanos são os mais glutões.

As 8 mil pizzarias de São Paulo produzem um milhão de redondas diariamente. A terra da garoa é tão aficionada pela iguaria que homenageia o prato todo domingo e instituiu dia 10 de julho como dia oficial da pizza.

E tudo isso sem ketchup, para tristeza dos imigrantes que desembarcam na Pauliceia.

Crocante com gostinho de brasa - todos os dias, 800 pizzas entram nos fornos à lenha tradicionais de São Paulo.

Que essa é forma mais saborosa de assá-las, não restam dúvidas. Mas o método está colocando a comunidade científica em polvorosa - literalmente.
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Um estudo colaborativo feito por sete universidades, tocado majoritariamente pela Universidade inglesa de Surrey e a Universidade de São Paulo (USP), sobre poluição atmosférica acendeu um alerta sobre os fornos e churrasqueiras da capital paulistana. A pesquisa acaba de ser publicada no jornal Atmospheric Environment.

São Paulo foi escolhida para o estudo sobre qualidade do ar, porque é a megacidade que mais usa biocombustível em veículos no mundo - 75% gasolina e 25% etanol.  

Os pesquisadores perceberam que o nível de poluentes vindos do trânsito não é tão alto quanto o de outras cidades do mesmo porte. Mesmo com oito milhões de veículos de circulação, ficou claro que uma parcela das emissões vem de outras fontes.

Os outros possíveis vilões para São Paulo não fazer bem aos seus pulmões podem estar bem debaixo do seu nariz, mais especificamente no seu prato.

Mais de 7,5 hectares de Eucalipto são queimados todos os meses em prol de um bom pedaço de pizza e de um espeto suculento de picanha.

Por mês, a adoração paulistana pela massa redonda representa 307,000 toneladas de madeira queimada.

"Uma vez no ar, os poluentes emitidos podem sofrer processos físicos e químicos para formar poluentes secundários prejudiciais, como o ozônio e o aerossol secundário. Enquanto a maioria dos estudos no Brasil tem se concentrado nos impactos das emissões dos veículos na qualidade do ar e, consequentemente, na saúde da população, os impactos da queima de lenha e carvão nos restaurantes ainda precisam de ser quantificados", explica o co-autor do estudo, Prof Yang Zhang, da Universidade da Carolina do Norte.

Os pesquisadores alertam para a necessidade de continuar os estudos sobre combustão desses materiais, de lixo doméstico e a sazonal queima de cana de açúcar para, além de identificar os problemas, criar soluções criativas para melhorar a qualidade do ar. Que não acabe em pizza.

Fonte: Exame

Microplásticos estão virando o "fast food" dos peixes

Larva que ingeriu microplástico referente a artigo publicado na revista Science.
A poluição por lixo plástico nos oceanos vem ganhando contornos cada vez mais sombrios. Agora, os pesquisadores descobriram que as micropartículas de plástico, filamentos com menos de cinco milímetros, parecem ter um efeito "fast food" sobre os peixes.

Na pesquisa, os cientistas identificaram uma espécie que pode realmente tornar-se viciada em comer microplásticos ao confundi-los com um alimento nutritivo. O estudo completo, publicado na revista Science e liderado por pesquisadores da Universidade de Uppsala, na Suécia, é um dos primeiros a avaliar os impactos sobre a vida marinha desse material, bastante comum em produtos esfoliantes e outros cosméticos.

Realizada no mar Báltico, na Europa, onde existem altas concentrações de micropartículas de polietileno, a pesquisa descobriu que os espécimes mais jovens, em fase de crescimento, são os mais vulneráveis ao "pseudoalimento" indigesto. É como se eles fossem iludidos ao julgar que se trata de um recurso de alta energia que eles precisam comer aos montes.

Naturalmente, esse tipo de dieta é um convite ao desastre: segundo a pesquisa, os peixes em águas com maior presença de plástico são fisicamente menores do que o grupo de controle de águas limpas, além de serem mais lentos e mais "burros", demorando para fugir de predadores potenciais.

Para agravar, os pesquisadores notaram que, não raro, os peixes optavam por comer microplástico mesmo quando opções naturais, como o planctôn, estavam prontamente disponíveis.

O estudo alerta que, apesar de muitos contaminantes químicos serem conhecidos da Ciência, pouco se sabe sobre seus impactos ecológicos. "Os mecanismos pelos quais os microplásticos podem afetar embriões e larvas de organismos aquáticos, que são particularmente vulneráveis aos poluentes, são especialmente obscuros", observam os pesquisadores.

O aumento da utilização de plásticos é de tal forma significativo que, em 2050, os oceanos terão mais detritos desse material do que peixes, alertou um estudo recente da fundação da reconhecida velejadora britânica Ellen MacArthur, em parceria com a consultora McKinsey.

No final, a poluição marinha por plástico expõe não apenas os animais marinhos e seus ecossistemas, como nós, humanos. Uma pesquisa divulgada em outubro passado mostrou que nada menos do que um quarto dos peixes vendidos nos mercados na Califórnia e na Indonésia contém, em suas entranhas, detritos plásticos. Pois é, o mundo dá voltas.

Fonte: Exame

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Armazenamento de energia renovável é vital para cumprir objetivos climáticos


Alcançar e estender o armazenamento de energia renovável será fundamental para acelerar a transição energética e para que os países possam cumprir com os compromissos assumidos no acordo do clima de Paris para que a temperatura do planeta não aumente mais do que dois graus no final do século.

Assim explica Luke Sussams, analista da organização internacional Carbon Tracker, especialista em risco climático nos mercados financeiros, em entrevista à Agência Efe.

Sussams disse que o desafio "crucial" para que de verdade ocorra uma transição energética rumo um mundo baixo em carbono "está em avançar no armazenamento da geração renovável, porque facilitaria sua penetração em massa no sistema elétrico".

"Se o armazenamento for feito, as energias renováveis serão imparáveis e se imporão sem dúvida nenhuma", ressalta.

O analista britânico é "otimista" neste sentido. "As melhoras que experimentaram as energias renováveis nos últimos anos foram realmente surpreendentes, a queda dos custos foi muito significativa e em muitos países se alcançou a paridade".

Sussams disse que a expansão das energias renováveis é "totalmente factível" sem a necessidade de subvenções. "As ajudas e as tarifas fixas eram um apoio para que a tecnologia decolasse até ser competitiva no mercado, quando isto é atingido, como ocorre em muitos países, as ajudas deixam de fazer sentido".

O analista da Carbon Tracker está convencido de que a queda de preços do petróleo "não afetará a expansão das energias renováveis", como, segundo sua opinião, demonstram dados como os US$ 329 bilhões de investimento em novos projetos de energia limpa em 2015.

"O investimento em energias renováveis resistiu aos baixos preços do petróleo, que se manterão assim durante todo este ano. Seguramente haverá um aumento do preço do petróleo em 2017, mas duvido que voltemos a ver o barril acima dos cem dólares", acrescenta.

Nessa linha, Sussams não acredita que os baixos preços do petróleo vão ser um impedimento para cumprir com os objetivos de redução de emissões aos quais cerca de 200 países se comprometeram em Paris.

Apesar de "haver muitas dúvidas abertas, como se os países vão levar a sério seus compromissos e vão implementá-los a cada cinco anos para assegurar que a temperatura não subirá mais de dois graus, o acordo de luta contra a mudança climática de Paris é quase um milagre".

"É a primeira vez na história da humanidade na qual tantos governos se unem em um mesmo acordo, o que é um sinal político tremendo para os mercados", acrescenta.

Sussams lembra também que o pacto inclui "terminologia muito ambiciosa que ninguém pensava que seria incluída", como "o compromisso de deixar a temperatura muito abaixo dos dois graus, e fazer todo o possível para que não supere 1,5".

"Isto não quer dizer que o 1,5 graus vai ser alcançado, porque tecnicamente é quase impossível, mas é preciso falar de 1,5 para tentar pararmos nos 2", aponta.

Sussams está convencido que para conseguir esse objetivo climático, dois terços das reservas de combustíveis fósseis conhecidas "devem ficar sob terra, e nessas reservas entram tanto as manejadas por empresas como pelos países".

No entanto, lembra que o "risco para a mudança climática" não está tanto nessas reservas fósseis conhecidas atualmente, mas nas que "ficariam por explorar no futuro".

Por isso, o analista acredita que somente a decolagem em massa das renováveis reduzirá a demanda de combustíveis fósseis e determinará que as reservas restantes fiquem sob terra.

No caso do carvão, Sunssams opinou que a demanda já "tocou pico" e que o declive da mesma "é totalmente estrutural e não cíclico".

Estamos em condições de dizer que "o declive do carvão é irreversível".

Fonte: EFE

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Poluição de Manaus inibe fotossíntese e reduz chuvas

Barcos em Manaus (AM)
Está comprovado: a poluição urbana produzida pela cidade de Manaus tem influência direta – e potencialmente prejudicial – sobre a biogeoquímica da floresta amazônica.

Por onde passa, a pluma de poluição que emana da capital amazonense interfere nos mecanismos de produção de partículas de aerossóis, com consequências nos mecanismos de formação de nuvens, sua evolução e a produção de chuva.

A interação da pluma urbana com as emissões naturais da floresta produz ozônio em níveis que podem ser fitotóxicos para a vegetação.

É o que mostra o artigo “Fotoquímica do isopreno sobre a Floresta Amazônica”, que acaba de ser publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Trata-se de um dos primeiros resultados da campanha científica internacional GoAmazon, um grande experimento realizada ao longo de 2014 e 2015 ao redor de Manaus, envolvendo vários projetos financiados pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês), a Fapesp e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), entre outros parceiros.

O projeto liderado por Artaxo, “GoAmazon: Interação da pluma urbana de Manaus com emissões biogênicas da Floresta Amazônica”, foi desenvolvido no âmbito do Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas da Fapesp, e utilizou, entre outros recursos, dois aviões de pesquisa com instrumentos de última geração que sobrevoaram extensivamente a Amazônia central ao longo de 2014 (Mais informações em: agencia.Fapesp.br/20150/).

“O foco dos estudos foi desvendar os mecanismos de interação entre as emissões de Manaus e as da floresta”, diz Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos coordenadores do experimento GoAmazon.

Com cerca de 400 trabalhos publicados e mais de 12 mil citações, Artaxo foi um dos quatro brasileiros citados no início do ano entre os pesquisadores “mais influentes” do mundo pela empresa Thomson Reuters.

Segundo Artaxo, a floresta emite naturalmente os chamados compostos orgânicos voláteis (VOCs) como parte do seu metabolismo. Uma vez na atmosfera, os VOCs interagem com outros gases e são oxidados.

Esse processo tem papel fundamental na formação de nuvens e, consequentemente, da chuva que cai na região.

É neste ponto que a pluma de poluição manauara mostra a sua influência. As emissões que saem das chaminés industriais e dos escapamentos da frota de veículos formam uma pluma de poluentes na troposfera sobre Manaus.

Tal pluma é continuamente transportada pelos ventos para longe da cidade, geralmente na direção oeste, formando uma mancha atmosférica que se estende por 100, 200 e até 300 quilômetros (km) de distância.

Os gases poluentes da pluma alteram as reações químicas dos VOCs na atmosfera, produzindo mais ozônio e mais partículas de aerossóis do que ocorreria naturalmente longe da presença da pluma de poluição. “O ozônio é um gás fitotóxico. Ele é tóxico para as plantas em altas concentrações”, diz Artaxo.

A concentração normal de ozônio na troposfera da Amazônia é muito baixa, de 10 a 15 partes por bilhão (ppb) no meio do dia. Por onde passa a pluma poluente de Manaus, as concentrações de ozônio quadruplicam, saltando para 40 a 50 ppb.

“A maior concentração de ozônio inibe a fotossíntese, pois faz com que os estômatos não se abram para a realização da fotossíntese. Como resultado, as plantas absorvem menos carbono da atmosfera. Nessas condições, a vegetação tem a fotossíntese reduzida”, afirma Artaxo.

“Uma exposição de longo prazo da vegetação a elevadas concentrações de ozônio levaria a uma redução na quantidade de biomassa da floresta que estiver sob a influência da pluma de Manaus.”

Tal redução ainda não foi verificada in loco, sublinha o físico brasileiro.

“Esta aferição é muito difícil. Requer um monitoramento de longo prazo. Sabemos do efeito nocivo das altas concentrações de ozônio sobre as plantas graças aos estudos em estufas artificiais. Quando as plantas são submetidas a concentrações de ozônio de 40 a 50 ppb, a fotossíntese é reduzida. Estamos neste momento desenhando novos experimentos que vão tentar quantificar qual seria o efeito da pluma de Manaus na floresta,” completa Artaxo.

Interações entre partículas

Um segundo efeito importante observado no experimento GoAmazon diz respeito às interações entre as partículas formadas pela interação dos VOCs naturais da floresta com os óxidos de nitrogênio emitidos pelos carros e indústrias.

Foi observada uma produção alta de partículas como resultado da interação da poluição com as emissões da floresta.

Essas partículas afetam os mecanismos de formações de nuvens, formando gotas menores, que demoram mais para crescer e evoluir, potencialmente diminuindo a chuva para nuvens formadas a partir da interação entre a poluição com as emissões da floresta.

“Ainda não temos uma quantificação precisa do efeito, só estudamos os mecanismos até o momento”, afirma Artaxo.

A compreensão de tais efeitos terá aplicação em toda a Amazônia, dado que a pluma de poluição sobre a floresta não é uma exclusividade da área urbana de Manaus.

Ela existe, em menor grau, em todas as outras cidades amazônicas, como Belém, Santarém, Porto Velho e Rio Branco.

O artigo Isoprene photochemistry over the Amazon rainforest (doi: 10.1073/pnas.1524136113), assinado por Artaxo e Yingjun Liu, Joel Brito, Matthew R. Dorris, Jean C. Rivera-Rios, Roger Seco, Kelvin H. Bates, Sergio Duvoisin Jr, Frank N. Keutsch, Saewung Kim, Allen H. Goldstein, Alex B. Guenther, Antonio O. Manzi, Rodrigo A. F. Souza, Stephen R. Springston, Thomas B. Watson, Karena A. McKinney, and Scot T. Martin, publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences, está acessível no endereço: http://www.pnas.org/content/early/2016/05/10/1524136113.abstract.

Fonte:AGÊNCIA FAPESP

quarta-feira, 16 de março de 2016

Famosos ônibus de dois andares de Londres serão elétricos

Ônibus elétrico de dois andares
As primeiras edições elétricas dos ônibus double-deck, que têm um segundo andar para acomodar passageiros, começarão a circular pelas ruas de Londres, na Inglaterra. Os veículos foram projetados para que sejam silenciosos ao percorrerem 290 km com uma única carga. Quando voltarem para a garagem, ao fim do dia, os ônibus serão conectados a uma central de energia para que sejam recarregados.

Cinco unidades dos ônibus double-deck irão realizar o percurso entre Wilesden e Tussell
Fonte: Exame

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Com o aquecimento global, voos serão mais longos e poluentes

Avião decolando
O acelerado aquecimento do planeta também terá consequências surpreendentes nos voos transatlânticos, cuja duração será maior, uma notícia ruim tanto para o bolso quanto para o meio ambiente, segundo um estudo.

Ao provocar uma aceleração de um fluxo de ar ('jet-stream') que sopra do oeste para o leste acima do Atlântico, a mudança climática provocará o aumento dos voos entre a Europa e a América do Norte, mas os reduzirá no sentido contrário, de acordo com a pesquisa publicada na 'Environmental research letters'.

"Os voos para o oeste terão que enfrentar ventos contrários mais fortes e os voos para o leste serão impulsionados por ventos favoráveis mais fortes", resume o estudo.

No total, "uma viagem de ida e volta será mais longa", já que o tempo perdido na viagem para a América não será compensado com o trajeto na direção contrária, embora seja mais rápido.

"Tudo isto terá como consequência o aumento dos gastos de combustível, o que potencialmente pode provocar um aumento das passagens e agravará o impacto ecológico dos voos", já que os aviões emitirão mais CO2, o principal gás do efeito estufa.

O estudo, dirigido por Paul Williams da Universidade de Reading (Reino Unido), se baseia na hipótese de uma concentração duas vezes maior de CO2 na atmosfera na comparação com seu nível na era pré-industrial, o que poderia acontecer nas próximas décadas.

Neste cenário, os voos de Nova York para Londres, por exemplo, duplicarão suas possibilidades de durar menos de 5 horas e 20 minutos. O recorde atual para este trajeto, batido por um Boeing 777 em janeiro de 2015, é de 5 horas e 16 minutos.

No sentido Londres-Nova York, a probabilidade de que os voos superem sete horas também será duas vezes maior.

O fluxo de ar 'jet-stream' costuma ser mais forte no inverno, já que é criado pela diferença de temperatura entre o Ártico e os trópicos.

Outro estudo da Universidade de Reading, também coordenado por Williams, concluiu em 2015 que o aquecimento implicaria um aumento das turbulências nas viagens de avião.

Fonte: Exame

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Pequim emite 1º alerta vermelho da história por poluição

Pessoas se protegem contra poluição em Pequim
A cidade de Pequim, capital da China, emitiu nesta segunda-feira o primeiro alerta vermelho de sua história por poluição, o mais grave de uma escala de quatro níveis, segundo anunciou a agência oficial "Xinhua".

O Escritório de Meio Ambiente de Pequim advertiu que o alerta permanecerá ativo das 7h locais de amanhã (21h de hoje em Brasília) até às 12h da quinta-feira (2h do mesmo dia em Brasília), quando as autoridades locais esperam que as chuvas ajudem a dissipar a poluição.

A cidade tinha declarado alerta laranja no domingo, o segundo mais grave abaixo do vermelho, pouco depois do registro, há uma semana, dos piores níveis de qualidade do ar do ano.

O anúncio inclui medidas para reduzir a poluição e combater seus efeitos.

Entre elas está a suspensão de obras ao ar livre e da atividade das indústrias mais poluentes, além da proibição de circulação de veículos pesados, a redução de 30% do uso de carros oficiais e uma espécie de rodízio para os automóveis particulares.

O governo também recomenda que escolas e outros institutos de ensino permaneçam fechados durante os dias de alerta.

Pequim iniciou um novo programa para medir e reduzir os níveis de poluição no final de maio, substituindo outro lançado em 2013.

O plano manteve os quatro níveis para indicar a gravidade da situação, sendo o vermelho o mais grave deles, mas propôs modificações nos requisitos para a emissão de cada alerta.

Dessa forma, o alerta laranja passou a ser emitido a partir dos 200 microgramas de concentração por metro cúbico das chamadas partículas PM 2,5 - as mais prejudiciais à saúde.

Já o vermelho é ativado quando os níveis de poluição se mantiverem acima desse valor por pelo menos três dias.

Por volta das 18h locais de hoje (8h em Brasília), a concentração de PM 2,5 estava em torno de 240 microgramas por metro cúbico, muito acima da máxima recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 25 microgramas por metro cúbico.

O novo programa determina que os alertas laranja e vermelho sejam emitidos pelo menos 24 horas antes de a poluição atingir seus níveis máximos na cidade.

Pequim nunca tinha ativado o alerta vermelho desde que adotou o sistema de quatro cores em 2013. O ano de 2015 começou com níveis inéditos de poluição.

No início de janeiro, os medidores chegaram a registrar 900 microgramas de partículas PM 2,5 por metro cúbico.

Em 2014, a capital chinesa emitiu o alerta azul, o mais baixo da escala, em 11 oportunidades. Já o amarelo, o terceiro mais alto, foi ativado cinco vezes e o laranja duas.

Os sistemas de medição de poluição, como o da embaixada dos Estados Unidos em Pequim, porém, costumam indicar níveis maiores de poluição do que os divulgados pelas autoridades locais.

O anúncio de Pequim coincide com o início das negociações políticas dos ministros do Meio Ambiente na 21ª Conferência das Partes (COP21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para tentar firmar um acordo universal contra o aquecimento global antes da próxima sexta-feira.

Pequim já tinha decretado alerta laranja no dia 30 de novembro, mesmo dia do início da Conferência do Clima, quando o presidente da China, Xi Jinping, destacava na capital francesa os projetos para conter a poluição no país, o maior emissor mundial de gases poluentes.

Fonte: Exame/Abril

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Apple promete estender suas preocupações com o meio ambiente para as fabricantes parceiras na China


A Apple possui diversas acusações graves quando levamos em conta as fabricantes de seus aparelhos. São centenas de mortes e suicídios de funcionários devido às condições absolutamente precárias. Fechando um pouco os olhos para o principal problema, isto é, aquele de cunho humano, a empresa afirmou hoje em uma coletiva de imprensa que pretende transformar a sua cadeia de suprimentos e parceiros de fabricação tornando-os mais adequados ao meio ambiente.

A primeira iniciativa envolverá a construção de uma usina de energia solar que produzirá eletricidade para compensar aquela gasta na cadeia de fornecimento da Apple. O segundo projeto tentará tornar o trabalho nas fábricas da Apple mais eficiente do ponto de vista energético, com a instalação de mais de 2 gigawatts de produção de energia limpa ao longo dos próximos anos.

É um pouco incomodo que nesta declaração ele não cite nenhuma atitude em relação as grades anti-suicídio que se tornaram famosas na Foxconn, principal fabricante de produtos da Apple no mundo. Segundo a empresa sua nova iniciativa vai evitar a emisssão de 20 milhões de toneladas métricas de gases de efeito estufa na atmosfera entre agora e 2020. A Apple alega que isso terá o efeito equivalente a 4 milhões de veículos de passageiros fora da estrada.

Desde que Tim Cook assumiu como CEO da empresa com sede em Cupertino, a Apple tem se esforçado para mostrar ao mundo que tem uma consciência ambiental. Nos últimos dois anos, a empresa tem trabalhado arduamente para impulsionar suas credenciais verdes, alimentando data centers com energia limpa e comprando cerca de 36.000 acres de floresta no Maine e na Carolina do Norte por propósito de preservação.

 "A mudança climática é um dos grandes desafios do nosso tempo, e a hora de agir é agora", disse Cook em um comunicado. "A transição para uma nova economia verde exige inovação, ambição e propósito. Acreditamos apaixonadamente em deixar o mundo melhor do que o encontramos e espero que muitos outros fornecedores, parceiros e outras empresas se juntem a nós neste importante esforço".

A maior parte da cadeia de produção da Apple tem lugar na China, onde grande parte da fabricação de produtos eletrônicos do mundo acontece. As fabricas chinesas dependem fortemente de carvão para a geração de eletricidade, o que a Apple está esperando mudar com as suas mais recentes iniciativas.

Grupo de defesa ambiental como o Greenpeace, passaram a elogiar os passos que a Apple está tomando rumo à construção de uma cadeia de fornecimento renovável:

 "Nós vimos a Apple liderar o setor na construção de meios de energia renováveis para seus escritórios e fábricas, esperamos que a Samsung, a Microsoft e as outras empresas de TI possam seguir esta liderança na fabricação de seus dispositivos de ponta com um abastecimento de energia do século 21", afirma o analista sênior do setor de TI do Greenpeace, Gary Cook.

A Apple tem participado ativamente na luta pelos direitos ambientais. Este último conjunto de iniciativas incluíram um projeto em conjunto com o World Wildlife Fund para proteger 1 milhão de acres de florestas na China, além de outras iniciativas no país como a construção de uma usina de energia solar na província de Sichuan capaz de produzir 40 megawatts de eletricidade, uma quantidade maior do que a Apple usa em suas lojas e escritórios em toda a China.


Fonte: Tudo Celular

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Brasil deve passar a usar mais fontes de energia poluentes, prevê relatório

Pesquisadores ressaltam a importância de aumentar a eficiência e buscar alternativas menos poluentes para o setor de transportes
O Brasil deve aumentar a participação de fontes poluentes na matriz energética nos próximos anos, segundo análise feita pelo World Resources Institue (WRI). A organização internacional de pesquisa sobre sustentabilidade divulgou hoje (21) o relatório Oportunidades e Desafios para Aumentar

Sinergias entre as Políticas Climáticas e Energéticas no Brasil.
Segundo o documento, mais de 70% dos investimentos previstos para o setor de energia no país entre 2013 e 2022 devem ser feitos em fontes com altas emissões de gases de efeito estufa. “Em contraste com muitas das maiores economias emergentes, a matriz energética do Brasil está se tornando mais intensiva em carbono, não menos, por causa do aumento da dependência de combustíveis fósseis”, diz o texto. Ao todo, está estimada a alocação de US$ 500 bilhões no período.

A análise foi feita a partir das informações divulgadas pelo Ministério de Minas e Energia e pela Empresa de Pesquisa Energética. Assinam o relatório o professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, Oswaldo Lucon, a coordenadora de projetos de clima no WRI Brasil, Viviane Romeiro, e a diretora do Open Climate Network,  Taryn Fransen.
Ao longo dos anos, o Brasil conseguiu reduzir o desmatamento, diminuindo o impacto da mudança do uso da terra nas emissões de carbono. De 2005 a 2011, a poluição gerada dessa maneira caiu 74%, de acordo com os dados do Ministério da Ciência e Tecnologia citados no relatório. Por outro lado, as emissões do setor de energia cresceram 24% no mesmo período, após terem registrado aumento de 44% na década anterior (de 1995 a 2005).

Para reverter a tendência, os pesquisadores ressaltam a importância de aumentar a eficiência e buscar alternativas menos poluentes para o setor de transportes. “À exceção de algumas cidades, o Brasil tem oferecido poucos incentivos até agora para fazer mudanças em direção a modos de transporte mais eficientes, incluindo o transporte sobre trilhos e o BRT (Bus Rapid Transit). Uma série de reformas nos níveis federal, estadual e municipal, poderia ajudar a acelerar essa mudança”, destaca o texto.

Integrar e otimizar o transporte público pode, de acordo com o estudo, além de trazer benefícios na mitigação das mudanças climáticas, melhorar a qualidade de vida nas cidades. “Os benefícios de investir em transporte de massa de passageiros nos maiores centros urbanos incluem a redução da poluição do ar e melhora do trânsito”, destaca o documento. Entre as medidas nesse sentido é apontado o incentivo a transporte por trilhos, para reduzir o uso de carros em longas distâncias. Os pesquisadores também defendem que o governo federal, por meio do Ministério das Cidades, fomente a criação de planos locais de mobilidade, que prevejam ações para restringir o uso dos carros.

O investimento em geração de energia por meio de fontes limpas, como solar e eólica, é outro ponto abordado pelo relatório. De acordo com o documento, há grande espaço para expansão nessa área, inclusive na questão do desenvolvimento tecnológico. “Existem oportunidades significativas inexploradas pelo Brasil nesse campo: a alta incidência de raios solares, os custos declinantes e uma forte interação entre o setor de energia fotovoltaica [solar] e as indústrias de componentes eletrônicos, em relação ao valor agregado da cadeia”.

O Brasil está tentando costurar um acordo global para a 21ª Conferência do Clima (COP 21), que será realizada em dezembro próximo, em Paris. Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o principal objetivo é garantir um compromisso entre os países para diminuir a emissão de gases de efeito estufa, reduzindo o aquecimento global e limitando o aumento da temperatura em 2ºC até 2100.

Fonte: http://www.diariodigital.com.br/geral/brasil-deve-passar-a-usar-mais-fontes-de-energia-poluentes-preve/135544/

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Espuma de poluição do Rio Tietê invade ruas na cidade de Salto (SP)

A poluição toma conta de um dos rios mais famosos de São Paulo,  o Rio Tietê. O rio amanheceu coberto por uma espuma negra e em Salto, a 100 km da capital paulista, a lama saiu do leito do rio e invadiu ruas da cidade.
Tudo é reflexo da chuva dos últimos dias na região metropolitana de São Paulo, que fez o volume do rio aumentar rapidamente. O Tietê tem 1,1 mil km. Nasce em Salesópolis e vai até o município de Itapura, onde deságua no Rio Paraná. Na região metropolitana de São Paulo recebe esgoto de várias cidades, mas é em Salto que o problema da poluição é mais visível.
A força da correnteza e a queda d’água, principal ponto turístico de Salto, remexem a água do Tietê e toda a sujeira que está no rio vem à tona.  A água cobriu uma ponte e a lama negra saiu do leito do rio e chegou ao asfalto. Em novembro do ano passado, outro fenômeno chamou a atenção: uma espuma escura causou morte de 40 toneladas de peixes.

Fonte: http://g1.globo.com/jornal-hoje/noticia/2015/09/espuma-de-poluicao-do-rio-tiete-invade-ruas-na-cidade-de-salto-sp.html